O nascimento de Joicy, sobre como João virou mulher

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O Jornal do Commercio, do Recife, publicou no impresso, nos dias 10, 11 e 12 de abril, a reportagem O Nascimento de Joicy, sobre como João, agricultor, virou mulher. O trabalho, que também tem vídeos e diversas fotos, também foi organizado num site do JC Online – algo que todos os jornais deveriam fazer, mas pouquíssimos fazem. (Se o repórter foi às ruas para realizar uma boa reportagem, por que não eternizar este conteúdo com uma boa apresentação? As redações dirão que falta tempo, faltam profissionais, falta estrutura – mas, como mostra o JC Online há muitos anos, falta apenas vontade.)

A reportagem é fruto do trabalho da repórter Fabiana Moraes, com design gráfico de Andrea Aguiar e Cláudio França e imagens de Rodrigo Lôbo e Hélia Scheppa. O jornal publicou uma nota em que dá alguns números sobre o início da repercussão:

Desde que foi disponibilizado no JC Online, às 21h de sábado (9), O nascimento de Joicy já teve mais de cinco mil visualizações. Milhares de leitores acessaram o especial a partir de links em redes sociais como o Facebook e o Twitter.

Também foi aberto um grande espaço de divulgação no portal do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), o NE10. Das cidades brasileiras que mais acessaram a matéria, Recife foi a campeã, seguida por Rio de Janeiro, Fortaleza e São Paulo.

Outros grandes trabalhos já saíram do JC Online: A Viagem de Joanda, E o Verbo se fez Vida, e até o mais antigo Longe da Casinha de Bonecas, de 2007. O Jornal do Commercio também já tinha feito o ótimo Os Sertões, que no impresso ganhou a principal categoria do prêmio Esso em 2009.

Dessa vez, quem explicou para o Jornalismo Digital.org o processo de produção do especial foi a repórter Fabiana Moraes:

O processo de produção da matéria, como você viu, foi longo. Na verdade, havia iniciado o acompanhamento de outra transexual, que, acredito, no segundo mês de nossos encontros, começou a me passar a impressão de que iria desistir. Assim, voltei aos corredores da ginecologia do hospital das clínicas. Antes entrevistei médicos e psicólogos.

Conheci Joicy nesse corredor, em um dia onde outras transexuais tambémaguardavam atendimento.

Sua não-adesão aos códigos femininos (naturalizados como femininos, fique claro) me chamou atenção. Vivia em uma pequena cidade no agreste, perto do sertão, trabalhou a vida toda como agricultora. Eram marcadores que tornavam Joicy uma transexual muito específica.

No entanto, não sublinhei isso como algo “curioso” e, muito menos, engraçado. Queria mostrar, independentemente da natureza do trabalho da transexual, como era viver com um certo corpo e tempos depois viver sem ele, sem aquele corpo como era antes. Como, socialmente, as transexuais eram tratadas no dia-a-dia, entre a família, entre os vizinhos e, claro, no serviço público de saúde.

O mais difícil talvez foi ficar em alguns momentos “longe” de Joicy quando ela precisava de algo estrutural. Um caso desses foi o dia de sua volta a Alagoinha, após receber alta. Poderíamos, com o carro do jornal, ter levado ela para casa. Mas não seria o que ia acontecer normalmente caso não estivéssemos lá. Assim, passamos das sete da manha às 18h30 no hospital, esperando uma ambulância, o carro que levaria Joicy para Alagoinha.

O especial sobre Joicy deve ir também para a televisão, como série de reportagens.

UPDATE: O JC Online mudou de nome e passa agora a se chamar NE10. Gustavo Belarmino, editor do NE10, explicou num email que me enviou: a mudança foi também “para não causar mais a confusão entre site do Jornal do Commercio (que agora estreou com uma produção “quente” e não mais apenas o jornal estático) e o novo produto, que abriga todos os sites do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. O nome desse novo portal é NE10, numa referência não só a Pernambuco, mas a todo Nordeste, onde o grupo de comunicação da qual o portal faz parte é lider”.