SEM RUMO: MULTIMÍDIA MEDIASTORM

Lá vem o MediaStorm de novo. Um conjunto de apresentações de mais ou menos 5 minutos conta histórias de vida em Iowa.

Só vi, por enquanto, o video do açougueiro. Bonito, ao mesmo tempo chocante e triste – muito provavelmente exatamente na medida desejada pela edição.

Aos que se interessam por jornalismo multimídia, imperdível. Aos que se interessam por boas histórias (em inglês), vale a pena.

Via Wired

DESDE CUBA: MULTIMÍDIA GARAPA.ORG

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O cinquentenário da revolução cubana não é apenas um marco ideológico. No decorrer de cinco décadas, duas gerações nasceram e cresceram em uma ilha que assistiu às mudanças mundias com a distância do isolamento. Esses filhos da revolução já não cabem na iconografia da Sierra Maestra; buscam existir por e para si, e não querem mais ser a utopia do mundo.

O coletivo de jornalismo multimídia independente Garapa.org acaba de produzir mais um trabalho. O texto acima é a apresentação do Desde Cuba, reportagem multimídia apresentada num site que é uma variação de um template WordPress – tecnologia livre.

Os vídeos e fotos são um passeio por Havana, às vezes bastante poético. Para ser visto com calma, com tempo.

DesdeCuba.com é também o nome da revista eletrônica da qual participa a blogueira Yoani Sanchez. Yoani é uma figura polêmica, dentro e fora de Cuba, porque em seu blog (hospedado fora de Cuba, com milhares de comentários em cada post) critica o governo. Muitos usam as informações que ela publica para “provar” que Cuba é uma ditadura – dura mesmo, não branda. O próprio governo de Cuba diz que a existência de Yoani e seu blog prova que há liberdade de expressão na ilha. Escrevi algumas coisas sobre Cuba nos meus Diários de Havana.

Modelos de reportagem
Eu e Paulo Fehlauer estivemos na PUC, no sábado passado, falando sobre novos modelos de reportagem multímidia. Fehlauer é um dos jornalistas do Garapa, e fizemos juntos a reportagem Crônica de uma Catástrofe Ambiental para a Revista Fórum.

Os alunos da pós-graduação perguntaram sobre exemplos brasileiros de reportagem multimídia. Este, o DesdeCuba, do Garapa, sem dúvida, é mais um deles.

REALIDADE AUMENTADA NO ESTADÃO

Realidade aumentada é o tipo de coisa que ainda veremos se tornar comum. Trata-se de um tipo de informação que é adicionada à realidade. Por exemplo, lentes de óculos que apresentam informações sobre o que está sendo visto, parabrisas de carros que mostram mapas, câmeras de celulares que dão informações turísticas sobre o que está sendo mostrado nelas.

Já existem diversas experiências com isso, que não são tão novidade assim. Mas destaco que o Estadão fez uma primeira experiência, numa infografia sobre a Torre Eiffel.

Coisas mais interessantes até estão sendo feitas por aí, já. Mas, no jornalismo, ainda não tinha visto testarem nada.

Aqui tem o site especial deles sobre a experiência.

MAIS
Infografia RA

BRASILEIROS DIGITAIS

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A revista Brasileiros acabou fazendo antes. Recebi um email do coordenador web de lá, Marcos “Coil” Lopes, avisando que se inspiraram no One in 8 million, do New York Times, e começaram a usar o mesmo modelo para contar histórias de personagens de São Paulo.

Eu também queria realizar – e ainda quero – um multimídia sobre São Paulo, e eu disse isso quando vi o especial do NYT em fevereiro. Acabou que fizemos outra coisa no período, o especial multimídia sobre o vazamento de agrotóxico no Rio Paraíba do Sul. Não dá pra fazer tudo, paciência.

Sempre achei que São Paulo é tão boa quanto New York ou Londres ou a Cidade do México (ou qualquer cidade cosmopolita) para este tipo de material. Personagens da cidade, contando suas histórias num mosaico multimídia. Dá pra fazer um trabalho bonito.

Faço apenas uma crítica ao especial da Brasileiros: acho ótimo criar trabalhos sobre modelos que dão certo. Mas a proposta estética do Digitais ficou muito parecida com a do New York Times. Faltou uma inovaçãozinha qualquer. E, além disso, a versão dos EUA está mais incrementada…

Abaixo, pra quem não conhece, detalhe do One in 8 Million:

onein8nyt.jpg

SONDAS NO UNIVERSO / MALOFIEJ 17

sondassuper.jpg

A revista Superinteressante levou medalha de prata, categoria online, no Malofiej, o principal prêmio de infografia do mundo, com o trabalho Sondas no Universo, aí acima. (O New York Times ficou com quase todos os ouros.)

O resultado é obra de uma parceria da Abril com Alberto Cairo (e Luiz Iria, outro colecionador de prêmios, e Douglas Kawazu, Fabiane Zambon, Daniel Schneider e Rafael Kenski). E Cairo explica em sua página:

Además de elementos en 3D y vídeos, la presentación incluye un muy interesante tour virtual interactivo por el Sistema Solar (“sondas no universo”), idea que se nos ocurrió en las reuniones preliminares: por medio del teclado, el lector puede navegar por el espacio como si estuviese a los mandos de una nave. En esta escena, además, el usuario tiene la opción de ver todas las sondas o sólo aquéllas que fueron lanzadas en un período determinado. De nuevo, interacción.

Minha avaliação: grande experiência interativa, em que realmente se tem essa impressão – de navegar no espaço. Gosto particularmente destes trabalhos com conteúdo “enciclopédico”, que você provavelmente não verá por completo, mas percebe que há um trabalho enorme de pesquisa e apuração por trás. É justamente isso que permite tantos caminhos, tantas opções de navegação – uma narrativa multi-linear, enfim.

Achei apenas o sistema de navegação um pouco confuso – muitos botões no teclado, sem o uso do mouse… Mas nada que atrapalhasse a exploração. Um botão clique-para-ver-em-tela-cheia também cairia bem, já que a tela de navegação não comporta o sistema solar todo e dificulta a visualização de todas as sondas.

Devo dizer que gosto muito de infografias, e acho este um grande nicho, pouquíssimo explorado pelas faculdades de jornalismo e mesmo pelos veículos em geral. Trabalhos como este podem ensinar mais sobre este gênero (é um gênero? creio que sim) do que a maioria das faculdades ensina…

MAIS:
Sobre os premiados no Malofiej 17

Sobre os brasileiros que levaram medalhas no Malofiej 17

Sobre homens e máquinas

Remington Anos 30-40s

Acabo de realizar minha primeira compra no Mercado Livre. Foi esta Remington aí, apaixonante.

Recentemente ouvi uma história interessante – especialmente para nós, últimos migrantes digitais.

Uma escola organizou uma feira de antiguidades e pediu para os alunos caçarem nas casas dos pais ou avós alguns objetos antigos. Na exposição havia, é claro, uma máquina de escrever.

A maioria das crianças nunca sequer havia visto uma. As que já tinham explicavam o que era aquilo, umas pras outras:

“É como um computador que só tem o word.”

Faz tempo eu pensava em comprar uma Remington, mas agora – alguns meses antes de virar pai pela primeira vez -, achei que era a hora, nem sei bem porque. Alguma nostalgia, talvez. Um símbolo de qualquer coisa, um desejo inconsciente que algum psicanalista vai me explicar depois, certamente. Ou foi só gastança desenfreada mesmo.

A Remington, sobretudo, tem uma história curiosíssima. Vendiam armas também (e note a ironia da vida: fabricavam armas e máquinas de escrever). Essa marca foi aquela usada por vários grandes escritores como Mark Twain, Hemingway e dezenas de outros – já que foi a primeira máquina inventada. Mas não apenas isso. Pode-se dizer, também, que um dos primeiros computadores foi um Remington.

A linha da empresa chamada Univac (UNIVersal Automatic Computer I) foi, durante algum tempo, sinônimo de computador. Poucos sabem, mas foi o primeiro computador comercial vendido nos EUA. Ou seja: é incrível a pesquisa que a gente faz pra justificar uma compra sem necessidade.

E aliás, pensando bem na história toda, olhaí: até que aquela descrição das crianças não é tão distante assim da realidade.

PS: E sabem o que mais? Ela ainda funciona.

*Publicado originalmente em Trezentos

NEWSGAMES: JOGO DA MÁFIA

A revista Superinteressante volta com outro jogo que acompanha as reportagens de capa. Desta vez, para explicar a máfia mundial, você é um policial infiltrado que age como traficante, e o jogo explica quais regiões do mundo traficam o quê – ou quem (escravos, mulheres).

Os chamados newsgames ainda estão em desenvolvimento, são poucas as revistas ou jornais que os utilizam. Mas fazem parte do pequeno grupo o New York Times, por exemplo, que experimenta usar recursos do entretenimento para passar informações jornalísticas.

Newsgames não funcionam muito para as notícias chamadas quentes, que tem um tempo de vida curto, já que o tempo de desenvolvimento precisa ser longo – ou o jogo não fica bem feito. Aí acerta a Superinteressante, que oferece jogos com informação real, apurada por jornalistas, mas sobre assuntos mais frios – o funcionamento da máfia mundial, no caso.

Os jogos ainda estão em estágios mais simples, seguindo mais ou menos a evolução que os videogames tiveram ao longo das décadas anteriores. Não é simples criar jogos envolventes, e a escolha inicial parece ser trabalhar mais com o conceito do que propriamente com a “jogabilidade”. Tanto o NYT quanto a Super contam histórias relativamente longas – o que podemos chamar de reportagem – como pano de fundo para um jogo simples.

Penso se não seria o caso de traballhar com jogos mais complexos, senão nos gráficos – o que é difícil e de caro desenvolvimento -, nas possibilidades narrativas. Mas ou menos como ocorria nos primórdios do videogame, como em Fuga de Alcatraz (do MSX!) .

Janet Murray conta, no ótimo livro Hamlet no Holodeck, como a história (plot) importa mais que o gráfico.

Ou seja: No modo como foi construído, o jogo da Máfia faz com que, talvez, a maioria dos jorgadores decore que é um bom negócio para mafiosos comprar escravos na África para vendê-los na Itália, ou comprar remédios falsos na China para vender na África (descontando também algumas generalizações bem pouco jornalísticas – a África é bem grande…). Além desse conhecimento e alguma matemática, pode-se chegar ao final do jogo.

Melhor seria, talvez, um jogo onde fosse necessário aprender como trabalha a máfia, da mesma forma como era necessário aprender a construir sua fuga de Alcatraz – passo a passo, num processo demorado, mas que será lembrado mesmo décadas depois.

Mesmo no modelo do jogo anterior da Super (CSI – Ciência contra o crime, que mostra como funcionam métodos de investigação), as opções eram mais abertas, e havia um grau maior de dificuldade que obrigava os jogadores a compartilharem experiências no fórum. Isso também é uma vantagem do anterior em relação ao Jogo da Máfia. (A dificuldade neste último resume-se a um número limitado de viagens para conseguir dinheiro. A solução é matemática, sem forçar o entendimento da máfia em si).

Newsgames não são simples. Neste caso, mobilizou uma equipe de seis pessoas. (Edição: Fred di Giacomo, Rafael Kenski, André Sirangelo e Alexandre Versignassi. Reportagem: Maurício Horta. Desenvolvimento e design: Douglas Kawazu). Parabéns para todos e espero que outros jogos venham por aí.

INFOGRAFIA NYT: HOW DO YOU FEEL ABOUT THE CRISIS?

Como você se sente em relação à crise é o mote deste infográfico do New York Times. As pessoas digitam palavras e ele gera uma nuvem, ao estilo Tag Cloud.

Achei curioso por alguns motivos:

– É de fato interativo (o campo de palavras é aberto, com algumas sugestões, o que facilita a formação da nuvem. Mas ao mesmo tempo vicia a formação da nuvem. Seria este um modelo de folksonomia híbrida?)

-  É uma Tag Cloud viva, em movimento e com cores. Interessante. Me lembrou um projeto do Rodrigo Savazoni que já está pronto mas ainda não foi ao ar.

No mais, daria para chamar de jornalismo? Eu, particularmente, acho que está mais no campo do entretenimento… A amostragem dos que respondem não pode servir como pesquisa séria. É quase um fala-povo online.

Mas que ficou bonito, ficou.

REPÓRTER DO FUTURO: INSCRIÇÕES ATÉ DIA 27

Boa dica para estudantes de jornalismo que querem ser jornalistas.

Estão abertas as inscrições para o módulo Descobrir a Amazônia – Descobrir-se Repórter, do Projeto Repórter Futuro. O curso acontecerá nas manhãs de sábado de maio (9, 16, 23 e 30), no auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA), que fica na Cidade Universitária, no térreo do edifício da Antiga Reitoria. Os estudantes de jornalismo interessados em participar do curso têm até o dia 27 de março, sexta-feira, às 14 horas, para fazer sua pré-inscrição no módulo.

O Repórter do Futuro é uma experiência prática de reportagem e os alunos tem a chance de entrevistar grandes figuras da política brasileira. Edições anteriores do trabalho dos alunos podem ser vistas neste site.

O curso ainda funciona num esquema de “reembolsa”:

Isso significa que o estudante aprovado confirma sua inscrição entregando um cheque no valor de um salário mínimo, pós-datado para 20 de junho: dia da entrega do Certificado de Conclusão do Curso – emitido pelas entidades parceiras do Projeto Repórter do Futuro -, avaliação do curso e divulgação dos nomes dos 10 alunos que viajarão.

O cheque não será depositado e será devolvido ao aluno que cumprir as três condições abaixo relacionadas.

1 – Comparecer, pontualmente, aos quatro encontros do curso (Conferências de Imprensa/Entrevista Coletiva) e ao dia de avaliação.
2 – Produzir um texto sobre cada uma das Conferências/Entrevistas e enviá-lo à Coordenação Pedagógica, via email – reporterdofuturo@obore.com, até às 12 horas da terça-feira seguinte.
3 – Publicar, até o dia 19 de junho, matéria relacionada ao tema do módulo, em qualquer veículo de comunicação que tenha editor responsável.

Ou seja, o curso é de graça para quem realmente o faz.

Recomendo enfaticamente. Afinal, jornalista multimídia, antes de ser multimídia, precisa ser jornalista.

Mais informações, aqui.

ENTREVISTA: IDELBER AVELAR

Tem uns dez dias já que saiu a entrevista que fizemos com Idelber Avelar, de O Biscoito Fino e a Massa. Por fizemos, entenda-se eu, Jorge Vito Corleone dos Exus e Rodrigo Savazoni.

Publico aqui um trecho, mas a discussão boa mesmo está lá no Biscoito Fino.

A versão dos fatos que parece prevalecer atualmente é a seguinte: O Hamas lançava foguetes diariamente em Israel, e para evitar que a população israelense continuasse vivendo sob o medo Israel precisou tomar uma atitude drástica, porque “o Hamas só entende a força bruta”. Essa versão foi contada, de uma maneira ou de outra, por diversos oficiais e políticos israelenses e repetida diariamente nos jornais. O que realmente aconteceu?

O que o próprio Haaretz noticiou. A invasão foi preparada durante seis meses, a “trégua” se manteve de junho a 04 de novembro – entenda-se “trégua” como manutenção da prisão ao ar livre de Gaza sem reação nenhuma dos palestinos – e, nesse dia 04, dia da eleição americana, Israel invadiu Gaza e matou pelo menos seis palestinos, conseguindo o que queria, ou seja, que o Hamas lhe desse um pretexto para a matança. De olho num recadinho para Obama e nas suas próprias eleições, Israel bateu até que o Hamas reagisse com as precárias armas que tem. Dado o pretexto, entra o exército e realiza a chacina.
Leia tudo aqui

PS: E foi, mesmo, uma conversa entre amigos que partilham as mesmas premissas. Pro Avelar eu tiro o chapéu.