Visualização de dados em mapas no jornalismo do New York Times

Por Felipe Lavignatti

Os dados dos censos produzidos pelo IBGE podem ser incrivelmente detalhados e difíceis de visualizar – e é aí que entra o trabalho dos bons jornalistas do século 21. Com recursos de interatividade e de visualização de dados e

m mapas, é possível comparar cidades em diversos aspectos sociais e econômicos. No Brasil, esses dados sempre são mostrados na imprensa com gráficos em barra ou linha, de maneiras simples e sem muita criatividade. Quando transpostos para um mapa, então, os dados nunca mostram todos os graus das diferenças que as pesquisam apontam.

Nos EUA, os dados disponíveis pelo censo norte-americano foram usados pelo The New York Times para criar um mapa de etnias dos cidadãos americanos: negros, brancos, asiáticos ou latinos, conforme cada um se identifica. A solução comum neste tipo de mapas seria mostrar uma cor predominante para cada cidade, conforme for a maioria de seus habitantes. o NYT fez diferente, e representou as etnias por micro-regiões, chegando a identificar quase cada quadra.

Peguemos Manhattan, acima, por exemplo. Colocar uma cor só ali seria uma informação errada. É interessante notar que na parte sul da ilha temos uma predominância de brancos, enquanto na parte norte – a mais pobre – temos muito mais negros e hispânicos. No sul, em Chinatown, temos muito mais pontos representando os asiáticos.

Os sites jornalísticos brasileiros poderiam criar algo do tipo com dados do Censo brasileiro. Seria interessante notar essas diferenças em um nível maior do que somente de cidades para cidades, mas perceber como os bairros de distinguem.

Facebook

Na mesma semana, outro mapa que também chamou a atenção foi o do Facebook, mostrando a navegação entre os usuários. Na verdade nem é bem um mapa, mas sim uns pontos para cada lugar onde há alguém com uma conta no Facebook.

Para perceber isso, basta verificiar a Rússia, cujo norte não está sequer desenhado no mapa, pois não há usuários ali. O Brasil mostra como o Facebook é muito mais popular nos grandes centros. O Centro-Oeste quase não tem linhas. Aqui no Brasil o Orkut ainda reina absoluto, o que pode explicar esses vazios.

Um relato do Newscamp 2010

Foto: Coletivo UARA (buy cialis online

hotos/flimultimidia” target=”_blank”>mais fotos aqui)

A edição de 2010 do Newscamp atraiu muito mais do que apenas jornalistas para discutir jornalismo na internet. Advogados, músicos, acadêmicos, graduandos e graduados, blogueiros, além dos próprios jornalistas e vários profissionais de várias outras áreas da comunicação participaram durante dois dias da desconferência que aconteceu durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira. Todos compartilharam experiências e deram início a alguns projetos coletivos.

O modelo de desconferência é permitir mais do que simples apresentações de uma mesa e debates: é um encontro aberto, onde todas as pessoas falam e participam com ideias que não morrem no evento. Para acompanhar um pouco do que foi discutido e apresentado, listamos abaixo algumas das conversas.

Formação, financiamento do jornalismo online e outros assuntos foram os primeiros a entrar na discussão, logo na manhã de segunda-feira. Aqui tem alguns depoimentos sobre.

Jornalismo colaborativo

Há controvérsias sobre como nomear o jornalismo em que o público participa de alguma maneira: colaborativo, participativo, cidadão, grassroots. O Rafael Sbarai (Veja), colocou no blog De Repente a apresentação que acabou não fazendo, mas que tem muito do debate que foi feito. A Ana Brambilla também falou sobre isso, grande pesquisadora do tema que é. Mas para além do debate semântico, também há quem diz fazer jornalismo colaborativo e apenas abre uma caixa de comentários numa reportagem. Há quem vá mais longe e discuta a pauta com o público, ou tente realizar reportagens com ajuda do cidadão na apuração.

Ana Brambilla conversou com o fundador do OhMyNews, que deixou de ser um veículo colaborativo em setembro, depois de 10 anos de experiências nesse sentido. Muitos viram isso com preocupação, de que o modelo estaria em decadência. Ana contou que o argumento deles é que não havia um público bem definido para o veículo colaborativo internacional, já que a tentativa era cobrir o mundo todo. Sem isso, o financiamento também ficava prejudicado. A avaliação é que o colaborativo funciona, mas principalmente para notícias locais.

Data driven journalism

O debate sobre jornalismo em base de dados também começou com polêmicas sobre o próprio nome da discussão. Seria todo jornalismo digital um jornalismo feito sobre base de dados, uma vez que os bits estão organizados assim?, argumentava a pesquisadora Caru Schwingel. Para ela, seria melhor falar em webjornalismo.

Pedro Valente, do Yahoo! (ouça entrevista dele aqui), contou que começou a investigar programação como jornalista porque queria ele mesmo tentar subir suas páginas para a internet. Hoje ele é um jornalista que entende de programação e que não gosta de rótulos. As fronteiras entre funções e profissões andam cada vez menos claras.

Durante o NewsCamp, Pedro Markun e Daniela Silva, da Esfera, empresa que faz parte da Casa da Cultura Digital, fizeram uma oferta de uma microbolsa de R$ 2 mil para projetos que trabalhem a abertura de dados. “Pode ser qualquer coisa, desde um curso para que jornalistas aprendam programação, até projetos que contratem um designer, ou um programador, para ajudar a realizar um trabalho”. Mais infos sobre a microbolsa, aqui.

Também surgiu ali uma proposta mais concreta: o jornalista Marcelo Soares (MTV), especialista em RAC (reportagem com com auxílio do computador, outro nome que gerou polêmica), organizou uma planilha com todas as obras do PAC. A ideia seria tentar construir o que já foi feito nos EUA, que é uma interface colaborativa de acompanhamento das obras do governo. Nenhuma redação tem capacidade para investigar todas as 2.600 obras, mas os cidadãos poderiam. Cada um poderia ser uma uma espécie de fiscal do PAC. A Esfera de um lado (Markun e Dani Silva), a FLi Multimídia de outro (Andre Deak e Felipe Lavignatti), que são algumas das empresas integrantes da Casa da Cultura Digital que estavam no NewsCamp, decidiram que vão levar adiante o projeto e integrá-lo a rede Transparência HackDay. Quem quiser participar desse projeto, junte-se à rede aqui.

Link do grupo de discussão, a rede ThackDay.

Link do site do projeto Transparência Hacker.

Abaixo, a Rede Brasil Atual fez um resumo do resultado do Newscamp:

http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/jornalismo_era_digital.mp3/view

E aqui tem um videozinho do que rolou: http://www.vimeo.com/16856964

E eis também alguns dos que acompanharam o #newscamp pelo Twitter (quem quiser indicar o site ou o blog, avise na caixa de comentários):

@alzimar
@anabrambilla (Terra)
@andredeak (Jornalismo Digital.org)
@caru (Cásper Líbero)
@ceila (Desabafo de Mãe)
@danielabsilva (Esfera)
@diegocasaes (Global Voices)
@emiliomoreno
@fabiomalini
@gilmar_
@juba7
@lavignatti (Jornalismo Digital.org)
@lucianosb
@lueba
@magalyprado (Cásper Líbero)
@markun (Esfera)
@nannirios
@pedrovalente (Yahoo!)
@rafaelsbarai (Veja.com)
@tsavkko