Os infográficos das eleições do Estadão

O Estadão realizou um belo trabalho de infog

rafias durante a cobertura das eleições presidenciais de 2010. O resultado foi uma visualização fácil, em tempo real, que mostrava o crescimento de cada candidato da maneira que o usuário achasse melhor. Pedro Doria, Editor-Chefe de Conteúdos Digitais do jornal, contou como fizeram este trabalho para os jornalistas que estão na rede Online News Association – Brasil. Agora publicamos aqui no Jornalismo Digital.org

Pedro Doria:

Usamos os shapefiles do IBGE para produzir o mapa com os municípios a partir dos dados que o TSE enviava ao vivo.

Produzimos também dois outros mapas dedicados às cidades de São Paulo e Rio, dividido por Zonas Eleitorais.

http://www.estadao.com.br/especiais/o-2-turno-na-capital-paulista-zona-a-zona,123645.htm

http://www.estadao.com.br/especiais/o-2-turno-na-cidade-do-rio-de-janeiro-zona-a-zona,123646.htm

Neste caso foi mais complicado porque não existem shapefiles dos municípios divididos por Zona. (Nota: durante as eleições de 2008, para mapear as regiões de São Paulo, a equipe passou pelos mesmos problemas. As divisões feitas pelos correios, por exemplo, não correspondem às divisões do TRE) Tivemos que descobrir quem sabia fazer isso e encomendar.

No fim, começamos a trabalhar no projeto dos mapas em agosto para tê-los prontos para o dia do primeiro turno. Como queríamos ter mapas bastante detalhados de como o Brasil e as duas maiores capitais votaram ainda durante a contagem de votos, precisamos receber os XMLs que o TSE enviava, processá-los para inserir num banco de dados e rodar nosso software no banco, não nos arquivos simples.

Foi um trabalho que uniu a TI, a equipe de arte do Estadão.com.br e a arte do Estadão, pois queríamos já no dia seguinte à eleição publicar estes mapas no jornal. E assim foi: a concorrência tinha mapas que pintava os estados cada um de uma cor chapada, nós mostramos um quadro bem mais complexo para nossos leitores. [Evidentemente, a turma se recuperou para o segundo turno… =)]

No final, o projeto foi tocado pelo José Roberto Toledo, jornalista especializado em estatísticas, e a Gabriela Allegro, minha editora de arte no site.

Por que os mapas? Bem… porque desconfiávamos que, imitando a imprensa americana, todo mundo ia querer produzir mapas com ‘blue states’ e ‘red states’, mostrando que estados eram tucanos, que estados eram petistas e quais (se algum) eram verdes. Nos EUA, no entanto, o vencedor em um estado leva todos os votos do Colégio Eleitoral. Esta divisão faz sentido. No Brasil, em que o voto de um eleitor no Amazonas tem rigorosamente o mesmo peso do de um eleitor paulistano, a divisão não mostra nada e até engana. Faz parecer que existe uma divisão geográfica onde não há.

Como já escrevi em outra mensagem, eu acho que o Brasil está dividido, sim. E desconfio que exista um componente geográfico nesta divisão. Mas estes mapas mostram que, de simples, a divisão não tem nada.