SEXTA-FEIRA: LANÇAMENTO DO FORUM DA CULTURA DIGITAL

Caros participantes da rede social da cultura digital,

É com muito prazer que anunciamos, após um mês de intensos testes, o lançamento oficial do Fórum da Cultura Digital Brasileira e da plataforma www.culturadigital.br. O evento de lançamento ocorre na próxima sexta-feira, em São Paulo, durante o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, o FILE.Como sabemos, esse é um processo político que pretende produzir, de forma colaborativa, uma política pública para o Brasil contemporâneo.O lançamento será uma roda de conversa do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, com blogueiros e produtores de mídias sociais. A partir das 15 horas, Juca, acompanhado do Secretário Executivo, Alfredo Manevy, do Secretário de Políticas Culturais, José Luis Herencia, e do Gerente de Cultura Digital, José Murilo Jr. debaterá a cultura digital e explicará o que o Ministério pretende com a realização desse processo.

A conversação será transmitida ao vivo no endereço http://www.culturadigital.br/aovivo.

O Fórum da Cultura Digital Brasileira é um chamamento que o Ministério da Cultura e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa estão fazendo à sociedade civil. O Fórum terá eventos presenciais e deve se encerrar em novembro, em um grande evento, com a participação aberta a cidadãos interessados em como as tecnologias podem contribuir para melhorar a nossa sociedade.

A partir desta quinta-feira, a plataforma será aberta a tod@s os usuários.

Ajudem-nos a divulgar essa ação.

Quem estiver em São Paulo, pinte por lá. E quem não estiver, participe do debate pela rede.

via Savazoni

LULA CANTA RAUL – REMIX

Em 2008, nas horas vagas, comecei a brincar de remix e deu nisso aí. O programa de rádio do Lula, Café com o Presidente, fica disponível online, áudio e transcrição. Fiz uma busca por certas palavras nos discursos transcritos, cortei as palavras separadamente no áudio e juntei tudo. Depois peguei imagens do Lula no YouTube e dublei ele mesmo. A idéia era fazer ele cantar a música toda, mas… Bem, taí. Um manifesto pela cultura digital.

LULA, SALA 41B – DIRETO DO #FISL

Lula foi ao Fórum Internacional de Software Livre. É o primeiro presidente que vai num evento deste tipo, e que no Brasil ocorre há 10 anos em Porto Alegre. Em 2009, teve recorde de participantes (o número ainda não fechou, mas deve ultrapassar 8 mil pessoas). O clima entre os organizadores é só satisfação: uma cultura que começou marginal agora ganha reconhecimento com a presença maior do Estado. É claro que é preciso olhar o contexto. Lula vem acompanhado; ele e Dilma conhecem, depois do Obama, a força que as redes digitais podem desempenhar numa eleição.

Estou escrevendo este texto direto da sala 41B, onde os convidados, a imprensa e os penetras aguardam o discurso do Lula. Pelo Twitter, já sabemos que ele chegou e está lá fora. Este texto será atualizado constantemente.

Franklin Martins chega e vai direto conversar com os jornalistas. Diz que ele é “particularmente” contra o projeto do Azeredo. “Qualquer coisa que cerceie a liberdade me parece ruim”. Mas diz também que é só um projeto, não foi aprovado ainda, não é lei.

Via Twitter, impressões em tempo quase real de todos que estão no Fisl.

Os jornalistas perguntam o que ele acha do Blog da Petrobras, e Franklin elogia. Perguntam se o Blog do Lula será igual. “Aguardem e verão”.

Aqui tem um stream ao vivo, em vídeo, direto da sala 41B.

Começou, com Marcelo Branco elogiando o Richard Stallman, os ensinamentos libertários dele e o incentivo ao FISL. “Começou a era das sociedades em redes. Essa transformação não é apenas uma revolução tecnológica, mas a mudança de uma era. Empoderamento do indivíduo, que se relaciona diretamente com o público. A inovação não está mais dentro das organizações, está fora. Distribuída pela rede. Nosso país não deve nada a nenhum país nesse sentido. Somos os mais ativos nas redes sociais. E não é só quantidade. Temos qualidade. Somos das comunidades de SL as que mais colaboram.”

“Presidente, a internet livre, que é cria dos mesmos criadores do SL, está sob ataque. Iniciativas do governo francês, da Inlgaterra, e do Brasil. Um deputado bispo pirateou a lei francesa e apresentou no Congresso. Temos uma lei chamada de Cibercrimes, a Lei Azeredo, que institui a vigilância. Anuncia que é para combater a pedofilia – essa lei já foi aprovada, a Unesco deu um prêmio para o Brasil. É uma confusão tentar juntar a Lei Azeredo com Cibercrimes. Para invadir a privacidade de qualquer residência é preciso um mandato judicial. Não se pode arrombar portas para combater crimes. Há marcos que regulam a investigação. No caso do senador Azeredo isso não existe. Pedimos que caso a lei passe, ela seja vetada. (aplausos gerais)

A Dilma chega para falar e é aplaudida, recebe inclusive um coro de “Dilma! Dilma! Dilma!”. Lê o discurso preparado, elogiando o pessoal, “as redes colaborativas capazes de transcender todas as barreiras físicas”.

Economia de R$ 370 milhões  aos cofres públicos pelo uso do SL, diz Dilma. BB, Caixa e Exército, “só para citar alguns”, fazem uso dessa tecnologia. Dilma lê vários dados para contar como o Brasil avançou no uso do Software livre em escolas e instituições. Quem escreveu o discurso dela fez uma bela pesquisa, levantou muitos dados, e – apesar dela dar a entender que não entende várias das coisas que lê, como padrões digitais, nomes de programas livres, backhaul – faz uma bela defesa do Software Livre.

A Dilma diz que o Planalto vai lançar um blog, e que a maioria dos blogueiros são jovens importantes produtores e disseminadores de conteúdo. Continuaremos a fazer tudo que pudermos para incentivar isso. “Vocês estão de parabéns”, diz.

O Lula começa sem ler nada e fazendo piada – claro. “Na verdade, a Dilma falou pelo governo. Eu não preciso falar mais nada. E passar pelo corredor polonês que eu passei pra chegar aqui valeu por uns quatro discursos.”

#Fisl #sala41B #Lula “Quero cumprimentar especialmente o Sérgio Amadeu”…”Agora que o prato está feito, é muito fácil a gente comer. Mas não foi brincadeira. Lembro da primeira reunião, e eu não entendia nada. Graças a Deus prevaleceu o Software Livre neste país. Tínhamos que escolher: ou íamos pra cozinha preparar o prato nosso, com gosto brasileiro, ou iríamos comer o que a Microsoft queria vender pra gente. Prevaleceu simplesmente a idéia da liberdade. Queria contar porque prevaleceu isso. Vocês sabem que eu nunca fui comunista. Quando me perguntavam se eu era, eu dizia que eu era torneiro mecânico. Mas tenho extraordinários companheiros que participaram da luta armada.

Mas quando caiu o muro de Berlin eu fiquei feliz, porque a juventude ia construir coisas novas. O SL é um pouco isso. A possibilidade de fazer coisas novas, valorizar a individualidade das pessoas. Não tem nada mais que garanta a liberdade do que permitir a liberdade individual. Ainda mais no Brasil, onde há o povo de maior criatividade no século 21.

A internet é a primeira vez que os netos são mais sabidos que os avós. Antigamente, pelo fato de ser mais velho, você queria se impor em tudo. Agora não. É só colocar dois controles remoto e ninguém sabe mexer.

A imprensa não tem mais o poder que tinha anos atrás. A informação não é mais seletiva, em que os detentores dela podem dar golpe de Estado. Nós não sabemos onde vai parar. Um burocrata tem um manual. O manual só diz o que pode e o que não pode. Coisa nova é proibida. Tudo isso levou tempo para que o governo pudesse criar condições para chegar onde chegamos.

E, por fim, Lula joga a pá na cal no projeto Azeredo: “A lei [Azeredo] não visa corrigir o que estiver errado. Essa lei é censura. Isso é interesse policialesco, para saber o que as pessoas estão fazendo. Isso não é possível”.

BLOG DO LULA #FISL

O FISL teve uma mesa para discutir e apresentar a proposta do governo para o que vem sendo conhecido como o Blog do Lula. Primeiro, o anúncio é que não é o Blog do Lula. É o Blog do Planalto.

Já existe um piloto, desenvolvido pela Secom. Mas deverão existir pelo menos três versões, e a final será escolhida pelo público.

Nelson Breve: “Lula deu 182 entrevistas em 2008. Nesse ano já foram mais de 140, antes do fim do semestre. Só em entrevistas, já falou mais de 36 horas em 2009. A comunicação do governo tem muito a ver com o presidente. E ele estará também no blog – vamos experimentar o que funciona mais, o que funciona menos. Mas ele não terá tempo, certamente, só para se comunicar. Tem reuniões, viagens, etc.”

Nelson Breve, que está à frente da iniciativa, explica que é uma ação de Estado. Toda política da Secom é uma política de Estado, diz Nelson Breve. “Acho muito difícil que exista retrocesso [em outro governo], porque estamos pensando nisso como comunicação de qualquer governo. Não sei se o próximo presidente irá querer usar isso, vai depender muito da forma como ele queira atuar. Nada impede que o próximo queira fechar o blog. Mas nós pensamos em políticas de Estado”.”Sobre o conteúdo, não sei bem o que iremos encontrar. O Obama foi para o governo e tem um blog que é o que chamam de blog corporativo. Não é o blog do Obama. Queremos conhecer outras experiências de Estado, mas vamos com cautela. Buscaremos uma linguagem com a qual o público da internet está familiarizado. Veja bem: nosso press-release é muito bom. Tem informação útil para a imprensa. O blog terá informação útil para quem usa blog. Nossa comunicação será centrada em credibilidade – tudo que colocarmos lá precisa ser verdade. Se colocarmos algo falso, teremos que arcar com a responsabilidade disso.”

Daniel Pádua também está na equipe (e no twitter @dpadua). “Não podemos frustar as expectativas de nenhuma extremidade: nem do governo, nem do público da internet. Estamos numa estrada que nunca foi trilhada antes no governo. Vamos com cuidado. Blog não é necessariamente primeira pessoa, nem sempre tem comentários. Foi criado em 1999, e é nada mais do que um sistema de publicação. Tumblr é um blog só de imagens. Não tem primeira pessoa. Da mesma maneira, existem blogs em primeira, terceira, todas as pessoas que quiser. Acho o uso do termo legítimo, mesmo que façamos uma comunicação menos pessoal.”

Vai ter comentários? Vão responder? Vai ter orkut?

Breve: Em princípio, não vamos abrir para comentários. Não sabemos quantas pessoas vão comentar, pode ser que se torne algo lido só por jornalistas, ou pode virar um sucesso de conexões. Vamos experimentar. Toda minha defesa dele dentro do governo foi o que a Casa Branca está fazendo. E a Casa Branca não tem comentários. Pode ser que a gente abra, mas vamos ver se a minha equipe poderá dar conta, se poderá dar respostas na velocidade que a internet demanda. Conforme nos sentirmos mais seguros, vamos caminhar melhor. O Twitter, por exemplo, poderá ser, primeiro, uma ferramenta de disseminação do blog. Mas não de outras formas. Não vou ter mais gente além da equipe que já tenho, para fazer a conexão com as mídias sociais. Se for um sucesso, talvez eu consiga aumentar a equipe, mas por enquanto não. O Orkut não é prioridade, mas talvez entremos.

@DPadua: O Fale com o Presidente tem 5 mil mensagens por dia. Vários comentários de blogs são muito bons, e demandam interatividade. A equipe entende que internet é interatividade, mas isso precisa ser construído. Vamos trabalhar com trackback, com enquetes, com outros mecanismos.

BLOG DA PETROBRAS #FISL

Pedro Doria foi chamado para falar sobre o Blog da Petrobras no Fisl Рa Petrobras tamb̩m, mas ṇo apareceram. O assunto vem rendendo conversas de botequim e taquicardias em reda̵̤es de jornal. Para quem ṇo sabe, resumidamente, a empresa resolveu fazer um blog onde publica as perguntas que recebe dos jornalistas por email e tamb̩m as respostas que envia para todas as quest̵es, desde que surgiu a CPI da Petrobras. Causou furor.

Os jornalistas que atacam o blog usam principalmente o argumento de que o blog “fura” o veículo, uma vez que dá informações sobre a reportagem que está sendo investigada antes dela ser publicada. Doria segue essa linha e disse que, se o blog publicasse sempre, antes do jornalista, os indícios da apuração, revelando o curso da investigação, então os jornalistas terminariam parando de perguntar para a Petrobras. Sinceramente, chamar entrevista por email com a assessoria de imprensa de investigação é uma piada. Se este é o nível de investigação que temos, é melhor não perguntar nada mesmo.

Marcelo Branco, um dos coordenadores do Fisl, que propôs o debate e estava acompanhando da platéia, apimentou: “A Globo disse que a pergunta é uma propriedade intelectual da Globo” [o que acabou sendo ridicularizado como sendo a criação da “pergunta em off”]. Outro sujeito da platéia disse que pesquisou e em nenhum lugar uma lista de perguntas pode ser considerado “propriedade intelectual”. Doria respondeu que não sabia nada sobre isso e encerrou o debate (que, antes, tinha descambado para o fim do diploma, blogs x jornalistas, etc etc etc etc etc).

Sobre o blog da Petrobras há outra crítica, mais pontual, que diz que não se pode chamar de blog, já que é mais uma ferramenta de divulgação do que uma troca de informações com a rede. Blog seria uma ferramenta mais completa (e o Blog do Lula, inclusive, não deverá ser chamado de blog, já que não deverá ter espaço para comentários – a moderação disso seria impossível). Particularmente, acho que o blog é simplesmente o nome da ferramenta, como telefone – o uso que se faz independe do formato blog. Mas essa é quase uma discussão semântica.

O que deixa os jornalistas bastante arrepiados é notar que, agora, as fontes deles podem se insurgir contra eles próprios. Ou melhor: o jornalista não é mais o único “pedágio” entre a informação e o público. As fontes podem entrar em contato direto com o público para, inclusive, reclamar do jornalista que o entrevistou. Um dos posts da Petrobras é, por exemplo, “O Globo requenta novamente seu factóide“.

Muitos discutiam sobre fazer algo similar, levar ao público um pouco da – porca – apuração jornalística e, sob o viés do entrevistado, como é feita a “investigação nas redações”. A Petrobras fez um pouco disso. Ainda não é o melhor que poderia ser feito, mas já é bastante. Muito mais do que qualquer outra fonte fez.

JORNALISMO NA INTERNET: CURSO DA REVISTA CULT

Estive nos dois dias do curso da Revista Cult sobre jornalismo na internet. Publico aqui alguns destaques das apresentações:

Marco Chiaretti, editor-chefe do Estadão Online.
Chiaretti, que trabalha com jornalismo online há 15 anos (ele estava lá) fez uma exposição clara sobre o desenvolvimento do setor.

Resumindo bastante: segundo ele, o jornalismo online começa com um pensamento simples dos donos dos veículos: se estamos ganhando 1 distribuindo as notícias em mídias tradicionais, talvez possamos ganhar 1.2 distribuindo também online, mas sem gastar 0.2 para isso. Basta “otimizar” e “integrar”.

Tempos depois, o custo de operação do online aumentou (agora todos precisam ter vídeos, infografias, etc), enquanto a publicidade não transferiu ainda para a rede os investimentos que faz nos meios tradicionais. Estaríamos num momento de transição, em que, finalmente, teremos o jornal funcionando prioritariamente no online. Citou o Die Zeit alemão, jornal semanal, como exemplo do que poderá se tornar o jornal impresso.

Chiaretti prevê ainda que a reportagem – item mais caro do jornalismo – deve diminuir cada vez mais dentro das redações, o que já ocorre, aliás.

Sobre jornalistas multimídia, disse que é impossível que alguém faça tudo ao mesmo tempo – cada formato tem sua particularidade. Contou uma história interessante: quando Lourival Santanna foi à Amazônia e entrevistou “o último brasileiro“, voltou com uma reportagem multimídia: vídeo e texto. Pra nunca mais. Teve que entrevistar duas vezes o personagem, uma para o texto, outra para o vídeo, já que o formato do vídeo exige outro enfoque.

Lígia Braslauskas, editora da redação da Folha Online
A Folha Online tem cerca de 40 jornalistas, e todos eles têm existe uma câmera portátil Flip que é usada rotativamente pelos repórteres. [update: talvez eu tenha entendido errado o que disse a editora, quando disse que todos usam uma; me disseram depois que não é que existe uma para cada, e sim que sim que todos usam uma única].

A redação online da Folha praticamente concorre com a redação “de papel”. Como o conteúdo da Folha-papel é pago, via UOL, a redação online pode usar apenas 30% do conteúdo feito pela redação-papel. O resto vem de agências e dos 40 jornalistas que ficam na Barão de Limeira, num andar separado da outra redação – mas em breve juntos fisicamente, numa reforma que a Folha colocará em andamento.

Entre muitas histórias, contou como foi o começo do vídeo no online, bastante mambembe: a câmera ficava apoiada em cadeiras, e o teleprompter era um cara segurando um monitor no alto, enquanto apertava a barra de rolagem.

Segundo ela, a Folha Online se mantém com anúncios há 4 anos, independente já do faturamento do jornal.

Rodrigo Flores, gerente geral de notícias do UOL
Antes, o UOL News era a equipe de vídeo, e o Notícias fazia texto. As equipes foram fundidas, as coberturas unificadas, sem redundância: um único repórter sai com máquina de foto, faz texto e grava entrevistas. Há um wiki, na intranet, para discussão de pautas.

Segundo Rodrigo Flores, o jornalista multimídia precisa ser alguém que:

Рpense em diversos formatos (̩ a pauta que determina a forma do conte̼do)

– tenha conhecimentos técnicos diferentes e se assuma como profissional multimídia

– jornalista com cabeça de editor (já que terá que optar, na rua, pela melhor forma de capturar a história)

Segundo Flores, o UOL cresceu 50% no primeiro semestre de 2009, com 2 milhões de assinantes, com lucro líquido há 5 anos. 40% da audiência do UOL vem da home.

Endrigo Chiri, editor do B.CoolT e ex-editor online da revista Trip
“Quanto mais polivante, mais interessante” o jornalista, diz. Algumas histórias são melhores em áudio, outras em vídeo, outras em texto. “Se você souber um pouco de tudo, melhor. O mercado pede isso. Mas sempre vão existir especialistas”.

Ele conta que na Trip prepararam workshops de vídeo, e o interesse foi de 100% dos jornalistas. “O mercado procura um jornalista mais completo”.

JOGOS, INTERATIVIDADE E JORNALISMO: NEWSGAMES

Você é um jornalista que investiga maquilladoras no México – fábricas que exploram trabalhadores, poluem o meio ambiente, normalmente vinculadas a multinacionais que procuram mão-de-obra barata. Irá entrevistar membros da comunidade, trabalhadores, sindicalistas, fiscais, visitar locais perigosos e juntar argumentos para a entrevista final: o dono da fábrica. Se tiver entrevistado as pessoas certas, e se tiver feito as perguntas certas, poderá usar os melhores argumentos na entrevista final e provocar respostas espontâneas que lhe darão, afinal, a prova do crime.

Este é o mote de Global Conflicts: Latin America. Jogo da empresa Serious Games, especializada nos chamados newsgames. Fez também Palestine, mas apenas o Latin America pode ser testado online.

Newsgames estão ficando mais complexos, mais interessantes e mais comuns. São difíceis de fazer, envolvem jogabilidade, design e jornalismo, campos que antes não se misturavam, mas que vão sendo engolidos pelas fronteiras cada vez mais líquidas do jornalismo (Bauman, Santaella).

A educação tenta utilizar “jogos educativos” há tempos, mas parece que é no jornalismo online que eles estão se desenvolvendo melhor.  Quem conhecer casos interessantes, por favor comente.

Casos Made in Brazil

Nem todo jogo é um newsgame: há quem faça confusão, com produções bem estranhas em jornais por aí, como o PacMan Eleitoral (O Povo Online), abaixo:

Há também quem simplesmente copie boas idéias, inclusive no formato. A revista Veja reproduziu exatamente o modelo Candidate Match Game, do USA Today (abaixo):

Aqui o modelo original (foi atualizado para o segundo turno nos EUA):

A idéia do jogo é boa: inverte o foco, que normalmente está nos políticos, e faz perguntas ao usuário para indicar o candidato cujas respostas são mais próximas. Mas poderiam ser criadas versões mais criativas, sem utilizar a linguagem visual desenvolvida pelo USA Today. E não foi só a Veja: também o pessoal do portal UAI “reutilizou” o modelo norte-americano.

[E também vimos recentemente, no caso de especiais multimídia, a mesma linguagem usada pelo New York Times no  8 in a Million, servir de “inspiração” para a Revista Brasileiros.]Ou seja: as experiências que estão ocorrendo lá fora vão chegando ao Brasil, mas muitas vezes sem nenhuma “reciclagem”. Na semana que vem publico uma entrevista com quem está realmente criando newsgames brasileiros: Daniel Jelin, Editor de Especiais do Estadão.

MAIS:
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Jornalismo e Video Games