Our Choice, o jornalismo interativo na versão livro-app de Ipad

Por Ana Ikeda

Elegante, imersivo e bonito (muito bonito). São essas as palavras mais usadas nas resenhas e críticas na imprensa sobre “Our Choice: A Plan to Solve the Climate Crisis”, livro-aplicativo desenvolvido pela Push Pop Press, startup criada por ex-engenheiros da Apple, para um cliente notório: Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e prêmio Nobel da Paz em 2007. Mais impactante que o lançamento do próprio livro multimídia foi o anúncio de Mike Matas, 25, cofundador da desenvolvedora, de que se tratava apenas de um embrião para um projeto ainda maior, o de uma plataforma de publicação que permitiria a qualquer pessoa criar livros tão sensacionais quanto aquele feito para Al Gore. Mas a “revolução editorial” alardeada pela Push Pop Press acabou em menos de cinco meses. A empresa foi comprada pelo Facebook.

Não é à toa que Mark Zuckerberg se interessou pelo trabalho dos jovens desenvolvedores. É difícil definir o que é “Our Choice”: não é parecido com os e-books disponíveis no mercado; também não tem paralelo com pulicações digitais, como o “The Daily”, jornal exclusivo para iPad. Livro-aplicativo parece ser o termo mais honesto para nos referirmos a esse produto, que até o momento parece uma das soluções mais eficientes para a transição da leitura em papel à digital.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=LV-RvzXGH2Y[/youtube]

Ao mesmo tempo em que possui uma navegação extremamente simples, com pouquíssimos botões, ele oferece uma nova forma de construção da narrativa por meio dos seus recursos multimídia. O texto, apesar de ainda importante, não é mais protagonista. Vários vídeos (cerca de uma hora de documentário segmentado em diferentes páginas), fotos (ao menos 400) e infográficos interativos tem peso igual na leitura.

A melhor forma de entender como essa mudança é significativa é conferir o aplicativo (disponível via iTunes para iPad, iPhone e iPod por US$ 4,99) ou simplesmente acompanhar o vídeo em que Matas o apresenta. “Nada de barras de ferramenta, botões de voltar, nós queremos justamente que o conteúdo preencha a tela para que você possa mergulhar nele. Acho que isso resulta numa experiência para o usuário que é muito próxima a de um livro físico, no qual você pode simplesmente viajar no conteúdo e não ser constantemente jogado para fora por ter de lidar com a tecnologia por trás dela”, explicou Matas em um fórum de participantes do TED, que realiza conferências ao redor do mundo para disseminar ideias sobre tecnologia, entretenimento e design.

Ao usar o livro-aplicativo, fica clara a preocupação da Push Pop Press em evitar um erro comum cometido pelas publicações que passam do papel aos tablets, que é simplesmente imitar o “folhear das páginas”. Segundo Matas, essa é uma das principais barreiras entre os dois meios de publicação. “Na transição do impresso para o digital, não podemos perder a habilidade de mergulharmos no conteúdo”, disse no TED. Para cumprir essa meta, houve a preocupação em fazer com que cada página tivesse um tempo de navegação semelhante, o que Matas chama de “livro estável”. Sempre há um pedaço da página anterior na próxima página, para que a pessoa saiba que está avançando pela história. “Quando você segura um livro impresso, pode ver o final dele e tem uma ideia aproximada de que ponto está e para onde está indo. Em uma tela, se você não pensa numa forma diferente de mostrar isso, a experiência de leitura parece realmente descontinuada”, explicou no fórum.

Da parte ao todo

Para desenvolver esse projeto para Al Gore, que foi iniciado em setembro de 2009 e lançado em abril deste ano, a Push Pop Press precisou criar uma plataforma completamente diferente do que existia no mercado, dominado principalmente pelas ferramentas da Adobe. Depois de tanto tempo gasto em seu desenvolvimento, por que não aproveitá-la comercialmente?

Além de Matas, designer de interface, participaram do projeto Kimon Tsinteris, arquiteto de software, Austin Sarner, engenheiro de software e Bret Victor, designer de infográficos. A principal diferença dessa plataforma seria a eliminação de alguns “intermediários” entre o autor e o seu livro: os programadores e designers. Então, mesmo sem grandes conhecimentos em linguagem de programação ou softwares de edição de imagens, qualquer pessoa seria capaz de produzir um livro-aplicativo, com direito à interatividade e impacto visual. Para jornalistas, por exemplo, seria uma tremenda ferramenta: liberdade em relação aos conglomerados de mídia e editoração, aliada à publicação de conteúdo especial (e visualmente atrativo) para o mercado crescente de usuários de tablets.

[vimeo]http://www.vimeo.com/22872218[/vimeo]

Matas evitou ao máximo dar detalhes da tecnologia por detrás da ferramenta de publicação, reiterando sempre que o objetivo era que “a plataforma fosse amplamente disponível”. Ainda na discussão do fórum do TED, respondeu apenas que usou uma linguagem de programação chamada Quartz Composer, encontrada em computadores Mac (o que demonstra a atitude deles em ignorar completamente a plataforma Android, do Google), principalmente para criar os elementos de animação e interatividade.

A empolgação e o burburinho gerados foi tanta que um editor da Wired chegou a dizer que a novidade, se projetada com sucesso, “poderia facilmente se tornar no meio mais rápido e fácil para editores e artistas independentes transformarem seus conteúdos em aplicativos para iPhone e iPad e ‘tomar uma pancada’ de dinheiro na App Store.”

Mas não foi bem assim que a história terminou.

Devorado pelo Facebook

Poucos meses após o lançamento de “Our Choice”, em agosto deste ano, o Facebook anunciou a compra da Push Pop Press, bem discretamente, sem informar quanto pagou pela startup. Em um post, a desenvolvedora de Matas apenas revelou que, apesar da rede social não ter planos de publicar livros digitais, “as ideias e a tecnologia por trás da Push Pop Press seriam integradas ao Facebook”. Mas como?

O jornalista Ilie Mitaru, em uma análise publicada na PC World, especulou que o Facebook poderia criar uma rival para a eBookstore do Google. Assim como a gigante de internet, a rede social tentaria mobilizar alguns dos seus quase 800 milhões de usuários para utilizar uma ferramenta que iria além da mera loja de livros digitais.

Outro palpite do colunista foi o de que a tecnologia da Push Pop Press ajudaria no lançamento do aplicativo oficial do Facebook para iPad, aguardado há meses e uma deficiência grave na rede social de Zuckerberg. Essa última opção soa muito mais provável: basta lembrar que Matas e sua equipe eram da Apple.

Embora a tão sonhada “revolução editorial” da Push Pop Press tenha sido “engolida” pelo Facebook, nada impede que outros desenvolvedores de aplicativos para tablets se inspirem nessa ideia. Quem sabe para a plataforma Android, até.

 

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Ajude um Repórter – uma experiência de crowdsourcing

por Noelle Marques

Gustavo Carneiro, o idealizador do projeto Ajude um Repórter, na verdade é um relações públicas e não um jornalista. Mas tudo começou como um experimento jornalístico, quando ele retornou ao Brasil após dois anos fora, testando o conceito de crowdsourcing. [Crowdsourcing trabalha com o modelo de produção que utiliza conhecimentos coletivos e voluntários para chegar a uma solução.]

O projeto
Sem verbas, a maneira mais fácil e rápida para começar foi criando uma conta no Twitter. Assim, um jornalista atrás de um personagem ou um fonte, e mesmo uma fonte atrás de alguém para contar a sua história, divulgavam o interesse na rede social. Esta por sua vez, multiplicava a visibilidade através de seus seguidores, “retwitando” o pedido.

“Trazemos ao repórter exatamente o que ele precisa, no momento em que ele precisa. (…) Chega de releases que não têm nada a ver com aquela última pauta que está para fechar!”. Criado em 5 de março de 2010, com estes argumentos, em apenas 10 meses o “Ajude um Repórter” chegou aos 9 mil seguidores e colaboradores.

Ampliando
Desde o começo, Gustavo já tinha a ideia realizar algo mais amplo do que uma conta no Twitter. “Essa já era uma ideia desde o princípio, já que é bastante complicado gerar receita para sustentar o serviço baseando tudo no Twitter, para um público de nicho.”, diz Carneiro.

Então, utilizando outro serviço de crowdsourcing, o Catarse, ele conseguiu arrecadar R$ 15 mil, além de outros R$ 20 mil do próprio bolso, para investir em uma plataforma que abre espaço para propor outras soluções de relacionamento e experimentar modelos que permitam manter o trabalho ativo.

[vimeo]http://www.vimeo.com/18840586[/vimeo]

“A administração do serviço é trabalho de uma pessoa só. Toco isso sozinho desde o princípio, mas ainda espero encontrar pessoas para compartilhar e contribuir para o crescimento.”, conta Carneiro.

Em pouco mais de um mês após a inauguração da plataforma, o “Ajude um Repórter” teve mais de 3 mil cadastrados, entre jornalistas e fontes. “Mas é preciso dar continuidade ao desenvolvimento e crescer bastante a base de usuários para que tenhamos algo sustentável”, pensa Carneiro.

O “Ajude um repórter” ainda não traz retorno financeiro para Gustavo, que toca tudo sozinho, contando apenas com serviços terceirizados na parte de tecnologia do site. “Para o futuro espero que essa nova etapa [do projeto] traga a sustentabilidade necessária para continuar entregando o resultado que os usuários esperam. Não tem como pensarmos em continuar um serviço assim, por mais útil que ele seja, se não pudermos pagar as contas no fim do mês.”, desabafa.

“O Ajude um Repórter é um projeto que nasceu no Twitter de uma forma muito simples e quase sem investimento, mas que consegue entregar valor para jornalistas e fontes todos os dias sem cobrar absolutamente nada por isso. Quando alguma coisa dá errado, os usuários percebem e reclamam. Quando falhamos, o feedback é imediato. Já estamos no ar há mais de 18 meses e sem todas as pessoas participando, nada disso seria possível. A utilidade do que fazemos é inegável e sabemos disso porque a comunidade nos diz. Contamos com todos para continuar esse trabalho.”

Gustavo Carneiro

 

 

 

 

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Ônibus 2.0

Recentemente, no Brasil, a comunidade Transparência Hacker conseguiu recolher, via financiamento colaborativo, cerca de R$ 60 mil para a compra de um “ônibus hacker”. A ideia é viajar pelo Brasil com hackers e jornalistas que irão ao mesmo tempo realizar oficinas pelas cidades e tentar colocar na informações  sobres gastos públicos desses municípios.

Fora do Brasil já existe um ônibus completamente equipado com computadores, redes sem fio e jornalistas, chamado ônibus 2.0. É um veículo da igreja católica, uma redação ambulante que garante a cobertura de eventos por toda a Europa. Abaixo, temos um relato sobre como ele funciona.

Por Fernando Geronazzo

Na noite de 20 de agosto, durante uma vigília que reuniu cerca de dois milhões de jovens com o papa Bento XVI, no aeroporto militar de “Cuatro Vientos”, em Madri, Espanha, uma forte tempestade quase cancelou o evento mais importante da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

 

Enquanto a multidão de jovens e o papa se encharcavam com a forte chuva e rajadas de vento que tomavam a área equivalente a 50 campos de futebol, um grupo de jovens comemorava, de dentro de um ônibus estacionado na lateral do aeroporto, a participação ‘virtual’ de milhares de pessoas que acompanhavam o evento pelas redes sociais.

Trata-se do Ônibus 2.0, de onde as redes sociais oficiais da JMJ eram monitoradas durante todo o evento, conectando milhões de jovens do mundo inteiro ao evento em Madri.

Planejado pela Alegria-Activity, a unidade móvel foi desenvolvida em um veículo de 13,80 metros. Com a lateral ampliável e removível, o espaço interior chega a quase 45 metros quadrados. Uma parede de vidro grante à sala uma iluminação natural e permite que os voluntários observem de dentro os acontecimentos externos, ao mesmo tempo que atrai os olhares de quem passa por perto. Além disso, para acompanhar a transmissão de outras mídias, há uma tela grande e um sintonizador de rádio ligado aos altofalantes do veículo.

O Bus 2.0 pode acomodar até 30 pessoas trabalhando, com 21 equipamentos instalados e capacidade de conexão para outros equipamentos portáteis com ligação à internet através de linhas ADSL e outras 3 UMTS preparadas para resolver eventuais falhas de rede. Isso garantiu a transmissão minuto a minuto de cada atividade da jornada.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=G72Xjtk-R0E]

O Bus 2.0 da JMJ começou seu trabalho nas cidades Albacete e Ávila, informando sobre as atividades da juventude na preparação da jornada. Em Madri, o veículo marcou presença sobretudo nos chamados atos centrais da JMJ, como a acolhida do papa na Praça de Cibeles e a Via Crucis pelas ruas da capital espanhola.

Dentro do veículo, 60 voluntários se revezam para atualizar os perfis em 21 idiomas nas principais redes sociais: Facebook, Twitter, Myspace, Flickr, YouTube.

Bus 2.0Entre estes voluntários estava o jovem Lucas Monteiro, de São Luís do Maranhão, que desde fevereiro estava trabalhando na equipe das redes sociais da JMJ. Ele contou que o uso das redes sociais foi pensado desde o início da organização do evento “como um importante meio para que a proposta da jornada chegasse àquelas pessoas que não poderiam vir à Espanha”.

Ainda de acordo com Lucas, os jovens que acompanhavam as redes sociais da jornada se sentiam mais participantes do evento. Os peregrinos também interagiam muito com as redes sociais. “Muitos tiram dúvidas sobre a cidade de Madri, sobre as atividades culturais”.

Durante os dias da JMJ foram mais de 350 mil pessoas que seguiram os perfis das redes sociais em diferentes idiomas. Para não mencionar todos aqueles que visitaram a webTV, com conteúdo específico para a jornada, a página aberta no Flickr e o canal no YouTube, com mais de um milhão de assinantes .

Como Lucas, outros voluntários gerenciavam os diferentes perfis da JMJ nas redes sociais. O jovem croata Ana Curkovic, professor de espanhol, traduzia para seu idioma nativo todas as notícias do site oficial do evento, enquanto Liana Randazzo, dos EUA, também professora, fazia o mesmo com aqueles em Inglês.

“Os voluntários passaram dois anos trabalhando juntos”, diz Carlos Gutierrez, um dos responsáveis pela gestão do Twitter espanhol. Ele acrescenta: “Se é cansativo? Quando você faz algo que você gosta e acredita, não. E se um dia você tem menos energia, o seu parceiro lhe dá a mão”. Multiculturalismo, valores, aprendendo a cada dia da troca … “Você vê que, quando há milhares e milhares de pessoas compartilhando fotos, vídeos, conteúdo… No final não há muitas diferenças entre nós, mas um interesse comum: nós podemos ajudar a construir um mundo melhor “.

Mais fotos

[youtube]youtube=http://www.youtube.com/watch?v=jdcbOo-fU8E[/youtube]
Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Duelo das misses

Jogo criado pelo UOL na cobertura especial de Miss Brasil
por Cintia Baio
A cobertura de concursos de misses é algo tradicional no UOL e acontece desde 2003. Todos os anos, a editoria de Tabloide acompanha os eventos do tipo e produz conteúdo em texto, vídeo, foto e ferramentas interativas — como o “Monte sua Miss ideal”, que permite juntar partes do rosto de diferentes candidatas e criar a miss perfeita.

Em 2011, o portal decidiu replicar o famoso jogo do “Super Trunfo” na cobertura especial de Miss Brasil. Seguindo as regras do jogo real, a ideia era apresentar as candidatas e, ao mesmo tempo, divertir o leitor. Obviamente, cada uma das misses representaria uma carta. O coringa (carta trunfo) seria a vencedora do concurso de 2010, uma vez que ela possui todas as atribuições que a fizeram vencer o concurso.

A primeira dúvida foi decidir o que usar como itens de disputa nas cartas. Dados do Estado que cada uma representa? Notas dadas pelo editor do UOL Tabloide? Notas a atributos como simpatia, beleza podiam ser interessantes, mas acabariam gerando discussões por serem subjetivas demais.

Assim, ficou decidido que atributos físicos seriam os itens. O internauta deveria escolher um deles (cintura, busto, quadril e simpatia) e venceria quem tivesse o maior. No caso da cintura, menor (claro!). O único subjetivo seria “simpatia”. A nota foi dada pelo editor do UOL Tabloide, que passou um dia todo com as candidatas.

Primeiro layout
Depois de definido como o jogo seria feito, o designer começou a fazer o desenho usando Photoshop e Ilustrator. A ideia era ter uma tela inicial, que abrigasse o resumo do jogo, regras e a possibilidade de ver todas as cartas. O visual deveria combinar com as imagens das misses e ter uma navegação simples. Nessa parte, foram 5 dias de trabalho.

O resultado mostrou que o jogo seria muito comum e sem muitas diferenças em relação a outros modelos de Super Trunfo já feitos. A partir daí, foi decidido criar vídeozinhos das cartas, em um esquema “Harry Potter”, para dar mais diversão e movimento ao jogo.

A possibilidade de gravar cada uma das misses para a produção dos vídeos só foi confirmada pouco mais de uma semana antes da publicação (mesmo a decisão ter sido tomada dois meses antes). As misses se reuniram em um hotel em Angra dos Reis (SP) uma semana antes do evento e a reportagem teria apenas um dia para, além de fazer os vídeos para o jogo, gravar para outras matérias e produzir mais conteúdo para reportagens e álbum de fotos.

Além de não saber se a reportagem teria tempo hábil para capturar as imagens, a equipe de vídeo tinha um desafio técnico: as imagens seriam gravadas dentro de um quarto de hotel, com um cromaqui, e não era possível saber com antecedência se haveria ou não luz suficiente no local.

Por conta de problemas técnicos também, só foi possível gravar as imagens com meio corpo. Filmar o corpo todo ficou impossível por conta do espaço disponível, que não dava conta de um cromaqui maior e de comportar mais equipamentos de iluminação.

Apuração dos dados
Conseguir as medidas das misses foi um desafio inesperado. A ideia inicial era entrar em contato com a organização do concurso e pedir as informações. No entanto, a assessoria de imprensa respondeu que não poderia fornecer os dados por uma decisão do concurso, que acredita que quesitos como simpatia e inteligência são mais determinantes na escolha da miss do que medidas físicas.

A saída foi pesquisar o telefone das assessoras de todas as misses, ligar e pedir os dados. O trabalho foi feito por um jornalista, que estava focado na cobertura, e levou, aproximadamente, dois dias para terminar.

A nota para o quesito simpatia foi dada pelo editor do UOL Tabloide, que já acompanhou vários concursos e passou um dia inteiro com as misses. A “metodologia” usada para a nota foi especificada na sessão de ajuda do jogo.

Produção dos vídeos
Após a confirmação de que era possível gravar e a luz era suficiente, dois técnicos fizeram as imagens, com o cuidado de que o movimento fosse rápido, começando e terminando da mesma maneira para garantir um looping correto no jogo — ou seja, se a miss começasse o vídeo com a mão na cintura, deveria terminar assim.

Os vídeos foram editados em dois dias usando After Efects. Basicamente, o fundo de cada um foi recortado e exportado para ser usado com o background do infográfico. A opção foi salvá-los com uma resolução mais baixa para garantir que mais pessoas pudessem vê-los, por conta da velocidade de banda de cada um. A decisão fez com que as imagens perdessem resolução.

Programação
A programação do jogo levou 25 dias para ser feita, usando Flash e Flash Builder, com efeitos 3D. Segundo o programador, Rodrigo França, um das preocupações é se ele ficaria lento, já que carregava 27 pequenos vídeos e usuários com internet de apenas 1MB talvez não conseguissem abrir.

Abaixo, designer e programador contam um pouco da experiência de montar o Duelo das Misses:

Hugo Luigi, designer

1. Qual programa vc usou para desenhar o jogo?
Adobe Illustrator e Photoshop
2. Quanto tempo levou para fazer?
Foram três dias para as primeiras telas e mais uns dois para ajustes finais depois que o layout foi apresentado
3. O que você achou mais complicado de fazer?
Manter a essência das Misses dentro de um jogo de cartas
4. O que você achou mais legal no info?
Poder conhecer melhor as candidatas, além de vê-las em movimento. Gostei muito do ‘tchauzinho’ delas
5. O que você achou do resultado?
Ficou bem legal. O efeito 3d que o França usou no flash deu a cara de jogo que tanto queriamos.

Rodrigo França, desenvolvedor

1. Qual programa vc usou para programar? Flash + Flash Builder

2. Quanto tempo levou para fazer?
25 dias (5 semanas)

3. O que você achou mais complicado de fazer?
A lógica do jogo é bastante complexa. Minha maior dificuldade foi entender todas as regras do jogo físico e depois aplicar no virtual.

4. O que você achou mais legal no info?
Os vídeos das misses integrados ao uso de 3D dentro do flash.

5. O que você achou do resultado?
Achei o resultado bem acima do esperado. O jogo corria o risco de ficar super pesado, mas na última semana do projeto consegui otimizá-lo alcançando um ótimo desempenho.

 

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Filosofighters

Maria Cristina L. Senra

Para entender como foi criado o Filosofighters é necessário explicar o significado da palavra newsgame. O editor Fred Di Giacomo, do Internet Núcleo Jovem, da Editora Abril, explica que newsgames são jogos jornalísticos, ou seja, jogos relacionados a notícias (fatos reais) que servem para informar e divertir ao mesmo tempo. Os games podem inserir o jogador na realidade da notícia a que se referem.

O Filosofighters teve um início curioso: surgiu a partir de uma conversa entre amigos em uma mesa de bar. Fred Di Giacomo, o fotógrafo Raoni Madalena e a designer Fabiane Zambon tiveram a ideia de criar um jogo de luta com filósofos, no estilo do lendário Street Fighter, para a revista Superinteressante. Eles haviam se inspirado no game Bible Fight, em que personagens bíblicos se enfrentavam em um duelo mortal. A diferença é que para o grande público a Filosofia não era um assunto interessante. Estava aí o grande desafio: criar um game educativo e divertido ao mesmo tempo. Era necessário tomar cuidado para que o jogo passasse os conceitos básicos de Filosofia sem ficar muito chato ou difícil de compreender.

Depois de um grande trabalho de apuração, foram escolhidos nove pensadores de importância para a história da Filosofia e, que ao mesmo tempo, pudessem ter sua máximas transformadas em golpes de luta. Novas pessoas se juntaram à equipe para botar em prática todo esse plano: o designer Daniel Lazaroni, o editor Kleyson Barbosa, o repórter Breno Castro Alves, o ilustrador e animador Alisson Lima e o programador Gil Beyruth. Os cenários de cada lutador eram paisagens importantes ligadas à vida e à obra de cada filósofo.

De acordo com Fred, o grande sucesso do Filosofighters, além de ser um game de luta, se deve ao fato de ser um jogo 360º, que está presente em várias plataformas. No caso do Filosofighters, o game foi divulgado na revista Superinteressante, no Twitter, no Tumblr, no YouTube e no Facebook.

Superinteressante

Em junho deste ano, a redação da Super montou um infográfico de duas páginas para a edição impressa da revista. Ele comparava algumas das principais máximas defendidas por grandes pensadores da história. Foi a primeira vez que uma matéria da revista foi elaborada baseada em um game e não o contrário. Só nos dois primeiros meses, o jogo recebeu 150 mil pageviews.

    Twitter

Foram criados perfis no Twitter para cada filósofo antes da inauguração do jogo. Os pensadores discutiam suas ideias entre sí, além de divulgarem o game entre usuários com grande número de seguidores e que fossem interessantes para a revista.

Muitos eram convocados para um duelo no Filosofighters ou simplesmente eram “provocados” por um dos pensadores.

    Tumblr

Um perfil no Tumbrl foi criado para expor imagens e frases clássicas dos filósofos.

  • YouTube

No canal da Superinteressante no YouTube foi postado um teaser, explicando do que se tratava o newsgame.

  • Facebook

Foi criado também um aplicativo no Facebook em que os usuários podem responder a um teste e descobrir com qual dos filósofos eles se identificam mais.

 

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Aula de Alberto Cairo sobre infografias

Um dos maiores especialistas do mundo em infografia, Alberto Cairo esteve em setembro de 2011 na pós-graduação da PUC-SP para falar um pouco sobre o assunto.

Apresentou principalmente o que seria o principal conceito de seu novo livro, ainda não publicado: El Arte Funcional, título que, explicou, é uma piada com os brasileiros, que sempre chamam os infográficos de “arte” – para ele, o objetivo da infografia é distante do objetivo da arte e deveria ser o mesmo do jornalismo: informar.

Abaixo, a apresentação que ele fez e o áudio da conversa na sala de aula.

El Arte Funcional Alberto Cairo 2011

Fred di Giacomo e os newsgames

Fred Di Giacomo é editor do Internet Núcleo Jovem, da Editora Abril. É um dos principais responsáveis pela introdução dos newsgames no Brasil.

Esteve na PUC, para falar aos alunos da pós-graduação em jornalismo multimídia.

O áudio da aula você ouve aqui.

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Cultura digital, criatividade e políticas públicas

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Um debate quente e atual, com alguns dos maiores pensadores da cultura digital, aconteceu no Auditório do Ibirapuera em São Paulo, no dia 24 de agosto de 2011. Gravamos o áudio do encontro e aí está. O ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, Lawrence Lessig, um dos criadores do Creative Commons, além de Ronaldo Lemos (FGV), Danilo Miranda (Sesc) , Claudio Prado (Casa de Cultura Digital), Sergio Amadeu (UFABC) e Ivana Bentes (UFRJ), debateram o presente e o futuro do ambiente institucional, legal e econômico para o setor musical, que vem mudando com a democratização de tecnologias da informação, o acesso ao conteúdo e as novas possibilidades de produção e consumo.

O áudio começa com Lessig, com tradução simultânea. Uma apresentação parecida dele está aqui, no TED.

Você pode fazer o download aqui.

Programa do curso de jornalismo multimídia PUC – 2º semestre 2011

1) Objetivos

A disciplina Design Informacional integra um conjunto de conteúdos da especialização Jornalismo Multimídia voltados à edição da informação a partir de parâmetros das interfaces digitais e de mídias portáteis e ubíquas, com ênfase em aspectos da edição visual e do trânsito entre impresso e digital. Desse conjunto, lembramos que Informação e Tecnologia contempla a compreensão dos chamados pensadores do ciberespaço; Jornalismo Online contempla aspectos da forma, narrativa e linguagem jornalística adaptadas à realidade das mídias digitais e do tempo real; e esign Informacional, objeto deste curso, que pretende fazer a ponte entre conceitos e técnicas, oferecendo aos alunos conhecimentos que irão instrumentalizar sua atuação em termos de compreensão e das ferramentas de aplicação da hipermídia a conteúdos jornalísticos.

É fundamental esclarecer que a proposta do curso não é capacitar os participantes em construir páginas web ou executar o design gráfico e a arquitetura de navegação de um website de conteúdo informativo.

Não pretendemos formar webmasters, mas sim, oferecer a jornalistas envolvidos com publicações digitais conhecimentos para que os mesmos possam interagir com softwares de publicação com webmasters, designers, planejadores de negócio, dentre outros profissionais. Fornecer ainda, capacitação para que o jornalista compreenda todos os aspectos que envolvem a informação digital, desde a geração do conteúdo com características hipermediáticas, sua construção técnica e visual, o seu suporte de dados e telecomunicações, e sua interação com o leitor-usuário.

2) Justificativa

Recorremos aos conceitos desenvolvidos pelo Prof. Dr. Silvio Mieli, da PUC, para apresentar as justificativas do curso de Design Informacional dentro da especialização em Jornalismo Multimídia.

Assim, para ele, “Informação” no contexto do mundo digital pode ser compreendida como a encarnação tecnológica e contemporânea da noção de design. Através da expressão design informacional pretende-se incluir todo um campo de pesquisa que parte da noção de informação como pano de fundo para investigar as interfaces entre comunicação, arte e tecnologia.

A linguagem digital redefine o conceito de informação a que se está acostumado, permitindo a emergência de um novo design a partir da transformação de uma realidade que se desmaterializa (infosfera, videosfera e ciberespaço) e passa de analógica a digital.

Para o jornalista contemporâneo, ainda em concordância com a visão de Silvio Mieli, é fundamental aprofundar como se dá efetivamente a interpenetração entre diferentes meios, e de que forma abrem-se canais hipertextuais e interativos entre comunicador, artista e público. Cada nova tecnologia informacional afeta a experiência contemporânea, moldando e definindo o seu nível de realidade comunicacional, ético e estético. A atividade jornalística exige uma mobilidade e um desdobramento por entre esses níveis de realidade.

 

3) Metodologia

Aulas teórico-conceituais e análises práticas através de estudos de caso

 

4) Cronograma e conteúdo programático

 

8 AULAS

 

AULA 1 . 10/08

Aula inaugural

Apresentação do professor e da turma

Apresentação do curso e definição das regras gerais de seu desenvolvimento.

Cultura Digital e Jornalismo Líquido

 

AULA 2 17/08

Estéticas contemporâneas:

referências

http://infointerativa.wordpress.com/

http://www.coldwarkids.com/iveseenenough/

thewildernessdowntown.com/

http://visualfarm.com.br/

 

Apresentação Narrativas Interativas no Jornalismo do Século 21

 

Tarefa para última aula: análise/reportagem de um case – todas serao publicadas no jornalismodigital.org

 

AULA 3 – 24/08

Guerrilha visual

Exibição Exit through the gift shop

Convidado: Rodrigo Savazoni

 

AULA 4 – 31/08

Novas atividades no jornalismo da internet

Resultados da pesquisa de mestrado

 

07/09 – feriado

 

AULA 5 – 14/09

Estética da Interatividade

Newsgames: Jornalismo Vídeo-game

Palestrante convidado: Fred di Giacomo, Newsgames Editora Abril (confirmado)

 

AULA 6 – 21/09

Possível visita à Casa da Cultura Digital.

Novas estéticas: a informação onde menos se espera. Video Mapping, interfaces corporais e outras pirações

Convidado: VJ Pixel (confirmado)

 

AULA 7 – 28/09

8h-10h Palestrante convidado: Alberto Cairo (confirmado)

 

AULA 8 – 05/10

Novas estéticas: fronteiras tênues entre o documentário e o jornalismo. Que fronteiras, aliás?

Professores convidados: Garapa.org (confirmado)

 

Cursos especializados em jornalismo digital

Muitos procuram este site procurando informações sobre cursos relacionados ao jornalismo digital disponíveis no Brasil. Para facilitar essa busca, separamos alguns desses cursos e montamos uma breve lista – e por favor nos envie na caixa de comentários sugestões para outros que conhecem e ficaram de fora.

No lugar de colocar das descrições dos cursos, listamos algumas das disciplinas para ter uma ideia do que se trata. Algumas aulas já começaram, então é legal ficar de olho para a montagem de novas turmas.

Master em Jornalismo Digital (Pós-graduação)
www.masteremjornalismo.org.br/master/digital
Oferecido por: Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) e Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha). As aulas são em São Paulo
Preço: R$ 15 mil (para um participante). O curso tem uma opção mais em conta para empresas que levam mais de um funcionário e há bolsas de estudo
Algumas disciplinas: Planejamento estratégico de conteúdos, Veículos puros de internet, Linguagem jornalística nos meios digitais, Convergência multimídia das redações, Novos formatos e gêneros multimídia, Linguagem jornalística nos meios digitais, Tablets e Jornalismo e web semântica

Tecnologia em Produção Multimídia (Graduação) / Senac
bit.ly/qUX0sv
Oferecido por: Senac (São Paulo). Esse curso tem uma veia forte para o lado do design e da tecnologia.
Preço: O curso tem duração de dois anos, com mensalidade de R$ 534.
Algumas disciplinas: Análise e Gestão na Produção Multimídia, Áudio Digital, Desenvolvimento: Aplicações, Direito Digital, História da Arte: Mídias Analógicas e Digitais, Linguagem Audiovisual, Tecnologia Digital: Interfaces Digitais

Jornalismo Multimídia na Una (Graduação)
www.una.br/curso/graduacao/jornalismo-multimidia
Oferecido por: Centro Universitário Una (Minas Gerais)
Preço: Mensalidade de R$  728 (valor para 2011). O curso dura 7 semestres.
Algumas disciplinas: Infografia, Produção e Edição Audiovisual, Reportagem Multimídia, Produção e Edição Multimídia, Tendências do Jornalismo Multimídia

Jornalismo Multimídia na Unimep (Pós-graduação)
bit.ly/mPdYMu
Oferecido por: Unimep de Piracicaba. O curso é no Campus Taquaral
Preço: 20 parcelas de R$ 363, mas fique ligado nos ajustes a cada 12 meses
Algumas disciplinas: Concepção de Produtos Jornalísticos para Web, Cultura Digital e Convergência Midiática, Design e Infografia Aplicados ao Jornalismo, Inclusão Digital e Cidadania, Novas Mídias e Legislação, Reportagem e Narrativa Multimídia

Jornalismo Multimídia na PUC-SP (Pós-graduação)
cogeae.pucsp.br/cogeae/curso/327
Oferecido por: PUC-SP. As aulas são na Unidade Consolação
Preço: O curso faz parte de um programa de especialização da PUC. No programa, cada disciplina sai por R$ 1.550, mas é preciso conferir como isso se aplica ao curso específico de jornalismo multimídia
Algumas disciplinas: Imagens Contemporâneas: Intercâmbios e Interfaces, Informação e Tecnologia, Produção e Análise de Imagens Digitais, Design, Programação Visual e Infografia, Tecnologias de Áudio e Vídeo (Teoria)

Jornalismo Digital na PUC-RS (Pós-graduação)
bit.ly/pTC82W
Oferecido por: PUC do Rio Grande do Sul
Preço: Inscrição de R$63 e 18 parcelas de R$ 500 (para o público geral)
Algumas disciplinas: Jornalismo e sistemas de informação, Produção em hipermídia II: audiovisual, Jornalismo digital e mobilidade, Jornalismo digital e sociabilidade, Gestão de produtos digitais

Introdução à Infografia e Visualização para Jornalistas (Curso à distância)
bit.ly/rtHise
Oferecido por: Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas. As aulas são online e em português
Preço: Não especificado na página de anúncio do curso.
Algumas disciplinas: Não especificado na página do curso, mas o professor será Alberto Cairo, diretor de infografia da revista Época e um dos mais premiados infografistas do mundo.