Ônibus 2.0

Recentemente, no Brasil, a comunidade Transparência Hacker conseguiu recolher, via financiamento colaborativo, cerca de R$ 60 mil para a compra de um “ônibus hacker”. A ideia é viajar pelo Brasil com hackers e jornalistas que irão ao mesmo tempo realizar oficinas pelas cidades e tentar colocar na informações  sobres gastos públicos desses municípios.

Fora do Brasil já existe um ônibus completamente equipado com computadores, redes sem fio e jornalistas, chamado ônibus 2.0. É um veículo da igreja católica, uma redação ambulante que garante a cobertura de eventos por toda a Europa. Abaixo, temos um relato sobre como ele funciona.

Por Fernando Geronazzo

Na noite de 20 de agosto, durante uma vigília que reuniu cerca de dois milhões de jovens com o papa Bento XVI, no aeroporto militar de “Cuatro Vientos”, em Madri, Espanha, uma forte tempestade quase cancelou o evento mais importante da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

 

Enquanto a multidão de jovens e o papa se encharcavam com a forte chuva e rajadas de vento que tomavam a área equivalente a 50 campos de futebol, um grupo de jovens comemorava, de dentro de um ônibus estacionado na lateral do aeroporto, a participação ‘virtual’ de milhares de pessoas que acompanhavam o evento pelas redes sociais.

Trata-se do Ônibus 2.0, de onde as redes sociais oficiais da JMJ eram monitoradas durante todo o evento, conectando milhões de jovens do mundo inteiro ao evento em Madri.

Planejado pela Alegria-Activity, a unidade móvel foi desenvolvida em um veículo de 13,80 metros. Com a lateral ampliável e removível, o espaço interior chega a quase 45 metros quadrados. Uma parede de vidro grante à sala uma iluminação natural e permite que os voluntários observem de dentro os acontecimentos externos, ao mesmo tempo que atrai os olhares de quem passa por perto. Além disso, para acompanhar a transmissão de outras mídias, há uma tela grande e um sintonizador de rádio ligado aos altofalantes do veículo.

O Bus 2.0 pode acomodar até 30 pessoas trabalhando, com 21 equipamentos instalados e capacidade de conexão para outros equipamentos portáteis com ligação à internet através de linhas ADSL e outras 3 UMTS preparadas para resolver eventuais falhas de rede. Isso garantiu a transmissão minuto a minuto de cada atividade da jornada.

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O Bus 2.0 da JMJ começou seu trabalho nas cidades Albacete e Ávila, informando sobre as atividades da juventude na preparação da jornada. Em Madri, o veículo marcou presença sobretudo nos chamados atos centrais da JMJ, como a acolhida do papa na Praça de Cibeles e a Via Crucis pelas ruas da capital espanhola.

Dentro do veículo, 60 voluntários se revezam para atualizar os perfis em 21 idiomas nas principais redes sociais: Facebook, Twitter, Myspace, Flickr, YouTube.

Bus 2.0Entre estes voluntários estava o jovem Lucas Monteiro, de São Luís do Maranhão, que desde fevereiro estava trabalhando na equipe das redes sociais da JMJ. Ele contou que o uso das redes sociais foi pensado desde o início da organização do evento “como um importante meio para que a proposta da jornada chegasse àquelas pessoas que não poderiam vir à Espanha”.

Ainda de acordo com Lucas, os jovens que acompanhavam as redes sociais da jornada se sentiam mais participantes do evento. Os peregrinos também interagiam muito com as redes sociais. “Muitos tiram dúvidas sobre a cidade de Madri, sobre as atividades culturais”.

Durante os dias da JMJ foram mais de 350 mil pessoas que seguiram os perfis das redes sociais em diferentes idiomas. Para não mencionar todos aqueles que visitaram a webTV, com conteúdo específico para a jornada, a página aberta no Flickr e o canal no YouTube, com mais de um milhão de assinantes .

Como Lucas, outros voluntários gerenciavam os diferentes perfis da JMJ nas redes sociais. O jovem croata Ana Curkovic, professor de espanhol, traduzia para seu idioma nativo todas as notícias do site oficial do evento, enquanto Liana Randazzo, dos EUA, também professora, fazia o mesmo com aqueles em Inglês.

“Os voluntários passaram dois anos trabalhando juntos”, diz Carlos Gutierrez, um dos responsáveis pela gestão do Twitter espanhol. Ele acrescenta: “Se é cansativo? Quando você faz algo que você gosta e acredita, não. E se um dia você tem menos energia, o seu parceiro lhe dá a mão”. Multiculturalismo, valores, aprendendo a cada dia da troca … “Você vê que, quando há milhares e milhares de pessoas compartilhando fotos, vídeos, conteúdo… No final não há muitas diferenças entre nós, mas um interesse comum: nós podemos ajudar a construir um mundo melhor “.

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Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

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