A batalha de Los Angeles

Publicado em 28 de maio de 2010
Por Andre Deak

por Felipe Lavignatti

Cidade litorânea, paisagem linda, população pobre, duas facções criminosas (uma delas com o vermelho como cor predominante), morte de crianças e adolescentes, tráfico de drogas. A descrição que se encaixa perfeitamente com a imagem que nos acostumamos a associar ao Rio de Janeiro é o cenário do mais recente documentário de Stacy Peralta, ainda inédito no Brasil. Documentário de primeira, referência pra quem pretende seguir pelo audiovisual.

Crips & Blood: Made In America é a terceira incursão atrás das câmeras do ex-skatista profissional. Em seu currículo como documentarista estão apenas dois filmes, Riding Giants – No Limite da Emoção  e Dogtown & Z-Boys (documentário que conta a história dos skatistas que mudaram a cara do esporte nos anos 70 na Califórnia, entre eles o próprio Peralta).

Se em seus dois trabalhos anteriores Peralta retratou o lado ensolarado da Costa do Pacífico, agora ele foca sua lente no centro-sul de Los Angeles, palco de revoltas históricas e de duas gangues que se enfrentam há quase meio século. Crips e Bloods, azuis e vermelhos, cada gangue dividindo áreas da cidade. Atravessar essas fronteiras invisíveis pode ser fatal. O documentário mostra como a situação é tensa, ao ponto de uma especialista dizer que muitas pessoas que moram nessa área nunca viram o mar – para quem não sabe, Los Angeles é uma cidade litorânea.

Peralta não se limita somente a contar o conflito atual, ele vai às origens das primeiras gangues. E além. Conta como os negros migraram do sul dos EUA para grandes centros durante o período de guerra. Nova York, Chicago e Los Angeles abriram oportunidades e as fecharam logo na sequência. Sem ter onde trabalhar, o crime entre os negros cresceu. Tráfico, discriminação, violência. Uma realidade que não mudou muito desde os surgimentos das primeiras gangues.

Em 2009, o time de basquete mais popular da cidade, o Lakers, venceu o campeonato da NBA e a população foi à rua comemorar queimando carros, quebrando lojas. Adestruição da comemoração lembra dois momentos mostrados no filme, a revolta do bairro de Watts na década de 60 e o episódio Rodney King nos anos 90. Em ambos, a violência policial e o racismo como pano de fundo.

Crips and Bloods conta com ótimos recursos gráficos para mapear a cidade, suas gangues e nichos coloridos. O site do filme não reproduz essa divisão, infelizmente, mas na web não é difícil achar mapa com um panorama da violência da cidade. Até mesmo o site da policia da cidade mantém um mapa com atualizações dos crimes e locais da cidade dos anjos. Peralta não dá uma resposta para o problema, mas mostra quem está lutando por isso: os ex-membros de gangue e os parentes de vítimas.

Um dos momentos mais marcantes do filme tinha tudo pra ser uma breguice, mas é mostrado de forma simples, sem narração. O rosto das mães de jovens mortos. Um segundo para cada, algumas chorando, e o nome e idade de cada vítima. A faixa etária é baixa, como é de se esperar neste ambiente de crimes. Difícil não fazer analogia com o crime organizado no Brasil.

Mas quem curte os gênios do South Park vai ter também outra referência em mente: um episódio em que  Timmy e Jimmy são dois Crips com muito orgulho.

Para baixar Crips and Blood Made in America: Aqui pelo Pirate Bay.

Outros documentários para download, aqui.

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