Crise nas redes sociais – caso Revista Pais & Filhos

Gestão de crises nas redes sociais tem sido um assunto cada vez mais discutido em faculdades, mas pouco pensado ainda em muitas empresas, que não sabem muito bem como lidar com problemas que tomam, às vezes, proporções bem grandes, e que podem ficar maiores com ações equivocadas.

O caso da revista Pais & Filhos é interessante porque demostra bem isso: crise gerada, resposta pouco convincente (apesar de rápida, para os padrões jornalísticos), e a rede segue furiosa, com razão.

A crise tem início com a publicação de um post num dos blogs da revista, feito pela roteirista da Globo Mariana Reade, numa defesa do leite em pó em vez do leite materno. Ao lado do post, o banner com o patrocínio da Danone, numa oferta de leite em pó. Difícil provar que foi um caso de post pago, mas as evidências – e a defesa tão enfática e cheia de problemas factuais, pra não dizer mentiras – fizeram com que diversas mães se revoltassem contra o post, a revista, a autora, a marca que anuncia na revista. Não faltou pra ninguém.

Alguns trechos do post original (apagado pela revista), para uma breve noção da barbaridade. Antes, um contexto: o blog é uma espécie de “olha quem está falando”, em que o bebê compartilha seus pensamentos. Muito original, se estivéssemos nos anos 80, mas isso não vem ao caso. Aos fatos:

O problema é o de sempre: minha mãe não me ouve. Ela fica achando que eu tô chorando de cólica, e eu tô chorando de fome! Cólica é uma coisa que eles dizem para todos os problemas que a gente tem.

(…) Tô dizendo isso porque aqui onde nasci, no Brasil, está super na moda amamentar! Então a maravilhosa invenção do leite em pó anda malvista… E nem passa pela cabeça da minha mãe – que, infelizmente, se influencia pelo o que pensa a maioria – que eu seria muito mais feliz se ganhasse, depois do peito, um pouquinho de leite em pó.

Tem uma senhora muito simpática que vem quase todo dia aqui em casa. (…) De vez em quando, ela fala para alguém: “Ah, se a mãe dela saísse um pouquinho, eu bem que dava uma mamadeira bem grande, aposto que esse bebê está chorando de fome”. A Maria, que não liga pra moda, tem boa intuição. Mas nada da minha mamãe sair de casa…

A revolta na rede foi instantânea. Mais de 3.500 comentários no post – via facebook, porque os comentários só são permitidos via facebook. O que é bom para divulgar a conversa na rede, é péssimo quando se trata de uma crise – especialmente se não houver disposição para entrar na rede e ouvir.


Diversos sites importantes no nicho de mercado da revista fizeram posts detonando, o que ajudou a espalhar ainda mais a revolta.

Mulher que corre com os Lobos

Vila Mamífera (que propõe boicote e denúncia ao CONAR)

O jornal A Tarde, que publica no UOL.

 

A revista fez um erramos, e publicou no slide principal de sua home. Dentro do próprio blog, apagou o post e não há vestígios – um problema, porque quem leu ali leu, e jamais saberá (se não for pra homepage) que leu informação equivocada.

 

A própria Danone publicou uma nota, afirmando não ter sido um post pago, lamentando as opiniões da blogueira e o vínculo com a marca que ocorreu. Poderia exigir não aparecer mais na página da blogueira, se não quisesse retirar todo o patrocínio – essa sim uma ação que seria muito bem vista na comunidade toda. Não existem outras opções no mercado para anunciar para este público, será?

A blogueira publicou no Facebook da revista também uma espécie de retratação. Deveria ter feito um post no próprio canal de comunicação que comanda. Vejam a retratação:

NOTA DA AUTORA:

Caros leitores,
Peço desculpas para quem ficou ofendido, não era de forma alguma uma crítica a amamentação.
Queria explicar que sou totalmente a favor da amamentação, e amamentei durante um ano e meio.

Queria também explicar que a MARGARIDA é uma personagem de ficção, e o que ela estava falando sobre MODA era só uma maneira de criticar a mãe, que justamente por querer tanto amamentar, não queria dar o complemento.

Iinfelizmente tive que dar complemento, apesar de ter ficado muito triste com isso, porque ela continuava com o mesmo peso depois de um mês. Fui em três pediatras e os três recomendaram assim, complemento depois do peito.

A maneira de escrever expressa o ponto de vista de uma bebê, que não sabia porque a mãe não dava leite em pó, já que o leite do peito era pouco. Era isso o que a Margarida queria dizer: por que a mãe – que não tinha leite suficiente – não lhe dava complemento?

De fato é muito frustrante e difícil ter que dar complemento, e a Margarida estava relativizando isso.
E ainda, depois de alguns meses dando complemento, sempre DEPOIS de amamentar, o leite aumentou e pude parar com o complemento, o que foi uma grande felicidade.

Novamente peço desculpas, não era mesmo uma crítica a amamentação, apenas um consolo às mães que de fato precisam dar complemento.

 

Na aula de gestão de crises em redes sociais que a professora Beatriz Polivanov compartilhou comigo, ela pontua algumas ações possíveis, abaixo. Quais outras poderiam ser feitas? Alguma sugestão?

 

COMO RESOLVER?

Algumas ações possíveis (veja mais detalhes aqui)

  1. Peça desculpas e resolva o problema;
  2. Não apague os comentários negativos!
  3. Determine quem merece resposta (se não for possível responder a todos, procure pelo menos os hubs e autoridades);
  4. Pense e atue rápido;
  5. Seja humano(a).

Aliás, saiba sempre o que dizem sobre sua marca por aí (faça monitoramento).

 

Jornalismo como curadoria – Storify

Fora do Brasil, mais, e aqui dentro, um pouco menos, fala-se no papel do jornalista como curador das notícias, uma metáfora ao que seria o curador de arte: alguém que escolhe bom material, que dá contexto àquilo, e apresenta ao público uma amostra qualificada de uma produção que não é sua. Partes que, juntas, trarão um sentido maior ao que se deseja mostrar. Simplificando, seria mais ou menos isso.

O Instituto Pointer publicou textos, recentemente, apontando justamente que essa pode ser uma nova configuração de trabalho para os jornalistas, e sugerindo o uso de ferramentas como o Storify. É uma ferramenta online, gratuita, que permite juntar, num mesmo local, comentários e produções de diversas pessoas, em diversos formatos, desde que estejam publicados em sites como twitter, flickr ou youtube, oiu ainda sites de notícias (como o UOL). Já ganhou pelo menos um grande prêmio de inovação no jornalismo (Knight-Batten Awards for Innovations in Journalism).

É uma boa ideia sobretudo para mostrar cronologicamente como as situações foram acontecendo e se desenrolando. Uma revolução árabe, por exemplo. Uma #spanish revolution. Um #Occupy Wall Street.

Fizemos eu e o professor Leonardo Foletto um exercício com alunos da pós-graduação da PUC-SP. Fizemos uma proposta para que algumas histórias fossem recontadas utilizando essa ferramenta. Vejamos os resultados:

Enem é marcado por falhas sucessivas; relembre os episódios (por Ana Carolina Ikeda)

Polêmicas do ECAD (Bráulio Lorentz)

Belo Monte: desinformação e falta de debate (por Carolina Guerra)

Polêmicas na Bienal (por Fábio Padilha Neves)

Wikileaks (por Francisco W.A. de Lima)

A repercussão do câncer de Lula (por Fernando Geronazzo)

Occupy Wall Street (por Giovanna Longo)

Caso Rafinha Bastos e a liberdade de expressão (por Ismara Cardoso)

Jornalistas X Redes Sociais (por Laís Kerry)

Queda dos ministros nos Governo Dilma (por Luiz Guilherme Nunes)

Queda e morte de Kadafi (por Mária Cristina Senra)

USP versus Brigada Militar: a batalha continua (por Noelle Marques)

Ocupa Sampa (por Verônica Garcia)

Newscamp Rio no Festival de Cultura Digital.br


Acontece no Rio de Janeiro, no próximo sábado (03 de dezembro), 18 horas, a sétima edição do Newscamp – encontro de jornalistas ligados em tecnologia e de geeks ligados em jornalismo. Novamente este ano o encontro tem apoio do Festival Cultura Digital.br, que cederá espaço dentro do MAM para realizarmos essa desconferência.

O modelo do Newscamp é o mesmo: juntamos várias pessoas que estejam a fim de trocar ideias e projetos sobre jornalismo e tecnologia. Neste ano vamos mostrar projetos da Casa da Cultura Digital, juntar Mario Lima Cavalcanti (Jornalistas da Web), Felipe Lavignatti e Andre Deak (Jornalismo Digital.org , Arte Fora do Museu), e vários outros.

Serviço

Newscamp Rio

Sábado (03 de dezembro), 18 horas às 20 horas

MAM, Rio de Janeiro

Dentro do Festival CulturaDigital.br, no espaço Encontro das Redes

Quanto: gratuito, claro

 

Histórico

A primeira edição do NewsCamp foi no mês de março de 2008, quando o tema principal era blogs e surgia um grupo de jornalistas que discutiam montar o primeiro site colaborativo político. O site nunca foi ao ar, mas reuniu muita gente interessante que formou empresa, tocou projetos vários e até contribuiu para criar a Casa da Cultura Digital.

A segunda edição foi a mais plural de todas e reuniu um público não só de jornalistas, mas blogueiros, publicitários e profissionais da área de Relações Públicas. Gente de gueto diferente só pode resultar em diversidade de temas. Exemplo? Monetização e crise do impresso.  Nesta edição, fizemos um Esquenta antes da grande festa. E muita conversa rolou entre blogs antes da desconferência em si. Confira os temas com a tag Esquenta.

Na terceira edição do NewsCamp, surgiu a colaboração de mais gente durante a organização do evento, o que resultou num formato mais híbrido com oficinas, palestras e muita, mas muita desconferência. As tribos continuaram vindo de todo canto: blogueiro, programador, AI, jornalista, assessor de imprensa. Muita coisa boa rolou naquele NewsCamp, considerado com maior público de 100 pessoas.

A quarta edição fechou o ano de 2008, com a ajuda de Rodrigo Savazoni e Paulo Fehlauer na organização do evento. Mais uma vez, a desconferência ganhou cara nova e, desta vez, o público foi formado por tribos de dois cantos: jornalismo e comunicação corporativa. O evento foi dividido em duas temáticas: jornalismo multimídia e RP Digital. Foi assim que surgiu a lista RP Digital com apoio daAbracom, liderada por Eduardo Vasques.

No ano de 2009, fizemos a quinta edição da desconferência com a presença predominante dos profissionais da área de comunicação corporativa, que naquela época discutiam: publicidade, viral ou relacionamento?

Em 2010 o sexto encontro foi durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira, na Cinemateca, e teve mais de 100 pessoas discutindo colaboração e webjornalismo.

 

Festival CulturaDigital.br – 2 a 4 de dezembro no Rio de Janeiro

Mais do que um evento para exposição de ideias e projetos, o Festival CulturaDigital.Br é um momento de encontro de agentes da cultura digital brasileira com seus pares no mundo. São realizadores, produtores, ativistas que atuam na intersecção entre cultura, política e tecnologia, promovendo inovações em suas áreas.

De 02 a 04 de dezembro, o MAM-Rio e o Cine Odeon, no Rio de Janeiro, serão ocupados por palestras, debates, encontros, atividades mão na massa, exibições e performances artísticas. A proposta é articular referências mundiais e redes expressivas, a partir de questões relevantes da conjuntura nacional e global – como a função da propriedade intelectual na era do conhecimento e os avanços do movimento software livre, que integram a essência da cultura digital.

A terceira edição do Festival CulturaDigital.Br emerge no cenário de massificação e apropriação das tecnologias por jovens realizadores com um perfil marcante: eles não se encaixam no que compreendemos sobre organizações e nem estão ligados a filiações ideológicas rígidas. Também estão muito mais preocupados com a prática e o processo, descrevendo e transformando a realidade.

Neste debate, técnica e política jamais podem ser observadas em blocos separados. Não se trata de um movimento de negação da política, mas de confrontação das estruturas caducas.

O Festival CulturaDigital.Br é uma realização da Casa da Cultura Digital, um cluster criativo na cidade de São Paulo, que abriga mais de 15 instituições.

quem vai falar

Entre os confirmados:

Yochai Benkler, professor da Universidade de Harvard, Kenneth Goldsmith, criador da Ubuweb, Hugues Sweeney da National Film Board of Canada, Michel Bauwens, fundador da Fundação Peer-to-Peer Alternatives, Philippe Aigrain, CEO da Sopinspace – Sociedade pelos Espaços de Informação Pública,  Heloisa Buarque de Hollanda, referência no no estudo da relação entre cultura e desenvolvimento, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultura digital.

O escritor e membro da Academia Brasileira de Letras Paulo Coelho também participará, à distância (via teleconferência), do Festival. Considerado um dos maiores escritores brasileiros, Coelho tem se declarado a favor da “pirataria” ou do copyleft, disponibilizando em seu blog todos os seus livros para download.

outras edições

Em 2009, quando o termo Cultura Digital era emergente e nem constava na Wikipedia, o Ministério da Cultura articulado com a sociedade civil lançou a rede social Fórum da Cultura Digital, uma plataforma com o objetivo ser um espaço para a elaboração colaborativa de políticas públicas para o Século 21, o século das redes, da informação, da produção pós-industrial.

Desse diálogo resultaram ações impactantes em defesa da cultura e do software livre e também o fortalecimento de políticas públicas em favor do compartilhamento do conhecimento, como a ação cultura digital do programa Cultura Viva; a defesa da reforma da Lei de Direitos Autorais (LDA); e a criação do Projeto de lei feito por meio de uma consulta pública colaborativa, o Marco Civil da Internet, enviado pela Presidente Dilma Rousseff ao Congresso, no dia 24 de agosto deste ano.

Nas duas edições (2009 e 2010), o público presente foi além do esperado e o encontro extrapolou suas propostas iniciais. A hashtag #culturadigitalbr esteve entre os assuntos mais comentados do Twitter, figurando na lista dos Trending Topics em 2010. Nesse mesmo ano, o público online, acompanhando as palestras virtualmente, superou a audiência presencial. A edição de 2009 contou com 700 pessoas em quatro dias de evento, em 2010 o número subiu para 3.500 em três dias de atividades.

Uma grande arena de contatos foi formada e redes representativas do movimento, como o Fora do Eixo, Transparência Hacker e RedeLabs viram suas propostas serem potencializadas pela conexão entre pessoas e redes.

As discussões levantadas ainda ressoam na internet, por meio da rede social CulturaDigital.Br, um espaço que se propõe a agregar as pessoas e o fluxo de conteúdos de forma inteligente, organizando a participação e documentando o debate, que conta hoje com mais de 8 mil membros ativos e abriga mais de 700 blogs.

Uma série de registros abertos contam esse processo. Entre eles, o livro CulturaDigital.BR, o vídeo Remixofagia, o site do Fórum de 2009, o de 2010, uma série de entrevistas sobre digitalização de acervos, o projeto Retalhos, a Linha do Tempo da Cultura Digital, entre outros.

Após duas edições na Cinemateca de São Paulo, o evento chega ao Rio de Janeiro e pelo caráter múltiplo de sua programação, se assume como um Festival. Palestras, debates, atividades práticas, encontros, apresentações artísticas, experimentações, inovações e invenções diversas estarão presentes. Programe a sua ida ao Rio de Janeiro!


 

O Agora é Guerra: arte, interatividade, transmissão online ao vivo

Por Janaína Castro

 

Exposição artística com performances ou performance artística em exposição? Happening ou instalação? Sem uma definição precisa e acadêmica, a experiência de dois artistas paulistanos explicitou o processo de criação de uma coleção de telas, músicas e poesias e permitiu a interferência do público na construção das obras. E tudo foi transmitido em tempo real, pela internet.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=TDerfRmW9A4[/youtube]

Imagine-se no foco de uma câmera 24 horas por dia, sete dias por semana. Conhecidos e desconhecidos assistem ao que você diz e faz – como se estivesse preso em uma gaiola. Não, não se trata de um big brother ou de uma fazenda qualquer. O assunto aqui é a experimentação de um fazer artístico com a pressão da vigília e a colaboração de pessoas conectadas.

Entre 22 de maio e 5 de junho deste ano, a missão dos artistas Bieto e Luciana Araújo (Luba) foi preencher a Casa Galeria Café, em São Paulo, com improvisações sonoras e visuais, pautadas pela interação ao vivo dos públicos online e presencial, que questionavam e sugeriam. Vale alertar desde já que qualquer trocadilho com a Casa dos Artistas está dispensado. A performance da dupla e dos músicos convidados foi transmitida online em tempo real, via JustinTV.

Dentre muitas outras coisas, Bieto é artista plástico e grafiteiro. Luba, poetisa e musicista. Casados há dois anos, eles convivem com a arte em imersões que vão do refúgio em uma caverna no meio do Piauí a essa exposição (em qualquer sentido do verbo expor). Os artistas fazem parte do grupo Cuidado Tinta Fresca, que propõe performances com música, palavras, telas e spray, em espaços urbanos e eventos. Sempre trabalham com a singularidade do momento de produção, em conjunto com a música. É uma experiência temporal, no agora. E a proposta de O Agora é Guerra é trabalhar essa unicidade colocando sob a lupa os conflitos encarados dia a dia. “Seja em casa com a mãe, no campo de batalha ou com nós mesmos”, explica Bieto.

O Agora é Guerra

Para os artistas, o sentimento de estar exposto muda a relação com o mundo – na ansiedade, os movimentos são diferentes. Durante o confinamento, a transmissão e os comentários que surgiam transformavam cada quadro e o jeito de se portar. “Quando estou sendo observado, mudo minha postura inconscientemente. Fico pressionado a tomar decisões e tudo isso influi na tela,” conta.

Não foi com o advento da internet, no entanto,  que artistas começaram a trabalhar com a ideia de transmissão em tempo real. Happenings e performances eclodiram nas décadas de 1950 e 1960 e o desenvolvimento tecnológico amplificou as possibilidades de participação do público. Uma das propostas pioneiras nesse sentido foi a instalação Hole in Space, dos norte-americanos Kit Galloway e Sherrie Rabinowitx. Em 1980, muito antes da rede como se conhece hoje, a dupla montou uma instalação com a ideia de viagem pelo espaço instantânea. Via satélite, eles conectaram em tempo real imagem e áudio de pessoas em Los Angeles e em Nova York. A instalação chamou atenção dos críticos, apesar de suas limitações se compararmos ao que existe hoje.

O Agora é GuerraO alcance de um projeto como O Agora é Guerra foi uma surpresa para os seus criadores. Com uma divulgação singela de amigos pelas redes sociais, os artistas tiveram mais de mil visitantes por dia na página. Bieto não sabe exatamente quem apareceu por lá para participar dessa história. “Uns perdidos aí ou gente que estava procurando a gente. Não tenho como saber,” conta. E essas pessoas que surgiram não podem ser consideradas meramente audiência, já que fizeram parte da criação. Para o pesquisador norte-americano Lev Manovich, um especialista em novas mídias, o papel do público online é múltiplo. “Percebi que a gente não pode ter um único e bom termo que descreva o que a gente faz nas mídias digitais por uma razão (…). Leitores, espectadores, publicadores, jogadores, usuários – todos se aplicam,” defende Manovich em um post no seu site. No caso da interação com o trabalho criado Bieto e Luba, o que representavam essas pessoas: participantes, espectadores, coautores, musas? Também não há uma resposta única e, seja qual for a atitude e a função, elas contribuíram com o processo.

Um dos pontos mais interessantes dessa experiência artística é que ela conversa com a instantaneidade da internet, mas seu todo significativo não pode ser revivido. Está preso ao momento e aos meios em que ocorreu. Este making of reproduz apenas uma impressão que certamente não fará justiça às sensações dos artistas – os que idealizaram e os que, em conjunto, criaram.

PARA SABER MAIS:

Myspace Cuidado Tinta Fresca

Flickr Bieto

Lev Manovich

O conceito de Happening (Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais)

O conceito de Performance (Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais)

Fotos Overradd | Vídeo Atitudedelicada

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Projeto Chrome: The Web is What You Make of It

Por Ismara Antunes Cardoso

As campanhas publicitárias estão cada vez mais conceituais, engajadas e inovadoras. Mas até que ponto a ideia deixa de ser uma simples publicidade e se torna uma campanha que agrega informações válidas e traz interatividade com seus usuários? O Google Chrome aposta nisso e começa um projeto que chama a atenção do mundo inteiro: “The Web is What You Make of It”.

O Google Creative Lab – para quem não conhece, é o departamento do Google responsável por captar e desenvolver plataformas emergentes – lançou o projeto que consiste em focar e reunir todas as possibilidades que o browser permite. Programas como Youtube, Blogger, Gmail, Google Maps, Picasa, Google Talk, iGoogle, e muitos outros do pacote, são abordados de forma interativa e até poética, digamos assim.

O primeiro projeto da série, ligado à campanha “The Web is What You Make of It”, foi criado como uma forma de dar informações e apoio a todos os jovens homossexuais. Com um elevado índice de adolescentes suicidas nos EUA, o projeto “It Gets Better” vem para lembrar a comunidade LGBT que eles não estão sozinhos.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=7skPnJOZYdA[/youtube]

Iniciado em setembro de 2010, o projeto conta hoje com vídeos enviados por pessoas do mundo inteiro, incluindo o presidente Barack Obama, celebridades, ativistas, políticos e funcionários de grandes organizações, como Pixar e Apple. Para eles “cada vídeo modifica uma vida, não importa quem o fez”. O site itgetsbetter.org, ainda recebe vídeos e muitas visitas, onde jovens podem contar com todo o suporte de pessoas que passaram pela mesma situação, e palavras de conforto de quem admiram.

A cantora Lady Gaga também participou da campanha com um vídeo especial, onde incentiva e encoraja todos os seus fãs, conhecidos como littlemonsters, sejam eles homossexuais ou heterossexuais. No clipe, a cantora aparece completamente conectada ao público, enviando mensagens do tipo “Vocês todos são super stars”, “Vocês me inspiram” enquanto observa vídeos e fotos enviados pelos fãs. No final, Lady Gaga encerra com a mensagem “Sejam fortes, little monsters”. O vídeo já teve mais de 4 milhões de visualizações.

Até que ponto seria possível encarar vídeos e campanhas online como modelos de apreensão de informação? A disseminação da informação se torna algo involuntário, simples e diferente. Contagia as pessoas a fazerem parte daquilo e a interagirem. Um simples vídeo enviado por um ativista homossexual chega a milhares de pessoas e se transforma em um grande projeto em prol da aceitação da diversificação humana.

Sempre com o intuito de aprimorar e facilitar a vida das pessoas, os vídeos da campanha do Chrome apostam em multinarrativas que mostram as possibilidades dos serviços Google, cada um para finalidades e situações diferentes, a fim de identificar o que melhor se adapta em cada caso. No vídeo “Frank Restaurant” um jovem casal descreve suas dificuldades e aflições de abrir seu próprio restaurante. A falta de verba, estrutura, divulgação e o medo de não conseguir voltar atrás, caso não dê certo. O vídeo começa com a elaboração de uma planilha de custos, seguido da geolocalização via satélite do restaurante, o primeiro dia de funcionamento e enfim, as críticas e sugestões de clientes, que começam a repercutir na internet (exaltando os serviços de blog, reviews, fotos, Google+ e Google 1+).

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=1Fki1SJ17kQ[/youtube]

A partir daí fica claro para o internauta como um negócio, ou uma ideia, pode ser divulgada através de simples serviços e estratégias que podem ser elaboradas online, e melhor ainda, gratuitamente. Prestando um ótimo serviço, Jenn e Daniel conseguiram sua divulgação com os excelentes comentários que surgiram na rede social Google+ e blogs sobre seu restaurante. Além de colaborarem postando fotos e notícias sobre o local.

Um pai decide compartilhar com a filha, através da internet, todas as suas memórias, desde o nascimento. Foi o caso do vídeo “Dear Sophie”. Com fotos, vídeos, desenhos, tudo através de uma conta criada no Gmail, que quando crescer a menina poderá acessar. Um jovem músico decide usar a internet para se tornar um fenômeno mundial, é o que mostra o vídeo de Justin Bieber para a campanha. Postando singelos vídeos caseiros desde a infância do garoto, abordando a repercussão e os compartilhamentos de cada vídeo, até o rapaz se tornar o “cantor” mais aclamado pelas adolescentes do mundo inteiro. A notícia virtualmente disseminada possui uma narrativa diferente que contamina outras formas midiáticas de massa e público, além das tradicionais, conseguindo atingir nesse caso a geração Z, dos “hiperconectados”.

Mas um grande exemplo do potencial narrativo foi o projeto criado em homenagem ao cantor Johnny Cash, “The Johnny Cash Project”, uma forma de, coletivamente, criar um último videoclipe ao músico. A idéia é simples e encantadora: fãs do mundo inteiro se reúnem através da internet para criar um clipe para a música “Ain’t No Grave”. Cada frame é um desenho criado através do site interativo thejohnnycashproject.com, formando um vídeo com mais de 250 mil desenhos. Dessa forma, a notícia ganha novos contornos de acordo com a mídia para qual foi produzida, gerando uma divulgação espontânea, maior interatividade e abrangência de público. O projeto recebe desenhos até hoje e, devido ao grande sucesso, consegue conquistar novos fãs que nunca tinham ouvido a música do lendário “Man in Black”, como era conhecido.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=3lp3RpC-60U[/youtube]

Vemos a criação de uma nova era da comunicação, em que o público está cada vez mais em contato direto com a informação. A linguagem unilateral não é mais eficaz, uma vez que os receptores querem participar e compartilhar suas opiniões. O monopólio da fala entre os meios de comunicação hostiliza o público e estereotipa a mídia como algo blasé. Agregando informação ao entretenimento, à comunicação, e principalmente à publicidade, pode-se notar um resultado maior de divulgação e interação no mercado. Quebramos as barreiras entre o real e o virtual, explorando ao máximo as novas possibilidades. Informar, agora é um desafio.

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Encontros do Futuro, com Giselle Beiguelman

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/wp-content/uploads/2011/06/giselle_beiguelman.jpg” alt=”” width=”180″ height=”199″ />Na terça-feira (21) acontece o Encontros com o Futuro, evento promovido pelo Commais (Grupo de Pesquisa em Comunicação, Jornalismo e Mídias Digitais da ECA-USP) para aproximar teorias e práticas de várias áreas do conhecimento — como Física, Neurociência, Computação, Artes entre outras.

No primeiro encontro de 2011 quem vai falar sobre curadoria da informação é a professora e net artist Giselle Beiguelman.

Atua nas áreas relacionadas à criação e crítica de artemídia. É professora da FAU-USP, nas áreas de História da Arte e Design. Membro do júri do ars electronica (Linz, Áustria, 2010 e 2011), tem diversas obras premiadas, foi professora da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP (2001 a 2011), curadora do Nokia Trends (2007 e 2008) e Diretora Artística do Instituto Sergio Motta (2008-2010).

Os encontros são gratuitos e ocorrem na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

PRÓXIMO ENCONTRO:

“Curadoria da Informação: Seria o Futuro?“

com a professora e net artist Giselle Beiguelman
Dia 21 de Junho, às 19h30
Local: auditório do CJE, na ECA-USP
Clique aqui para se inscrever