Isso não é normal: uma reportagem multimídia

Publicado em 17 de junho de 2010
Por admin

Não é normal mesmo ver reportagens assim na imprensa brasileira. A WebCitizen acaba de lançar um trabalho de reportagem multimídia bem interessante, daqueles que pouco vemos por aqui: é o site Isso não é Normal, sobre os impactos do desenvolvimento desenfreado de uma cidade como São Paulo.

Eles explicam como foi feito:

O site foi produzido por uma parceria entre duas empresas: a Webcitizen(que se dedica ao trabalho de participar da transformação do mundo através da informação) e a Cia de Foto (um coletivo de fotografia e vídeo dedicado a documentar a vida em São Paulo e divulgar essas imagens através da arte, do jornalismo e da publicidade), com apoio financeiro do Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID) do governo britânico e apoio à produção de conteúdo do Programa de Comunicação em Mudanças Climáticas da Embaixada Britânica.

Para veicular este conteúdo, queríamos como parceiro um veículo de informação respeitado e com circulação nacional. Nossa primeira escolha foi o Estadão, por causa de seu envolvimento histórico com os temas ambientais, e pela abordagem inovadora que tem na internet.

O que vemos agora é o primeiro de uma série de três sites: !sso Não é Normal SP (sobre a cidade de São Paulo), !sso Não É Normal S (sobre a região Sul, que será lançado em 15 de julho) e !sso Não É Normal NE (sobre o Nordeste, com lançamento marcado para 15 de agosto).

Interessante notar como iniciativas de grandes reportagens multimídia não partem das redações dos grandes jornais, mas de produtores independentes. Um exemplo de que bom jornalismo pode surgir fora das velhas mídias.

Provocações:

Será necessária a velha mídia para produzir bom jornalismo?

E outra: é inegável que o alcance de um veículo tradicional como o Estadão é maior do que simplesmente colocar o site no ar e utilizar a rede para divulgar o trabalho. É inegável mesmo? (e o fenômeno do #calabocagalvão)

UPDATE: Lívia Ascava comenta como foi fazer a reportagem Isso não é normal

Comentários (5)

  • Gabriela |

    17/06/2010

    Muito legal mesmo o trabalho da galera do webcitizen e também não entendi a opção por um veículo da velha mídia. Teriam ganhado mais pontos se tivessem mantido a independência…

    Responder
  • Lucas Pretti |

    17/06/2010

    Legal mesmo, André. Belo exemplo brasileiro de rep multimídia.

    Só me incomoda MUITO – e aí já respondendo uma das provocações – o fato de o conteúdo ter sido veiculado num grande portal. Não acho inegável o alcance de um veículo tradicional comparado à web. Acho o contrário, mas essa nem é a questão, penso. Para mim, ética é estética (parafraseando o dramaturgo Reinaldo Maia). Então, a forma como se pensa o formato de qualquer obra (no caso do jornalismo, a edição, a distribuição etc.) não se dissocia da forma como se pensa o conteúdo, a mensagem, as intenções de comunicação.

    Mas é só uma posição. Debatamos.

    abraço!

    Responder
  • André HP |

    17/06/2010

    A iniciativa é bem legal. Um problema que seja vinculado ao Estadão, mas é próprio do sistema este tipo de fenômeno.

    Abraço.

    Responder
  • Fred Di Giacomo |

    18/06/2010

    Parabéns pro Denis Russo e equipe!

    Responder
  • Jornalismo Digital.org » Lívia Ascava: como fizemos o Isso não é normal |

    23/06/2010

    [...] Escrevemos aqui sobre a reportagem multimídia Isso não é normal, publicada pelo Estadão e desenvolvida pelas empresas WebCitizen e Cia de Foto. Falamos com uma das repórteres do projeto, Lívia Ascava, que nos enviou um depoimento sobre o processo de produção. Abaixo: Nós (Webcitizen e Cia de Foto) recebemos uma missão da embaixada britânica: realizar um trabalho sobre mudanças climáticas com foco em cidades. O nosso projeto está alinhado com o relatório “Vulnerabilidades das Mega-cidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo”, coordenado pelo Carlos Nobre. É um trabalho bem bacana, cheio de pesquisas acadêmicas, muito rico. A nossa ideia era tornar a informação mais simples, acessível e divertida. Além de aproximar os cidadãos do tema. Não apenas no sentido de “ó, tá acontecendo”, mas também de “ó, tá acontecendo e isso tem tudo a ver com a sua vida, o seu cotidiano, o agora”. [...]

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