Infografias sobre a ocupação da polícia no RJ

A mídia já assumiu que o Rio de Janeiro está em guerra. Guerra no Rio, Rio sob Ataque, Guerra ao Narcotráfico e outras chamadas parecidas puderam ser vistas na TV, jornais e sites de notícia durante a ocupação que a polícia, exército

e outras forças militares realizaram no final de novembro de 2010 no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Vale refazer uma pergunta que passa despercebida a muitos jornalistas nestes momentos, apresentada por João Paulo Charleaux em um curso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha:

quais as implicações de chamar as situações de violência que existem no Brasil de “guerra”? Guerra, guerra do tráfico, guerra do Rio, guerra das favelas, guerra de facções, guerra contra o crime, guerra no morro e todos os seus similares.

A resposta é complexa, e traz implicações bem importantes, muito além da correção semântica. (a saber, o que ocorre no Rio não é uma guerra, que é um conflito armado entre as forças armadas de dois ou mais países – e onde vigoram leis diferentes daquelas vigentes em cada um dos países envolvidos: as Convenções de Genebra de 1949 e seus Protocolos Adicionais, por exemplo).

Sobre infografias

Alguns infográficos foram publicados ainda durante os dias de conflito nos morros cariocas. Quase todos pautados em mapas e linhas do tempo, mostrando o dia-a-dia da luta entre policiais e traficantes. Como todos mostram quase a mesma coisa, fica fácil se destacar com algo diferente. O iG e o G1 foram dois que fugiram deste roteiro.

iG

No iG, houve dois materiais relacionados à operação. Um mostrando como é por dentro um Caveirão, o veículo blindado usado pelo BOPE. O outro compara as armas da polícia e do tráfico. Ambos, porém, foram feitos antes da operação e relacionados em matérias durante o ocorrido – o que é bem recomendável, aliás.

Estadão


O Estadão investiu em um mapa e em uma linha do tempo. Úteis para ter uma dimensão dos ataques, principalmente no mapa.

G1

O G1 apresentou linha do tempo, mapa e uma avaliação de um especialista, ao mesmo tempo, nesta infografia. Além da localização via GoogleMaps, um instrutor da Swat analisa cada cena, dando detalhes que não caberiam em um balão dentro das marcas do mapa. Experimentação bastante interessante.

Por Felipe Lavignatti e Andre Deak

Um relato do Newscamp 2010

Foto: Coletivo UARA (buy cialis online

hotos/flimultimidia” target=”_blank”>mais fotos aqui)

A edição de 2010 do Newscamp atraiu muito mais do que apenas jornalistas para discutir jornalismo na internet. Advogados, músicos, acadêmicos, graduandos e graduados, blogueiros, além dos próprios jornalistas e vários profissionais de várias outras áreas da comunicação participaram durante dois dias da desconferência que aconteceu durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira. Todos compartilharam experiências e deram início a alguns projetos coletivos.

O modelo de desconferência é permitir mais do que simples apresentações de uma mesa e debates: é um encontro aberto, onde todas as pessoas falam e participam com ideias que não morrem no evento. Para acompanhar um pouco do que foi discutido e apresentado, listamos abaixo algumas das conversas.

Formação, financiamento do jornalismo online e outros assuntos foram os primeiros a entrar na discussão, logo na manhã de segunda-feira. Aqui tem alguns depoimentos sobre.

Jornalismo colaborativo

Há controvérsias sobre como nomear o jornalismo em que o público participa de alguma maneira: colaborativo, participativo, cidadão, grassroots. O Rafael Sbarai (Veja), colocou no blog De Repente a apresentação que acabou não fazendo, mas que tem muito do debate que foi feito. A Ana Brambilla também falou sobre isso, grande pesquisadora do tema que é. Mas para além do debate semântico, também há quem diz fazer jornalismo colaborativo e apenas abre uma caixa de comentários numa reportagem. Há quem vá mais longe e discuta a pauta com o público, ou tente realizar reportagens com ajuda do cidadão na apuração.

Ana Brambilla conversou com o fundador do OhMyNews, que deixou de ser um veículo colaborativo em setembro, depois de 10 anos de experiências nesse sentido. Muitos viram isso com preocupação, de que o modelo estaria em decadência. Ana contou que o argumento deles é que não havia um público bem definido para o veículo colaborativo internacional, já que a tentativa era cobrir o mundo todo. Sem isso, o financiamento também ficava prejudicado. A avaliação é que o colaborativo funciona, mas principalmente para notícias locais.

Data driven journalism

O debate sobre jornalismo em base de dados também começou com polêmicas sobre o próprio nome da discussão. Seria todo jornalismo digital um jornalismo feito sobre base de dados, uma vez que os bits estão organizados assim?, argumentava a pesquisadora Caru Schwingel. Para ela, seria melhor falar em webjornalismo.

Pedro Valente, do Yahoo! (ouça entrevista dele aqui), contou que começou a investigar programação como jornalista porque queria ele mesmo tentar subir suas páginas para a internet. Hoje ele é um jornalista que entende de programação e que não gosta de rótulos. As fronteiras entre funções e profissões andam cada vez menos claras.

Durante o NewsCamp, Pedro Markun e Daniela Silva, da Esfera, empresa que faz parte da Casa da Cultura Digital, fizeram uma oferta de uma microbolsa de R$ 2 mil para projetos que trabalhem a abertura de dados. “Pode ser qualquer coisa, desde um curso para que jornalistas aprendam programação, até projetos que contratem um designer, ou um programador, para ajudar a realizar um trabalho”. Mais infos sobre a microbolsa, aqui.

Também surgiu ali uma proposta mais concreta: o jornalista Marcelo Soares (MTV), especialista em RAC (reportagem com com auxílio do computador, outro nome que gerou polêmica), organizou uma planilha com todas as obras do PAC. A ideia seria tentar construir o que já foi feito nos EUA, que é uma interface colaborativa de acompanhamento das obras do governo. Nenhuma redação tem capacidade para investigar todas as 2.600 obras, mas os cidadãos poderiam. Cada um poderia ser uma uma espécie de fiscal do PAC. A Esfera de um lado (Markun e Dani Silva), a FLi Multimídia de outro (Andre Deak e Felipe Lavignatti), que são algumas das empresas integrantes da Casa da Cultura Digital que estavam no NewsCamp, decidiram que vão levar adiante o projeto e integrá-lo a rede Transparência HackDay. Quem quiser participar desse projeto, junte-se à rede aqui.

Link do grupo de discussão, a rede ThackDay.

Link do site do projeto Transparência Hacker.

Abaixo, a Rede Brasil Atual fez um resumo do resultado do Newscamp:

http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/jornalismo_era_digital.mp3/view

E aqui tem um videozinho do que rolou: http://www.vimeo.com/16856964

E eis também alguns dos que acompanharam o #newscamp pelo Twitter (quem quiser indicar o site ou o blog, avise na caixa de comentários):

@alzimar
@anabrambilla (Terra)
@andredeak (Jornalismo Digital.org)
@caru (Cásper Líbero)
@ceila (Desabafo de Mãe)
@danielabsilva (Esfera)
@diegocasaes (Global Voices)
@emiliomoreno
@fabiomalini
@gilmar_
@juba7
@lavignatti (Jornalismo Digital.org)
@lucianosb
@lueba
@magalyprado (Cásper Líbero)
@markun (Esfera)
@nannirios
@pedrovalente (Yahoo!)
@rafaelsbarai (Veja.com)
@tsavkko