Megaprojeto multimídia: Produção Cultural no Brasil

Finalmente começa a ser concluído o megaprojeto multimídia chamado Produção Cultural no Brasil. Trata-se de uma empreitada que durou mais de um ano e envolveu ao todo mais de 40 pessoa

s, direta ou indiretamente ligadas à Casa da Cultura Digital (organização da qual faço parte, aliás). Nos últimos dias estão sendo colocados no site os PDFs com as entrevistas realizadas com todos os 100 produtores culturais, entre eles Maurício de Souza, Moraes Moreira, Inezita Barroso, Toninho Mendes, André Midani, Luiz Carlos Barreto e figuras não tão conhecidas como Fabrício Ofuji, Gilda Mattoso, Eliane Costa e Sergipe. São mais de 100 entrevistados, criadores, gestores, artistas, da literatura, cinema, música, moda, quadrinhos e várias outras áreas. Um trabalho sem precedentes na busca e na memória do trabalho de produzir cultura no Brasil.

Para entender melhor o projeto:

Produção Cultural no Brasil é uma plataforma multimídia que reúne cem entrevistas em vídeo [N.E.: 101 na verdade] com pensadores, gestores, articuladores, produtores culturais do país. O projeto se propõe a ser um ponto de partida para a criação de um processo permanente de discussão e reflexão sobre cultura brasileira e, principalmente, sobre a complexa cadeia que está por trás de uma produção até que ela chegue ao público.Selecionamos 100 profissionais para serem entrevistados, mas poderiam ser um milhão. Nossa opção foi contrapor, sobrepor e misturar universos tão diferentes quanto os do cineasta Luiz Carlos Barreto e do cozinheiro de set Sergipe; do ex-secretário de cultura do Maranhão, João Batista Ribeiro Filho, e da diretora de Patrocínio da Petrobrás, Eliane Costa; ou ainda do produtor musical André Midani e da restauradora de obras de arte Florence de Vera. Também na lista, os três últimos ministros da Cultura Brasil – Juca Ferreira, Gilberto Gil, Francisco Weffort, entre tantos outros. O projeto é uma realização da Casa da Cultura Digital e da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, com orçamento obtido via Cinemateca Brasileira e Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC). A execução foi feita por cerca de 40 profissionais e colaboradores de três empresas da CCD: Beijo Técnico Produções Artísticas, Garapa Coletivo Multimídia e FLi Multimídia.

Nos próximos dias, todas as entrevistas terão seus PDFs publicados para download. Os vídeos estão disponíveis para baixar também, assim como as fotos do projeto. Tudo licenciado em Creative Commons. Uma outra versão das entrevistas será também publicada em livro, e distribuída às livrarias ainda este ano.

Um relato do Newscamp 2010

Foto: Coletivo UARA (buy cialis online

hotos/flimultimidia” target=”_blank”>mais fotos aqui)

A edição de 2010 do Newscamp atraiu muito mais do que apenas jornalistas para discutir jornalismo na internet. Advogados, músicos, acadêmicos, graduandos e graduados, blogueiros, além dos próprios jornalistas e vários profissionais de várias outras áreas da comunicação participaram durante dois dias da desconferência que aconteceu durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira. Todos compartilharam experiências e deram início a alguns projetos coletivos.

O modelo de desconferência é permitir mais do que simples apresentações de uma mesa e debates: é um encontro aberto, onde todas as pessoas falam e participam com ideias que não morrem no evento. Para acompanhar um pouco do que foi discutido e apresentado, listamos abaixo algumas das conversas.

Formação, financiamento do jornalismo online e outros assuntos foram os primeiros a entrar na discussão, logo na manhã de segunda-feira. Aqui tem alguns depoimentos sobre.

Jornalismo colaborativo

Há controvérsias sobre como nomear o jornalismo em que o público participa de alguma maneira: colaborativo, participativo, cidadão, grassroots. O Rafael Sbarai (Veja), colocou no blog De Repente a apresentação que acabou não fazendo, mas que tem muito do debate que foi feito. A Ana Brambilla também falou sobre isso, grande pesquisadora do tema que é. Mas para além do debate semântico, também há quem diz fazer jornalismo colaborativo e apenas abre uma caixa de comentários numa reportagem. Há quem vá mais longe e discuta a pauta com o público, ou tente realizar reportagens com ajuda do cidadão na apuração.

Ana Brambilla conversou com o fundador do OhMyNews, que deixou de ser um veículo colaborativo em setembro, depois de 10 anos de experiências nesse sentido. Muitos viram isso com preocupação, de que o modelo estaria em decadência. Ana contou que o argumento deles é que não havia um público bem definido para o veículo colaborativo internacional, já que a tentativa era cobrir o mundo todo. Sem isso, o financiamento também ficava prejudicado. A avaliação é que o colaborativo funciona, mas principalmente para notícias locais.

Data driven journalism

O debate sobre jornalismo em base de dados também começou com polêmicas sobre o próprio nome da discussão. Seria todo jornalismo digital um jornalismo feito sobre base de dados, uma vez que os bits estão organizados assim?, argumentava a pesquisadora Caru Schwingel. Para ela, seria melhor falar em webjornalismo.

Pedro Valente, do Yahoo! (ouça entrevista dele aqui), contou que começou a investigar programação como jornalista porque queria ele mesmo tentar subir suas páginas para a internet. Hoje ele é um jornalista que entende de programação e que não gosta de rótulos. As fronteiras entre funções e profissões andam cada vez menos claras.

Durante o NewsCamp, Pedro Markun e Daniela Silva, da Esfera, empresa que faz parte da Casa da Cultura Digital, fizeram uma oferta de uma microbolsa de R$ 2 mil para projetos que trabalhem a abertura de dados. “Pode ser qualquer coisa, desde um curso para que jornalistas aprendam programação, até projetos que contratem um designer, ou um programador, para ajudar a realizar um trabalho”. Mais infos sobre a microbolsa, aqui.

Também surgiu ali uma proposta mais concreta: o jornalista Marcelo Soares (MTV), especialista em RAC (reportagem com com auxílio do computador, outro nome que gerou polêmica), organizou uma planilha com todas as obras do PAC. A ideia seria tentar construir o que já foi feito nos EUA, que é uma interface colaborativa de acompanhamento das obras do governo. Nenhuma redação tem capacidade para investigar todas as 2.600 obras, mas os cidadãos poderiam. Cada um poderia ser uma uma espécie de fiscal do PAC. A Esfera de um lado (Markun e Dani Silva), a FLi Multimídia de outro (Andre Deak e Felipe Lavignatti), que são algumas das empresas integrantes da Casa da Cultura Digital que estavam no NewsCamp, decidiram que vão levar adiante o projeto e integrá-lo a rede Transparência HackDay. Quem quiser participar desse projeto, junte-se à rede aqui.

Link do grupo de discussão, a rede ThackDay.

Link do site do projeto Transparência Hacker.

Abaixo, a Rede Brasil Atual fez um resumo do resultado do Newscamp:

http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/jornalismo_era_digital.mp3/view

E aqui tem um videozinho do que rolou: http://www.vimeo.com/16856964

E eis também alguns dos que acompanharam o #newscamp pelo Twitter (quem quiser indicar o site ou o blog, avise na caixa de comentários):

@alzimar
@anabrambilla (Terra)
@andredeak (Jornalismo Digital.org)
@caru (Cásper Líbero)
@ceila (Desabafo de Mãe)
@danielabsilva (Esfera)
@diegocasaes (Global Voices)
@emiliomoreno
@fabiomalini
@gilmar_
@juba7
@lavignatti (Jornalismo Digital.org)
@lucianosb
@lueba
@magalyprado (Cásper Líbero)
@markun (Esfera)
@nannirios
@pedrovalente (Yahoo!)
@rafaelsbarai (Veja.com)
@tsavkko