Alberto Cairo e os tipos de infografias, no #sijol

Publicado em 01 de junho de 2010
Por Andre Deak

Alberto Cairo, infografista espanhol premiadíssimo que hoje está na Época, falou durante o Seminário Internacional de Jornalismo Online (#sijol, no twitter), no último sábado (29 de maio), em São Paulo.

Pra quem não conhece, vale a pena dar uma olhadela em várias das coisas que Cairo andou fazendo por aí, praticamente abrindo novas fronteiras no campo das infografias.

Registrei a palestra dele e as perguntas que respondeu depois, editando tudo num texto que segue aí embaixo:

Eu era jornalista online, mas agora foco nos infograficos impressos. Percebo algumas tendências na atualidade, e alguns problemas em como são feitas essas infografias agora.

Acham que adoro tecnologia, mas meu objetivo é contar historias. Se o Flash vai acabar ou não é uma discussão que não me importa. Se acabar, outra coisa o substituirá, e temos que usar isso para contar boas histórias. Em 2004 estava no El Mundo, e produzimos o que considero o ponto mais importante da minha carreira, um infográfico sobre os atentados de Madrid.

Foi um gráfico com muitíssimo conteúdo, feito no mesmo dia dos ataques. Fizemos uma primeira versão, publicada muito rápido, depois uma segunda, depois uma terceira versão, de noite, que é a que está no ar até hoje. É uma apresentação linear. O ponto forte é que é um gráfico simples. Precisa apenas de alguma habilidade em flash, em illustrator, mas a apuração foi o mais difícil. O tempo de apuração foi o principal desafio. E como é linear, é fácil de entender. Acho que esses gráficos simples são super importantes e estao sendo deixados de lado nos EUA. Gráficos enciclopédicos estão sendo produzidos agora. Não são breaking news. No New York Times são 30 pessoas para fazer infografias. Ficam uma semana produzindo. Isso é um luxo que poucos podem ter. Prefiro assim os mais simples, porque são fáceis de planejar e de produzir.

Um outro tipo de infografias que estão sendo feitas agora, numa terceira geração de infográficos, são o que chamam no Brasil de jornalismo de base de dados. O New York Times, com o Murder em New York City, por exemplo. Tem uma base enorme de dados, atualizados. É muito complexo de produzir e de planejar. Mas existe uma facilidade no prazo de produção, que sempre é longo.

Em 2004 a gente fazia um monte de gráficos sobre breaking news, e ao mesmo tempo fazíamos o segundo tipo, enciclopédicos, e quase nada do terceiro. Hoje isso está bem diferente. Pouco se faz de breaking news, muito se faz do segundo tipo, e cada vez mais de base de dados – mas esses, em geral, são pouco trabalhados. São feitos como se estivessem jogando dados na página e esperando que o leitor se vire para entender. O jornalista precisa editar essas informações de maneira inteligível.

Existe um do New York Times, sobre filmes, que é incompreensível [N.E.: Aqui neste blog tem um texto exatamente sobre esta crítica de Cairo].

Falamos muito de tudo, html, flash, etc., mas falamos pouco sobre como contar boas histórias, sobre narrativas jornalísticas boas. Temos que achar um equilíbrio entre breaking news e gráficos de fundo, de contexto. Um número: tivemos em um dia um milhão de acessos com o gráfico do atentado do El Mundo.

É preciso pensar primeiro no leitor. Não interessa a tecnologia que seja usada; interessa que a história esteja bem contada.

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