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	<title>Jornalismo Digital.org &#187; ENTREVISTAS_Jornalismo Digital.org</title>
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		<title>Daniela Silva, jornalismo e transparência de dados públicos</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 12:38:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Daniela Silva é jornalista, trabalha na Esfera, empresa que faz parte da Casa da Cultura Digital. Além deste vídeo, que fiz para uma aula com os alunos da pós-graduação da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), a Daniela também deu uma entrevista para o projeto do jornalista Mateus Rodrigues. Foi uma conversa bastante longa, mas alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="YouTube video player" width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/UnwO8gHIXNY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Daniela Silva é jornalista, trabalha na Esfera, empresa que faz parte da <a href="http://www.casadaculturadigital.com.br/">Casa da Cultura Digital</a>. Além deste vídeo, que fiz para uma aula com os alunos da pós-graduação da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), a Daniela também deu uma entrevista para o projeto do jornalista Mateus Rodrigues. Foi uma conversa bastante longa, mas alguns trechos publicamos aqui:</p>
<p><strong>Mateus</strong>: Daniela, conte um pouco sobre sua formação, tanto acadêmica quanto profissional.</p>
<p><strong>Daniela</strong>: Eu sou jornalista. Fiz graduação em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Trabalhei na Editora Abril, na Editora Moderna já um pouco mais afastada da área, trabalhando com conteúdo educacional. Fiz pouquíssimo, se fiz, trabalho com reportagem tradicional. Todos os veículos que eu trabalhei eram de internet, então eu já comecei trabalhando na web. Eu, na verdade, tive uma desilusão com jornalismo em algum momento bem no comecinho do curso e voltei a querer fazer jornalismo porque descobri a possibilidade de trabalhar com a internet. Descobri que tinha áreas onde era possível fazer alguma inovação. Eu sentia muita falta de trabalho criativo no jornalismo. Nunca imaginei que fosse ser assim, mas eu comecei a fazer e saquei que tinha essa coisa meio “fórmula”, meio “receita de bolo”.</p>
<p>Aí acabei indo estudar fora um tempo, fui estudar na Universidade do Texas, fazer um intercâmbio de um ano para dar uma pensada. E lá eu fui trabalhar no Knight Center, que é um centro de pesquisa em jornalismo na América Latina; é o <a href="http://knightcenter.utexas.edu/">Knight Center for the Journalism in the Americas</a>, e fiz um curso de jornalismo multimídia. E aí minha cabeça explodiu: falei “é isso”, porque entendi que tinha ali um espaço de inovação e de formato. Mesmo assim ainda não fiquei investindo muito em jornalismo multimídia não. Não encontrei caminho pra isso quando cheguei no Brasil, lembro de ter conversado com alguns profissionais que me indicaram a empresa pública, por exemplo, a Agência Brasil, que na época estava fazendo muita inovação em multimídia, mas no mercado, pra estagiária, estava um pouco difícil em 2005, 2006.</p>
<p>Então acabei, na verdade, fazendo um pouco de jornalismo de internet normal, mas muito numa via já de criação de projetos. Então eu trabalhei no Universia, por exemplo. Lá eu fazia uns pacotes multimídias de passeios virtuais em museus; trabalhei na Abril, no Planeta Sustentável, trabalhei na criação do site, então trabalhei um pouquinho com arquitetura da informação, ajudava a coordenar a equipe de tecnologia que era externa ao site. Hoje eu trabalho com transparência pública e com dados públicos e formas de resignificar esses dados na Rede. Falo que eu sou jornalista porque eu confio numa extensão do sentido dessa palavra; eu acho que ser comunicador significa muito mais do que apenas ser repórter, mas tenho certeza de que eu não trabalho mais com reportagem tradicional, que eu sou uma jornalista tradicional. Não defendo nenhum corporativismo em volta desse termo, e eu acho que hoje meu papel de comunicadora é, na verdade, explorar e criar os caminhos para que mais pessoas possam se apropriar da comunicação como uma ferramenta de transformar as coisas.</p>
<p>Acho a profissão do jornalista em geral, pelo que eu escuto falar dos meus amigos, se aproximou muito da internet. Na época que eu estava na faculdade, eu acho que o pessoal tinha um pouco de birra e ranço – isso foi entre 2003 a 2007. Hoje, agora, eu acho que tem uma proximidade um pouco maior, tem uma ligação um pouco mais íntima no processo de fazer e eu acho que as pessoas, todas, em geral, estão mais próximas da tecnologia. Mas, na época, eu lembro claramente de ser uma das poucas que não me apavorava com aquilo, muito pelo contrário, eu achava que era o máximo e que a verdade estava ali em algum lugar.</p>
<p><strong>Mateus</strong>: Você foi cofundadora da Esfera. Começou quando?</p>
<p><strong>Daniela</strong>: A Esfera começou em outubro de 2009. Na verdade, ela começou um pouco antes, o planejamento dela começou em junho do mesmo ano, junho de 2009, mas acho que a primeira ação concreta que a gente realizou com ela foi em outubro de 2009, foi o primeiro <a href="http://blog.esfera.mobi/transparencia-hackday-convite-a-participacao/">Transparência Hack Day</a>.</p>
<p>Eu estava pesquisando a transparência e a internet, como a transparência foi impactada pela internet, uma viagem que começou muito por essa forma de digitalização de governos. Então, eu estava querendo entender, por exemplo, experiências como a do <a href="http://setiathome.berkeley.edu/">SETI@home</a>, experiências de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Grid_computing">grid computing</a>, então várias pessoas montam um computador virtual que processa dados e eu pensava: “será que esses dados não vão ser muito mais nossos se começarmos a montar estruturas assim? Se, de repente, eles não estiverem parados nos servidores dos governos e estiverem sob controle real das pessoas, porque o digital permite isso. E meio que nessa piração, eu encontrei um movimento mundial consagrado já que estava se preocupando com essas questões, que era o movimento dos dados abertos, que acho que começa mais ou menos em 2007. Isso eu comecei a pesquisar em 2009 e ainda tinha muito pouca literatura sobre isso no Brasil. Tava ali, escrevendo uma pesquisa bem introdutória sobre possibilidades de abrir dados na Rede e possibilidades de reutilizá-los enquanto sociedade. Então, como a transparência se impacta com essas possibilidades novas abertas pelo digital e pela Rede. Tava pensando um pouco no fato de que tinha acabado de ser aprovada uma lei no Brasil, que é a <a href="http://leicapiberibe.net/">Lei Capiberibe</a>, uma extensão da lei de transparência que fala de dados orçamentários divulgados em tempo real na internet&#8230; Primeiro, eu pensava que ia ter uma enxurrada de dados de prefeituras e governos na internet e não ia poder servir pra nada, primeiro por causa do formato, que esses dados são divulgados que dificultam muito, tradicionalmente, a utilização deles.</p>
<p>E aí, em janeiro de 2009, eu e o Pedro Markun – que é meu sócio – começamos a desenhar o que ia ser a Esfera muito “perifericamente” ainda. Em outubro, a primeira ação da Esfera aconteceu, que foi o Transparência Hack Day. Antes disso ainda teve o <a href="http://softwarelivre.org/portal/geral/clone-do-blog-do-planalto-permite-comentarios-dos-leitores">clone do blog do Planalto</a>, que foi na verdade o estopim de tudo. Foi uma brincadeira, foi uma ideia de fazer uma provocação para a internet, que tava reclamando e chorando porque o tal blog do Planalto não tinha comentário, mas tinha um monte de possibilidades de interação e a gente estava querendo mostrar que “olha, de repente a gente tem possibilidades de ação aqui que não são só verbais, que não é só falar, que não é só &#8216;expressar o nosso descontentamento&#8217;. Aqui tem uma possibilidade de criar debates em torno de como essas tecnologias funcionam”. Daí saiu o clone, do clone saiu uma mobilização política, de fato, em relação a esse tema. Então a gente conseguiu daqui, da Casa de Cultura Digital, onde eu estou, ter uma reposta do Planalto sobre uma decisão que, com certeza, eles passaram cinco meses pensando e articulando, se vai ter comentários ou não vai ter comentários. Sabia-se sim do impacto de opinião pública que isso poderia ter, mas essa discussão foi desmontada em quinze minutos de trabalho aqui na Casa de Cultura Digital, a ponto do Planalto ter que se manifestar e se manifestar em prol da liberdade na internet, falar que a internet é um espaço&#8230; é um terreno livre, que as pessoas podem fazer o que elas quiserem com a informação, como estava caracterizado no site por uma licença Creative Commons, que permitia quer isso fosse feito.</p>
<p><strong>Mateus</strong>: A gente tá falando basicamente de dados governamentais e a gente falou muito de dados governamentais abertos. O que é isso? O que que define um dado governamental como aberto?</p>
<p><strong>Daniela</strong>: Dado governamental aberto é aquele que vem a público com o compromisso de ser compartilhado pela sociedade, de ser apropriado pela sociedade. Essa, eu acho é a minha interpretação. Então, tem um texto que circula pela internet feito por sete ativistas do governo aberto em 2007, no fim de 2007, não é nada muito estruturado, são <a href="http://www.brasilaberto.org/os-oito-principios-dos-dados-governamentais-abertos">oito princípios que saíram dessa conversa que falam que os dados governamentais</a>, para serem abertos tem que ser, por exemplo, primários. Então, me interessa menos relatório de governo já com a opinião do governo embutida ali, de certa forma já com recorte e mais dado do jeito que ele veio da fonte, mais próximo da fonte que ele puder estar. Fala-se, por exemplo, de formato aberto. Eu não devo ser obrigada a comprar ou adquirir nenhuma tecnologia para poder abrir esse dado. Então, isso acontece, por exemplo, quando você recebe um arquivo na sua mão que é .doc. Eu sou obrigada a comprar um software X, de uma tecnologia específica que abre esse arquivo, quando existem opções de você não ser obrigado a estar “ligado” a corporação nenhuma. A gente acha que (esse) é um princípio importante para o governo.</p>
<p>Fala-se dos dados serem legíveis por máquinas e não apenas legíveis por pessoas – e acho que essa é uma diferença central. A gente pensou em transparência como uma coisa que, por exemplo, seria mediada pela mídia. Por muito tempo, o Portal da Transparência do governo federal é um portal premiado. A gente tem um programa orçamentário de transparência no Brasil que é reconhecido pelo mundo e, de fato, com conquistas muito importantes. Mas, até muito pouco tempo, esse portal se preparava muito para ter essa intermediação da mídia. Então, não é que qualquer cidadão é capaz de entrar e acessar um milhão de planilhas e conseguir fazer essas análises, ele tá pronto para um jornalista interessado, que tem um tempo que normalmente não se tem na redação, de mergulhar nesse site, abrir planilha por planilha e conseguir fazer uma compreensão mais complexa das coisas que estão lá. Hoje, a gente espera que isso possa ser feito por um programa de computador. Então, um desenvolvedor consegue às vezes fazer um software que faz o que um jornalista faria em dois meses em cinco dias e com isso&#8230; Tem formas muito fáceis e ferramentas abertas na internet surgindo para fazer esse mesmo tipo de interpretação para leigos. Então, a gente pensa que cada vez mais essa multiplicidade de olhares vai vir não só de uma pequena mídia ali, que tinha especialização de fazer isso, mas de qualquer pessoa que tenha acesso a essas ferramentas, que a gente acredita que é algo exponencial, potencialmente maior a cada vez, porque mais gente tá sendo inserida nesse discurso e nessas possibilidades.</p>
<p><strong>Mateus</strong>: você acha que o papel de trabalhar esses dados, interpretar esses dados, é um papel da sociedade em geral. Agora, (isso) muda o papel do jornalista?</p>
<p><strong>Daniela</strong>: Acho que eu não queria dizer que muda a forma que o jornalista tem que encarar isso, porque para ser bastante sincera, acho que isso devia ter mudado faz muito tempo [risos]. Acho que não é a questão dos dados que tem que mudar a forma como o jornalista “funciona”, acho que o jornalismo não está funcionando muito bem na forma como ele se configura hoje. O que eu acho que acontece, na verdade, é que hoje você tem meios para ficar mais próximo daquilo, que é essa a proposta que tem o jornalismo, de criar olhares sobre fatos e apurar o que acontece no mundo e passar para as pessoas o que acontece no mundo; você tem hoje mais ferramentas para isso, de um jeito muito mais completo e mais interessante e mais próximo da objetividade. E eu acho que isso é o que você tem que buscar desde o começo. Então, se por um lado, o jeito bom de fazer isso antes era conversar com múltiplas fontes, que podem te passar olhares diferentes com muito mais facilidade do que com uma fonte só; se isso era o caminho, hoje você tem essa massa de dados gigantesca que pode, na verdade, fazer a mesma coisa. Então assim, quando vem um release de governo na sua mão, eu sempre acho que seria muito mais interessante que, ao invés de um release, você tivesse dados brutos sobre as políticas. Pouco me interessa saber das políticas com uma narrativa já marcada pelo governo, porque a gente sabe que é um mundo de interesses.</p>
<p>Acho interessante e ótimo que todo mundo tenha a oportunidade de se comunicar contando a sua versão da história de acordo com seu entorno de interesses próprios, não acho que isso é um problema. Mas, pra quem é jornalista, na hora de você contar a história toda, quanto mais próximo você estiver do fato real, melhor. E eu acho que, nessa quantidade de dados gigantesca que vem de governos &#8211; que ainda não vem, mas que virá sim &#8211; eu acho que potencialmente, dessa transição para entender a política como uma coisa mais próxima do digital, tá ali a possibilidade de reprocessar as narrativas, entendeu? De saber “olha, então&#8230; de fato, o que está acontecendo na segurança?”. Então, tem uma história ótima, por exemplo, da Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul. Segurança é um tema que é atacado pela mídia a todo o momento, porque interessa muito pouco o dado complexo da segurança, interessa o caso sangrento, né? E mesmo que não seja o sangrento, mas assim, os casos de violência; “morreram &#8216;tantas&#8217; pessoas”, “morreram &#8216;x&#8217; pessoas”, “morreram mais quinze pessoas em &#8216;tal&#8217; lugar”; toda essa informação é um pouco compartimentada. A secretaria de segurança pública do rio grande do sul publica dados abertos sobre ocorrências de crime. E publicando dados abertos, eles conseguiram implacar matérias na mídia que falam que a situação melhorou na segurança, porque finalmente tinha ali&#8230; tem áreas que aumentou, tem áreas que diminuiu, mas você conseguia entender ali, no contexto que a questão de segurança pública estava avançando e não se retraindo. Então, depois de uma série de manchetes negativas, finalmente alguém olha para o dado complexo e consegue fazer um cenário melhor e entender: “olha, de fato, aqui no total a situação está melhor”. Isso, a verdade, é a história que a gente leva para o governo para incentivar que eles abram os seus dados, né? Tem muita gente não interessada nisso, tem muita gente que se preocupa em como isso pode desestabilizar o jeito como a política funciona, com como isso desmonta um pouco o centro de poder. Mas tem muita gente que tem muito interesse nessa história, de de fato poder influenciar um discurso público mais fundamentado nas coisas que realmente aconteceram, mais fundamentado nas informações brutas sobre as políticas, e não apenas nos olhares. E acho que é mais ou menos por aí que a função do jornalista tem que se reconfigurar no meio dessa história.</p>
<p><strong>Mateus</strong>: Aqui no Brasil, a gente tem determinados níveis de dados que são disponibilizados. No caso da Suécia, por exemplo, em que – se não me engano – as leis de transparência são de antes do século XIX; e eles tem o conteúdo de comunicações, por exemplo, entre os parlamentares (que) são abertos. O que tem que ser aberto e o que tem que ser fechado?</p>
<p><strong>Daniela</strong>: Achei interessante, porque você começou falando sobre o caso da Suécia, você falou das leis de transparência da Suécia serem muito antigas. Você já está falando de lei de transparência falando de lei de acesso à informação. A gente vem de um histórico, aqui no Brasil, de entender lei de transparência como lei de responsabilidade fiscal, lei de transparência orçamentária. Não  estamos tratando apenas de dados de orçamento, que dados de processos são importantes; eu diria mais importantes. Então, eu me preocupo menos com ter dados disponíveis para fazer controle social e mais dados disponíveis para fazer participação política. Então, me interessa bastante, por exemplo, saber dados da saúde, dados da educação, dados de serviço público; porque dessa forma eu posso não apenas fiscalizar como esse serviço funciona, mas atuar de um jeito mais estratégico enquanto cidadão, por exemplo.</p>
<p>Então, um caso que a gente sempre cita é os dados do Serviço de Atendimento ao Cidadão, da cidade de São Paulo, por exemplo – e esse serviço tem o mesmo nome em vários lugares. O que acontece: se eu sei que tem alguém que já reclamou pra poder a mesma árvore da minha rua, de repente eu&#8230; eu poderia ter um sistema – construído pela sociedade, nem é papel de governo isso&#8230; Se eu sei que tem alguém que já reclamou, eu poderia de repente só reforçar esse pedido e não criar cinco mil pedidos diferentes para podar a mesma árvore, porque isso atrapalha a gestão. Então, a gente tá falando de uma forma também de compartilhar certas responsabilidades na hora de fazer a gestão pública acontecer, principalmente nos problemas de gestão que são claramente informacionais – esse é um deles. Então, a gente já conversou com os gestores aqui em São Paulo e sabe, por exemplo, que o sistema do Serviço de Atendimento ao Cidadão não reconhece redundância; então, o mesmo buraco da rua: se eu reclamar, você reclamar, ele reclamar, vai ter três reclamações ali; isso é um problema. Isso é um problema porque o subprefeito não sabe quantos buracos fechar e quantas árvores podar todos os dias. Então, como você vai gerir uma cidade numa  situação como essa? Então, isso eu acho que é uma coisa que tem que ser dita.</p>
<p>Fora isso, é importante dizer que a <strong>nossa briga do momento não é para abrir nada que não seja público</strong>. A gente tá falando do caráter público das informações e eu acho que a gente tem que virar um pouco a chave: não é o que tem que ser aberto, é o que não pode ser aberto e isso tem a ver com a segurança do cidadão. Quanto à segurança do Estado, em sistemas democráticos, a situação de segurança nacional tem que ser exceção. E é uma exceção muito bem justificada e ela é muito mínima no jeito que o sistema funciona. Porque a democracia é o governo das pessoas, a gente tem que ter noção do  que está acontecendo em relação àquela representação que a gente escolheu. Para mim, quase não existe desculpa. Casos, por exemplo, de relação internacional e soberania de países, ainda assim eu acho que é muito relativo.</p>
<p>Eu participei de uma discussão semana passada e alguém me apresentou o fato de que, quando o Wikileaks abriu informações de Estado do governo norte-americano, isso podia ter causado um genocídio. Se você tivesse uma informação sobre genocídio, se fosse do governo, na sua mão, você acha que isso deveria ser publicado? Eu não sei se informações que podem causar um genocídio estão seguras na mão do governo americano. A gente já viu isso no passado. Eu ainda acho que isso estar exposto para controle da sociedade, se você tem um alerta na sociedade, se você sabe que tem uma população a ser massacrada numa região do globo, eu prefiro isso sob controle social do que sobre controle de governo, de uma forma que isso pode ser usada como moeda política a qualquer momento. Assim, a responsabilidade é gigantesca de se portar dessa forma, porque a gente vai ter que ficar de olho; só que, ao mesmo tempo, eu não acho que é uma responsabilidade que dá pra terceirizar, porque historicamente terceirizar não resolveu. Então sim, eu acho que mesmo as informações sobre genocídios tinham que vir a público.</p>
<p><strong>Mateus</strong>: Como o jornalista precisa se preparar para efetivamente trabalhar bem e tirar uma informação efetiva de dados públicos?</p>
<p><strong>Daniela</strong>: Acho que o jornalista tem sim que se preocupar com isso de um jeito especial, no momento. Isso não mora na formação tradicional do jornalista, não acho que pode morar. Eu acho que é muito importante, se você é jornalista, que você entenda a informação como matéria-prima do seu trabalho; você tem que estar na Rede, você tem que estar na internet, não interessa se é TV, não interessa se é jornal, se é internet. Você tem que estar atuando na rede ativamente, você tem que entender quais são as ferramentas, quais são as possibilidades. E acho que é daí que vai vir o conhecimento de como retrabalhar todas essas informações, muito mais do que poderia vir da faculdade, muito mais do que poderia vir do mercado, acho que vai vir da vivência na Rede, da vivência nas comunidades, na vivência nas listas; o aprendizado e a capacidade mesmo de fazer.</p>
<p>Eu tenho um exemplo: tem uma organização norte-americana que chama <a href="http://www.propublica.org/">ProPublica</a> que muito recentemente lançou um grande trabalho com os dados que as empresas farmacêuticas norte-americanas foram obrigadas a liberar por meio do Ato de Acesso à Informação a respeito de médicos com quem elas tem contrato. Então, contrata ali aquele médico como consultor e começou a se desconfiar que isso dirigia as prescrições, então favorecimentos à indústria farmacêutica. A ProPublica conseguiu montar uma grande base de dados onde informações de diferentes formatos&#8230; É claro, as indústrias vieram à internet e publicaram isso na internet num formato infernal, quase tudo PDF e tem até aplicativo em Flash&#8230; Não podia estar mais fechado para você conseguir descobrir quais são os médicos para os quais aquela empresa manda dinheiro. A ProPublica fez um trabalho de jornalista, tipo, eles são jornalistas, eles entendem isso como uma função do jornalismo, de tirar os dados desses diferentes formatos, montar uma base em que você digita o nome do médico e sabe de que empresa farmacêutica ele está recebendo dinheiro, por que serviço. Então, o contrato tá ali, tá numa base muito útil para a sociedade. Isso é papel, pra mim, de mídia de jornalismo sim; também de um monte de gente, porque hoje acho que a gente tem que extender um pouco esses limites. Esse limite não é corporativo, esse limite é o limite de quem decidiu trabalhar com informação.</p>
<p>Eles fizeram um super tutorial, muito interessante, que é quase um backstage do projeto. Tá ali, é uma fonte excelentíssima para quem quer aprender a tirar dados de PDF e transformar isso em informação concreta na Rede. E eles fazem pra leigo, né? Então, tá escrito: &#8220;sou um jornalista, sentei no computador. Como eu resolvo isso? Quais são as ferramentas abertas da Rede que eu posso usar, gratuitas e não gratuitas? Então, se você usar isso aqui, você pode obter esse resultado; se você usar isso, pode conseguir esse.&#8221; Tem ali um passo a passo. Eu não sou desenvolvedora. Eu não sei escrever código. Eu trabalho com todas essas questões do lado da comunicação e sei que não é fácil. Tenho um monte de dificuldade para aprender um monte de coisas. Mas hoje eu me sinto minimamente empoderada em relação ao meio. O que eu não sei fazer, eu sei onde eu posso perguntar, eu sei que eu posso trazer para trabalhar junto comigo. Acredito muito na interdisciplinariedade dos dois mundos. Acho que não é trazer desenvolvedor para a redação para ficar desenvolvedores e jornalistas, acho que isso funciona muito pouco.</p>
<blockquote><p>Mas, às vezes, ter uma &#8220;mini-célula terrorista&#8221; de um monte de jornalista que é meio &#8220;tech-savy&#8221;, que gosta de internet com desenvolvedores e começar a criar uma cultura de fazer projetos mais bacanas, de inspirar a redação por meo disso, pode ser um caminho legal. Tem redações do mundo que fizeram isso e que tá dando super certo.</p></blockquote>
<p>Mas, às vezes, ter uma &#8220;mini-célula terrorista&#8221; de um monte de jornalista que é meio &#8220;tech-savy&#8221;, que gosta de internet com desenvolvedores e começar a criar uma cultura de fazer projetos mais bacanas, de inspirar a redação por meo disso, pode ser um caminho legal. Tem redações do mundo que fizeram isso e que tá dando super certo. E, ao mesmo tempo, acho que os próprios repórteres fazerem o papel deles de descobrir essas novas ferramentas.</p>
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		<title>Entrevista com Paulo Fehlauer, Garapa.org</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Apr 2011 01:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Fehlauer é jornalista. Mas também é fotógrafo, arrisca como programador de HTML e CSS e é um dos três fundadores da Garapa, produtora multimídia que já é reconhecida dentro e fora do Brasil pelos trabalhos de qualidade. Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes são os outros jornalistas da Garapa que, como alguns casos talvez cada vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-870" style="margin: 10px;" title="paulofehlauer" src="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/02/paulofehlauer.jpg" alt="" width="269" height="269" /><br />
Paulo Fehlauer é jornalista. Mas também é fotógrafo, arrisca como programador de HTML e CSS e é um dos três fundadores da <a href="http://www.garapa.org" target="_blank">Garapa</a>, produtora multimídia que já é reconhecida dentro e <a href="http://www.innovativeinteractivity.com/2010/10/28/company-spotlight-garapa/" target="_blank">fora do Brasil</a> pelos trabalhos de qualidade. <a href="http://www.multimediastandards.org/grid/" target="_blank">Leo Caobelli</a> e <a href="http://www.fotoeco.es/fotografia/en-la-oficina-de-garapa" target="_blank">Rodrigo Marcondes</a> são os outros jornalistas da Garapa que, como alguns casos talvez cada vez mais frequentes neste século novo, resolveram demitir seus chefes para tentar criar seu próprio emprego, buscando realizar coisas incríveis. E lançaram agora <a href="http://catarse.me/projects/100-morar" target="_blank">um projeto para financiamento via crowdfunding, pela plataforma Catarse.me</a>.</p>
<p>Esta entrevista é parte de um projeto de mestrado, que é uma espécie de categorização de novas funções que jornalistas que estão na ponta do processo produtivo realizam. Tarefas que fazem de maneira conjunta, às vezes até sobrepostas, sem medo de tatear o novo. Ele respondeu esse mini-questionário durante o vôo que o levava para Belém, e publico aqui as respostas todas:</p>
<p><strong>Você se considera um jornalista multimídia?</strong></p>
<div>Pergunta difícil. Multimídia cada vez mais, jornalista talvez cada vez menos, a não ser que a definição do termo seja ampliada. Nosso trabalho tem uma base documental muito forte, mas que hoje se aproxima mais do mundo das artes visuais do que do jornalismo propriamente dito. Assim, o vínculo com a “assim chamada realidade” vai ficando cada vez mais sutil. Então ou questionamos as fronteiras do jornalismo ou nos distanciamos dele.</div>
<p><strong>Como chamaria a função que desempenha hoje?<br />
</strong>Talvez um produtor multimídia, ou um criador multimídia.</p>
<p><strong>Quais atividades você realiza?<br />
</strong>Nosso foco está em projetos com base audiovisual. Então vou da concepção à realização do projeto, trabalhando em praticamente todas as etapas: concepção, redação, fotografia, edição, video, web, distribuição. Se, em determinado projeto, não realizo alguma etapa com as próprias mãos, trabalho na orientação dessa execução.</p>
<p><strong>Como é sua rotina? Quais funções específicas?<br />
</strong>A rotina é a não-rotina. Dentro da Garapa, dividimos algumas tarefas administrativas entre os sócios e funcionários. Na minha mão ficam a contabilidade e a comunicação externa, por exemplo. Fora isso, as funções vão depender dos projetos, mas geralmente acabamos participando de todas as funções pertinentes a um trabalho.</p>
<p><strong>O que cabe a você – e o que cabe ao repórter, como padrão – nas reportagens multimídia que você realizou?</strong></p>
<p>Geralmente, cabem a mim as etapas da produção audiovisual &#8211; concepção visual, captação e edição de foto, áudio e video. Quando há a figura de um repórter propriamente dito, ele costuma se encarregar da concepção narrativa, pesquisa, entrevista e redação. Mas, mais uma vez, todas essas tarefas podem se confundir na execução de uma reportagem desse tipo.</p>
<p><strong>Que treinamento ou quais cursos seria preciso ter para realizar o que você faz?</strong><br />
Eu praticamente não fiz cursos, além da graduação em jornalismo; fui aprendendo com a prática e as necessidades que surgiam. Mas o treinamento pode encurtar esse processo, tanto do lado técnico quanto na parte mais conceitual. Entre as disciplinas técnicas, eu sugeriria um treinamento básico em webdesign, arquitetura da informação e edição de vídeo. No entanto, cada vez mais tendo a questionar a figura do “homem-banda”, por perceber que o resultado de um projeto dessa linha costuma ser muito superior quando é realizado por uma equipe de profissionais qualificados em suas respectivas áreas. O treinamento técnico, assim, deve ter como objetivo familiarizar o profissional com as ferramentas e com as especificidades de cada linguagem. É o que buscamos, por exemplo, nas oficinas “Experiência Multimídia”, que realizamos pelo Brasil em 2010.</p>
<p>Em relação ao “treinamento” conceitual, acredito que o maior desafio colocado aos interessados nessa atividade seja a estruturação de uma narrativa ao mesmo tempo não-linear, interativa, coesa e que não seja redundante. Na web é muito fácil colocar tudo, todas as linguagens, juntos na mesma página, mas isso por si só não cria necessariamente uma narrativa interessante. Ou seja, o desafio é o mesmo desde a Bíblia, só muda a plataforma.</p>
<p><strong>Como você chamaria esse (s) curso (s) ou esse treinamento?</strong></p>
<p>Narrativa hipermídia, talvez. Ou Hipernarrativa. Ou mesmo “Como Dante escreveria A Divina Comédia nos dias de hoje?”, hehe.</p>
<p><strong>Quais atividades você desenvolve hoje, que no início da década de 90 não existiam no jornalismo? Como você as denomina?</strong></p>
<p>Várias atividades, de certa forma, já existiam: captação e edição de vídeo, áudio, foto, por exemplo, mas nunca aconteciam na mesma mesa e destinadas ao mesmo aparelho. Outras são realmente novas, como essa estruturação prévia da narrativa considerando diferentes linguagens e possibilidades. Em todo projeto multimídia do qual participei, uma das principais etapas foi definir qual papel seria cumprido por cada um dos formatos, e como integrá-los de forma a criar uma narrativa coesa e interessante.Outra característica importante desse momento de estruturação é o planejamento das possíveis formas de participação do público, seja por meio de uma simples caixa de comentários ou até da construção colaborativa da narrativa. A tudo isso eu chamaria, talvez, uma “Arquitetura da narrativa”, que deve ser pensada antes e durante a execução do projeto.</p>
<p><strong>Você acha que essas são agora atividades básicas do jornalismo?</strong></p>
<p>Não necessariamente, porque são mais específicas do meio online, mas eu diria que o conhecimento dessas possibilidades e especificidades deve fazer parte do repertório de todo jornalista.</p>
<p><strong>Quais são os pré-requisitos para um bom jornalista hoje em dia?</strong></p>
<p>Em geral, tendo a pensar que as premissas do bom jornalismo se mantêm, independentemente das mudanças de formato. No entanto, justamente por ter me afastado do jornalismo propriamente dito, começo a questionar também tais premissas. Por exemplo, se trabalhamos desde a primeira aula da graduação conscientes da inexistência da objetividade, por que não assumir então a possibilidade (e o valor) da subjetividade? A pergunta talvez soe ingênua, mas considerando que boa parte das informações que recebemos hoje já vem filtrada mais por grupos de interesse (Facebook, Twitter etc.) do que por editores sentados em suas redações, me parece que o caminho da subjetividade é quase uma realidade. Bom, divaguei, rs.</p>
<p><strong>E para trabalhar no jornalismo online? Algum pré-requisito diferente?</strong></p>
<p>O mais importante é entender, ou buscar entender, as dinâmicas da rede &#8211; não-linearidade, multilateralidade, capilaridade, multimídia etc. Para isso, é necessário mais disposição do que conhecimentos técnicos, já que o próprio conhecimento técnico está amplamente disponível na web.</p>
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		<title>Entrevista: Equipe do estadao.com.br comenta o ouro inédito no Malofiej 2011</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2011 16:55:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felipe Lavignatti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na semana passada a equipe do estadao.com.br conseguiu um feito inédito na América Latina: ganhar uma medalha de ouro no Malofiej 2011, que premia as melhores infografias do mundo. Além de levar este ouro, a equipe ainda conseguiu uma prata, levando duas medalhas pelos seus três trabalhos inscritos na premiação. Abaixo, uma pequena entrevista com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada a equipe do<a href="http://www.estadao.com.br/" target="_blank"> estadao.com.br</a> conseguiu um feito inédito na América Latina: ganhar <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/tapuiassauro-o-novo-dinossauro-do-brasil,118436.htm" target="_blank">uma medalha de ouro</a> no <a href="http://www.snd-e.com/es/malofiej" target="_blank">Malofiej 2011</a>, que premia as melhores infografias do mundo. Além de levar este ouro, a equipe ainda conseguiu<a href="http://www.estadao.com.br/especiais/onde-atuam-os-736-jogadores-da-copa-2010,107780.htm" target="_blank"> uma prata</a>, levando duas medalhas pelos seus três trabalhos inscritos na premiação. Abaixo, uma pequena entrevista com <a href="http://twitter.com/#!/carlos_lemos">Carlos T. Lemos</a> e <a href="http://www.twitter.com/dlima" target="_blank">Daniel Lima </a>da equipe de infografias do estadao.com.br.</p>
<p><strong>Como foram feitas as pautas?</strong></p>
<p><strong>Daniel Lima &#8211; </strong>No caso do dinossauro, era uma apuração de mais de um ano do repórter Herton Escobar que também já vinha sendo trabalhada pela arte do impresso, aos poucos, ao longo de meses. Entramos na conversa em torno de um mês antes da publicação e discutimos o que ficaria interessante de migrar para o online de forma interessante.</p>
<p>No caso dos jogadores da Copa, tive a ideia da pauta no final de 2009. Pensei: não é só o Brasil que deve ter boa parte de seus jogadores de seleção jogando fora do país. Como será nos outros lugares? Inicialmente imaginei algo mais &#8220;clássico&#8221;, digamos, a partir de mapa etc. Mas o volume de dados tornaria isso muito difícil. Daí, discutindo com o Carlão, fomos desenvolvendo esse formato de visualização de dados.</p>
<p><strong>Carlos T. Lemos &#8211; </strong>Foi uma investigação feita pelo pessoal do jornal (detalhes podem me fugir, até porque esse processo foi feito mais no boca a boca, então não tenho nenhum e-mail sobre o processo). Era um uma reportagem do Herton Escobar, e ele acompanhou a pesquisa por quase dois anos (<a href="http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/cabeca-dinossauro/" target="_blank">http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/cabeca-dinossauro/</a>). Eu tinha acabado de retornar de férias e estava certo que faríamos uma adaptação do caderno especial que planejavam no impresso.</p>
<p>Originalmente a história da descoberta do fóssil seria publicada no online, mas era uma história difícil de apurar. Tinha um lance com um procurador entrengando uma intimação por crime de assassinato, e viu que o acusado tinha um osso enorme na sala. Era alguma coisa assim, mas acabou caindo.</p>
<p><strong>As ilustrações partiram do impresso ou foi produção online?</strong></p>
<p><strong>Daniel Lima &#8211; </strong>Todas as ilustrações do info dos Dinos partiram do impresso. Mas o design e produção da interatividade partiu do online, o que criou uma camada adicional de informação (como o raio-x e a ferramenta de comparação de tamanhos dos dinos). O info em si, também premiado na versão impressa, ganhou bastante com esse desenvolvimento específico para a web.</p>
<p><strong>Carlos T. Lemos -</strong> As ilustrações partiram do impresso. O processo incluiu a contratação de um paleoartista (Leandro Sanches) para trabalhar com um ilustrador da casa (Farrel).</p>
<p><strong>O material saiu no jornal antes ou foi discutido em conjunto com a equipe do impresso?</strong></p>
<p><strong>Daniel Lima -</strong> Foi discutido em conjunto e saiu simultaneamente com o impresso. O das seleções foi 100% online. Estudou-se uma adaptação posterior para o impresso, mas ela acabou não ocorrendo.</p>
<p><strong>Carlos T. Lemos &#8211; </strong>O material saiu quase ao mesmo tempo. Na verdade o infográfico foi publicado a meia-noite (0h03) do dia que saiu o jornal, então saiu um pouco antes. Ele foi amplamente discutido por ambas as equipes (a editora de arte do online é a Gabriela Allegro), e o tempo todo o Glauco Lara (que fez a edição e a pesquisa do info no impresso), Rubens Paiva e William Marioto (coordenadores de arte do impresso) participaram das discussões e da evolução do projeto online.</p>
<p>O grande objetivo era que ele tivesse vida própria, fazê-lo tão relevante online quanto o que saíria no impresso.</p>
<p><strong>Vocês apostavam mais nesta ou achavam que a das seleções tinha mais chance?</strong></p>
<p><strong>Daniel Lima -</strong> Eu pessoalmente apostava mais no das Seleções pelo simples fato de que ele, até onde pude saber, teve mais repercussão internacional, tanto em blogs quanto no twitter. Encontramos menções em japonês, inglês, espanhol, russo etc. Por isso imaginei que o apelo dele fosse mais universal e, por isso, tivesse mais chances. Mas sabíamos que ambos os trabalhos tinham qualidade.</p>
<p><strong>Carlos T. Lemos &#8211; </strong>Sinceramente, acho as ilustrações e a reportagem incríveis, mas era um info de ciência e achei que a competição era muito dura. Apesar de nunca ter participado da competição e não ter ideia dos critérios de julgamento, o pessoal do NYT e da NatGeo tem muita coisa boa, além dos recursos tecnológicos. Achei que era digno de prêmio (tanto que inscrevemos), mas não achava que era ouro.</p>
<p>O info das seleções rodou o mundo, fez parte de muitos tópicos de discussão internacionais. Era visualização de dados e de um assunto muito simples. Dava pra entender mesmo sem falar português. Na minha cabeça era o que tínhamos de melhor na competição. Mas foi um assunto que todos os jornais deram e acho que, no fim das contas, o que fizemos foi apresentar o assunto melhor que os outros. Isso sem falar que a categoria &#8220;reportagem de esportes&#8221; foi toda dominada pelo NYT. Ganhou prata pelo design, e foi o prêmio mais alto dado a esta categoria.</p>
<p>No fim das contas, o resultado me surpreendeu positivamente, pois venceu a notícia como um todo.</p>
<p><strong>Foi inscrito algum outro trabalho de vocês?</strong></p>
<p><strong>Carlos T. Lemos -</strong> Outros 3:<br />
- <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/o-brasil-nas-copas-jogo-a-jogo,107784.htm" target="_blank">O Brasil nas Copas, jogo a jogo</a><br />
- <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/mapa-da-votacao-para-presidente-nos-municipios,123626.htm" target="_blank">Mapa da votação para presidente nos municípios (A versão impressa desse levou bronze, mas também foi um trabalho de sinergia)</a><br />
- <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/a-populacao-e-as-capitais-dos-estados,127486.htm" target="_blank">A população e as capitais dos Estados</a></p>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/especiais/a-populacao-e-as-capitais-dos-estados,127486.htm" target="_blank"></a><br />
<strong>Qual foi o tempo de execução e o papel de cada um no desenvolvimento de cada uma dessas infografias?</strong></p>
<p><strong>Daniel Lima -</strong> No info dos Dinos, apenas ajudei a fazer a ponte com o impresso e sugerir formas de aproveitar o material. No das seleções, pautei e apurei. A concepção foi trabalho conjunto com o Carlão, que cuidou da trabalhosa programação. Em relação ao prazo: é uma pergunta difícil. Em ambos os casos, por serem trabalhos extensos, dividimos atenção com outras demandas do dia e das outras editorias. O trabalho, então, nunca é exclusivo.</p>
<p><strong>Carlos T. Lemos -</strong> &#8220;Os 736&#8230;&#8221; foram duas semanas. Meu trabalho foi fazer a arte e o programação. Mas acho que dizer assim é meio simplista. O processo criativo visual foi todo discutido em conjunto, e chegamos a várias conclusões juntos. A ideia inicial do info é do próprio Lima. O resultado visual final pode sair da minha mão, mas o processo conceitual e visual não é exclusivo meu. O mesmo vale para o Tapuiassauro (2 semanas no online, alguns meses no impresso).</p>
<p>Dito isto vale lembrar que uma série de pessoas ajudaram no processo. Nossa editora (Gabriela Allegro) também faz parte do processo intelectual de todos os infos. Existiam restrições técnicas que ela foi até as últimas para derrubar e tornar possível a realização.</p>
<p>A equipe de arte do estadao.com.br hoje conta (além de mim e do Lima) com 2 programadores/webmasters (Ricardo Periago e Éder Freire), 2 designers (Cyntia Ueda, Renata Aguiar), 1 ilustrador (Pedro Bottino) e mais 2 jornalistas (Bia Rodrigues e Camila Matos).</p>
<p><strong>MAIS</strong>: <a href="http://www.jornalismodigital.org/2011/03/as-melhorias-infografias-do-mundo-malofiej-2011/" target="_blank">Veja os medalhistas de ouro do Malofiej 2011</a></p>
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		<title>Documentários interativos: entrevista com Nina Simões</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 17:04:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nina Simões faz documentários interativos. Webdocumentários. Docufragmentários. O nome não importa, mas ela é uma das poucas pessoas que está pesquisando e produzindo sobre o tema. No dia 23 de março (quarta-feira), ela apresenta via Skype a oficina &#8220;Documentários Interativos na Era da Convergência&#8221;, no Paço das Artes, na USP (mais informações e inscrições aqui). [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/03/cropped-idocscropbwbanner1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-907" title="cropped-idocscropbwbanner1" src="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/03/cropped-idocscropbwbanner1.jpg" alt="" width="560" height="115" /></a></p>
<p>Nina Simões faz documentários interativos. Webdocumentários. <a href="http://www.rehearsingreality.org/" target="_blank">Docufragmentários</a>. O nome não importa, mas ela é uma das poucas pessoas que está pesquisando e produzindo sobre o tema. No dia 23 de março (quarta-feira), ela apresenta via Skype a oficina &#8220;Documentários Interativos na Era da Convergência&#8221;, no Paço das Artes, na USP (<a href="http://www.cidade.usp.br/blog/moedas-criativas-na-cidade-do-conhecimento/" target="_blank">mais informações e inscrições aqui</a>). O evento é parte do ciclo de conferências, desconferências e oficinas que a Cidade do  Conhecimento organiza em parceria com o Consório PRO-IDEAL (União  Européia) e o Núcleo de Política e Gestão de Tecnologia e Inovação (PGT)  entre os dias 22 e 26 de março, na USP.</p>
<p>Ela também estará em <a href="http://i-docs.org/programme/" target="_blank">Bristol, no i-Docs</a>, dia 25 de março. O i-Docs é um laboratório/simpósio para o avanço do desenvolvimento dos projetos de documentários interativos. Lá ela irá apresentar o paper <a href="http://i-docs.org/programme/abstracts/" target="_blank">Transmedia Storytelling: Immersive and Participatory Stories</a>. Fizemos uma conversa via Skype, e Nina respondeu também algumas questões por email sobre o tema da oficina.</p>
<p><strong>Pra começar, seria bacana você contar um pouco da tua história, desses anos todos fora do Brasil e um pouco dos projetos futuros.</strong><br />
Enquanto estudei comunicação social, em São Paulo, trabalhava como publicitária e também fazia parte de um grupo onde discutíamos a necessidade da democratização dos meios de comunicação no Brasil. A grande maioria de nossas reuniões aconteciam na Barra Funda. Estou falando do final dos anos 80 e de toda aquela onda vermelha que levou muitas pessoas a debaterem propostas transformadoras. Aprendi muito durante aquela época, mas na verdade foi através de meu amigo João Kruger, e muitas cervejas, que descobri a campanha política do Geraldo Siqueira, do PT. O pessoal do comitê estava à procura de alguém que coordenasse a campanha &#8211; e então saí de uma empresa que vendia anúncios para trabalhar na venda de um candidato. Rapidamente deu pra sentir a diferença. A campanhado Gê sempre foi regada a muitas discussões políticas, atividades culturais e muita festa. Naquele ano de 1989, o Lula e o Gê perderam a eleição. Todo mundo ficou muito triste, e eu aproveitei o cansaço pós-campanha e resolvi viajar por um tempo.</p>
<p>Cheguei em Londres em 1990 e no início as coisas não foram fáceis. Eu mal falava inglês e não tinha um passaporte europeu, portanto a minha condição era de estrangeira, sem direito a trabalho legal. As coisas começaram a mudar depois de algum tempo, quando comecei a frequentar reuniões e debates organizados pela Brazil Network, uma instituição social dedicada ao debate das questões sociais e políticas do Brasil. Obter o meu passaporte português (minha mãe é portuguesa) também foi decisivo na minha permanência em Londres, pois em vez de procurar trabalhos como babysitter ou cleaner eu passei a estudar produção de vídeos no Goldsmith College e cheguei até a Undercurrents Video Magazine, uma news agency dedicada a produzir vídeos sobre questões sociais, culturais e políticas.</p>
<p>Depois da Undercurrents, trabalhei também em produções para o Channel 4 e BBC, onde tive a oportunidade de passar vários meses viajando pela Amazônia e pesquisando o envolvimento da Inglaterra na compra ilegal de mogno na Amazônia. Em paralelo a estas produções, trabalhei também para a Brazil Network, como editora e coordenadora de eventos. Entre as várias pessoas que participaram de nossas conferências e reuniões, duas foram especialmente marcantes: Hilda de Souza Martinz, do MST e o jornalista <a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br/" target="_blank">Lúcio Flavio Pinto</a>.</p>
<p>Viajei com Hilda pela Inglaterra e Escócia para apresentar um video que editei sobre o massace de Eldorado dos Carajás e durante nossa viagem ouvi muitas histórias sobre o movimento. Depois disso rolou o doutorado e um novo quadro se abriu&#8230; Falo sobre isso depois. No momento, estou prestes a lançar um projeto transmídia que também envolverá o Brasil. Aliás, transmídia é o tema que estarei debatendo durante o symposium i-docs, que acontecerá aqui na cidade de Bristol no dia 25 de Março.</p>
<p><strong>Conta um pouco do processo de contrução do <a href="http://www.rehearsingreality.org/" target="_blank">Rehearsing Reality</a>? De onde veio a ideia? Como foi realizado?</strong><br />
Na Inglaterra é possivel você realizar um doutorado prático, ou seja, parte da tese a ser apresentada pode ser em formato audiovisual e o <a href="http://www.rehearsingreality.org/" target="_blank">www.rehearsingreality.org</a> foi parte desta experiência. A idéia aconteceu durante uma noite quando fui assistir uma palestra de Augusto Boal no Soho Theatre aqui em Londres. Naquela noite, Boal falou sobre as experiências do Teatro do Oprimido pelo mundo e também revelou sua mais nova parceria: O Movimento Sem Terra. A idéia deste projeto era tornar a linguagem do Teatro Forum acessível a vários integrantes do movimento para que eles pudessem utilizá-la como ferramenta pedagógica nas salas de aula e em comunidades do MST.</p>
<p>Eu fiquei particularmente interessada, porque, até então, em todas as minhas visitas a acampamentos e assentamentos do MST, ainda não tinha observado nenhuma atividade cultural além da Mística. Depois da palestra, me apresentei ao Boal e disse que gostaria muito de filmar a experiência teatral com o MST. Isto foi no início de 2001 e até que esta idéia se tornasse uma tese de doutorado, incluindo um documentário interativo, levou algum tempo. Em 2002 ganhei uma bolsa de estudos da Universidade de Artes de Londres e durante 2 anos viajei por várias partes do Brasil filmando várias experiências teatrais. Durante aquelas viagens, tive a oportunidade de conhecer e entrevistar muita gente interessante, incluindo o Professor Noam Chomsky, que em 2003 estava presente no Forum Social Mundial em Porto Alegre.</p>
<p>Quando retornei a Londres tinha muitas horas de filmagem, mas ainda não tinha ideia de como realizar um documentário interativo. Naquela época ainda não existiam as ferramentas e plataformas que existem hoje. Foi aí que descobri o Korsakow System, um software livre que qualquer pessoa pode baixar e trabalhar. Viajei para Amsterdam para uma oficina sobre documentários interativos e durante uma semana com outros 20 cineastas fizemos vários testes com Korsakow. Durante aquela semana, o cineasta Mano Camon ficou interessado em meu trabalho e depois disso o convidei para trabalharmos juntos na edição de Rehearsing Reality.</p>
<p>A edição não foi fácil, pois de alguma forma eu queria realizar um trabalho visual que representasse a linguagem interativa do Teatro Fórum, e o Korsakow e toda a tecnologia da época ainda eram bem fechadas. Trabalhamos muito e especialmente no desenho da barra de navegação. Fiquei feliz com o resultado, concluí o doutorado e desde então estou sendo convidada a apresentar Rehearsing Reality em vários festivais nacionais e internacionais, e em universidades aqui na Inglaterra. A próxima apresentação acontece no dia 29 de Março na Universidade de Bristol.</p>
<p><strong>Existem níveis diferentes de interação, desde o processo de participação na construção do roteiro, até na distribuição, no financiamento. Como você entende essas participações? Como seria um documentário completamente interativo?</strong><br />
Sim, existem níveis diferentes de interação e esta palavra sempre gera muita confusão na mente das pessoas. Interação e participação são coisas diferentes. Tudo depende de como você quer realizar o teu projeto e do quanto você está aberta para que outras pessoas participem dele. Hoje temos várias ferramentas, plataformas e o remix à nossa disposição, portanto o que precisamos são boas histórias. Com uma boa história, pode-se também ativar uma audiência interessada no tema do teu documentário e estas mesmas pessoas podem eventualmente colaborar de diversas formas em teu projeto.</p>
<p><strong>O que é um documentário interativo?</strong><br />
A palavra interatividade está relacionada a novas tecnologias e ferramentas que são desenhadas para gerar  participação dos usuários. Portanto, em poucas palavras eu definiria o documentário interativo como um convite ao usuário a participar ativamente de um processo de co-criação.</p>
<p><strong> Quais são os maiores exemplos que você conhece hoje de experiências de docs interativos online?</strong><br />
Eu gosto muito de <a href="http://www.jornalismodigital.org/2010/11/out-of-my-window-documentario-interativo-360%c2%ba/" target="_blank">Out of my Window</a>, <a href="http://prisonvalley.arte.tv/?lang=en" target="_blank">Prison Valley</a> e <a href="http://interactive.nfb.ca/#/pinepoint" target="_blank">Pine Point</a> e estou curiosa para ver o resultado de <a href="http://18daysinegypt.com/" target="_blank">18DaysInEgypt</a>. Vale a pena lembrar que Out of My Window de <a href="http://i-docs.org/2011/03/08/an-exclusive-interview-with-katerina-cizek/" target="_blank">Katerina Cizek</a> é um documentário interativo que integra o projeto Highrise, um projeto de 4 anos que só está começando, portanto temos aí uma grande chance de participar de uma escola aberta.</p>
<p><strong> Por que fazer um documentário interativo?</strong><br />
Olha, eu acho que com tantas ferramentas e plataformas de distribuição acessíveis, a pergunta deveria ser: &#8220;por que não fazer um documentário interativo?&#8221;.</p>
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		<title>Entrevista com Natalia Viana, do Wikileaks</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 21:54:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Natalia Viana é uma das vencedoras da 7ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA. Jornalista independente, começou na Caros Amigos, foi para Londres fazer pós-graduação e voltou de lá com contatos pelo mundo, produzindo para BBC, rádios internacionais, Guardian. Aqui no Brasil, edita o blog do Wikileaks associado à revista Carta Capital. O Wikileaks vem abalando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/02/natalia.jpg"><img class="size-full wp-image-884 alignleft" style="border: 1px none; margin: 5px 10px;" title="natalia" src="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/02/natalia.jpg" alt="" width="259" height="368" /></a><a href="http://nataliaviana.org/" target="_blank">Natalia Viana</a> é uma das vencedoras da <a href="http://portalimprensa.uol.com.br/trofeumulherimprensa/7edicao/index.asp" target="_blank">7ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA</a>. Jornalista independente, começou na Caros Amigos, foi para Londres fazer pós-graduação e voltou de lá com contatos pelo mundo, produzindo para BBC, rádios internacionais, Guardian. Aqui no Brasil, edita o blog do <a href="http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/" target="_blank">Wikileaks</a> associado à revista Carta Capital. O Wikileaks vem abalando algumas estruturas, tanto dentro de governos quanto dentro de redações. Em outra entrevista, quando perguntaram quem o Wikileaks intimida mais, os governos ou a imprensa, Natalia respondeu: &#8220;a imprensa. O Wikileaks não consegue substituir os governos&#8221;.</p>
<p><strong>Por que Globo e Folha foram os escolhidos para parceria com o Wikileaks no Brasil?</strong></p>
<p>Porque são jornais que tem uma equipe estruturada, que poderiam se debruçar sobre esses papéis de maneira ordenada, tirando dali as notícias. Tem coisas que acho que não são notícias, e eles dão, tem coisas que acho que são, e eles não dão. Existem outros veículos, mas demos para o maior jornal do país, que é a Folha. E a Globo, que é de outra região, de um grupo grande também.</p>
<p><strong>E se aliar a esses veículos trouxe credibilidade para o Wikileaks também.</strong></p>
<p>Claro. Ainda há outras coisas que queremos fazer, para cobrir espaços que esses veículos não entram. Estou observando nessa segunda fase [O Wikileaks fez uma parceria para distribuir seu conteúdo a blogs também, não apenas aos jornais acima] que os blogs não tem pernas, não tem a mesma estrutura desses veículos, o que não permite lançar &#8211; como queríamos &#8211; um documento novo por dia. Mas, ainda assim, a parceria com blogs interessa, já que há blogs específicos, de direitos humanos, que se interessam por alguns assuntos, ligados mais a interesses da esquerda, por exemplo, que os jornais não irão cobrir. Mas temos que repensar, porque se lançamos documentos sobre os quais ninguém escreve, não adianta. O que é o Wikileaks? É um site que divulga documentos pensando na melhor estratégia para lançá-los, para que tenham maior repercussão possível. É isso que era até hoje. Agora muda um pouco, passa a produzir conteúdos jornalísticos. Mas o princípio até agora era: não adianta lançar documentos que ninguém vai ler. A ideia é ter repercussão.</p>
<p><strong>Você é uma das vencedoras da <a href="http://portalimprensa.uol.com.br/trofeumulherimprensa/7edicao/index.asp" target="_blank">7ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA</a>. Como avalia isso?<a href="http://portalimprensa.uol.com.br/trofeumulherimprensa/7edicao/index.asp" target="_blank"><br />
</a></strong></p>
<p>Fui indicada em 2005, quando eu estava na Caros Amigos. Naquela época eu não fiz campanha nenhuma, achava que não merecia&#8230; Mas agora fiz campanha, porque entendi que não é pra mim, Natália Viana, mas um prêmio que mostra duas coisas: que o Wikileaks é um veículo jornalístico – e essa é uma disputa ainda, com os veículos tradicionais. As pessoas reconhecerem que esse trabalho no Wikileaks é um trabalho jornalístico é importante. E outra coisa é que o trabalho de uma jornalista independente pode ser considerado o jornalista do ano. Isso é inédito. Tem muita gente fazendo jornalismo independente, mas tem muita resistência ainda, mesmo nos veículos, quando você tenta vender uma pauta.</p>
<p><strong>Interessante que o prêmio vem num momento em que justamente se discute a crise nos  jornais, o fim da reportagem nesses veículos. Isso significa que a reportagem nunca vai acabar – pode apenas mudar de lugar?</strong></p>
<p>A gente sempre esteve fazendo jornalismo. Mesmo se não pagarem nada, faremos jornalismo. Estamos condenados a fazer isso, é só o que sabemos fazer, é isso que sou. Falo que sou jornalista de peito aberto, porque é minha única opção. Fiz isso sem ganhar nada durante anos, até hoje não tenho carro. A reportagem morreu? Não morreu. Está sendo feita de milhões de outras maneiras, por milhões de outros atores. O que esse prêmio sinaliza é que o público reconhece que isso também é válido. O Wikileaks foi lançado em 2007. Tem três anos. E deu um baile de jornalismo na imprensa mundial. É gente nova, com uma cabeça diferente.</p>
<p><strong>Como você começou?</strong></p>
<p>Comecei na Caros Amigos, quatro anos. Depois ganhei uma bolsa para ir para Londres aprender rádio, e nunca mais trabalhei para lugar nenhum [fixo]. Não me chamo de jornalista freela, me chamo de jornalista independente, porque não sou uma pessoa que vai fazer uma matéria de beleza não sei para quem, ou que o editor precisa de alguém para cobrir um buraco. Eu faço minhas pautas. Pautas de interesse público, de direitos humanos, economia, pautas difíceis. Normalmente organizo alguns veículos para poder pelo menos pagar a reportagem, antes de realizar. Duas que fiz, por exemplo: fui para o norte da Índia, onde vivem refugiados tibetanos, pouco antes da Olimpíada na China. Vendi para BBC, para uma rádio internacional e para outros. E fui para a Colômbia, onde os indígenas estão sendo massacrados no meio da guerra entre militares, paramilitares e Farc. Vendi para veículos nacionais e internacionais. Com o prêmio, acho que esse tipo de trabalho pode ser mais reconhecido.</p>
<p>Também comecei a trabalhar com muitos jornalistas internacionais que procuram pautas no Brasil, que precisam de contatos aqui, muitos deles dos melhores no mundo. Isso porque quando estive em Londres fiz contatos, de um percurso pessoal. Nosso jornalismo brasileiro não conversa com o jornalismo exterior. Lá é muito mais comum a figura do jornalista independente, até antiga. As empresas se tornam multinacionais, é preciso articulação internacional no jornalismo. No Brasil continua tudo fechado. É preciso se alinhar ao trabalho de jornalistas em outros países, quebrar a barreira nacional. Qualquer investigação precisa atravessar fronteiras. Do outro lado tem muito interesse, gente que pode se aliar ao Brasil. Foi assim que o Wikileaks me encontrou. Eles queriam uma jornalista do Brasil. Por quê? O Brasil é importante.</p>
<p><strong>Você está participando da criação um centro de jornalismo investigativo independente. Como é isso?<br />
</strong></p>
<p>Eu, Marina Amaral e Tatiana Merlino estamos abrindo um centro de jornalismo investigativo. É como se fosse uma ONG, que faz um trabalho que outros veículos não conseguem, por falta de recursos. Por exemplo, pedofilia. É muito raro um veículo grande, ou independente, que consiga destacar uma equipe para investigar durante 3 meses um tema. Nós faremos. Projetos de longo prazo, de investigação jornalística, e depois fazemos parcerias de divulgação com veículos. E temos que pensar também em novos formatos, por exemplo realizar também reportagens em quadrinhos, multimídia, coisas novas.</p>
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		<title>Entrevista com Gustavo Belarmino, do JC Online</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 19:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gustavo Belarmino é um dos jornalistas da equipe do JC Online &#8211; jornal que ganhou nos últimos anos diversos prêmios nacionais e internacionais de jornalismo online. Ganharam, por exemplo, o Vladimir Herzog 2010 com o E o verbo se fez vida. E levaram o prêmio Tim Lopes com A viagem de Joanda. Julliana Melo, outra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gustavo Belarmino é um dos jornalistas da equipe do <a href="http://jc.uol.com.br/" target="_blank">JC Online</a> &#8211; jornal que ganhou nos últimos anos diversos prêmios nacionais e internacionais de jornalismo online. Ganharam, por exemplo, o <a href="http://www.jornalismodigital.org/2010/10/e-o-verbo-se-fez-vida-vencedor-do-herzog-2010-categoria-multimidia/" target="_blank">Vladimir Herzog 2010 com o E</a><a href="http://www.jornalismodigital.org/2010/10/e-o-verbo-se-fez-vida-vencedor-do-herzog-2010-categoria-multimidia/" target="_blank"> o verbo se fez vida</a>. E levaram o prêmio Tim Lopes com <a href="http://www.jornalismodigital.org/2010/11/a-viagem-de-joanda-mais-um-especial-multimidia-premiado-no-jc-online/" target="_blank">A viagem de Joanda</a>. Julliana Melo, outra jornalista da equipe, já havia concedido <a href="http://www.jornalismodigital.org/2007/08/longe-da-casinha-de-bonecas/" target="_blank">em 2007 uma entrevista ao site</a>, e é interessante comparar os dois momentos. Um primeiro momento em 2007, quando o JC Online praticamente disputava sozinho os prêmios especiais jornalísticos multimídia no Brasil, com pouquíssimos recursos; e hoje uma outra realidade &#8211; não pelos recursos, mas pelo desenvolvimento das possibilidades tecnológicas em geral, e do conhecimento dos jornalistas, que permite grandes narrativas sem necessariamente grandes custos.</p>
<p>Abaixo, a conversa por email que tivemos após um encontro pessoal que tivemos no MediaOn 2010, em São Paulo:</p>
<p><strong>Você se considera um jornalista multimídia?</strong></p>
<p>Nestes 10 anos de profissão, minha carreira de jornalista já ganhou muitos sufixos, mas todos remetiam a algo do mundo digital. Já comecei no Sistema Jornal do Commercio, no JC Online, um pouco depois da fase da transposição. Quando a web estava engatinhando para ganhar um conteúdo diferenciado, mais apropriado à plataforma. Naquela época, era o &#8220;jornalista do online&#8221;, webjornalista e posteriormente jornalista multimída. Recentemente em uma palestra que fui, minha chefe direta brincou: agora você é transmídia. No fim das contas, no desempenho do meu trabalho de apuração, não sei sair da redação só com um bloquinho de papel e uma caneta. Eu sempre preciso de mais. Um dos momentos em que eu me considerei &#8220;mais&#8221; multimídia foi quando, para fazer o especial Tubarão em alerta, precisei levar todo um arsenal para um pequeno barco em mar aberto. Passei o dia inteiro tendo que anotar, gravar, fotografar e ainda me equilibrar. Tudo ali tinha que ser muito rápido, principalmente na hora em que os pescadores estavam recolhendo as redes. Poderia ocorrer ali o meu flagra, o momento mais esperado, a captura do tubarão. E ai? Eu garantiria uma foto? Um vídeo? Dava pra prestar atenção em tudo e contar depois? Não recomendo a experiência a ninguém. Numa reportagem como essa é preciso um mínimo de estrutura e ao menos duas pessoas. Ao fim do dia, tive que ainda me preocupar com os equipamentos, que estavam todos descarregados. No final deu tudo certo, apesar da frustração de não encontrar nenhum tuba &#8211; e mesmo assim eu tive que montar o trabalho, que você pode ver <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/tubarao/materia_sinuelo.htm" target="_blank">nesse link aqui</a>. Com ele, ganhamos o prêmio Caixa.</p>
<p>Era 2006, portanto descarte muito do que vc vai ver. Garanto que melhorei! heheh</p>
<p>A materia do vídeo do tubarão: <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/tubarao/materia_sinuelo.htm" target="_blank">http://www2.uol.com.br/JC/sites/tubarao/materia_sinuelo.htm</a></p>
<p>O diário de bordo da reportagem: <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/tubarao/materia_diario.htm" target="_blank">http://www2.uol.com.br/JC/sites/tubarao/materia_diario.htm</a></p>
<p><strong>Como chamaria a função que desempenha hoje?</strong></p>
<p>Atualmente sou editor-assistente do portal. Mas tento não ficar longe da produção e monto (na maior parte das vezes em parceria com Inês [Calado] ou Julliana [Melo]) especiais multimídia. Minha principal &#8220;atuação&#8221; é na parte dos vídeos, que sou apaixonado. Mas não tem como não se envolver no processo por completo. Normalmente eu acumulo várias seções de um especial, + fotos e vídeos e ainda dou pitaco no design. Não tem como não supervisionar tudo na hora da produção. Digamos que minha função nesse momento é ser perfeccionista, independentemente da mídia. Mas jornalista multifuncional cairia bem.</p>
<p><strong>Quais atividades você realiza?</strong></p>
<p>Em um especial, só não diagramo as páginas. Mas participo de todas as etapas do processo, desde a concepção do projeto, ainda na esfera da pauta, até a pesquisa e caio em campo para a apuração. A rua é um grande laboratório e você consegue trazer de lá muitas ideias. Nunca passei por uma redação de TV e tudo que aprendi foi fazendo. Para você ter uma ideia, os vídeos de um de nossos especiais (Educação sem fronteiras) chegaram a ser veiculados como uma série de reportagens na TV Jornal, afiliada do SBT, que faz parte do grupo de comunicação  ao qual estou vinculado. O caminho ainda é longo, mas trabalhar com a web desde o início nos permitiu ter um espaço de experimentação, criar em cima dos formatos e avaliar a repercussão disso. Além dos vídeos, experimentamos gravar áudios, para usá-los em audio slide shows (<a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/onibusmorro/" target="_blank">Especial Ônibus no Morro</a>) e produzir fotos. Texto, neste caso, poderiamos dizer que é a base do trabalho, mas o tempero vem com a multimídia, que deve funcionar aqui como uma complementação. A cada especial, a missão de inovar, de contar a história de forma diferente é cada vez mais cobrada.</p>
<p><strong>Como é sua rotina? Quais funções específicas?</strong></p>
<p>No dia-a-dia atuo como editor-assistente. Somos 3 editores no portal. Um por turno. A rotina envolve todo o trabalho de uma redação online, de pautar, receber as informações, coordenar equipe, participar de reunião com os demais veículos e, no meu caso em específico, também ajudar no grupo de discussão de novas mídias. O portal agrupa todos os sites dos veículos do SJCC (Jornal, rádios Jornal e CBN, TV Jornal, além de sites institucionais). Temos também que fazer a &#8220;integração&#8221; dos conteúdos desses veículos em nossas <em>hardnews</em>. Ou seja, o repórter do Online publica um texto que também ganhou repercussão na rádio? Então a gente usa o áudio de lá para complementar o texto. Com o vídeo é a mesma coisa. O trabalho de integração com o impresso obedece uma outra lógica, que é o de complementar a edição de amanhã com alguns assuntos que repercutiram ao longo do dia. Podem ser vídeos, áudios ou mesmo íntegra de documentos ou programações completas de eventos. Aliado a tudo isso, também coordenamos a atualização de alguns painéis espalhados em shoppings, academias e empresariais da cidade, que são abastecidos com o conteúdo produzido no portal e selecionado pelos editores. Quando o tempo sobra, também sou setorista de gastronomia (confere aí dois dos trabalhos: <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/comerbem/noronha/index.html" target="_blank">http://www2.uol.com.br/JC/sites/comerbem/noronha/index.html</a> e <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/horadoalmoco/index.html" target="_blank">http://www2.uol.com.br/JC/sites/horadoalmoco/index.html</a>)</p>
<p><strong>O que coube a você – e o que cabe ao repórter – em uma reportagem multimídia como a que você realizou? (no caso da Viagem de Joanda)</strong></p>
<p>Também sou professor universitário. À época do especial, ainda dava aulas na graduação, quando uma das minhas alunas (e também personagem) me procurou para contar as situações que ela já havia vivido como voluntária em um dos hospitais do Recife. Aquilo ficou martelando na minha cabeça e, quando comentei com Inês, ela topou na hora transformar aquilo em um projeto jornalístico. A partir deste momento, fomos à caça dos personagens, marcamos as entrevistas, fizemos a apuração do material bruto, que iria nos dar subsídios para contar as histórias. No primeiro momento, decidimos que iríamos contar a história de um personagem apenas, que representaria todos os demais que vivem em situações parecidas &#8211; e os núcleos que gravitam ao redor desta realidade. Sabíamos também que tinha que ser alguém suficientemente corajoso para se expor em uma situação de fragilidade, enfrentando uma doença e ainda mais as situações precárias para tratá-la. Com a equipe enxuta, não temos muito tempo além do combinado com a chefia para a apuração, por isso as jornadas têm que ser longas e qualquer contratempo pode atrapalhar o processo. Para conversar com pessoas que vêm do interior, pegar a chegada deles nos hospitais, tinhamos que madrugar nesses lugares. Foram incontáveis as vezes que fizemos isto. E a cada saída o volume de informação (folhas e folhas anotadas, horas de vídeo, áudio, fotos) iam se acumulando. Nosso trabalho em dupla tem uma característica organizacional que pertence a Inês. Ela é muito disciplinada e todos os dias são registrados em um relatório. Tudo também é gravado em áudio, para decupagem posterior. Além do material, também acumulamos boas histórias e decidimos que não iriamos abrir mão delas. Mas a nossa personagem, que achávamos haver encontrado, desistiu por proibição do marido. Não quis se expor e nossa viagem, marcada com a prefeitura da cidade do interior, que iria conseguir alocar dois dos pacientes que iriam naquele ônibus para ceder o lugar para a gente, foi cancelada na véspera. No dia em que iríamos viajar, voltamos ao hospital Oswaldo Cruz, onde conhecemos Joanda, nossa personagem. E tinha que ser ela. Marcamos tudo e seguimos para o interior onde a paciente morava. Lá seria o cenário para a gravação dos vídeos, da rotina dela, dos elementos humanos do texto, onde conhecemos a pessoa Joanda, suas fragilidades, as cartas do marido presidiário coladas na parede, do início da viagem (que na verdade, para a gente, foi a etapa final do trabalho de apuração).  Sozinhos, eu e Inês na cidade, fomos nas primeiras horas da manhã para a casa dela. Eu, câmera filmadora/fotográfica amadora em punho, uma lanterninha para iluminar o caminho e muita disposição. Inês, caderno sempre a postos, e habilidade para tirar depoimentos que seriam usados mais tarde, na edição do vídeo. Em casa (na redação), hora de separar as histórias, montar os textos, editar os vídeos, construir o infográfico (s), colar com o designer para ver o final da edição da página. Foto não ficou boa para a página inicial, volta para refazer! Chama o fotógrafo do jornal, faz a pose de melhor forma. Não há uma etapa que a gente não participe. E o mais difícil, por incrível que pareça, é conversar com essas pessoas sem se envolver com elas. Na hora de &#8220;atualizar&#8221; as histórias, algumas pessoas já tinham partido. O cheiro, as imagens, o sofrimento ficou com a gente algum tempo ainda. Ver o resultado e tanta gente repercutindo, se identificando, se emocionando é a grande recompensa. Fazer A viagem de Joanda foi muito especial pra mim e tenho certeza que Inês diz o mesmo.</p>
<p>(Isso tudo, escrito de forma mais bonitinha, <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/aviagemdejoanda/diario.html" target="_blank">está no meu diario de viagem aqui</a>)</p>
<p><strong>Que treinamento ou quais cursos seria preciso ter para realizar o que você faz?</strong></p>
<p>Tem que ter vontade de fazer. Qualquer um que entre no JC Online hoje recebe as orientações básicas para editar um áudio, vídeo, foto e como disponibilizá-los na web de várias maneiras (FTP, gerenciador, sites de compartilhamento). Hoje as coisas estao mais fáceis do que &#8220;no meu tempo&#8221;. Quando eu entrei, montava tudo em HTML, subia pro servidor, errava, consertava&#8230; Ajuda? Apenas uma estagiária que repassava de forma superficial as informações. Essa turma também já chega trazendo novidades, pois muitas vezes já tem blogs, twitter, atualizam seus perfis e editam e mandam vídeos independentes pro ar. Usamos ferramentas básicas de edição para o dia a dia (Windows Movie Maker e Audacity) e também o Premiére e Final Cut &#8211; o Photoshop nem se fala! Todo mundo tem que saber usar. Tudo depende do assunto. Quanto mais &#8220;frio&#8221;, mais editado e de melhor qualidade fica o material produzido pelas equipes. Nesse tempo todo, tivemos reciclagem nos próprios veículos do Sistema. Hoje, existe um programa chamado de &#8220;estagiário multimídia&#8221;, no qual os estudantes que entram na empresa obrigatoriamente tem que passar por todos os veículos. TV, Rádio, Impresso e por fim o Online, onde vão aplicar &#8220;o máximo&#8221; da convergência. Um dos trabalhos feitos por esses estagiários ganhou 2 categorias do Herzog este ano. Ah, importante ressaltar que a troca entre todos é muito importante. Sempre existem dúvidas, uma vez que tudo é muito dinâmico, inclusive os equipamentos que usamos são vários (de celulares a câmeras flip HD e webcams). Ao longo dessa jornada, tive a oportunidade de ter treinamentos básicos em alguns softwares, como o SoundForge (usado nas rádios) e o próprio Premiére, para vídeos).</p>
<p><strong>Como você chamaria esse (s) curso (s) ou esse treinamento?</strong></p>
<p>São cursos de aperfeiçoamento. Hoje, o velho HTML ficou para trás. Sinto falta de conhecer algo mais sobre o flash e também sobre a programação em CSS. Mas não dá para saber tudo, tenho que admitir.</p>
<p><strong>Quais atividades você desenvolve hoje, que no início da década de 90 não existiam no jornalismo? Como você as denomina?</strong></p>
<p>Falo de 1999, que foi quando eu comecei a trabalhar na área. Naquele tempo, uma imagem diferenciada que a gente botasse no site já era um Deus nos acuda para o designer. Com o passar do tempo, a multimídia e a mudança na linguagem &#8211; talvez a forma de percepção na rede &#8211; sejam os principais diferenciais. Mas ano a ano as coisas mudam. Estão aí as redes sociais e os tablets e mobiles para não me deixar mentir. A cada ano temos que nos adaptar mais e mais às novidades e é um caminho sem volta. O que não muda, eu acrredito, é a vontade de contar uma história em suas múltiplas possibilidades.</p>
<p><strong>Você acha que essas são agora atividades básicas do jornalismo?</strong></p>
<p>Não diria que básicas, mas talvez necessárias para conversar com os mais variados públicos daqui por diante.</p>
<p><strong>Quais são os pré-requisitos para um bom jornalista hoje em dia?</strong></p>
<p>Agilidade, concentração, criatividade, curiosidade, comprometimento, não ter medo do novo e ética profissional.</p>
<p><strong>E para trabalhar no jornalismo online? Algum pré-requisito diferente?</strong></p>
<p>Os mesmos. Com uma dose um pouco maior de disposição e paciência &#8211; a tecnologia às vezes falha e não adianta dar um murro no monitor!</p>
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		<title>A Viagem de Joanda: mais um especial multimídia premiado no JC Online</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 00:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A equipe do JC Online leva mais um prêmio do jornalismo online brasileiro: agora, foi o especial multimídia A Viagem de Joanda que levou o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, categoria internet. O especial conta a história de pacientes que precisam se deslocar do interior do estado até a capital Recife para receber tratamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A equipe do JC Online leva mais um prêmio do jornalismo online brasileiro: agora, foi o especial multimídia <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/aviagemdejoanda/" target="_blank">A Viagem de Joanda</a> que levou o <a href="http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/grande-recife/noticia/2010/11/17/jc-online-e-jornal-do-commercio-vencem-premio-tim-lopes-de-jornalismo-investigativo-244860.php" target="_blank">Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo</a>, categoria internet.</p>
<p>O especial conta a história de pacientes que precisam se deslocar do interior do estado até a capital Recife para receber tratamento médico adequado, uma vez que não há hospitais capazes de tratá-los onde moram. Os repórteres Inês Calado (que acabou de ganhar o Vladimir Herzog 2010 categoria internet com outro especial, o <a href="http://www.jornalismodigital.org/2010/10/e-o-verbo-se-fez-vida-vencedor-do-herzog-2010-categoria-multimidia/" target="_blank">E o Verbo se fez Vida</a>) e Gustavo Belarmino (que junto com Inês venceu também o prêmio da Fundación FNPI na categoria Conhecimento com o trabalho <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/limites/" target="_blank">Limites, Formação &amp; Trabalho</a>, sobre deficientes) acompanharam a viagem desses pacientes, fizeram textos, vídeos, e apresentaram uma plataforma multimídia simples, eficaz e bonita.</p>
<p>O jornalista Gustavo Belarmino deu uma entrevista ao <strong>Jornalismo Digital.org</strong> falando sobre seu trabalho e sobre como foi feito o especial. Fizeram também algo muito valioso e raro nesses casos: <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/aviagemdejoanda/diario.html" target="_blank">escreveram um diário sobre como a reportagem foi feita</a>, permitindo que estudantes e outros profissionais aprendessem mais sobre o processo de produção. Belarmino nos enviou por email também um resumo disso tudo:</p>
<blockquote><p>A sala de aula é uma fonte inesgotável de troca de informações. A gente, como professor, acha que está repassando algo. Quando, na verdade, aprendemos todos os dias. E foi dessa lição que nasceu o especial A viagem de Joanda, que conta a história da personagem Joanda Gomes, vítima da doença de Chagas, e que há anos precisa sair da cidade onde mora, no interior de Pernambuco, para vir se tratar nos hospitais de referência, na Capital. Para entender esse universo (que, embora retrate Pernambuco, é comum a muitas cidades brasileiras), eu e a repórter Inês Calado caímos em campo durante mais de um mês, madrugando nos hospitais, ouvindo histórias de gente que viaja de muito longe em condições às vezes subumanas. Essas outras histórias, carregadas de esperança, de gente que não tinha mais sonhos e de outros que encerraram a jornada permeiam a narrativa do especial multimídia, que traz ainda os satélites (casas de apoio, visão dos médicos, insegurança na estrada) que gravitam em torno do assunto. Dessa forma, a &#8220;pauta&#8221; que nos foi passada por uma estudante de jornalismo que também dedica muito do seu tempo a ajudar as pessoas como Joanda terminou virando um trabalho que recompensa, apesar do tema árido, que mexe com vida e morte.</p></blockquote>
<p><strong>Jornalismo Digital.org: Você se considera um jornalista multimídia?</strong></p>
<p><strong>Gustavo Belarmino</strong>: Nestes 10 anos de profissão, minha carreira de  jornalista já ganhou muitos sufixos, mas todos que remetiam a algo do  mundo digital. Já comecei no Sistema Jornal do Commercio no JC Online,  um pouco depois da fase da transposição. Quando a web estava  engatinhando para ganhar um conteúdo diferenciado, mais apropriado à  plataforma. Naquela época, era o &#8220;jornalista do online&#8221;, webjornalista e  posteriormente jornalista multimída. Recentemente em uma palestra que  fui, minha chefe direta brincou: agora você é transmídia. No fim das  contas, no desempenho do meu trabalho de apuração, não sei sair da  redação só com um bloquinho de papel e uma caneta. Eu sempre preciso de  mais. Um dos momentos em que eu me considerei &#8220;mais&#8221; multimídia foi  quando, para fazer o especial Tubarão em alerta, precisei levar todo um  arsenal para um pequeno barco em mar aberto. Passei o dia inteiro tendo  que anotar, gravar, fotografar e ainda me equilibrar. Tudo ali tinha que  ser muito rápido, principalmente na hora em que os pescadores estavam  recolhento as redes. Poderia ocorrer ali o meu flagra, o momento mais  esperado, a captura do tubarão. E ai? Eu garantiria uma foto? Um vídeo?  Dava pra prestar atenção em tudo e contar depois? Não recomendo a  experiência a ninguém (risos). Numa reportagem como essa é preciso um  mínimo de estrutura e ao menos duas pessoas. Ao fim do dia, tive que  ainda me preocupar com os equipamentos, que estavam todos descarregados.  No final deu tudo certo, apesar da frustração de não encontrar nenhum  tuba &#8211; e mesmo assim eu tive que montar o trabalho, que vc pode ver no  link abaixo, Com ele, ganhamos o prêmio Caixa.</p>
<p>Era 2006, portanto descarte muito do que vc vai ver. Garanto que  melhorei!</p>
<p><a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/tubarao/materia_sinuelo.htm" target="_blank">A matéria do video</a></p>
<p><a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/tubarao/materia_diario.htm" target="_blank">O diário de bordo</a></p>
<p><strong>Como chamaria a função que desempenha hoje?</strong><br />
Atualmente sou editor-assistente do portal. Mas tento não ficar longe da produção e monto (na maior parte das vezes em parceria com Inês ou Julliana) especiais multimídia. Minha principal &#8220;atuação&#8221; é na parte dos vídeos, que sou apaixonado. Mas não tem como não se envolver no processo por completo. Normalmente eu acumulo várias seções de um especial, + fotos e vídeos e ainda dou pitaco no design. Não tem como não supervisionar tudo na hora da produção. Digamos que minha função nesse momento é ser perfeccionista, independentemente da mídia. Mas jornalista multifuncional cairia bem. <img src='http://www.jornalismodigital.org/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /><br />
<strong>Quais atividades você realiza?</strong><br />
Em um especial, só não diagramo as páginas. Mas participo de todas as etapas do processo, desde a concepção do projeto, ainda na esfera da pauta, até a pesquisa e caio em campo para a apuração. A rua é um grande laboratório e você consegue trazer de lá muitas ideias. Nunca passei por uma redação de TV e tudo que aprendi foi fazendo. Para você ter uma ideia, os vídeos de um de nossos especiais (<a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/semfronteiras/" target="_blank">Educação sem fronteiras</a>) chegaram a ser veiculados como uma série de reportagens na TV Jornal, afiliada do SBT, que faz parte do grupo de comunicação  ao qual estou vinculado. O caminho ainda é longo, mas trabalhar com a web desde o início nos permitiu ter um espaço de experimentação, criar em cima dos formatos e avaliar a repercussão disso. Além dos vídeos, experimentamos gravar áudios, para usá-los em audio slide shows (Especial <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/onibusmorro/" target="_blank">Ônibus no Morro</a>) e produzir fotos. Texto, neste caso, poderiamos dizer que é a base do trabalho, mas o tempero vem com a multimídia, que deve funcionar aqui como uma complementação. A cada especial, a missão de inovar, de contar a história de forma diferente é cada vez mais cobrada.<br />
<strong>Como é sua rotina? Quais funções específicas?</strong><br />
No dia a dia atuo como editor-assistente. Somos 3 editores no portal. Um por turno. A rotina envolve todo o trabalho de uma redação online, de pautar, receber as informações, coordenar equipe, participar de reunião com os demais veículos e, no meu caso em específico, também ajudar no grupo de discussão de novas mídias. O portal agrupa todos os sites dos veículos do SJCC (Jornal, rádios Jornal e CBN, TV Jornal, além de sites institucionais). Temos também que fazer a &#8220;integração&#8221; dos conteúdos desses veículos em nossas <em>hard news</em>. Ou seja, o repórter do Online publica um texto que também ganhou repercussão na rádio? Então a gente usa o áudio de lá para complementar o texto. Com o vídeo é a mesma coisa. O trabalho de integração com o impresso obedece uma outra lógica, que é o de complementar a edição de amanhã com alguns assuntos que repercutiram ao longo do dia. Podem ser vídeos, audios ou mesmo íntegra de documentos ou programações completas de eventos. Aliado a tudo isso, também coordenamos a atualização de alguns paineis espalhados em shoppings, academias e empresariais da cidade, que são abastecidos com o conteúdo produzido no portal e selecionado pelos editores.</p>
<p>Quando o tempo sobra, também sou setorista de gastronomia (confere aí dois dos trabalhos: <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/comerbem/noronha/index.html" target="_blank">http://www2.uol.com.br/JC/sites/comerbem/noronha/index.html</a> e <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/horadoalmoco/index.html" target="_blank">http://www2.uol.com.br/JC/sites/horadoalmoco/index.html</a> )<br />
<strong>O que coube a você – e o que cabe ao repórter – em uma reportagem multimídia como a que você realizou? (no caso da Viagem de Joanda)</strong><br />
Também sou professor universitário. À época do especial, ainda dava aulas na graduação, quando uma das minhas alunas (e também personagem) me procurou para contar as situações que ela já havia vivido como voluntária em um dos hospitais do Recife. Aquilo ficou martelando na minha cabeça e, quando comentei com Inês, ela topou na hora transformar aquilo em um projeto jornalístico. A partir deste momento, fomos à caça dos personagens, marcamos as entrevistas, fizemos a apuração do material bruto, que iria nos dar subsídios para contar as histórias.</p>
<p>No primeiro momento, decidimos que iríamos contar a história de um personagem apenas, que representaria todos os demais que vivem em situações parecidas &#8211; e os núcleos que gravitam ao redor desta realidade. Sabíamos também que tinha que ser alguém suficientemente corajoso para se expor em uma situação de fragilidade, enfrentando uma doença e ainda mais as situações precárias para tratá-la. Com a equipe enxuta, não temos muito tempo além do combinado com a chefia para a apuração, por isso as jornadas têm que ser longas e qualquer contratempo pode atrapalhar o processo. Para conversar com pessoas que vêm do interior, pegar a chegada deles nos hospitais, tinhamos que madrugar nesses lugares. Foram incontáveis as vezes que fizemos isto. E a cada saída o volume de informação (folhas e folhas anotadas, horas de vídeo, áudio, fotos) iam se acumulando.</p>
<p>Nosso trabalho em dupla tem uma característica organizacional que pertence a Inês. Ela é muito disciplinada e todos os dias são registrados em um relatório. Tudo também é gravado em áudio, para decupagem posterior. Além do material, também acumulamos boas histórias e decidimos que não iriamos abrir mão delas. Mas a nossa personagem, que achávamos haver encontrado, desistiu por proibição do marido. Não quis se expor e nossa viagem, marcada com a prefeitura da cidade do interior, que iria conseguir alocar dois dos pacientes que iriam naquele ônibus para ceder o lugar para a gente, foi cancelada na véspera.</p>
<p>No dia em que iríamos viajar, voltamos ao hospital Oswaldo Cruz, onde conhecemos Joanda, nossa personagem. E tinha que ser ela. Marcamos tudo e seguimos para o interior onde a paciente morava. Lá seria o cenário para a gravação dos vídeos, da rotina dela, dos elementos humanos do texto, onde conhecemos a pessoa Joanda, suas fragilidades, as cartas do marido presidiário coladas na parede, do início da viagem (que na verdade, para a gente, foi a etapa final do trabalho de apuração).  Sozinhos, eu e Inês na cidade, fomos nas primeiras horas da manhã para a casa dela. Eu, câmera filmadora/fotográfica amadora em punho, uma lanterninha para iluminar o caminho e muita disposição. Inês, caderno sempre a postos, e habilidade para tirar depoimentos que seriam usados mais tarde, na edição do vídeo. Em casa (na redação), hora de separar as histórias, montar os textos, editar os vídeos, construir o infográfico (s), colar com o designer para ver o final da edição da página. Foto não ficou boa para a página inicial, volta para refazer! Chama o fotógrafo do jornal, faz a pose de melhor forma. Não há uma etapa que a gente não participe.</p>
<p>E o mais difícil, por incrível que pareça, é conversar com essas pessoas sem se envolver com elas. Na hora de &#8220;atualizar&#8221; as histórias, algumas pessoas já tinham partido. O cheiro, as imagens, o sofrimento ficou com a gente algum tempo ainda. Ver o resultado e tanta gente repercutindo, se identificando, se emocionando é a grande recompensa. Fazer <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/aviagemdejoanda/" target="_blank">A viagem de Joanda</a> foi muito especial pra mim e tenho certeza que Inês diz o mesmo.</p>
<p><strong>Que treinamento ou quais cursos seria preciso ter para realizar o que você faz?</strong><br />
Tem que ter vontade de fazer. Qualquer um que entre no JC Online hoje recebe as orientações básicas para editar um áudio, vídeo, foto e como disponibilizá-los na web de várias maneiras (FTP, gerenciador, sites de compartilhamento). Hoje as coisas estao mais fáceis do que &#8220;no meu tempo&#8221;. Quando eu entrei, montava tudo em HTML, subia pro servidor, errava, consertava&#8230; Ajuda? Apenas uma estagiária que repassava de forma superficial as informações. Essa turma também já chega trazendo novidades, pois muitas vezes já tem blogs, twitter, atualizam seus perfis e editam e mandam vídeos independentes pro ar. Usamos ferramentas básicas de edição para o dia a dia (Windows Movie Maker e Audacity) e também o Premiére e Final Cut &#8211; o Photoshop nem se fala! Todo mundo tem que saber usar. Tudo depende do assunto. Quanto mais &#8220;frio&#8221;, mais editado e de melhor qualidade fica o material produzido pelas equipes.</p>
<p>Nesse tempo todo, tivemos reciclagem nos próprios veículos do Sistema. Hoje, existe um programa chamado de &#8220;estagiário multimídia&#8221;, no qual os estudantes que entram na empresa obrigatoriamente tem que passar por todos os veículos. TV, Rádio, Impresso e por fim o Online, onde vão aplicar &#8220;o máximo&#8221; da convergência. Um dos trabalhos feitos por esses estagiários ganhou 2 categorias do Herzog este ano. Ah, importante ressaltar que a troca entre todos é muito importante. Sempre existem dúvidas, uma vez que tudo é muito dinâmico, inclusive os equipamentos que usamos são vários (de celulares a câmeras flip HD e webcams). Ao longo dessa jornada, tive a oportunidade de ter treinamentos básicos em alguns softwares, como o SoundForge (usado nas rádios) e o próprio Premiére, para vídeos).</p>
<p><strong>Como você chamaria esse (s) curso (s) ou esse treinamento?</strong><br />
São cursos de aperfeiçoamento. Hoje, o velho HTML ficou para trás. Sinto falta de conhecer algo mais sobre o flash e também sobre a programação em CSS. Mas não dá para saber tudo, tenho que admitir.</p>
<p><strong>Quais atividades você desenvolve hoje, que na década de 90 não existiam no jornalismo? Como você as chama?</strong><br />
Falo de 99, que foi quando eu comecei a trabalhar na área. Naquele tempo, uma imagem diferenciada que a gente botasse no site já era um Deus nos acuda para o designer. Com o passar do tempo, a multimídia e a mudança na linguagem &#8211; talvez a forma de percepção na rede &#8211; sejam os principais diferenciais. Mas ano a ano as coisas mudam. Estão aí as redes sociais e os tablets e mobiles para não me deixar mentir. A cada ano temos que nos adaptar mais e mais às novidades e é um caminho sem volta. O que não muda, eu acrredito, é a vontade de contar uma história em suas múltiplas possibilidades.</p>
<p><strong>Você acha que essas são agora atividades básicas do jornalismo?</strong><br />
Não diria que básicas, mas talvez necessárias para conversar com os mais variados públicos daqui por diante.</p>
<p><strong>Quais são os pré-requisitos para um bom jornalista hoje em dia?</strong><br />
Agilidade, concentração, criatividade, curiosidade, comprometimento, não ter medo do novo e ética profissional.</p>
<p><strong>E para trabalhar no jornalismo online? Algum pré-requisito diferente?</strong><br />
Os mesmos. Com uma dose um pouco maior de disposição e paciência &#8211; a tecnologia às vezes falha e não adianta dar um murro no monitor!</p>
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		<title>Pedro Valente, jornalismo e programação: entrevista</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2010 19:16:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felipe Lavignatti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[JORNALISMO]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em entrevista durante o VI Newscamp,  que ocorreu no II Fórum de Cultura Digital, Pedro Valente fala um pouco sobre sua rotina profissional e o papel do jornalista/programador.</p>
<p>Pedro Valente é jornalista, desenvolvedor de projetos online, trabalhou na TV Cultura realizando o Radar Cultura, e hoje é responsável pelo projeto do <a href="http://meme.yahoo.com/home/" target="_blank">Yahoo! Meme</a>.</p>
<p><strong>Você se considera um jornalista multimídia?</strong></p>
<p>Não, tentei ser designer, mas não consegui. Eu sou mais um programador-jornalista. Mas não sei se tem um rótulo, porque a gente faz várias coisas. Um dos meus objetivos era colocar um site no ar sozinho. Então fiz tudo: programação, texto, design. É claro que algumas coisas saem melhores que as outras, mas a gente acaba fazendo um pouco de tudo.</p>
<p><strong>Qual sua rotina ?</strong></p>
<p>Sou gerente de produto no Yahoo! de uma equipe de inovação, pequena, para criar um novo produto. Criamos o <a href="http://meme.yahoo.com/home/" target="_blank">Yahoo! Meme</a>. O que eu faço é definir as prioridades do produto e ajudar a equipe a realizá-las , uma por vez. Trabalhamos com <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Scrum_(development)" target="_blank">Scrum</a>, uma metologia ágil. Existe a figura do Project Owner, esse é meu papel. O time diz o que pode fazer e em qual período de tempo. E eu faço o lead das tarefas, o que vai ser feito primeiro.</p>
<p><strong>Você fez curso para usar o Scrum?</strong></p>
<p>Só li uns livros e começamos. Eu estudava isso. Antes eu trabalhava na TV Cultura e tentei implantar isso lá para desenvolver de forma mais organizada. Quando no Yahoo! surgiu a chance de usar, foi ótimo. <a href="http://www.acarlos.com.br/blog/2009/09/desenvolvimento-de-produtos-de-forma-incremental/">Antonio Carlos Silveira</a>, que veio da Globo.com, e toda a Globo.com foi transformada em times de Scrum. Como ele eu aprendi bastante.</p>
<p><strong>O que fazia na Cultura?</strong></p>
<p>Eu era desenvolvedor, basicamente. Trabalhava no Radar Cultura, e a gente ficava inventando moda, o que poderíamos integrar com a rádio e a TV.</p>
<p><strong>Pra fazer o que você faz, quais treinamentos alguém precisa? Precisa ser jornalista?</strong></p>
<p>Eu acabei me treinando sem querer. Eu tenho que conversar com designers e programadores o dia todo, e preciso transmitir o que o usuário quer. Tudo o que aprendi de linguagem técnica é importante para essas conversas. Não sei se eu seria um bom programador, acho que seria pior que eles, mas esse conhecimento, saber qual coisa é mais ou menos complexa, isso me permite conversar com eles com algum  respeito. O fato de eu ter ido atrás e aprendido a programar me ajudou muito.</p>
<p>E mesmo se eu fosse trabalhar com jornalismo hoje seria igual, tentaria inovar linguagens, criar novas ferramentas.</p>
<p><strong>No Radar, da TV Cultura, era jornalismo, não?</strong></p>
<p>Jornalismo cultural participativo? Pode ser. Mas de novo, não me importa o rótulo. Sei que era divertido.</p>
<p><strong>Ser jornalista é importante para realizar essas coisas?</strong></p>
<p>O que você aprende com jornalismo é bem importante. Não escrever corretamente, que qualquer um faz isso, com alguma dedicação. Mas como saber o que é uma pauta legal? O faro da notícia? Como apresentar isso de uma maneira que o leitor entenda? Como traduzir o complexo para linguagens simples? Isso pode ser aplicado não só num texto. Isso ajuda muito.</p>
<p><strong>Um jornalista precisa ter alguma habilidade ligada ao digital?</strong></p>
<p>Depende do que ele quer fazer hoje. Talvez ele queira fazer o que sempre fez. Não podemos impor isso a eles. Mas a gente vê que o mercado está desmoronando. Se a pessoa não se mexer, alguma coisa vai acontecer. Ou ela perde o emprego, ou ela vai mesmo ser obrigada a aprender coisas novas. Existe sim uma pressão para as pessoas acharem uma maneira nova de fazer jornalismo.</p>
<p><strong>Quais então seriam os pré-requisitos para esse novo jornalista?</strong></p>
<p>Mais do que programação, é importante a pessoa estar antenada com o que está acontecendo nas redes, no mundo digital. Qual a necessidade dos que estão online. Você tem que aproveitar um comportamento existente e usar isso num projeto jornalístico. Colaboração, por exemplo. Por que não usar esse hábito de colaboração para criar um projeto jornalístico? Você não precisa ser programador. Precisa apenas se quiser conversar de detalhes técnicos com quem vai executar. O que é viável, o que dá para fazer ou não dá. Mas hoje tudo dá pra fazer. Se alguém disser que não dá, é mentira. Pode levar um tempão, mas dá.</p>
<p>Isso é mais importante. Acho impressionante como muita gente não se atualiza, não faz a menor ideia do que está rolando. Às vezes a gente encontra gente de nome, medalhões, que não fazem a menor ideia do que tem de novo. Olhar o que o NYT está fazendo, o Washington Post, os caras que estão na ponta.</p>
<p><strong>E além de estar antenado, alguma outra habilidade que você acha que quem quer trabalhar nas redações da internet no Brasil hoje precisa?</strong></p>
<p>Nas redações online que a gente tem hoje? Se você vai trabalhar nas redações de hoje, vai fazer notinha o dia inteiro e cozinhar matérias. Fora algumas excessões, como as áreas de infográficos, mas são inscipientes. A grande massa faz notinhas e detesta. E os editores estão sobrecarregados e não conseguem pensar em como pode melhorar. Eu sugiro que, se a pessoa estiver na faculdade e tiver tempo, faz sozinho. Faz um blog, invente sozinho coisas que seriam legais. Não espere que os veículos dêem um formato. Vai ser o contrário, vai vir de baixo. Os formatos novos virão desse pessoal que experimenta, não das redações.</p>
<p></p>
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		<itunes:summary>Em entrevista durante o VI Newscamp,  que ocorreu no II Fórum de Cultura Digital, Pedro Valente fala um pouco sobre sua rotina profissional e o papel do jornalista/programador.
Pedro Valente é jornalista, desenvolvedor de projetos online, trabalhou na TV Cultura realizando o Radar Cultura, e hoje é responsável pelo projeto do Yahoo! Meme.
Você se considera um jornalista multimídia?
Não, tentei ser designer, mas não consegui. Eu sou mais um programador-jornalista. Mas não sei se tem um rótulo, porque a gente faz várias coisas. Um dos meus objetivos era colocar um site no ar sozinho. Então fiz tudo: programação, texto, design. É claro que algumas coisas saem melhores que as outras, mas a gente acaba fazendo um pouco de tudo.
Qual sua rotina ?
Sou gerente de produto no Yahoo! de uma equipe de inovação, pequena, para criar um novo produto. Criamos o Yahoo! Meme. O que eu faço é definir as prioridades do produto e ajudar a equipe a realizá-las , uma por vez. Trabalhamos com Scrum, uma metologia ágil. Existe a figura do Project Owner, esse é meu papel. O time diz o que pode fazer e em qual período de tempo. E eu faço o lead das tarefas, o que vai ser feito primeiro.
Você fez curso para usar o Scrum?
Só li uns livros e começamos. Eu estudava isso. Antes eu trabalhava na TV Cultura e tentei implantar isso lá para desenvolver de forma mais organizada. Quando no Yahoo! surgiu a chance de usar, foi ótimo. Antonio Carlos Silveira, que veio da Globo.com, e toda a Globo.com foi transformada em times de Scrum. Como ele eu aprendi bastante.
O que fazia na Cultura?
Eu era desenvolvedor, basicamente. Trabalhava no Radar Cultura, e a gente ficava inventando moda, o que poderíamos integrar com a rádio e a TV.
Pra fazer o que você faz, quais treinamentos alguém precisa? Precisa ser jornalista?
Eu acabei me treinando sem querer. Eu tenho que conversar com designers e programadores o dia todo, e preciso transmitir o que o usuário quer. Tudo o que aprendi de linguagem técnica é importante para essas conversas. Não sei se eu seria um bom programador, acho que seria pior que eles, mas esse conhecimento, saber qual coisa é mais ou menos complexa, isso me permite conversar com eles com algum  respeito. O fato de eu ter ido atrás e aprendido a programar me ajudou muito.
E mesmo se eu fosse trabalhar com jornalismo hoje seria igual, tentaria inovar linguagens, criar novas ferramentas.
No Radar, da TV Cultura, era jornalismo, não?
Jornalismo cultural participativo? Pode ser. Mas de novo, não me importa o rótulo. Sei que era divertido.
Ser jornalista é importante para realizar essas coisas?
O que você aprende com jornalismo é bem importante. Não escrever corretamente, que qualquer um faz isso, com alguma dedicação. Mas como saber o que é uma pauta legal? O faro da notícia? Como apresentar isso de uma maneira que o leitor entenda? Como traduzir o complexo para linguagens simples? Isso pode ser aplicado não só num texto. Isso ajuda muito.
Um jornalista precisa ter alguma habilidade ligada ao digital?
Depende do que ele quer fazer hoje. Talvez ele queira fazer o que sempre fez. Não podemos impor isso a eles. Mas a gente vê que o mercado está desmoronando. Se a pessoa não se mexer, alguma coisa vai acontecer. Ou ela perde o emprego, ou ela vai mesmo ser obrigada a aprender coisas novas. Existe sim uma pressão para as pessoas acharem uma maneira nova de fazer jornalismo.
Quais então seriam os pré-requisitos para esse novo jornalista?
Mais do que programação, é importante a pessoa estar antenada com o que está acontecendo nas redes, no mundo digital. Qual a necessidade dos que estão online. Você tem que aproveitar um comportamento existente e usar isso num projeto jornalístico. Colaboração, por exemplo. Por que não usar esse hábito de colaboração para criar um projeto jornalístico? Você não precisa ser programador. Precisa apenas se quiser conversar de detalhes técnicos com quem vai executar. O que é viável, o que dá para fazer ou não dá. Mas hoje tudo dá pra[...]</itunes:summary>
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		<title>Como fazer cinema sem Lei Rouanet: Juan Zapata</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2010 18:05:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Zapata é um cineasta colombiano que vive no Brasil desde 2004. Dono da produtora Zapata Filmes, é um realizador de idéias – fez diversos filmes, tem muitos pilotos prontos de séries, tem documentários, prêmios, criou sozinho uma rede de distribuição de filmes para 40 salas de cinema em 8 países da América Latina. Está distribuindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Zapata é um cineasta colombiano que vive no Brasil desde 2004. Dono da produtora Zapata Filmes, é um realizador de idéias – fez diversos filmes, tem muitos pilotos prontos de séries, tem documentários, prêmios, criou sozinho uma rede de distribuição de filmes para 40 salas de cinema em 8 países da América Latina. Está distribuindo para Guiana Francesa agora – porque quer entrar na França. Nunca usou Lei Rouanet, nem pretende: diz que muitos  cineastas brasileiros só reclamam e que, no fundo no fundo, não se esforçam realmente para que o público assista aos filmes que eles produzem. Senão iam atrás de exibidores, como ele faz. “O cara já ganha milhões pra fazer o filme, e as vezes perde o interes de ir atras de exibição, de expor seu trabalho, para alguns cineastas o negocio é fazer e não expor o que foi feito, é um vicio que etsa se criando no mercado”.</p>
<p>Eu vi Juan falar a primeira vez numa reunião de produtores em Gramado, agora em 2010. Naquele dia – e hoje ele explicou melhor – ele dizia que o problema da pirataria no Brasil era que este é um setor muito pouco organizado, e pouco profissional: copia filmes com qualidade muito ruim. No Equador e na Colômbia, segundo ele, a qualidade é muito melhor.  “A pirataria, como aconteceu com alguns filmes já conhecidos, pode ser um elemento a favor e não em contra, acredito que tem publico para todo tipo de opção de  exibição incluindo este segmento, não me preocupa a pirataria e sim o porque existe ela. O cinema deve ser popular, nasceu com essa intenção, por que não procurar opções acessíveis para este publico que é tão forte?”.</p>
<p>“Deixei lá meu filme, torcendo para que fosse pirateado. Um filme pirateado é um orgulho – quer dizer que tem demanda, e ajuda a conseguir salas de cinema. Dá status. Isso ajuda na exibição. A única coisa é que as pessoas não podem saber que há um acordo entre o diretor e os piratas. Elas compram achando que estão cometendo um ato subversivo. Se souberem, perde o encanto. Então temos que fazer esses acordos, mas não podemos dizer que fizemos: temos que deixar as pessoas felizes no ato de transgressão delas”.</p>
<p>Zapata conta que tem uma loja de 3 andares tipo shopping center em Bogotá onde se encontra qualquer filme cult do mundo, pirateado. Se não tiver na hora, em dois dias conseguem. Ele disse que conseguiu um iraniano que buscava há tempos, por exemplo, e só achou lá. Inclusive Blu-ray, da melhor qualidade, pirata. Ainda: ele diz que é preciso ajudar o setor brasileiro a se organizar, e que isso ajudaria o cinema brasileiro. Diz meio brincando. Meio.</p>
<p>Ele conta que é um viciado em documentários, e que quando fez o primeiro filme, foi procurar as distribuidoras tradicionais. Conversou com muitas, que tinham filmes do Solanas ou Fernando Perez, por exemplo, e que todas diziam a mesma coisa: documentário é difícil, nunca mais vão pegar um documentário para distribuir, só dá prejuízo&#8230; “Dava vontade de dar dinheiro pra eles, coitados. Aí pensei: bom, se os caras que distribuem o Solanas estão reclamando, como eu vou fazer? Tou perdido”.</p>
<p>Começou a entrar em contato diretamente com as salas de cinema que exibiam documentários, que ele frequentava na Colômbia. Mandou pra uma, gostaram, pediram mais. Mandou pra outra, a mesma coisa. A sala fica com 50% da receita do público que entra, a outra metade é dele. No boca a boca, hoje tem acordos com 40 salas. Todos pedem filmes para ele, e ele começou a mandar filmes de outros.</p>
<p>“Porque aprendi isso também: se você entra em redes sociais, divulga o filme naquele local, nos jornais locais, triplica o público facilmente. Hoje tenho alguém que me ajuda neste trabalho. E o melhor para ganhar as páginas dos jornais é distribuir também em outra s midias como internet. Colocar online ajuda a ir para o cinema, porque vira notícia no jornal. E o cinema, mesmo que não dê muito público, ajuda a vender para televisões. Filme que foi para o cinema é mais fácil de entrar na TV”. &#8221; As midias se complementam, não competem entre elas, tem publico para todo tipo, o que devemos fazer é dar todas as opçoes possiveis&#8221;.</p>
<p>Tem mais: Zapata aprendeu a encontrar nichos muito específicos nos filmes que faz, sejam documentários, séries ou ficção. Depois que fez um filme sobre sexo na terceira idade, começou a ser procurado. Fez um piloto para uma série de TV sobre a vida sexual de cadeirantes, chamado “Na minha cadeira ou na sua?”. Está produzindo um outro filme – Simone – sobre uma mulher que durante muito tempo teve relações só com mulheres. “Um dia resolve sair do armário e tentar ser heterossexual, é uma forma de liberdade sexual e uma forma de inverter aqueles preconceitos que existem a respeito. Admiro quem é transgressor e procura sua felicidade, como ela. É baseado numa amiga minha, aconteceu isso com ela. Ela é atriz – e é a atriz principal do filme, aliás. E se chama Simone”.</p>
<p>Observando nichos de mercado e produzindo para esses nichos, e distribuindo em redes alternativas, e fazendo uma comunicação online para esses nichos, Zapata diz que nunca teve prejuízo com filmes. Não que eles sejam baratos. Está produzindo um documentário de R$ 1,6 milhão &#8211; “falta só R$ 450 mil”. São 11 histórias de pessoas que vivem em 11 fronteiras do Brasil, inclusive um sujeito que trabalha numa ilha entre o Brasil e a África. Zapata ficou 4 dias num barco para chegar nessa ilha. Simone ele quer fazer com R$ 700 mil. “Mas dá pra filmar com R$ 200 mil. Vou fazer de qualquer jeito. Sei que tem muita gente vivendo isso. E o engraçado é que vários  movimentos gay não gostam do filme.</p>
<p>Porque é chocante dentro do ambiente deles. É difícil sair do armário e virar hetero ali”. “Eu não defendo nenhuma opção, ser hetero ou ser homosexual, defendo a liberdade de escolha e defendo a quem tem coragem para se confrontar e ir atrás do que deseja, só quero contar uma historia que me impacto, tal vez isso motivo criar a rede, tentar levar minhas historias e as historias que gosto  a quanto lugar for possível&#8221;.</p>
<p>Não que fique rico com nenhum deles, tem dois funcionários fixos na sua produtora e uma rede de parceiros que fazem legendas, pós-produção, produção executiva. “Consigo mobilizar essa rede até de graça para filmes que sejam de gente que vende carro pra produzir como eu, que não pede dinheiro público  – mas acho errado o cara que consegue 3 milhoes para fazer um filme e não guardou algo para distribuir ou botar uma legenda ou quem receve R$150 mil na Ancine pra distribuição do filme dele e vem para me pedir ajuda para distribuir de graça. Aí acho injusto.”</p>
<p>Como é colombiano, os filmes dele raramente ganham concursos brasileiros – mesmo sendo seus filmes todos no Brasil, com equipe e técnicos Brasileiros. Por isso tem também parcerias com produtoras brasileiras, que ajudam a colocar os filmes nos festivais.</p>
<p>Da conversa saiu uma idéia: e se surgir uma rede de captação de recursos com vários parceiros, em que cada um buscasse esses recursos em suas áreas de conhecimento? Um ativaria a rede das salas de cinema; outro faria um crowdsourcing; outro distribuição para TVs nacionais; outro para internacionais; outro para companhias aéreas; outro para telefonia&#8230;</p>
<p>Segundo o cálculo dele, ativando cada uma dessas redes, separadamente, e mesmo sem esses parceiros ainda, ele vai conseguir os R$ 1,6 milhão que investirá no documentário sobre as fronteiras. E ninguém em Porto Alegre duvida dele.</p>
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		<title>Ivo Correa, do Google Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 15:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ivo Correa, advogado, fala sobre o Google Books numa série de entrevistas que foram feitas durante o Simpósio Internacional de Digitalização de Acervos. Várias outras entrevistas estão sendo colocadas aqui. E o site oficial do encontro é este aqui, com um monte de informações sobre digitalização.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="601" height="338" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11825246&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="601" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11825246&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Ivo Correa, advogado, fala sobre o Google Books numa série de entrevistas que foram feitas durante o Simpósio Internacional de Digitalização de Acervos.</p>
<p>Várias outras entrevistas <a href="http://acervosdigitais.mirocommunity.com/">estão sendo colocadas aqui</a>.</p>
<p>E o site oficial do encontro é este aqui, com <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/">um monte de informações sobre digitalização</a>.</p>
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