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	<title>Jornalismo Digital.org &#187; Livros_Jornalismo Digital.org</title>
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	<description>Jornalismo online, digital, webjornalismo, ciberjornalismo, internet</description>
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		<title>Jornalismo Digital.org</title>
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	<itunes:subtitle>Discussões sobre jornalismo na internet e novas formas de contar histórias.</itunes:subtitle>
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	<itunes:author>Andre Deak</itunes:author>
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		<title>Marcos Faerman e a lista de livros para jornalismo literário</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 18:59:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Andre Deak Já não lembro mais a origem dessa lista que recebi &#8211; ou que escrevi &#8211; com livros indicados pelo jornalista e professor Marcos Faerman (1943-1999). Tive a sorte de tê-lo como professor durante os últimos dois anos de sua vida, quando ele dava aulas na Cásper Líbero e editava um jornal-revista laboratório [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-858" style="margin: 5px; border: 5px solid black;" title="operacion_masacre" src="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/01/operacion_masacre.jpg" alt="" width="189" height="274" />Por Andre Deak</p>
<p>Já não lembro mais a origem dessa lista que recebi &#8211; ou que escrevi &#8211; com livros indicados pelo jornalista e professor <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Faerman" target="_blank">Marcos Faerman</a> (1943-1999). Tive a sorte de tê-lo como professor durante os últimos dois anos de sua vida, quando ele dava aulas na Cásper Líbero e editava um jornal-revista laboratório conhecido como Esquinas.</p>
<p>Faerman foi um grande apaixonado do jornalismo literário, ensinava e <a href="http://www.andredeak.com.br/emcrise/nao-pereciveis/npfaerman.htm" target="_blank">escrevia assim</a>. Compartilho com a rede agora essa lista, que ficou guardada durante anos, mas que ainda é uma preciosidade &#8211; e confesso que ainda me faltam um ou dois títulos para completar a coleção.</p>
<p>A lista não está em ordem de importância. Mas acho que era pela ordem dos nomes que ele foi lembrando. Segue:</p>
<blockquote><p><strong>Lista de livros-referência para quem quer aprender jornalismo literário, segundo indicações do professor Marcos Faerman:</strong></p>
<p><strong></strong><br />
“A Sangue Frio”, Truman Capote<br />
“Honrados Mafiosos”, Gay Talese<br />
“Aos olhos da multidão”, Gay Talese<br />
“A mulher do próximo”, Gay Talese<br />
“Décadas Púrpuras”, Tow Wolfe<br />
“A arte da reportagem”, Igor Fuser &#8211; coletânea<br />
“México Rebelde”, John Reed<br />
“Operação Massacre”, Rodolfo Walsh<br />
“O cego de Ipanema”, Paulo Mendes Campos<br />
“Casa de Loucos”, João Antonio<br />
“Os vira-latas da madrugada”, Adelto Gonçalves<br />
“Moby Dick”, Helman Melville<br />
“A Ilha do Tesouro”, Robert Louis Stevenson<br />
“Lobo do Mar”, Jack London<br />
“Fábrica de Mentiras”, Günther Wallraff<br />
“Cabeça de Turco”, Günther Wallraff<br />
“E louvemos agora os grandes homens”, James Agee e Walker Evans<br />
(“Let Us Now Praise Famous Men”)<br />
“Notícia, um produto a venda”, Cremilda Medina<br />
“Com as mãos sujas de sangue”, Marcos Faerman<br />
“Guerra Civil”, Hans Magnus Enzensberger<br />
“Através do continente misterioso”, Henry Stanley<br />
“Recordação da casa dos mortos”, Dostoiévski<br />
“Um belo domingo”, Jorge Semprum<br />
“A longa viagem”, Jorge Semprum<br />
“Os nus e os mortos”, Norman Mailer<br />
“A canção do carrasco”, Norman Mailer<br />
“Tempo de morrer”, Ernest Hemingway<br />
“Nada de novo no front ocidental”, Erich Marie Remarch<br />
“A peste”, Albert Camus<br />
“Entrevistas com a História”, Oriana Fallacci<br />
“1919”, John dos Passos<br />
“Boquinhas Pintadas”, Manuel Puig<br />
“Diário do ano da peste”, Daniel Defoe<br />
“As vinhas da ira”, John Steinbeck<br />
“Oliver Twist”, Charles Dickens<br />
“Conto de Natal”, Charles Dickens<br />
“David Copperfield”, Charles Dickens<br />
“Cidades Fascinantes”, Ian Fleming</p></blockquote>
<p>Convido os amigos leitores a comentarem outros livros que achem importantes, e irei acrescentando ao post.</p>
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		<title>A sociedade em rede, Manuel Castells</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 14:47:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONVERGÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[referência]]></category>

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		<description><![CDATA[Abaixo, trechos importantes do já clássico livro de Castells, A Sociedade em Rede (Castells, 1999, p. 82-89). Tratam do início da internet no mundo, história que hoje já é bem conhecida, mas vale a pena registrar e oferecer este trecho online, gratuitamente. “A criação e o desenvolvimento da Internet nas três últimas décadas do século [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/01/castells.jpg"><img class="size-full wp-image-839 alignleft" title="castells" src="http://www.jornalismodigital.org/wp-content/uploads/2011/01/castells.jpg" alt="" width="180" height="180" /></a></p>
<p>Abaixo, trechos importantes do já clássico livro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Castells" target="_blank">Castells</a>, <strong>A Sociedade em Rede</strong> (Castells, 1999, p. 82-89). Tratam do início da internet no mundo, história que hoje já é bem conhecida, mas vale a pena registrar e oferecer este trecho online, gratuitamente.</p>
<blockquote><p>“A criação e o desenvolvimento da Internet nas três últimas décadas do século XX foram consequencia de uma fusão singular de estratégia militar, grande cooperação científica iniciativa tecnológica e inovação contracultural. A internet teve origem no trabalho de uma das mais inovadoras instituições de pesquisa do mundo: a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA) do Departamento de Defesa dos EUA. Quando o lançamento do Sputnik, em fins da década de 1950, assustou os centros de alta tecnologia estadunidenses, a ARPA empreendeu inúmeras iniciativas ousadas (…). Uma dessas estratégias (…) foi criar um sistema de comunicação invulnerável a ataques nucleares. (…) Quando, mais tarde, a tecnologia permitiu o empacotamento de todos os tipos de mensagens, inclusive de som, imagem e dados, criou-se uma rede que era capaz de comunicar seus nós sem usar centros de controle. A universalidade da linguagem digital e a pura lógica das redes do sistema de comunicação geraram as condições tecnológicas para a comunicação global horizontal.</p>
<p>A primeira rede de computadores, que se chamava ARPANET – em homenagem ao seu poderoso patrocinador – entrou em funcionamento em 1º de setembro de 1969, com seus quatro primeiros nós na Universidade da Califórnia em Los Angeles, no Stanford Research Institute, na Unviersidade da Califórnia em Santa Bárbara e na Universidade de Utah. Estava aberta aos centros de pesquisa que colaboravam com o Departamento de Pesquisa dos EUA, mas os cientistas começaram a usá-la para suas próprias comunicações, chegando a criar uma rede de mensagens entre entusiastas de ficção científica.</p>
<p>A certa altura tornou-se difícil separar a pesquisa voltada para fins militares das comunicações científicas e das conversas pessoais. Assim, permitiu-se o acesso à rede de cientistas de todas as disciplinas e, em 1983, houve a divisão entre a ARPANET, dedicada a fins científicos, e a MILNET, orientada diretamente às aplicações militares. (…) A rede das redes que se formou durante a década de 1980 chamava-se ARPA-INTERNET, depois passou a chamar-se INTERNET. (…) Tendo-se tornado tecnologicamente obsoleta depois de mais de 20 anos de serviços, a ARPANET encerrou as atividades em 28 de fevereiro de 1990 (…) Uma vez privatizada, a Internet não contava com nenhuma autoridade supervisora. (…) Apesar da criação, em 1998, de um novo órgão regulador com sede nos EUA (IANA/ICANN), em 1999 não existia nenhuma autoridade clara e indiscutível sobre a internet – tanto nos EUA quanto no resto do mundo – sinal das características anarquistas do novo meio de comunicação, tanto tecnológica quanto culturalmente. (…)</p>
<p>Contudo, a capacidade de transmissão não era suficiente para instituir uma teia mundial de comunicação. Era preciso que os computadores estivessem capacitados a conversar uns com os outros. O primeiro passo nessa direção foi a criação de um protocolo de comunicação que todos os tipos de redes pudessem usar – tarefa praticamente impossível no início da década de 1970. [N.R. Isso seria o protocolo TCP/IP, criado em 1978 e que se tornaria padrão na década de 1980]</p>
<p>(…) Mas esse é apenas um lado da história. Em paralelo com o trabalho do Pentágono e dos grandes cientistas de criar um rede universal de computadores com acesso público, dentro de normas de &#8216;uso aceitável&#8217;, surgiu nos EUA um contracultura com crescimento descontrolado, quase sempre de associação intelectual com os efeitos secundários dos movimentos da década de 1960 em sua versão mais libertária / utópica. O modem, elemento importante do sistema, foi uma das descobertas tecnológicas que surgiu dos pioneiros dessa contracultura, originalmente batizada de hackers, antes da conotação maligna que o termo veio a assumir. O modem foi inventado por dois estudantes (…) que estavam tentando descobrir um sistema para transferir programas entre microcomputadores via telefone, para não serem obrigados a percorrer longos trajetos no inverno de Chicago.</p>
<p>Em 1979, divulgaram o protocolo Xmodem, que permitia a transferência de arquivos entre computadores sem passar por um sistema principal. E divulgaram a tecnologia gratuitamente, pois sua finalidade era espalhar ao máximo possível essa capacidade de comunicação. As redes que não pertenciam à ARPANET descobriram um jeito de começar a se comunicar entre si por conta própria.</p>
<p>(…) Em 1983, Tom Jennings criou um sistema para a publicação de quadros de avisos em Pcs, por intermédio da instalação de um modem e um software especial. (…) O advento da computação pessoal e a comunicabilidade das redes incentivou a criação dos sistemas de quadros de avisos (bulletin board systems – BBS), primeiro nos EUA e depois no mundo inteiro. (…) Assim, criaram-se os fóruns eletrônicos de todos os tipos de interesses e afinidades, criando o que Howard Rheingol chamava de &#8216;comunidades virtuais&#8217;. Em fins da década de 1980, alguns milhões de usuários de computador já estavam usando as comunicações em redes cooperativas ou comerciais que não faziam parte da internet. Em geral, essas redes usavam protocolos que não eram compatíveis entre si, portanto adotaram os protocolos da Internet, mudança que na década de 1990 garantiu sua integração e, assim, a expansão da própria Internet.</p>
<p>Contudo, por volta de 1990 os não-iniciados ainda tinham dificuldade para usar a internet. (…) Era dificílimo localizar e receber informações. Um novo salto tecnológico permitiu a difusão da Internet na sociedade em geral: um novo aplicativo, a teia mundial (world wide web – WWW), que organizava o teor dos sites por informação, e não por localização, oferecendo aos usuários um sistema fácil de pesquisa para buscar informações desejadas. A invenção da WWW deu-se na Europa, em 1990, no Centre Européen poour Recherche Nucleaire (CERN) em Genebra, um dos principais centros de pesquisa do mundo. Foi inventada por um grupo de pesquisadores chefiado por Tim Berners Lee e Robert Cailliau. Não montaram a pesquisa segundo a tradição da ARPANET, mas com a contribuição da cultura dos hackers da década de 1970. (…)</p>
<p>A equipe do CERN criou um formato para os documentos em hipertexto ao qual deram o nome de linguagem de marcação de hipertexto (hypertext markup language – HTML), dentro da tradição de flexibilidade da Internet, para que os computadores pudessem adaptar suas linguagens específicas dentro desse formato compartilhado, acrescentando essa formatação ao protocolo TCP/IP. Também configuraram um protocolo de transferência de hipertexto (hypertext transfer protocol – HTTP) para orientar a comunicação entre programas navegadores e servidores de WWW; e criaram um formato padronizado de endereços, o localizador uniforme de recursos (uniform resource locator – URL), que combina informações sobre o protocolo do aplicativo e sobre o endereço do computador que contém as informações solicitadas. (…)<br />
O CERN distribuiu o software WWW gratuitamente pela Internet, e os primeiros sítios da web foram criados por grandes centros de pesquisa pelo mundo. (…) &#8216;Em fins de 1992, [um estudante chamado] Marc resolveu que era divertido tentar dar à Web a face gráfica (…)&#8217;. O resultado foi o navegador da Web chamado Mosaic, criado para funcionar em computadores pessoais. Marc Andreessen e seu colaborador Eric Bina disponibilizaram o Mosaic gratuitamente na Web em novembro de 1993, e em abril de 1994 já havia alguns milhões de cópias em uso. Andreessen e sua equipe foram, então, procurados por um lendário empresário do Vale do Silício, Jim Clark (…). Juntos, fundaram outra empresa, a Netscape, que produziu e comercializou o primeiro navegador da Internet digno de confiança, o Netscape Navigator, lançado em outubro de 1994.  Logo surgiram novos navegadores, ou mecanismos de pesquisa, e o mundo inteiro abraçou a Internet, criando uma verdadeira teia mundial.”</p></blockquote>
<p>A internet, é claro, não parou de se desenvolver aí. Com a disseminação da banda larga, os sites que em seu início eram apenas texto, algumas vezes texto e foto, passam a incorporar vídeos. Mas não apenas: a interatividade passa a ser mais experimentada, especialmente com programas como o Flash. Em 2010, um novo degrau na escalada da evolução da rede mundial é galgado: o HTML5, a evolução do HTML, incorpora o vídeo ao cerne do código da web. A Apple define que usará apenas aplicativos em HTML5, e não em Flash (uma guerra entre a Apple e a Adobe, proprietária do Flash, que vem desde a decisão de Jobs de não permitir o software Flash nos IPhones em seu lançamento).</p>
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		<title>ENTREVISTA: JOSHUA GREEN E O VÍDEO ONLINE</title>
		<link>http://www.jornalismodigital.org/2010/03/entrevista-joshua-green-e-o-video-online/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 12:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Coordenador de pesquisas do Convergence Culture Consortium, centro de estudos fundado por Henry Jerkins e filiado ao Comparative Media Studies do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, Joshua Green lidera uma equipe dedicada a investigar as ramificações da convergência e da cultura participativa na produção de conteúdo, nas práticas de mercado e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Coordenador de pesquisas do <a id="m25-" title="Convergence Culture Consortium" href="http://www.convergenceculture.org/">Convergence Culture Consortium</a>, centro de estudos fundado por <a id="biix" title="Henry Jerkins" href="http://www.henryjenkins.org/">Henry Jerkins</a> e filiado ao <a href="http://www.convergenceculture.org/aboutc3/mitcms.php">Comparative Media Studies</a> do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, Joshua Green lidera uma equipe dedicada a investigar as ramificações da convergência e da cultura participativa na produção de conteúdo, nas práticas de mercado e na forma de entender as audiências das diversas mídias. Seu trabalho atual é sobre a <span><span style="background-color: #ffffff;" title="research looks at changing understandings of what television 'is', the formation of the participatory audience, and television branding in the context of participatory culture">televisão e a formação de audiência interativa. É PhD em estudos de mídia </span></span>pela <a id="lmna" title="Queensland University of Technology da Austrália" href="http://www.qut.edu.au/">Queensland University of Technology da Austrália</a>, tendo publicado <span><span style="background-color: #ffffff;" title="He has published work on participatory culture and the relationship between producers and consumers, television scheduling strategies, the history of Australian television, and the construction of the cultural public sphere.">trabalhos sobre televisão online, as relações entre produtores e consumidores, estratégias de programação de TV e a construção da esfera pública cultural.</span></span></p>
<p>Ao lado da pesquisadora australiana <a id="nm42" title="Jean Burgess" href="http://cci.edu.au/profile/jean-burgess">Jean Burgess</a> lançou em março de 2009 o livro &#8220;<span>YouTube &#8211; Online Video and Participatory Culture&#8221;, traduzido para o português como &#8220;<a id="ci2:" title="Youtube e a Revolução Digital" href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454">Youtube e a Revolução Digital</a>&#8220;</span> (Editora Aleph). O livro é um dos primeiros trabalhos dedicados a analisar o site como uma rede social e não apenas como plataforma de distribuição de conteúdo e parte da análise dos 4.300 vídeos mais acessados. O resultado é um mapeamento sobre como<span> ele é utilizado pela indústria da mídia, pelo público, por produtores amadores e por comunidades de interesses particulares, mostrando que o maior potencial do YouTube está na capacidade de criar relacionamentos e incentivar a criatividade popular. </span></p>
<p>Green é ainda afiliado ao <a href="http://www.cci.edu.au/">ARC Center of Excellence For Creative Industries and Innovation</a>, centro de inovação e tecnologia na Austrália, membro equipe da rede social experimental <a href="http://www.pbs.org/engage/">PBS Engage</a> e ministra palestras sobre cultura e convergência em eventos acadêmicos e empresariais pelo mundo.<br />
<strong><br />
Perfil no Twitter</strong>: <a id="f0yc" title="@JoshGreen" href="http://twitter.com/JoshGreen">@JoshGreen</a><br />
<strong>Blog: </strong><a id="lp6v" title="Weigh and Mass" href="http://weightandmass.wordpress.com/">Weigh and Mass</a></p>
<p>A entrevista transcrita abaixo foi gravada durante a passagem de Joshua pelo Brasil em outubro de 2009, quando participou do <a id="ab5o" title="New Brand Comunication" href="http://www.nbc09.com.br/">New Brand Comunicattion</a> e aproveitou para visitar a <a id="qxo1" title="Casa da Cultura Digital" href="http://www.casadaculturadigital.com.br/">Casa da Cultura Digital</a>, em São Paulo. Na ocasião, eu e o <a href="http://vjpixel.net/" target="_blank">VJ Pixel</a> fizemos essas perguntas para ele. <span id=":31n" dir="ltr">A entrevista faz parte do projeto de estudos sobre vídeo online que a FLi Multimídia está desenvolvendo para a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e o Ministério da Cultura.</span></p>
<p>&gt;&gt;&gt; <strong>O que é o vídeo online?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Bom, de maneira geral, estamos falando em vídeos que são disponibilizados online. É uma das coisas que muda de acordo com o contexto. O vídeo online pode ter a ver com esporte, com segurança, pode ter conteúdo de entretenimento, pode ser de notícias, pode ser pessoal, pode ser objetivo, pode ser interpessoal (como uma gravação de uma conversa), pode ser uma animação. Ou seja, vídeo online é, a princípio, um vídeo que está online.</p>
<p>Mas precisamos ser mais específicos quando falamos disso. Deveríamos pontuar melhor o tema, falar no &#8220;espaço de mercado do vídeo online&#8221;, ou na &#8220;cultura do vídeo online&#8221; &#8211; sempre especificando melhor o que queremos dizer. Vídeo online é um modo particular de oferecer  muitos tipos de conteúdo.</p>
<p>Algumas características são diferentes, de fato: se é visto em uma tela próxima, como a do computador, precisa ter uma dimensão específica. Na tela do computador as pessoas estão geralmente a meio metro de distância, enquanto na TV estão a uns 5 metros. <strong>Você assiste televisão de longe, mas você trabalha com o seu computador a no máximo meio metro de distância. Então, de cara, o vídeo online já deveria ter algumas características diferentes.<br />
</strong></p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt; Com o html5 (uma linguagem que permite rodar vídeos  no próprio navegador, </strong><strong>sem players instalados no computador</strong><strong>), algumas pessoas dizem que áudio e vídeo serão “cidadãos de primeira classe” na internet. O que você acha sobre isso?</strong><strong> </strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Isso está relacionado com a questão &#8220;o vídeo online vai matar a televisão?&#8221; Eu diria que não, para as pessoas sem conexão de Internet,  ou com conexão de linha discada. Também não para as pessoas que estão atrás de firewalls nacionais, ou para as que trabalham em corporações que restringem o acesso a Internet. E também não, claro, para quem não pode comprar um computador.</p>
<p><strong>Muitas das discussões sobre vídeo online envolvem questões sobre democracia digital, inclusão digital e direitos de acesso. Isso não significa que devemos parar de discutir esses temas. O vídeo online precisa ser incorporado como parte de um argumento mais amplo, em muitas instâncias, como a necessidade de conexão de Internet hoje para possibilitar a participação civil. </strong></p>
<p>Se não tivermos linhas telefônicas, água encanada, limpeza ou segurança, então, ter uma conexão de Internet está provavelmente bem abaixo na lista de prioridades. E, cada vez mais no mundo desenvolvido, pelo menos, no Ocidente, e certamente em muitos países de língua inglesa, o acesso a Internet é vitalmente importante para participação civil efetiva &#8211; mas isso também vale para fora desses espaços.</p>
<p>Vídeo online pode ser barato. Se você tem largura de banda e tem a tecnologia, isso pode ser barato. Não ocupa espectro, então você pode usar esse espectro para outros propósitos. E pela perspectiva de desenvolvimento, deve haver oportunidade nessa área para aumentar as taxas de conexão de Internet. Já que Internet provê telefonia e comunicação escrita, pode prover acesso a rádio e a vídeo.</p>
<p>&gt;&gt;&gt;<strong> Como você acha que a televisão e a distribuição vão ser impactadas com a inclusão online?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Temos diversas mudanças acontecendo. Numa visão ampla, isso nos permite reconceituar, nos força a reconsiderar o que é que estamos falando quando citamos a televisão. Televisão, em particular aquela produzida profissionalmente. Sim, existem vídeos ativistas e produção comunitária, mas se pensarmos em produções públicas e comerciais &#8211; que são as coisas que nós geralmente pensamos quando falamos de televisão -, trata-se de um universo de produtores profissionais. E cada vez mais isso já não é assim.</p>
<p>Se o vídeo online é visto como um substituto para a televisão em sua forma de broadcast, então, de repente, quando pensamos em &#8220;televisão&#8221; as formas em que ela é realizada se multiplicam. Porque, talvez, sentar-se e me assistir falando em frente à minha webcam seja televisão para as pessoas. Em especial quando temos a escolha de uma enorme gama de pessoas falando em frente a suas webcams. Então pode ser que não seja o formato &#8211; falar em frente à webcam -, mas sim o conteúdo, a perspectiva desta pessoa em particular.</p>
<p>Nós fizemos isso antes na televisão mainstream, já colocamos pessoas falando em frente a uma câmera, mas nunca tivemos muita escolha, porque temos limite de largura de banda e existem diretrizes de produção profissional. <strong>Se enxergarmos o vídeo online como um substituto ou um suplemento para a difusão da televisão, então aumentamos a possibilidade de produções. Isso é um primeiro ponto.</strong></p>
<p>Em segundo lugar,  isso altera o panorama geral da produção profissional. O mercado de propaganda, em particular nos EUA, vale muito menos hoje que o mercado de televisão. Custa mais caro fazer propaganda na TV do que na Internet. Isso está causando um sério impacto nos produtores profissionais, que, de repente, não têm mais a habilidade de alcançar audiências tão grandes, pois algumas pessoas estão assistindo filmes online, e não estão necessariamente fazendo tanto dinheiro &#8211; mesmo considerando as audiências grandes que alguns filmes tem.</p>
<p>Há uma grande crise nos EUA neste momento. E isso está obrigando que se mude a forma como as coisas são feitas. Eles estão mudando a forma de produção, fazendo programas mais baratos, produzindo coisas diferentes. Alguns estilos mais caros de produção estão sendo exibidos apenas para planos pagos. Então HBO, Showtime e similares, estão comprando e vendendo publicidade de formas diferentes, estão sonhando com novos tipos de publicidade.</p>
<p>Isso não está acabando com o mercado (eles vão dizer que está), mas está gerando respostas diferentes. Eu acho que para produtores nacionais, para sistemas nacionais de TV, para sistemas de broadcasting público ou sistemas que servem toda uma nação, o vídeo online aumenta o número de pessoas para quem eles podem falar, porque assim, <strong>de repente, você pode falar para todas pessoas que não têm televisão ou que não estão assistindo tv naquele determinado momento</strong>.</p>
<p>Isso aumenta o número de pessoas para quem você conseque falar se você é um broadcaster nacional. Mas o que isso também faz é começar a quebrar as barreiras nacionais. Este é um problema da BBC, porque o conteúdo que a BBC produz é pago pelo povo, então a população deveria ter permissão para acessá-lo. E aí a BBC coloca seu conteúdo online, e gasta um monte de dinheiro criptografando este conteúdo, para que apenas as pessoas no Reino Unido possam assisti-lo.</p>
<p>Nós temos múltiplos sistemas de TV, mas existe apenas uma Internet. <strong>Quando a BBC fecha seu conteúdo, isso leva a questionamentos por parte de algumas pessoas no Reino Unido sobre o porquê da BBC ter o direito de fazer isso com a cultura nacional que, no fundo, foi paga pelo povo britânico</strong>. Se a BBC irá tratar isso como um commodity em vez de cultura, eu acho que eu diria “isto é conteúdo, é o nosso conteúdo, nós somos donos disso”, e então certamente faria sentido que eles devessem respeitar a cadeia de produção. Se eles forem tratar como conteúdo, cultura, bem, quem pagou pelo conteúdo? Não é a pessoa que pagou pelo conteúdo, no fim das contas, que é o dono? E então não deveriam ser esses os responsáveis por decidir o que deve acontecer? Isso é sempre um problema na indústria cultural, pois ela cria simultaneamente commodities e cultura, e é essa uma dicotomia que produz todas as tensões que por fim tornam ela o que é.</p>
<p><strong>Então para os sistemas de televisão, o vídeo online modifica as fronteiras nacionais. Tantas coisas que você não irá ver no seu país porque vêm do Japão, da Austrália, de qualquer lugar de fora da sua região de broadcasting local. E aí você tem acesso a isso. Tudo está lá e você entra em contato. E às vezes você encontra conteúdo em lugares estranhos. Conteúdo se tornando popular em lugares estranhos muito longe de onde foi produzido e que de alguma forma pode repercutir ou morrer culturalmente. E isso é muito bom para populações que saíram do local de origem delas &#8211; que podem ver conteúdo de seu país em qualquer parte do mundo.</strong></p>
<p>Então se você está longe de casa, ou se não pode ir para casa por algum motivo, seja político ou financeiro, ou seja o que for, você pode manter alguma conexão com sua terra natal. De repente se está morando nos EUA, apesar de ter nascido na Austrália, e há alguns vestígios de cultura australiana que se pode assistir na Internet. Isso complica o panorama da TV de diversas formas, tanto culturalmente quanto politicamente e economicamente.</p>
<p>&gt;&gt;&gt; <strong>E qual o impacto na indústria do cinema?</strong></p>
<p><strong>Joshua: </strong>Eu não sei se Hollywood sentiu isto tão forte quanto a televisão. E eu vou falar principalmente sobre Hollywood como produção de filmes e usar o termo televisão como produções para TV profissional. E quando eu não estiver falando deles, eu vou especificar. Eu não tenho certeza se Hollywood sentiu isso mais forte que a televisão norte-americana, ou de maneira mais fácil. Em parte porque a televisão sempre gerou sua renda vendendo alguma outra coisa. O propósito dos sistemas comerciais de televisão é agregar pessoas em um grupo chamado &#8220;audiência&#8221;, e então vender esta audiência para alguém que queira passar uma mensagem para ela. Então a programação é um método para atrair todas essas pessoas e é este o produto que é vendido &#8211; a atenção dessas pessoas. E certamente, existem culturas de produção, empresas produzem programas e os vendem, vendem direitos de exibição em diversas regiões e vendem direitos de re-exibição, e todas essas coisas, certo?</p>
<p>Mas no fim das contas, em termos de produções de TV, parece que a grande coisa que é vendida é a atenção. A Internet desestabiliza esta relação, por que isso costumava ser vendido com base em pressupostos. Nós tínhamos uma estimativa razoável de quantas pessoas estavam assistindo televisão, tinhamos uma estimativa de quantos lares tinham uma TV sintonizada neste canal. E eles vendiam esta estimativa razoável. Mas quando assistimos pela Internet, é muito menos preciso [N.E.: em termos de classificação de público, não de quantidade].</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A Internet não está dizimando o mercado da televisão. O que acontece é que isso está nos mostrando a natureza imprecisa do modo como eles, na TV, costumam mensurar as coisas. E de repente, talvez teremos uma medida mais precisa e perceberemos que tem tantas pessoas assistindo um programa na Internet.</p>
<p>Cinema, por outro lado, é vendido há muito tempo como uma coisa única. Você compra uma entrada, vai e assiste o filme. Se você quiser assistir de novo, você compra outra entrada e assiste novamente. E então, com certeza, o desenvolvimento do protocolo BitTorrent, o crescimento de redes de compartilhamento P2P, a facilidade com que agora cada conteúdo pode ser publicado online e o desenvolvimento de serviços de vídeo sob demanda desafiaram Hollywood, mas eu não tenho certeza se é mais difícil para eles do que para a televisão. Porque, ao mesmo tempo, Hollywood, em particular, sempre viu as mudanças acontecendo.</p>
<p>E estamos falando de mudanças que ocorrem há 20, 30 anos. E aqui precisamos fazer uma pausa e dizer: não é como se essa coisa tivesse acontecido ontem. A televisão vem mudando desde o momento em que foi inventada. E tem havido pesquisa sobre essas novas tecnologias há muito tempo, sempre houve. A tecnologia é desenvolvida e as pessoas já estão falando de potenciais usos futuros. E você precisa ser cuidadoso com o quão rápido você se move, porque senão você investe seu dinheiro em algo que não é um sucesso pra valer. Mas não é como se isso tudo tivesse acontecido do dia pra noite. Todas essas empresas, algumas sendo as maiores e mais rentáveis empresas do mundo, tiverem bastante tempo pra pensar sobre isso. Bem, talvez eles digam, &#8220;estamos muito ocupados fazendo dinheiro para mudarmos nossas direções e olhar para tendências de longo prazo&#8221;, ou &#8220;ninguém estava nos falando&#8221;, ou &#8220;as coisas não saíram como achávamos que seria&#8221; ou, &#8220;seguimos a tendência errada&#8221;&#8230; Pessoalmente,  acho que não se gasta dinheiro para descobrir o que vem depois e não se compreende que a mudança não tem uma história.</p>
<p>Hollywood estava assustada com o videocassete! Eles acharam que o VCR iria acabar [com o mercado]. <a title="Jack Valenti" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jack_Valenti" target="_blank">Jack Valenti</a> (1921-2007), o diretor anterior da Motion Picture Association of America (MPAA), é famoso por ter dito em frente à suprema corte que o VCR é para Hollywood o que o estrangulador de Boston era para uma mulher sozinha à noite. E é tipo&#8230; &#8220;Bahhh, não mesmo!&#8221; porque quando o caso Betamax foi encerrado de uma forma que beneficiava os consumidores, acabou resultando em Hollywood foi fazendo um montão de dinheiro vendendo fitas de vídeo para o mercado caseiro.</p>
<p>Então eu acho que devemos ser cuidadosos e filtrar as coisas que eles dizem, para que tenha uma consciência histórica, mas que também reconheça que essas são empresas que passaram toda a vida tentando controlar o que no fundo são bens culturais e tentaram tratar bens culturais como se fossem commodities. E isso é difícil. É quase impossível. Porque bens culturais não são commodities. Você pode criar o melhor filme que você sempre quis fazer e isso não garante que as pessoas irão gostar dele. E ainda, se você é a pessoa que fez o melhor filme, talvez você não seja o único que foi responsável pelo sucesso do filme. Talvez o valor desta produção é a criação de dois grupos: as pessoas que fizeram o filme, e as pessoas que assistem o filme.</p>
<p>E por que (e isto soa como uma pergunta filosófica) são estas pessoas que fizeram o filme as únicas que se beneficiam do valor que se criou no filme? De todo modo, Hollywood vem baixando suas produções, estão declinando, fazendo filmes menores, com menores orçamentos, filmes conceituais, com filmes contendo adultos inteligentes como nunca antes os filmes tiveram. Grande parte de Hollywood está constantemente escolhendo blockbusters menores, a audiência adolescente de shopping, e gastando mais e mais dinheiro em espetáculos. Eu gosto de filmes de espetáculo, tanto quanto outras pessoas, mas, talvez, um dos problemas aqui tem a ver com a sustentabilidade dessas práticas de produção assim como a transformação se amplia na Internet.</p>
<p>&gt;&gt;&gt;<strong> Neste contexto do vídeo migrando de offline para online, qual o papel das pessoas que trabalham profissionalmente com vídeo?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Eu não tenho certeza se a produção de vídeo profissional está acabando. Em parte, porque existe um monte de pessoas muito boas que não fazem produção de vídeo profissionalmente, que não têm nenhum interesse em trabalhar na área de produção de vídeos. Só porque você tem as habilidades e você é bom nisso, não significa necessariamente que é isso que você vai fazer. Eu sou muito habilidoso em servir uma mesa, mas eu não acho que encontrei um segundo emprego. Porque não se trata necessariamente de algo profissionalmente desafiador trabalhar como um garçom. Mas eu entendo que existe muita preocupação de produtores profissionais em comunidades de vídeo, principalmente empresas de publicidade e companhias de televisão convidando usuários a criar conteúdo ou amadores a participar em processos de produção do vídeo. Eu entendo que há muita preocupação por aí. Mas penso que já está um pouco defasado, porque continuamos precisando de produção profissional, precisamos contratar pessoas cujo trabalho é produzir vídeos, produtores profissionais.</p>
<p>Isso quer dizer que se você não tem nenhum título profissional, então você não vai trabalhar na indústria. Talvez minha percepção esteja errada. Vimos muitos produtores [amadores] fazendo coisas mais interessantes&#8230; Tem um grupo de editores profissionais em Los Angeles, é uma associação, chamada StereoLight. E ele estão fazendo competições online todo ano, para que as pessoas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KmkVWuP_sO0" target="_blank">remixem um trailer de um filme para fazê-lo por um ponto de vista diferente</a>, e está ficando muito popular na Internet, muitas pessoas estão fazendo isso, muitos jovens editores estão fazendo. Para demonstrar seus conhecimentos como editores jovens, e assim trabalhar como editores profissionais. Então, não profissionais podem fazer melhor ou tão bom quanto, e frequentemente eles fazem melhor do que os que dizem ser profissionais. Mas isso não significa que todos os editores profissionais irão parar de exercer suas práticas. Talvez a gente veja inovação. Talvez produções de vídeo profissionais vão ter um pouco de medo e ficarão melhores em sua arte, avançando em diferentes conhecimentos &#8211; já que as pessoas comuns estão fazendo isso.</p>
<p>&gt;&gt;&gt; <strong>Qual é o papel do remix?</strong></p>
<p><strong>Joshua:</strong> Eu acho que ampliamos a cultura do remix por dois motivos: um, penso que facilitar a capacidade de compartilhar vídeos era a última peça que faltava no quebra-cabeça para fazer o vídeo tangível, como parte de uma cultura com a qual as pessoas podem lidar. Consumidores têm tido acesso a câmeras há muito tempo, e em 1999 começaram a ter acesso a softwares de edição de vídeo. Nós vimos, no começo de 2000 – 2002, a popularização das tecnologias de gravação de CD e DVD, e mais computadores eram construídos e mais câmeras eram construídas. Então acompanhamos essa evolução, e acho que em 2004, 2005, quando vemos o surgimento dos sites de compartilhamento de vídeo, sinto foi a última peça no quebra-cabeça para distribuir e compartilhar de maneira fácil, para fazer do vídeo um artefato tangível que as pessoas possam mexer e remixar. A cultura do remix é algo muito significante no momento, muito popular.</p>
<p>O segundo ponto, há um professor chamado John Hardly que fala do fato de que estamos chegando numa época em que a maneira como o homem produz sentido do seu mundo ao redor é por meio de um processo de edição que gera novo significado. Então não é apenas sobre editar conteúdo para torná-lo mais conciso, mas é sobre desmontar as coisas e juntá-las novamente de formas diferentes.</p>
<p>E o melhor argumento disso é que estamos vivendo em uma era que tem tanta plenitude, tem tanto, que ninguém consegue ir além.  Sim, você pode saber muitas coisas, mas tem tanta coisa que está acontecendo que nós, como pessoas, como humanos, estamos ficando melhores em juntar as coisas, em editar, sabe? Você junta o seu RSS feed com seu computador, e você organiza um arranjo diferente das coisas.</p>
<p>Isso pode estar completamente desassociado, você tem um gadget de blogs alí, você tem webcomics, você tem notícias sobre música, você tem notícias do mundo de 2 ou 3 diferentes serviços, e tem fotos de gatinhos do site <a href="http://icanhascheezburger.com/" target="_blank">I can has cheezburger</a>, e você junta tudo e organiza tudo em um só lugar porque isso permite que você lide com as coisas que você precisa lidar. E crie sentidos para o mundo.</p>
<p>Dificilmente alguém iria discordar que aqui temos um processo de reedição. Então, acho que o remix surge porque o vídeo é tangível, e estamos nos movendo para uma era onde o entendimento é ampliado cada vez mais através da combinação de diferentes coisas, e o que talvez vemos é que a cultura do remix é parte dessas tendência pra viabilizar essa reedição.</p>
<p>Pode ser que antes você visse algum video sendo editado de forma similar a um wiki porque algum editor profissional estava fazendo isso para um show, ou em um exercício de escola, ou para o Oscar, ou qualquer coisa. Mas agora as pessoas estão fazendo isso em casa, pessoas que não sabem quais são as regras, que estão fazendo as regras gradualmente, pessoas que nunca foram instruídas sobre mover graus de <em>fade </em>antes de cortar, ou qualquer coisa do tipo. As pessoas estão aprendendo fazendo, descobrindo coisas novas, testando técnicas que viram fora dali, às vezes sem saber que estão testando novas técnicas; estão apenas fazendo coisas que parecem certas.</p>
<p>Então você tem remixes que são cortados em cada mínima batida da música. Sabe como? Porque tem uma batida da música que faz “tududududud&#8230;”, que é muito legal, e eles pensam: “eu adoro este efeito, então vou usá-lo o tempo todo”, e isso provavelmente vai fazer seu olhos sangrarem &#8211; do ritmo tão alucinante -, mas isso não importa, porque tem pessoas que gostam de ouvir o que eles fizeram. As pessoas estão se dando conta de como isso [o processo de edição] é legal. Como em todas as práticas culturais, agora a gente começa a gerar coisas novas, novas práticas, e algumas vezes descobrimos práticas antigas, e outras tropeçamos em coisas que nem sequer compreendemos o que era&#8230;</p>
<p>Um dos meus vídeos favoritos no Youtube poderia provavelmente ser definido com vídeo-arte. Essa é provavelmente a melhor maneira de pensar sobre ele, mas eu tenho certeza que as pessoas que estão fazendo não pensam que estão produzindo vídeo-arte. Não se consideram “artistas” e talvez não tenham visto muitos vídeos de arte. Eles apenas estão fazendo essa coisa que a cultura faz, juntaram um grupo deles, como uma comunidade, e estão editando estes vídeos. E isso é ótimo.</p>
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		<title>VILÉM FLUSSER: O MUNDO CODIFICADO</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2009 22:46:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Vilém Flusser]]></category>

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		<description><![CDATA[FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia da comunicação. São Paul: Cosac Naif, 2007. Mais uma leitura crítica, entre as tantas que estou fazendo para o mestrado. Comentários de quem já leu são sempre bem-vindos. Flusser é leitura obrigatória em diversos cursos de design, mas o jornalismo não costuma citá-lo. Muitos defendem que é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.cosacnaify.com.br/loja/capas/o-mundo-codificado_gde.jpg" border="10" width="190" height="321" hspace="10" /><strong>FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia da comunicação. São Paul: Cosac Naif, 2007.</strong></p>
<p>Mais uma leitura crítica, entre as tantas que estou fazendo para o mestrado. Comentários de quem já leu são sempre bem-vindos.</p>
<p>Flusser é leitura obrigatória em diversos cursos de design, mas o jornalismo não costuma citá-lo. Muitos defendem que é ainda pouco reconhecido &#8211; já que teria, mesmo antes do surgimento da internet, falado sobre mundos interconectados pela tecnologia. Um paper (ver final) diz que Celo Lafer resume assim sua influência: “os ventos do seu espírito são invisíveis, mas ainda assim o que eles fazem é manifesto e de alguma maneira sentimos a sua proximidade&#8221;. Interessante que Arlindo Machado e Lúcia Santaella &#8211; pensadores da cibercultura &#8211; são admiradores declarados da obra de Flusser.</p>
<p>Vilém Flusser é daqueles autores que, se lermos a cada 5 ou 10 anos, leremos de maneira diferente (alguns dirão que todos os livros são assim, mas não é verdade. Alguns livros simplesmente envelhecem &#8211; outros ganham novos significados).</p>
<p>Destaco alguns pontos que, como jornalista interessado na comunicação multimídia, chamaram minha atenção:</p>
<p>Flusser desenvolve um pensamento de que a partir do momento em que seja possível ao leitor manipular sequencias de imagens e sobrepor outras &#8211; e isso já é possível -, o filme será totalmente &#8220;reversível&#8221;.</p>
<blockquote><p>A epistemologia ocidental é baseada na premissa cartesiana de que pensar significa seguir a linha escrita, e isso não dá crédito à fotografia como uma maneira de pensar. (&#8230;) [Um espectador de TV num futuro próximo] poderá filmar seu programa e outro na sequencia, inclusive filmar a si mesmo, e passar o resultado na tela da TV. Isso significa que o programa terá o começo, meio e fim que o espectador quiser, e ele poderá desempenhar o papel que quiser.</p>
<p>(&#8230;) Embora ele atue na história e seja determinado por ela, já na está interessado na história em si, mas na possibilidade de combinar várias histórias. Isso significa que a história não é mais um drama, mas um jogo.</p></blockquote>
<p>Mais adiante, Flusser usa a imagem dos fractais para explicar que</p>
<blockquote><p>&#8220;somente a partir de cálculos, e não mais circunstâncias, é que a estética pura (o prazer no jogo com formas puras) pode se desdobrar; somente assim é que o <em>Homo faber</em> pode se desprender do <em>Homo ludens</em>.&#8221;</p></blockquote>
<p>Ando lendo diversos textos que fazem uma interlocução da comunicação com a matemática (fractais), com a física (quântica), com a biologia (sistemas de classificação) e com a educação (teorias dos jogos). Mais adiante comento mais sobre isso.</p>
<p>Fiquem com um exemplo de fractal (Mandelbrot) para visualizar o que é arte feita por cálculos.</p>
<p><object width="600" height="405"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3860805&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3860805&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="600" height="405"></embed></object></p>
<p></object><strong>MAIS:</strong><br />
<a href="http://intercom.org.br/papers/nacionais/2003/www/pdf/2003_NP01_hanke.pdf" target="_blank">A Comunicologia segundo Vilém Flusser (paper do Intercom)</a></p>
<p><a href="http://www.fotoplus.com/fpb/fpb017/b017c.htm" target="_blank">Flusser sobre fotografia</a></p>
<p><a href="http://www.fotoplus.com/flusser/" target="_blank">Fotoplus &#8211; difusão da obra de Flusser</a></p>
<p><a href="http://www.flusserstudies.net/" target="_blank">Flusser Studies</a></p>
<p><a href="http://www.gamecultura.com.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=494&amp;Itemid=120" target="_blank">Flusser e video-games</a></p>
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		<title>CRÍTICA: O CULTO DO AMADOR</title>
		<link>http://www.jornalismodigital.org/2009/04/critica-o-culto-do-amador/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2009 20:37:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[JORNALISMO]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro O Culto do Amador, de Andrew Keen, foi lançado em 2009 no Brasil (2007 nos EUA). Fui ler estes dias, depois de ouvir citações. Há tempos não leio nada com que eu discorde tanto. O livro foi alvo de polêmicas nos EUA e muita gente ficou muito irridata. Mas muitos argumentos do livro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.ica.org.uk/thumbnail.php?max=408&amp;id=1481" alt="" width="600" height="239" /></p>
<p>O livro <strong>O Culto do Amador</strong>, de Andrew Keen, foi lançado em 2009 no Brasil (2007 nos EUA). Fui ler estes dias, depois de ouvir citações. Há tempos não leio nada com que eu discorde tanto. O livro foi alvo de polêmicas nos EUA e muita gente ficou muito irridata. Mas muitos argumentos do livro me pareceram bem pouco sólidos.</p>
<p>Resolvi usar o livro como exemplo para começar aqui um modelo de fichamento dos livros que ando lendo, algo que talvez facilite a redação da minha <span style="text-decoration: line-through;">tese</span> dissertação de mestrado em 2010. Abro, portanto, a seção Crítica.</p>
<p><strong>KEEN, Andrew. O culto do amador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.</strong><br />
Keen não apenas é contra o que hoje muitos proclamam como revolução digital, mas chama inclusive de macacos os produtores de “conteúdo colaborativo” da rede.</p>
<blockquote><p>A inspiração deste livro [vem de] T. H. Huxley, biólogo evolucionista do século XIX e autor do teorema do macaco infinito. Se fornecermos um número infinito de máquinas de escrever, alguns macacos em algum lugar vão acabar criando uma obra-prima – uma peça de Shakespeare, um diálogo de Platão ou um tratado econômico de Adam Smith. […] A tecnologia de hoje vincula todos aqueles macacos a todas aquelas máquinas de escrever.</p></blockquote>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Segundo ele, sem um mediador – seja um jornalista ou uma loja de discos – para definir o que é bom, confiável e de qualidade, as pessoas irão se afogar no consumo de produtos feitos por amadores, que na maior parte das vezes significa lixo. Assim, diz, “<em>blogs, MySpace, YuoTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores</em>” – esse é o subtítulo do livro.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">As críticas de Keen parecem fora de lugar – não apenas um tanto nostálgicas, na linha “antes era muito melhor”, mas também deslocadas da realidade. Não é verdade, por exemplo, que o interesse das pessoas seja diluído por completo na rede. As pessoas continuam buscando e acessando, em sua grande maioria, os mesmos “portos” para receber informação que acessavam quando não havia internet. Na rede, inclusive, a concentração parece ser maior.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Vale reproduzir trecho do texto de Murilo César Soares, <a href="http://www.cibersociedad.net/congres2004/grups/fitxacom_publica2.php?grup=11&amp;=es&amp;id=420" target="_blank">Tecnologia e Sociedade: a internet como utopia</a>:<a href="http://www.cibersociedad.net/congres2004/grups/fitxacom_publica2.php?grup=11&amp;=es&amp;id=420" target="_blank"><br />
</a></p>
<blockquote><p>VAZ (2004) focaliza a idealização inicial da rede de computadores, como um ambiente igualitário, citando os resultados de pesquisas desenvolvidas em Harvard:</p>
<p>“&#8230;embora haja milhões de Websites, na prática esta diversidade é ignorada: embora possam ir para muitos lugares, a maiora dos usuários visita os mesmos. Devido ao modo de funcionamento – os mecanismos de buscas hierarquizam as respostas pelo número de links que um dado website “recebe” de outros – há uma concentração da mídia no mundo on-line maior do que a existente no <em>off-line.</em>”</p>
<p>Um estudo citado pelo autor revelou que nos primeiros dias do ataque ao Iraque pelos Estados Unidos, 32% dos internautas norte-americanos que procuraram a Internet para se informar sobre a guerra contra o Iraque acessaram os sites das redes de TV, 29% os sites dos jornais e 15% sites do governo. Apenas 10% acessaram sites de empresas de notícias de outros países; 8% visitaram sites alternativos e 6% leram sites de grupos que se opunham à guerra.(VAZ, 2004)</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">McCHESNEY (1999) lamentou que a Internet esteja se tomando o aspecto concentrador da mídia convencional, ao se tornar cada vez mais importante para gigantescas empresas mediáticas. Tudo começou, segundo ele, com a inexistência de um debate público sobre a maneira como iria funcionar a Internet. Os <em>lobbies</em>, naturalmente, não tinham nenhum interesse na discussão do interesse coletivo e viam a rede como um campo aberto à comercialização. Com isso, as possibilidades emancipatórias da Internet definharam ao longo do tempo. Nas palavras de uma matéria do <em>The New York Times</em>, na Internet “o grande se torna maior e o pequeno some”, concluindo que a rede ao invés de apresentar um viés competitivo, na verdade parece estimular o monopólio ou o oligopólio. Assim, apesar de no começo parecer favorecer Davi contra Golias, a Internet rapidamente beneficiou o tamanho gigante, tornando-se dominada pelas corporações de sempre. Para McCHESNEY, alguns participantes novos aparecerão no campo do conteúdo, mas tudo indica que o mundo da comunicação digital será muito parecido ao mundo comercial pré-digital.</p>
</blockquote>
<p>Ou seja: a cultura de massa continuará a passar pelos mesmos gatekeepers de antes. Para saber onde acontecem os melhores shows, as pessoas buscam a versão digital do jornal, não um punhado de blogs. Feliz ou infelizmente.</p>
<p>No entanto, algumas das críticas de Keen são interessantes, desconsiderando o tom apocalíptico que ele prega. O que ele diz é existir hoje um culto ao amador, em detrimento do especialista. Para ele, é um terror o fato de que “<em>A Wikipedia de Jimmy Wales, com seus milhões de editores amadores e conteúdo não confiável, é o 17º site mais acessado da internet; Britannica.com, com seus 100 ganhadores do Prêmio Nobel e 4 mil colaboradores especialistas, está em 5.128º lugar</em>”.</p>
<p>O amador, de fato, não pode ser colocado no lugar do especialista para resolver qualquer questão. Um milhão de amadores vale mais do que um – ou um punhado – de especialistas? Ele lembra o que é um amador:</p>
<blockquote><p>“Um amador é quem cultiva um hobby, podendo ser culto ou não, alguém que não ganha a vida com seu campo de interesse, um leigo a quem faltam credenciais […] Alguém que pratica alguma coisa como passatempo; um executante não-remunerado, também (depreciativo) um diletante [Oxford English Dictionary para estes últimos]”</p></blockquote>
<p>E aí entra, também, na complexa e tão debatida questão do cidadão-jornalista.</p>
<blockquote><p>“A responsabilidade de um jornalista é informar, não conversar conosco. […] Na Blogosfera, publicar nosso próprio “jornalismo” é grátis, não exige esforço e está a salvo de restrições éticas irritantes e conselhos editoriais importunos”.</p></blockquote>
<p>Este é um longo debate e é importante uma base para iniciá-lo: o que é o jornalismo?</p>
<p>Keen também teme o fim da indústria cultural como a conhecemos. Não acho, em hipótese alguma, que isso seja ruim. Talvez uma reinvenção do modelo de negócio esteja a caminho, a exemplo do que ocorre com o tecnobrega. Mas ele está assustado:</p>
<blockquote><p>“Existem hoje [2007] nos EUA 25% menos lojas de discos do que em 2005. É por isso que a IFPI instaurou 8 mil novos processos contra pessoas que baixam musica ilegalmente apenas em 2006. […] Para 98% dos “consumidores” atuais, a música é agora mais gratuita que eletricidade ou água”</p></blockquote>
<p>Segundo Keen, não se pode abandonar de uma hora pra outra “200 anos de copyright”. E diz que as novas gerações estão achando que roubar é normal porque baixam música da internet. Muita gente rebate este argumento com o “exemplo da fita K7”. Você não emprestava fitas para os amigos copiarem? Isso era roubo? A diferença é que isso ocorre, agora, em escala global. A diferença estaria no uso para fins comerciais: gravar num CD e vender, por exemplo.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Keen cita alguns exemplos de histórias onde as pessoas pensaram que um amador havia realizado um vídeo, ou um trabalho qualquer, e no final descobre-se que era um trabalho profissional, feito para as pessoas pensarem que era de um amador. Por exemplo, um vídeo que ataca Al Gore pelo documentário Uma Verdade Incoveniente, que depois se descobriu ter sido financiado pela Exxon.</p>
<blockquote><p>“Howard Kurz, do Washington Post, resumiu assim a farsa de Lonelygirl15:</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">O que a internet tem de excelente é que qualquer pessoa, até uma garota solitária de 16 anos, pode registrar seus pensamentos e atrair um grande número de adeptos. O que a internet tem de enlouquecedor é que ela pode não ser solitária ou não ter 16 anos.”</p>
</blockquote>
<p>Keen diz que a internet dificulta o discernimento do que é verdadeiro ou não. Talvez dificulte, mas panfletos apócrifos sempre existiram. As pessoas aprendem a perceber quando um cartaz colado no poste é sério ou não. Ou será que não?</p>
<p><strong>MAIS:</strong></p>
<p>O <a href="http://andrewkeen.typepad.com/" target="_blank">blog do Andrew Keen</a></p>
<p>Belo debate entre <a href="http://online.wsj.com/article/SB118460229729267677.html" target="_blank">Keen vs. Weinberger</a>.<br />
[Onde pode-se ficar convencido de que Keen é um belo polemista, com uma retórica que funciona principalmente entre desavisados...]</p>
<p>UPDATE: <a href="http://gjol.blogspot.com/search?q=andrew+keen" target="_blank">uma lista de posts do ótimo GJOL</a> sobre o Andrew Keen</p>
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		<title>CULTURA DA INTERFACE</title>
		<link>http://www.jornalismodigital.org/2008/03/cultura-da-interface/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 13:39:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONVERGÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[MULTIMIDIA]]></category>

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		<description><![CDATA[Steven Johnson escreveu o livro &#8220;Cultura da Interface&#8221; há mais de dez anos (publicado no Brasil em 2001), mas o texto continua atual. Aliás, mais que atual: é uma previsão do que já começa a acontecer. &#8220;Os vitorianos tinham escritores como Dickens para facilitar seu trânsito em meio às revoluções tecnológicas da era industrial, escritores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.stevenberlinjohnson.com/" target="_blank">Steven Johnson</a> escreveu o livro &#8220;Cultura da Interface&#8221; há mais de dez anos (publicado no Brasil em 2001), mas o texto continua atual. Aliás, mais que atual: é uma previsão do que já começa a acontecer.</p>
<p>&#8220;Os vitorianos tinham escritores como Dickens para facilitar seu trânsito em meio às revoluções tecnológicas da era industrial, escritores que traçavam mapas romanescos do território novo e ameaçadore das relações sociais que ele produzia. Nossos guias para as cidades virtuais do século 20 vão prestar um serviço comparável, só que dessa vez a interface &#8211; e não o romance &#8211; será seu meio&#8221;.</p>
<p>Quando ele diz &#8220;interface&#8221;, é justamente aí que enxergo o jornalismo digital, os especiais multimídia, os avanços de interatividade que facilitam a produção colaborativa.</p>
<p>Se antes o newjournalism era a ferramenta para levar a realidade às pessoas de uma maneira inovadora, hoje o novo jornalismo é aquele que consegue melhor construir interfaces.</p>
<p><span style="text-decoration: line-through;">Preciso escrever sobre isso.</span></p>
<p>Abaixo, alguns trechos do início do desenvolvimento das interfaces, segundo Johnson.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } -->Um dos primeiros ensaios teóricos que vislumbraram o que poderia ser algo como a internet é o texto de Vannevar Bush, “<em>As We May Think</em>”, publicado em julho de 1945. Steven Johnson cita (2001) o texto como inspirador da primeira interface, que foi a metáfora das janelas que se abriam, e o objeto mouse, que teriam sido inventados e apresentados pelo cientista militar de alta patente Doug Engelbart em 1968:</p>
<blockquote><p>“O ensaio descrevia um um processador de informação teórico, chamado Memex, que permitia ao usuário &#8216;abrir caminho&#8217; por grandes coleções de dados, quase como um navegador da Web de nossos dias. (…) A imagem obsecou Engelbart durante décadas, à medida em que ele fazia uma carreira irregular na insipiente indústria da computação. A legendária demonstração que fez em São Francisco foi do primeiro produto em condições de funcionamento que sequer se aproximava da funcionalidade do invento especulativo de Bush, o Memex. Doug Engelbart teve uma carreira notavelmente eclética e visionária, mas por essa única demonstração já merece sua reputação de pai da interface contemporânea”.</p></blockquote>
<p>A interface rústica apresentada em 1968 irá se desenvolver até o sucesso popular apenas décadas mais tarde, e já é bastante conhecido este percurso. Vale, entretanto, um brevíssimo resumo (JOHNSON, 2001):</p>
<blockquote><p>“Estava-se no início de 1972 e os pesquisadores do sofisticado laboratório de ciência dos computadores da Xerox em Palo Alto (também conhecido como Xerox Parc) estava se debatendo com o legado das janelas de Doug Engelbart. (…) Vários cientistas do Xerox Parc eram veteranos do Stanford Research Institute (SRI) (…) Um pesquisador em particular, Alan Key, estava enfrentando a implementação de janelas no SRI. Mas as janelas do SRI eram desajeitadas e bidimensionais. Não se sobrepunham. (…) Ao longo da década seguinte, à medida em que a equipe da Xerox Parc montava seu protótipo de interface humana, a metáfora original da escrivaninha de Kay foi se tornando mais concreta. Se o computador podia assumir qualquer forma imaginável, por que não o fazer imitar o velho mundo analógico que iria substituir? Era uma espécie de troca imaginativa: se as pessoas iriam abandonar seus fichários e pilhas de papel, por que não simplesmente transferir essas coisas para o mundo digital? (…) Assim, a equipe do Xerox Parc criou a primeira genuína interface desktop, como parte de um sistema operacional experimental chamado Smalltalk. A Xerox nunca conseguiu fazer coisa alguma com o  Smalltalk – meteram-no num pacote junto com um caro sistema computacional chamado XeroxStar que foi um fracasso retumbante no início da década de 1980 –, mas a metáfora da escrivaninha era uma ideia poderosa demais para ficar aprisionada num laboratório de Palo Alto. No fim das contas, o desktop foi liberado por um jovem e obstinado homem de negócios que pôs os olhos no Smalltalk pela primeira vez durante uma visita às instalações da Xerox Parc. Seu nome era Steve Jobs”.</p></blockquote>
<p>Jobs era fundador da Apple, e lançou depois disso o Macintosh, com quase todos os elementos que conhecemos hoje: menus, ícones, pastas, janelas, lixeiras. A metáfora do desktop não foi, claro, utilizada pela Apple sozinha – a Microsoft se tornou conhecida pelo sistema Windows, vendido junto com os sistemas operacionais da IBM, e houve grandes batalhas na disputa de mercado entre as duas empresas, que perduram até este final da primeira década do século 21.</p>
<p>De qualquer forma, o desenvolvimento das interfaces e suas metáforas foi o que, segundo Johnson (2001), permitiu a popularização dos computadores, afinal. Sem uma interface que permitisse a interação simples com os dados e as operações praticamente infinitas possíveis por estas máquinas, talvez seu uso não estivesse tão disseminado.</p>
<p>Em relação a interfaces, presenciamos também nesta primeira década o início de outra grande modificação: o fim do mouse como ferramenta de interatividade, substituído pelas telas de toque – e, novamente, apresentado com maior eficiência pela Apple, primeiro pelos IPhones e depois pelos IPads.</p>
<p>O mouse, entretanto, começou a desaparecer gradualmente com o uso dos laptops, com pequenas telas de toque que tentavam substituir o mouse nos notebooks, mas ainda sem grande sucesso. A tela do computador em que se pode interagir diretamente (<em>touchscreen</em>) já aponta um substituto à altura do aparelho que, quase três décadas antes, em 1981, foi lançado pela Xerox (no XeroxStar).</p>
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		<title>PERSÉPOLIS &#8211; JORNALISMO EM QUADRINHOS</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 21:32:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[JORNALISMO]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Às vezes a gente esquece que multimídia é multi mesmo, e não só foto-vídeo-texto-áudio. Acabo de ler, tardiamente, Persépolis, da iraniana Marjane Satrapi. Coloco ao lado das grandes reportagens em quadrinhos que li, como Maus, de Art Spiegelman, a melhor história que já vi sobre o Holocausto, Gen &#8211; Pés Descalços, a versão japonesa da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.spoiler3.blogger.com.br/PERSEPOLIS%20(2007).jpg" alt="" /> Às vezes a gente esquece que multimídia é multi mesmo, e não só foto-vídeo-texto-áudio. Acabo de ler, tardiamente, <a href="http://www.companhiadasletras.com.br/20anos/titulos_especificos.php3?cd=12593" target="_blank">Persépolis</a>, da iraniana Marjane Satrapi. Coloco ao lado das grandes reportagens em quadrinhos que li, como <a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;ct=res&amp;cd=1&amp;url=http%3A%2F%2Fen.wikipedia.org%2Fwiki%2FMaus&amp;ei=P-WDR-23MJ_qeYzynUw&amp;usg=AFQjCNG1KPoSUQhGPonVtleUrkBF_abEnQ&amp;sig2=Y-HCcpAVj_ta3-1Wq2rzyg" target="_blank">Maus</a>, de Art Spiegelman, a melhor história que já vi sobre o Holocausto, <a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;ct=res&amp;cd=3&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.conradeditora.com.br%2Findex.php%3Foption%3Dcom_content%26task%3Dview%26id%3D30&amp;ei=heWDR-XiFJyUeI_UlDM&amp;usg=AFQjCNFBUB_acfOa7qCQILrH1QOZKKdcLg&amp;sig2=zFmqXGpH-IRnxCLVeebphg" target="_blank">Gen &#8211; Pés Descalços</a>, a versão japonesa da II Guerra Mundial e dos efeitos da bomba atômica (tão bom e punjente quanto Hiroshima, de John Hershey), <a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;ct=res&amp;cd=2&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.conradeditora.com.br%2Findex.php%3Foption%3Dcom_content%26task%3Dview%26id%3D1935&amp;ei=tOWDR_3jIYXgeIq43Uw&amp;usg=AFQjCNGhyA-Ei7elhZ2TFWvV5yGH8LkFWw&amp;sig2=kZqO59SseOaygUe0GQvppQ" target="_blank">Joe Sacco</a> e seus livros sobre a Palestina, Sarajevo e os Bálcãs, a história da Comuna de Paris com <a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;ct=res&amp;cd=1&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.lojaconrad.com.br%2FKitsdeLivros%2FPacote_Grito_do_Povo.asp&amp;ei=8-WDR6GPC6KGeqHX_Ts&amp;usg=AFQjCNHj-lRdDuGAYuBIQRnuBGPk-TP_Jg&amp;sig2=z8uX3WOzrjztsf0gbiuTOw" target="_blank">O Grito do Povo</a>, e <a href="https://www.siciliano.com.br/livro.asp?orn=LCAT&amp;Tipo=2&amp;ID=689701" target="_blank">Pyongyang</a>, de Guy Delisle, que apesar de ser uma visão beeem ocidental &#8211; pra não dizer capitalista &#8211; dá uma boa idéia sobre a Coréia do Norte.</p>
<p>Persépolis <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL242914-7086,00.html" target="_blank">estréia nos cinemas brasileiros no mês que vem</a>, como uma animação. A história é a biografia de Marjane, misturada à história do Irã. Aos dez anos, ela vê o regime xiita subir ao poder e fala das mudanças que ocorrem em sua vida &#8211; e na de seus familiares, amigos e vizinhos. Pra nós que vivemos onde notícias sobre o Irã só chegam por agências internacionais carregadas de tintas ocidentais, é quase como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pers%C3%A9polis" target="_blank">ler sobre outro planeta</a>. Quase li tudo de uma vez só.</p>
<p>Pensar em jornalismo multimídia é pensar não apenas TV-Rádio-Texto. As artes gráficas também podem se transformar em belos relatos jornalísticos.</p>
<p><a href="http://www.sonypictures.com/classics/persepolis/" target="_blank">Site oficial de Persepolis</a>, para ver o trailer da animação.</p>
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		<title>ALBERTO CAIRO E SEU LIVRO SOBRE INFOGRAFIA</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Dec 2007 10:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
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		<category><![CDATA[INFOGRAFIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Alberto Cairo, infografista espanhol que agora vive nos EUA, está produzindo um livro sobre o assunto. Como o material existente é escasso e ele é um dos melhores profissionais do mundo, deverá se tornar uma referência. A boa nova é que ele está colocando algumas páginas que já estão escritas na web, em .pdf (em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alberto Cairo, infografista espanhol que agora vive nos EUA, está produzindo um livro sobre o assunto. Como o material existente é escasso e ele é um dos melhores profissionais do mundo, deverá se tornar uma referência.</p>
<p>A boa nova é que ele está colocando <a href="http://www.albertocairo.com/index/index_english.html" target="_blank">algumas páginas que já estão escritas na web, em .pdf (em inglês)</a></p>
<p>UPDATE: E vale dar uma olhada no <a href="http://www.albertocairo.com/index/index_espanol.html" target="_blank">site dele</a>, já com o livro completo.</p>
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		<title>JORNALISMO LIVRE DOS GOVERNOS</title>
		<link>http://www.jornalismodigital.org/2007/09/jornalismo-livre-dos-governos/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Sep 2007 17:57:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[JORNALISMO]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Eugênio Bucci, que liderou o projeto de reestruturação da Radiobrás &#8211; incluindo aí nosso trabalho na Agência Brasil &#8211; deu uma boa entrevista para o Observatório da Imprensa. Especialmente essa parte: (&#8230;) o primeiro dever do jornalismo é ser livre. Ser explicitamente livre. Para começar, ele precisa ser livre do governo, qualquer governo. Nessa matéria, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eugênio Bucci, que liderou o projeto de reestruturação da Radiobrás &#8211; incluindo aí nosso trabalho na Agência Brasil &#8211; deu <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=452IMQ001" target="_blank">uma boa entrevista para o Observatório da Imprensa</a>. Especialmente essa parte:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) o primeiro dever do jornalismo é ser livre. Ser explicitamente livre. Para começar, ele precisa ser livre do governo, qualquer governo. Nessa matéria, chamo atenção para um ponto sobre o qual temos falado pouco: o grande volume de verbas públicas que vão parar nos veículos comerciais como anúncios publicitários é um fator preocupante. Nos órgãos de imprensa mais vulneráveis, esse dinheiro – ou a sua ausência – pode ser uma pressão sobre a linha editorial.</p></blockquote>
<p>Destaco trecho em que cita o que fizemos por lá, especialmente na área multimídia:</p>
<blockquote><p><strong>Observatório</strong> &#8211; O tempo em que esteve na Radiobrás coincidiu com o incremento da popularização, no Brasil, das tecnologias de informação e comunicação e com a maior relevância do público (leitor, ouvinte, telespectador, internauta) como personagem atuante – muitas vezes protagonista – no processo da comunicação. Como, e com que resultados, as novas mídias foram incorporadas pelo jornalismo praticado na Radiobrás?</p>
<p><span class="art_texto"><strong>E.B.</strong> – Essa pergunta vem a calhar, porque nesse meu texto, &#8220;<a class="art_leia" href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=452IMQ002" target="_blank">A imprensa e o dever da liberdade</a>&#8220;, que é publicado agora pelo <em>Observatório</em>, não trato diretamente das novas tecnologias. Nele, eu me concentro no papel do jornalista, qualquer que seja o suporte, como dizem, se papel, internet, televisão, rádio. Tento frisar o dever de ser livre. Alguns afirmam que com as chamadas &#8220;novas mídias&#8221; o lugar convencional do jornalista se dilui, e que surge uma espécie de parceria entre o profissional e o cidadão leigo na condução da reportagem, pois todos podem atuar na rede de computadores, online, ao vivo, no calor da hora. Do ponto de vista das possibilidades técnicas que alargaram os alcances da interação entre os sujeitos – as redes independentes, as manifestações na internet, os blogs e assim por diante – isso é verdadeiro. Mas, do ponto de vista do zelo que o profissional da imprensa precisa ter em relação à independência, garantindo confiabilidade para os relatos que leva a público, não houve alterações, embora na superfície tudo se mostre meio embaralhado. Ao contrário, a independência, nesse contexto, é mais crucial do que antes.</span></p>
<p>No texto, procuro falar sobre a atualidade do tema da independência. É verdade que, em matéria de novas tecnologias, a nossa experiência na Radiobrás avançou consideravelmente, apesar da escassez de recursos. Por exemplo: a Agência Brasil, sob a chefia de Rodrigo Savazoni, inaugurou, em junho de 2006, um novo projeto gráfico e uma nova plataforma, inteiramente baseada em <a class="art_leia" href="http://www.creativecommons.org.br/" target="_blank">Creative Commons</a>, um novo regime de compartilhamento de conteúdos, criado por Larry Lessig, de Stanford. A Agência Brasil foi uma das primeiras a adotar esse protocolo no Brasil, em linha com as grandes modificações que o ambiente da comunicação vem sofrendo.</p>
<p>A propósito, há um bom livro, <em>The Wealth of Networks</em>, de Yochai Benkler, de Yale, ainda não traduzido no Brasil, que reflete com precisão e originalidade sobre esses novos cenários. O livro vem sendo debatido numa seqüência de seminários, no Instituto de Estudos Avançados da USP, que são coordenados pelo professor Imre Simon. A Agência Brasil está familiarizada e sintonizada com essas novas idéias. Abrir os conteúdos, estabelecer links horizontais com outros portais, sites e blogs são desafios que contaram, no Brasil, com o pioneirismo de equipes da Radiobrás. Rodrigo Savazoni e André Deak, um outro jornalista da Agência, já trataram disso em artigos publicados no <em>Observatório da Imprensa</em> [ver "<a class="art_leia" href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=450IPB001" target="_blank">Notas sobre a construção de um jornalismo livre</a>" , "<a class="art_leia" href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=418ENO001" target="_blank">Nova prosa para novas mídias</a>" e "<a class="art_leia" href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=441IMQ004" target="_blank">O bom e velho jornalismo está morrendo</a>"]. O resultado do trabalho que eles realizaram não poderia ter sido mais animador. A Agência conquistou alguns prêmios de jornalismo – como aconteceu com outros veículos da Radiobrás – ao mesmo tempo em que abriu a sua produção para que outros a utilizassem com mais rapidez e flexibilidade, mas sem permitir que seu noticiário fosse capturado por interesses engajados do governo ou dos movimentos sociais. Ela manteve sua autonomia. Aprofundou-a. Inovou também no plano da linguagem. Algumas coberturas contavam com infográficos animados, com vídeos, com uma integração radical entre texto, som, imagem, design. Foi uma experiência bem satisfatória.</p></blockquote>
<p>O Eugênio está publicando<a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=452IMQ002" target="_blank"> uma série de textos no Observatório</a>, vale a pena conferir.</p>
<p>UPDATE: O livro de Eugenio Bucci, &#8220;Em Brasília, 19 horas&#8221;, conta mais sobre tudo isso.</p>
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