Projeto Chrome: The Web is What You Make of It

Publicado em 18 de outubro de 2011
Por Andre Deak

Por Ismara Antunes Cardoso

As campanhas publicitárias estão cada vez mais conceituais, engajadas e inovadoras. Mas até que ponto a ideia deixa de ser uma simples publicidade e se torna uma campanha que agrega informações válidas e traz interatividade com seus usuários? O Google Chrome aposta nisso e começa um projeto que chama a atenção do mundo inteiro: “The Web is What You Make of It”.

O Google Creative Lab – para quem não conhece, é o departamento do Google responsável por captar e desenvolver plataformas emergentes – lançou o projeto que consiste em focar e reunir todas as possibilidades que o browser permite. Programas como Youtube, Blogger, Gmail, Google Maps, Picasa, Google Talk, iGoogle, e muitos outros do pacote, são abordados de forma interativa e até poética, digamos assim.

O primeiro projeto da série, ligado à campanha “The Web is What You Make of It”, foi criado como uma forma de dar informações e apoio a todos os jovens homossexuais. Com um elevado índice de adolescentes suicidas nos EUA, o projeto “It Gets Better” vem para lembrar a comunidade LGBT que eles não estão sozinhos.

Imagem de Amostra do You Tube

Iniciado em setembro de 2010, o projeto conta hoje com vídeos enviados por pessoas do mundo inteiro, incluindo o presidente Barack Obama, celebridades, ativistas, políticos e funcionários de grandes organizações, como Pixar e Apple. Para eles “cada vídeo modifica uma vida, não importa quem o fez”. O site itgetsbetter.org, ainda recebe vídeos e muitas visitas, onde jovens podem contar com todo o suporte de pessoas que passaram pela mesma situação, e palavras de conforto de quem admiram.

A cantora Lady Gaga também participou da campanha com um vídeo especial, onde incentiva e encoraja todos os seus fãs, conhecidos como littlemonsters, sejam eles homossexuais ou heterossexuais. No clipe, a cantora aparece completamente conectada ao público, enviando mensagens do tipo “Vocês todos são super stars”, “Vocês me inspiram” enquanto observa vídeos e fotos enviados pelos fãs. No final, Lady Gaga encerra com a mensagem “Sejam fortes, little monsters”. O vídeo já teve mais de 4 milhões de visualizações.

Até que ponto seria possível encarar vídeos e campanhas online como modelos de apreensão de informação? A disseminação da informação se torna algo involuntário, simples e diferente. Contagia as pessoas a fazerem parte daquilo e a interagirem. Um simples vídeo enviado por um ativista homossexual chega a milhares de pessoas e se transforma em um grande projeto em prol da aceitação da diversificação humana.

Sempre com o intuito de aprimorar e facilitar a vida das pessoas, os vídeos da campanha do Chrome apostam em multinarrativas que mostram as possibilidades dos serviços Google, cada um para finalidades e situações diferentes, a fim de identificar o que melhor se adapta em cada caso. No vídeo “Frank Restaurant” um jovem casal descreve suas dificuldades e aflições de abrir seu próprio restaurante. A falta de verba, estrutura, divulgação e o medo de não conseguir voltar atrás, caso não dê certo. O vídeo começa com a elaboração de uma planilha de custos, seguido da geolocalização via satélite do restaurante, o primeiro dia de funcionamento e enfim, as críticas e sugestões de clientes, que começam a repercutir na internet (exaltando os serviços de blog, reviews, fotos, Google+ e Google 1+).

Imagem de Amostra do You Tube

A partir daí fica claro para o internauta como um negócio, ou uma ideia, pode ser divulgada através de simples serviços e estratégias que podem ser elaboradas online, e melhor ainda, gratuitamente. Prestando um ótimo serviço, Jenn e Daniel conseguiram sua divulgação com os excelentes comentários que surgiram na rede social Google+ e blogs sobre seu restaurante. Além de colaborarem postando fotos e notícias sobre o local.

Um pai decide compartilhar com a filha, através da internet, todas as suas memórias, desde o nascimento. Foi o caso do vídeo “Dear Sophie”. Com fotos, vídeos, desenhos, tudo através de uma conta criada no Gmail, que quando crescer a menina poderá acessar. Um jovem músico decide usar a internet para se tornar um fenômeno mundial, é o que mostra o vídeo de Justin Bieber para a campanha. Postando singelos vídeos caseiros desde a infância do garoto, abordando a repercussão e os compartilhamentos de cada vídeo, até o rapaz se tornar o “cantor” mais aclamado pelas adolescentes do mundo inteiro. A notícia virtualmente disseminada possui uma narrativa diferente que contamina outras formas midiáticas de massa e público, além das tradicionais, conseguindo atingir nesse caso a geração Z, dos “hiperconectados”.

Mas um grande exemplo do potencial narrativo foi o projeto criado em homenagem ao cantor Johnny Cash, “The Johnny Cash Project”, uma forma de, coletivamente, criar um último videoclipe ao músico. A idéia é simples e encantadora: fãs do mundo inteiro se reúnem através da internet para criar um clipe para a música “Ain’t No Grave”. Cada frame é um desenho criado através do site interativo thejohnnycashproject.com, formando um vídeo com mais de 250 mil desenhos. Dessa forma, a notícia ganha novos contornos de acordo com a mídia para qual foi produzida, gerando uma divulgação espontânea, maior interatividade e abrangência de público. O projeto recebe desenhos até hoje e, devido ao grande sucesso, consegue conquistar novos fãs que nunca tinham ouvido a música do lendário “Man in Black”, como era conhecido.
Imagem de Amostra do You Tube

Vemos a criação de uma nova era da comunicação, em que o público está cada vez mais em contato direto com a informação. A linguagem unilateral não é mais eficaz, uma vez que os receptores querem participar e compartilhar suas opiniões. O monopólio da fala entre os meios de comunicação hostiliza o público e estereotipa a mídia como algo blasé. Agregando informação ao entretenimento, à comunicação, e principalmente à publicidade, pode-se notar um resultado maior de divulgação e interação no mercado. Quebramos as barreiras entre o real e o virtual, explorando ao máximo as novas possibilidades. Informar, agora é um desafio.

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

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