Quem mexeu no meu jornalismo?

Lá se vão quase 15 anos desde o fim da faculdade de jornalismo. Tinham acabado com as máquinas de escrever na redação da faculdade Cásper Líbero no ano anterior ao que entramos, que foi 1998. Por pouco não pegamos a aula de taquigrafia. Mas ainda fui um dos últimos a entrar no jornalismo como muitos de nós entrávamos então: pela porta do telemarketing. Hoje, as redes sociais são o telemarketing 2.0 pra onde vão os estagiários de comunicação.

A época em que estive na graduação de jornalismo, entre 98 e 2001 (depois de um breve período na Fatec, fazendo mecatrônica), foi um tempo interessante: o começo da web gráfica no Brasil, o UOL como provedor de acesso (meu primeiro email foi do uol), o estouro da primeira bolha da internet. Na época, o fetiche era o new journalism, e todo mundo queria ser o Truman Capote, o Gay Talese. Tivemos alguns grandes professores, um deles Marcos Faerman, apaixonado por literatura e jornalismo, editor do jornal experimental Esquinas de São Paulo. Aloysio Biondi, grande jornalista econômico que denunciava a privatização e ensinava a ler jornal: “procurem a notícia que está escondida aí em algum lugar. Claro que não é no título”. Isso pra citar apenas os que já se foram.

Mas, bem, por muitos caminhos, mudamos nós e mudou o jornalismo. E não foi pouco. E toda mudança gera angústia e medo, o que é natural. Mais confortável ficar num ambiente bem conhecido, em vez de cair pra onde não sabemos as regras. Isso explica muita coisa no jornalismo, se formos olhar bem.

O jornalista Caio Tulio Costa publicou um belo estudo numa revista de jornalismo da ESPM, disponível na íntegra no Observatório da Imprensa, sobre novos modelos de negócio para o jornalismo digital. É uma espécie de continuação de outro estudo, que fala num jornalismo pós-industrial. Ambos apontam mudanças fundamentais que demoram a ser entendidas por aqui. Ainda tem muita gente acreditando que o melhor jornalismo é o bom e velho jornalismo. E é aí que chegamos ao papo de quarta-feira, dia 07 de maio.

Pela primeira vez, cinco grandes faculdades de jornalismo de São Paulo se juntam para tentar imaginar o futuro da profissão, das universidades, dos jornalistas.

O debate “Quem mexeu no meu jornalismo?” é uma iniciativa de professores da Escola de Comunicações e Artes da USP, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), da Faculdade Cásper Líbero, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

O evento irá discutir o que está ocorrendo com o jornalismo, como ele pode ser daqui em diante, para onde vai a profissão, quando isso tudo deve acontecer, para quem o jornalista irá trabalhar – inclusive se quiser demitir seus chefes – e por que debates como esse são úteis.

“Quem mexeu no meu jornalismo?” poderá ser visto em tempo real pela internet e as perguntas vinculadas à hashtag #jornalismo5 serão incluídas no debate.

Se você for estudante de jornalismo, acho que pode ser uma boa você aparecer. Se você for um jornalista pensando em trabalhar num modelo digital do século 21, também pode ser uma boa. Não é um debate pra ficar de #mimimi. É uma reunião pra gente contar o que tem feito, o que tem visto, e as oportunidades que estão à solta.


Programação:

Mediador: Guilherme Alpendre, diretor-executivo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

ABERTURA
Carlos Costa (Casper Líbero) e Maria Elisabete Antonioli (ESPM)

Mesa 1
#financiamento
É possível viver de jornalismo?
Como financiar a produção e circulação de notícias

РAndr̩ Deak, Casa de Cultura Digital, Liquid Media Laab e professor da ESPM;
РAndr̩ Santoro, professor do Mackenzie;
– Leonardo Sakamoto, Repórter Brasil, UOL e professor da PUC-SP;
– Natália Viana, Agência Pública.

Mesa 2
#narrativas
O jornalista morreu?
O deslocamento da atividade jornalística em uma realidade pós-industrial

– Bob Fernandes, TV Gazeta e Terra Magazine ;
– Elizabeth Saad, professora da ECA-USP;
РJos̩ Roberto Toledo, Estado de S.Paulo e Rede TV;
– Renato Rovai, Revista Fórum e professor da Fundação Cásper Líbero.

Serviço:

Local: Auditório da Fundação Cásper Líbero: Avenida Paulista, 900
Data: Dia 7 de maio, quarta-feira, das 19h às 21h30
O evento é gratuito e a entrada se dará por ordem de chegada até a lotação do auditório.

 

No face: https://www.facebook.com/events/376522879152683/?fref=ts

Mídia Gaysha

Relato Bafônico da GAYSHA @Paulinho inn Fluxus do @TANQ_ Rosa CHOQ_. Acompanhe as cenas dos próximos capítulos:

“Bafoh !

Mal sabe a imprensa, o quanto os membros da Mídia GAYSHA foram essenciais para a construção do que veio a ser a Mídia NINJA.

O Tanq_ ROSA Choq_ que se soma nessa abertura GAYSHA de experimentação autônoma de linguagem, esteve presente em 2011 na organização da Marcha da Liberdade. Articulou junto da comissão de comunicação a primeira transmissão ao vivo de dentro das manifestações no Brasil. Realizada com uma mala de streamming. Que depois veio gerar a Pós TV.

Ao longo de 2012/2013 dentro do movimento ‘Existe Amor em SP’ do qual o TANQ_ faz parte, foi articulado a Midia NINJA, como uma abertura de comunicação pra fazer a cobertura das intervenções e movimentos das ruas. O TANQ_ ofereceu o seu chassi de carrinho de supermercado e sua tecnologia, para que saíssem dos estúdios e se soltassem dos cabos.

1.a matéria do Estadão sobre os NINJAs diz “Até fevereiro deste ano, as transmissões fora do estúdio ou de um espaço para shows tinham mobilidade limitada. Eles se muniam de cabos de até 300 metros para conectar as câmeras à internet e tinham de se restringir a esse raio de ação. Foi durante o carnaval que, em conjunto com o coletivo Tanque Rosa Choque, da USP, criaram seu caminhão link. A ideia era construir um minitrio elétrico para animar os blocos de carnaval que inundaram os quarteirões de diferentes regiões da cidade. Em um carrinho de supermercado, reuniram duas caixas de som, um gerador, uma mesa de som e laptops. ”

Durante todas as conversas com os membros do FdE, sempre se afirmou que o NINJA era muito mais do Existe Amor em SP do que do FdE. Sempre. Que fazia parte da pós-marca do FdE, enquanto encubadora. Que o NINJA tinha autonomia.

Eis minha surpresa ao ver que haviam decidido que Pablo Capilé iria representando o FdE ao se discutir a Mídia NINJA no Roda Viva. Ao invés de deixar a cria explodir em seu potencial, livre e com autonomia. Focando no debate em relação à democratização do jornalismo. Percebeu-se a grande oportunidade de colar a marca do FdE, nesta exposição midiática positiva que o NINJA havia gerado. O oportunismo de adequar o discurso com a situação dessa vez afirmou que o FdE havia criado o NINJA. Não sou e nunca fui do FdE e corroborei nessa iniciativa pelo potêncial que cabe e se expressa nela. Nem se falou do Existe Amor em SP, pois já não interessava mais, como viemos a ver mais a frente.

A proposta da base móvel de dispáros e captação estéticos, foi formulada por escrito, inicialmente em 2010 em matéria de Multimídia e Intermídia na USP. Foi primeiramente implementada na apresentação Pixel Pixo no MIS em 2010, organizada com Pedro Paulo Rocha. Com projeções ao vivo na tela do cinema, vinda das transmissões e intervenções diretas de luz, vindas da rua com TANQ_, sendo mixadas ao vivo em som e imagem.

Nossa batalha no TANQ_ sempre foi e sempre será de apoio a liberdade e autonomia do movimento pelo movimento. De realmenta abrir compartilhar os códigos. Ir além da autoria e da marca. Por isso lançamos a Mídia GAYSHA, assim como apoiamos a formação de outras Mídias LIVRES, como a Mídia NINJA, como a Mídia Negra, e muitas outras que virão e precisam ter espaço pra isso.

Discutir o Fora do Eixo pelo sucesso e a recente construção da Mídia NINJA me parece um equivoco. Muito mais perspectivas virão.

Mas estamos aí e não vamos aceitar intimidações. Que a Midia Livre honre o seu nome e que a liberdade e a descentralização da rede não sofram perigo de um centro querer ditar caminhos do que realmente pode ser uma experiência livre. Que se abram novas fissuras de linguagem e experimentação nessa relação corpo_mídia_rede_rua_movimento. Nossa estréia na Mídia GAYSHA já deu o que falar. E ainda dará muito mais.

Acompanhem os próximos capitulos dos dispáros estéticos da www.facebook.com/MídiaGAYSHA .
Não basta só o relato. Tem que arrasar !

‪#‎ALOKA‬

‪#‎foraChuchu‬ ‪#‎midiaGAYSHA‬ ‪#‎midiaNINJA‬ ‪#‎TANQ_‬ ‪#‎rosachoque‬ ‪#‎ExisteAmoremSP‬ ‪#‎FdE‬ ‪#‎ForadoEixo‬

para ler a matéria do Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,no-meio-do-redemunho,1050880,0.htm

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/08/1326816-midia-gaysha-quer-ser-uma-alternativa-aos-ninjas.shtml

Pelo menos um

Acaba de sair do forno mais um trabalho do Portal NE10, feito em parceria com o Jornal do Commercio. O webdocumentário “Pelo menos um” revela a história de vida e lutas de ex-meninos e meninas de rua de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, que se conheceram há 10 anos em uma ONG. Só um deles conseguiu quebrar o ciclo da pobreza. Retrato de um Brasil ainda muito desigual e cruel.

Na página, o internauta tem acesso ao webdocumentário dividido em três episódios, que conta ainda com infográficos animados, galeria de fotos e textos extras:

http://especiais.ne10.uol.com.br/pelomenosum/

O material foi produzido pelas jornalistas Ciara Carvalho, do Jornal do Commercio, e por mim, do Portal NE10, com design de Bruno de Carvalho/ NE10 e fotos de Hélia Scheppa/ JC Imagem.

Para começar a entender as ruas

Nenhum veículo de comunicação, nenhum político, e nem mesmo quem está participando da tomada das ruas está conseguindo entender completamente o que está acontecendo. Talvez seja mesmo cedo para explicar qualquer coisa, mas estou reunindo uma coleção de textos, imagens, e coberturas que podem auxiliar no processo, a longo prazo.

Quem quiser compartilhar textos e material multimídia interessante, pode ficar à vontade.

Entrevista com Rafael Kenski

Rafael Kenski é um dos grandes nomes do newsgame no Brasil, um dos pioneiros no assunto. Foi entrevistado por email pelo Carlos Nascimento Marciano, para uma monografia sobre o tema (disponível aqui em pdf). Vale ler a entrevista, que publicamos na íntegra aqui:

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011 15:17

1) Qual o programa utilizado para a produção dos newsgames?

Oi Carlos, Antes de mais nada, preciso explicar que só trabalhei de fato com o CSI – o “Paredão” foi feito quando eu já havia saído da Super e deixado o Fred no meu lugar. Então, nas respostas abaixo, falarei só do CSI, ok? Abs Rafael

O jogo do CSI é, em grande parte, crossmedia. Parte dele acontece na revista (que é em si uma ferramenta dentro desse jogo, mas que produzimos com Word e InDesign), parte dele na internet, com Flash e a ferramenta de fóruns da Abril. Houve também uma produção com modelos e fotógrafos, de onde saíram as 116 imagens todas. Mas, pensando em newsgames em geral, qualquer programa pode ser usado para produzi-los.

2) Quem participa da equipe de produção? (por favor se possível especifique nomes e funções, ou pelo menos as funções)

O CSI foi um jogo razoavelmente complexo, apesar da aparência e da jogabilidade simples. Se você der uma olhada lá na página (http://super.abril.com.br/jogos/crime/index.shtml), todos os nomes e funções estão ali. Acho que só não apareci eu, que fui uma espécie de diretor ou produtor da brincadeira toda.

3) Se existem jornalistas trabalhando na produção dos newsgames, por favor especifique as atribuições deles.

A função de um jornalista em um newsgame é quase idêntica a que ele terá em qualquer outra matéria: reunir informações e contar uma história. A diferença é que, de acordo com o meio, as informações necessárias mudam: apurar para um infográfico é bem diferente de apurar para um texto. O mesmo vale para newsgames: ele precisará ajudar o game designer a criar procedimentos convincentes e divertidos, além de criar uma mecânica que responda aos movimentos dos jogadores de forma realista (não estou falando de realismo gráfico, mas sim no que diz respeito à informação jornalística).

4) Em que casos é definido que vai ser produzido um newsgame? E quem define isso?

Varia bastante. O CSI foi escolhido porque era a matéria de capa, e a gente queria testar essa idéia de “jogos jornalísticos” (na época, ninguém tinha ainda ouvido falar de “newsgames”). Os jogos feitos imediatamente depois tinham uma justificativa parecida: era uma forma de chamar atenção para a capa. Com o tempo, foi caminhando para tentar ver que matéria “rende” um bom jogo, assim como se pensa em matérias que rendem infográficos, tabelas, etc. De um modo geral, depende da interação que o assunto permite e de alguém conseguir pensar em uma mecânica para ele. Quem decide isso são os editores e diretores (da revista, da internet ou ambos).

5) Explique um pouco mais sobre o processo de produção dos newsgames (quais as etapas, como é dividido o trabalho etc)

Começa como qualquer matéria ou infográfico: começa na definição da pauta e a apuração. A diferença é que os newsgames envolvem também o design do jogo: imaginar as diferentes mecânicas e elementos. No caso do CSI, as duas coisas foram pensadas juntas. Um repórter já havia apurado parte da matéria e, em uma primeira reunião, combinamos tudo: o que era o assunto, o que sairia na revista, o que sobraria para o jogo, qual era a dinâmica de jogo e a ilustração da matéria. Foi importante porque diminuiu o custo de produção ao dividi-lo entre revista e internet. A partir daí, criamos um roteiro do jogo, fizemos a produção das fotos, um designer e um programador montaram a ferramenta em flesh e colocamos no ar pouco depois da revista chegar às bancas.

6) Quanto tempo leva o processo de produção?

Depende do jogo. No caso do CSI foi algo como um mês, mas não é muito difícil que um jogo leve três vezes esse tempo.

7) Destaque as principais características dos newsgames que os tornam interessantes para um veículo de comunicação.

Os jogos transmitem conteúdo (como as revistas ou jornais) mas por meio de procedimentos (diferentemente de qualquer outra mídia). Eles são essencialmente educativos, ensinam as pessoas a fazerem alguma coisa. Então, já pela própria natureza dos jogos, eles trazem recursos que não estão normalmente disponíveis aos jornalistas, como envolver o leitor em um assunto, permitir a interação e a imersão e criar um modelo da realidade que se está descrevendo. Além disso, jogos estão hoje em todo lugar para todo tipo de pessoa. É uma forma de ampliar o apelo do jornalismo, levá-lo a novos públicos, usar novas linguagens e engajar o leitor de novas maneiras. É quase uma obrigação experimentar com essa mídia em um momento em que o modelo tradicional do jornalismo perde gradativamente a sua importância.

8. Pesquisas apontam que a imersão e a interatividade são dois elementos de grande importância no jogo. Esses pontos são levados em consideração nos newsgames da Super? De que forma?

Acredito que a interatividade é um pré-requisito dos jogos – um newsgame em que ninguém interage não existe. Dependendo do ponto de vista, até mesmo um texto pode ser bastante interativo. Já a imersão é mais um resultado de um jogo bem feito, da adequação da dificuldade da tarefa às habilidades do jogador. Para mim, os dois critérios essenciais para um newsgame são diversão e confiabilidade (ele não pode trazer elementos fantasiosos ou errados, da mesma forma como um infográfico ou um texto da revista não pode simplesmente mentir).

Eu assumi a área de internet da Abril em 2009. Antes disso, estava desenvolvendo ARGs e jogos publicitários para o Núcleo Jovem da Abril (do qual faziam parte Super, Capricho, Mundo Estranho, Guia do Estudante e Aventuras na História). Então, ao voltar para o lado editorial, a idéia de usar as mesmas ferramentas em jogos jornalísticos foi quase óbvia. Juntei alguns dos mesmos colaboradores que havia usado em ARGs anteriores e combinei com a redação da revista para que eles pensassem a matéria como um híbrido de revista e jogo. A partir daí, saí do processo e deixei para eles realizarem o que viria a ser o extremamente bem sucedido jogo do CSI.

Infografia interativa de código aberto

Fizemos aqui na Casa da Cultura Digital (CCD, daqui pra frente) uma infografia interativa que merece algumas linhas. Primeiro, trata-se de um trabalho do nascente grupo que chamamos de Núcleo de Infografia e Visualização de Dados da CCD.

Havíamos realizado alguns trabalhos já antes, para a revista Teoria e Debate e outros jobs. Dessa vez, unimos a agência de jornalismo Pública (Natália Viana, Ana Aranha, Fabiano Angélico), a equipe de design e desenvolvimento da Cardume, e com ajuda dos jornalistas da Scarlett (eu e Felipe Lavignatti) chegamos num modelo inovador, em que os dados todos da infografia são públicos, o código da infografia é aberto, e tudo foi usado de maneira criativa, com mapas livres, e tecnologia desenvolvida na CCD.

Com a palavra, Miguel Peixe, desenvolvedor da Cardume:

A navegação pelos dados do infográfico usa como base de dados uma planilha do Google Docs, interpretada em CSV e transformada dinamicamente em JSON para processamento em JavaScript. Ou seja, mesmo que não seja o caso de o infográfico ser atualizado, ao modificar a planilha do Google Docs, o infográfico interpreta automaticamente. Isso pode ser replicado para outros infográficos, basta estabelecer uma estrutura de cabeçalho para a planilha e alterar o código para interpretá-la corretamente.
Para cada categoria de irregularidade (cidade, programa do governo e tipo de irregularidade) fora criada uma outra planilha. Utilizando o recurso de Pivot Table do Google Docs isso foi feito automaticamente, sem precisar caçar quais são e escrever uma a uma. Dessa forma pudemos trabalhar com diferentes taxonomias dentro das irregularidades sem tomar muito recurso do sistema.
Falando especificamente da criação da planilha de cidades pude acrescentar valores que permitiram a geolocalização dentro dos mapas. A mesma planilha servindo como taxonomia de irregularidade e informação geolocalizada. Eu tinha apenas o nome da cidade e o estado, valores insuficientes para uma geolocalização, que precisa de latitude e longitude. Para resolver isso encontrei uma solução desenvolvida pelo pessoal da MapBox, um script que intepreta uma coluna, busca através de uma API pelos valores de lat-long da cidade e cria duas novas colunas preenchidas com esses valores. De forma simples e rápida tive minhas cidades mapeadas e prontas para serem usadas.
O mesmo script utilizado para geolocalizar as cidades também me permite exportar os dados em formato GeoJSON, interpretado pela tecnologia de visualização de mapas Modest Maps (com a extensão Wax e Markers.js) e pelo TileMill, software utilizado para fazer o design dos mapas.
Como eu gosto de fuçar nas coisas e gastar pouco com isso, me aventurei em fazer o nosso próprio servidor de mapas ao invés de utilizar o serviço que o MapBox oferece. Talvez isso seja história para outro relato.
Em breve, a Casa da Cultura Digital deve lançar uma oficina de mapas e usos de tecnologias livres. Se alguém tiver interesse, por favor deixe um comentário e email de contato.

Como se pautar com o auxílio de 2,4 milhões de páginas de um jornal

No dia 23 de maio o jornal O Estado de S. Paulo disponibilizou na internet o seu acervo digital. Agora é possível consultar as mais de 2,4 milhões de páginas do jornal desde sua primeira edição, em 1875. A iniciativa já vem mudando a rotina dos jornalistas na redação do jornal, que agora contam com mais facilidade para buscar alguma informação no acervo de 137 anos do jornal, segundo o coordenador do acervo, Edmundo Leite. Abaixo você confere um bate-papo com ele sobre a importância deste imenso material histórico para o jornalismo.

 

Jornalistmo Digital: Qual o principal papel do acervo digital do Estadão?

Edmundo Leite: Difundir um conteúdo sem igual que estava restrito a poucos e ao mesmo tempo preservar os originais em papel, que deixam de correr risco de deterioração por causa do manuseio para consulta.

JD: Por que deixar algumas restrições para não assinantes?

EL: Por várias razões, entre elas o alto custo de um trabalho dessa grandeza. Apesar de compartilhar gratuitamente parte de seus conteúdos, o Grupo Estado acredita que bons produtos devam ser pagos. Mesmo assim, quem não é assinante consegue tirar grande proveito do site do acervo. Mas por entender também que um conteúdo desse tem uma reelevância histórica, estamos fazendo convênios com diversas instituições públicas para que o Acervo Estadão seja acessado sem restrições nesses lugares. A abrangência dos convênios garante esse caráter público. Com os acordos iniciais, serão beneficiados os frequentadores da Biblioteca Nacional, Biblioteca Brasiliana USP, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Biblioteca Mario de Andrade a mais de 50 bibliotecas do Sistema Municipal de Bibliotacas, além das universidades Unicamp e Unesp. Mais convênios deverão ser acertados mais adiante, ampliando ainda mais o número de estudantes, professores, pesquisadores e acedêmicos que poderão acessar o Acervo sem restrições.

JD: Como um acervo histórico pode funcionar em um veículo que trabalha com notícias quentes?

EL: Contextualizar melhor os fatos relatados e dar agilidade na tarefa de relembrar determinados casos são as tarefas básicas e naturais. Mas o importante é que criamos um novo uso desse acervo que vai muito além do saudosismo ou do “há 100 anos, há 50 anos…” Não se trata apenas de uma ferramenta para encontrar edições antigas. É um acervo vivo. Muitas das coisas que estão lá são praticamente inéditas para muita gente. Então vamos fazendo conexões entre as notícias do passado com as atuais. No dia do lançamento, por exemplo, quando todos esperavam que saíssemos com a primeira página publicada pelo jornal, em 4 de janeiro de 1875 em destaque, optamos por destacar uma página de 1974 sobre a inauguração do Metrô em São Paulo, pois naquele dia acontecia uma greve dos metroviários que parou a cidade. A primeira frase da reportagem de 38 anos atrás não poderia ser mais apropriada: “O Metrô hoje está proibido para a população”.

JD: Você acha que o acervo pode um dia pautar o jornal?

EL: Isso já acontece. Mesmo antes do Acervo Estadão, já fazíamos isso no blog do Arquivo. No dia que aqueles prédios desabaram no centro do Rio, fizemos um post com fotos de arquivo que mostravam que um dos prédios era cheio de janelas irregulares em paredes cegas, onde não deveria haver janelas. Foi um dado a mais para mostrar os problemas dos edifícios. http://blogs.estadao.com.br/arquivo/2012/01/27/predio-que-desabou-no-rio-tinha-janelas-fora-do-padrao/. E não vai demorar a surgir fatos novos das antigas páginas do jornal. Como disse, muita coisa ali é praticamente inédita. À medida que mais pesquisadores estiverem relando esse conteúdo e cruzando com outros dados vão surgir coisas que mudarão o entendimento sobre fatos que foram contados posteriormente sem conhecimento daquele dado publicado. É o jornal ganhando uma vida nova.

JD: Algum plano para o acesso mobile deste conteúdo?

EL: Sim. Aplicativos específicos para tablets e celulares deverão ser lançados. O legal é que um acervo como esse oferece muitas possibilidades. Algumas delas devem ser anunciadas em breve.

JD: Como está sendo o retorno dos leitores? e dos jornalistas?

EL: As pessoas elogiam, escrevem relatos emocionados, contam suas histórias, de como o jornal foi importante na vida delas. E entre os jornalistas é mesma coisa, com um sentimento extra: orgulho. Seja por parte de quem trabalhou ou trabalha aqui, todos ficam orgulhosos de fazer parte dessa fantástica história de 137 anos.

G1 e o especial sobre o Facebook

O G1 lançou uma reportagem especial interativa sobre o Facebook, agora que suas ações estão abertas na bolsa e a empresa está ainda mais valiosa, e seus acionistas mais ricos. A reportagem entra como um dos grandes exemplos recentes de trabalhos criativos, com opções interativas bastantes atrativas.

Não é o primeiro trabalho que explora o HTML5 no Brasil como narrativa jornalística. O próprio G1 já tinha lançado um especial sobre o Corinthians, no final de 2011, outro no dias das mães (não estou mais achando o link, quem me passa?), e o UOL andou explorando a linguagem num especial sobre o terremoto do Japão. Todos testam o que vimos chamando de sites-reportagem, uma linha bem pouco explorada, em geral, no jornalismo brasileiro, mas muito bem executada em outros países.

A ideia do G1 foi utilizar o formato da linha do tempo do próprio Facebook como moldura para seu conteúdo. Ficou interessante, bem executado, especialmente as brincadeiras com a linguagem do próprio FB, como os “curtiu”, e memes que circulam por lá. Seria legal também ter feito, além do site-reportagem, uma timeline como fez o New York Times, usando o próprio timeline do Facebook para contar uma história. O NYT contou ali sua própria história, mas o G1 poderia ter brincado com a meta-linguagem da coisa e contar a história do Facebook no Facebook – o que permitiria aumentar os acessos à página oficial do G1 naquela rede. O NYT tem 2 milhões de “curtiu” na sua página.

Um detalhe sobre a estrutura do HTML5: seria perfeito se, ao rolar a página pra baixo, os anos fossem mudando automaticamente. Como está, os anos ficam marcados independente da navegação pela rolagem.

Muito boas as interações com notícias do G1 e a rádio com músicas do Roberto Carlos.

Abaixo, Amanda Demetrio, repórter deste especial do G1, conta como foi o processo de criação:

A ideia de criar um infográfico tipo “Linha do Tempo” sobre a história do Facebook veio logo no começo de fevereiro, quando o Facebook apresentou os documentos para realizar o IPO. Sabíamos que teríamos que preparar um material longo sobre o assunto   e que teríamos que contar a história da rede social de algum jeito. Importante frisar que a ideia não foi minha, e sim do outro repórter que trabalha aqui, o Gustavo Petró (@gustavopetro).

 

Como o Petró é mais focado em games e eu já tinha lido um livro sobre o Facebook e feito um especial sobre o assunto, decidimos que eu ia ficar mais focada nisso, mas todos ajudaram muito, inclusive a Daniela Braun, nossa editora (@dani_braun), e a Laura Brentano (@laurabrentano), também repórter da editoria.

 

Pegamos muito material envolvendo as origens da empresa no “Bilionários Acidentais”, do Ben Mezrich, e no “Efeito Facebook”, do David Kirkpatrick. Além disso, usamos informações das fontes que vemos todos os dias para fazer uma ronda por aqui: blogs de tecnologia e os grandes jornais. Montei um texto grande e enviamos pro pessoal da arte.

 

Na arte, o Gustavo Miller (@gustavomiller) coordenou todo o processo e deu ideias ótimas para deixar tudo mais interativo. Também teve a equipe de arte: Dalton Soares, Daniel Roda, Elvis Martuchelli, Leo Aragão e Rafael Soares. A pesquisa de vídeos foi da Flavia Rodrigues.

 

Depois que enviamos o texto pra lá, rolou essa ideia de fazer uma coisa mais interativa, com itens que poderiam ser clicados pelas pessoas –no infográfico dá, por exemplo, pra você ouvir a música “Eu quero apenas”, do Roberto Carlos, na Rádio Globo. A ideia também era incorporar no infográfico algumas das principais “brincadeiras” que são feitas dentro do Facebook. Temos um “Keep Calm”, uma frase falsa da Clarice Lispector e um “Como as pessoas me veem”, por exemplo.

 

Em termos de linguagem, pensamos em usar muito do que acontece dentro do Facebook para contar algumas partes da história. Usamos muito o “cutucar” e o “curtir”. No post do filme sobre o Facebook, colocamos, por exemplo, que “A Academia curtiu”.

 

Houve uma longa pesquisa de vídeos para ilustrar certos momentos da história do Facebook também.

novo site – 2012

A já tradicional reforma de template anual chegou. Junto com ela, os editores trarão novos conteúdos, parcerias com sites e analistas renomados, publicações inéditas de livros e o bom e velho material reciclado da web.

O site ainda está sendo instalado, então problemas de letras ilegíveis, móveis atrapalhando o caminho e papéis soltos ou em lugares impróprios, por favor tenha calma. Ou ligue 0800.