Pine Point: webdocumentário

Se você gosta de narrativas interativas, de webdocumentários, de produções criativas, então Welcome to Pine Point é imperdível.

os autoreS: http://blog.nfb.ca/2011/02/03/welcome-to-pine-point-an-interview-with-the-goggles/

comentário: http://www.innovativeinteractivity.com/2011/01/24/nfb-pine-point/

O press-release: http://www.onf-nfb.gc.ca/eng/press-room/press-releases.php?id=20150

Webdocumentários e novas formas de narrar histórias no ciberespaço

Ainda não existe uma unanimidade sobre como chamar histórias jornalísticas interativas. Webdocumentário, Documentário multimídia, interativo, 360 graus, são alguns dos nomes que essas histórias levam. Aqui mostramos algumas das experiências que tem sido realizadas no Brasil e no mundo.

Na França, país que tem até prêmios específicos para isso, o nome mais usado é mesmo webdocumentário. Um dos mais interessantes é o especial The Big Issue, que permite ao espectador escolher por onde quer que a história siga.É uma investigação sobre como e porque as pessoas estão engordando tanto, e em determinado momento você escolhe o caminho a seguir, como naqueles antigos jogos-livro “vá-para-página-tal”. Neste caso, você escolhe se quer entrevistar o médico, por exemplo, ou procurar outros pacientes dentro do hospital. E assim por diante.

Mas há outros bons webdocs, como o Journey to the End of Coal, da mesma empresa que produziu o anterior, a HonkyTonk films.

No Brasil, a empresa Cross Content ganhou menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog 2010 com o webdocumentário Filhos do Tremor. (veja todos os vencedores 2010 aqui). Marcelo Bauer conta que usou apenas vídeos livres, de organismos internacionais, e editou o conteúdo de maneira interativa.

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Bauer comenta na apresentação que “não eram vídeos de noticiário, mas de ações da ONU. E teve mais repercussão na Europa esse trabalho do que aqui, até pelo pouco uso que se faz do webdocumentário aqui. A mensagem que eu queria deixar é a seguinte: como a internet afeta a comunicação em si? Nossa ideia é tirar a comunicação do vídeo normal, e tentar um projeto de comunicação feito especialmente para essa nova mídia”.

No vídeo, Bauer comenta também o que talvez tenha sido o primeiro webdocumentário brasilero, o Nação Palmares. Foi lançado em 2007, e em 2008 venceu também a categoria internet no prêmio Vladimir Herzog. Além dele, também há o Bon Bagay Haiti, também de 2007. Ambos experimentavam linguagens da internet na produção de vídeos.

Out of my window: documentário interativo 360º

A National Film Board of

Canada fez de novo um dos mais espetaculares documentários interativos da Web mundial. É o Out of my window, versão online do projeto Highrise.

Faço aqui uma tradução livre da apresentação do webdocumentário:

Um arranhacéu. Toda vista, uma cidade diferente

Este é Out of my window – um dos primeiros documentários interativos 360º -, uma exploração sobre o estado urbano do nosso planeta contada por pessoas que olham o mundo pelas janelas de arranhacéus.

É uma jornada ao redor do globo através da mais comum forma de arquitetura do século passado: as torres residenciais de concreto. Conheça inesquecíveis residentes de arranhacéus que juntam o poder de suas comunidades e o espírito humano para fazer ressurgir significado através das ruínas do modernismo.

Com mais de 90 minutos de material para explorar, Out of my window mostra 49 histórias de 13 cidades, contadas em 13 línguas, acompanhadas por músicas contemporâneas.

São Paulo está na lista das cidades com a história de uma residente da ocupação da Prestes Maia [os ocupantes foram retirados pela polícia em 2007, se não me engano]. Julio Bitterncourt é o fotógrafo brasileiro que fez este trecho do especial.

Assim como outro especial interativo da NFB do Canadá, o Waterlife, este novo trabalho usa uma interface em flash para criar interatividade e uma narrativa sem início, meio ou fim. Apenas histórias, a serem escolhidas por local, faces ou janelas.

Katerina Cizek é a diretora e tem um blog com os bastidores do documentário. Entre outras coisas bacanas, algumas músicas usadas no documentário podem ser baixadas de graça, liberadas pelos autores.

Há também uma integração com o Flickr, para que cada um possa enviar fotos a partir dos arranhacéus onde moram. As minhas já estão lá.

A batalha de Los Angeles

por Felipe Lavignatti

Cidade litorânea, paisagem linda, população pobre, duas facções criminosas (uma delas com o vermelho como cor predominante), morte de crianças e adolescentes, tráfico de drogas. A descrição que se encaixa perfeitamente com a imagem que nos acostumamos a associar ao Rio de Janeiro é o cenário do mais recente documentário de Stacy Peralta, ainda inédito no Brasil. Documentário de primeira, referência pra quem pretende seguir pelo audiovisual.

Crips & Blood: Made In America é a terceira incursão atrás das câmeras do ex-skatista profissional. Em seu currículo como documentarista estão apenas dois filmes, Riding Giants – No Limite da Emoção  e Dogtown & Z-Boys (documentário que conta a história dos skatistas que mudaram a cara do esporte nos anos 70 na Califórnia, entre eles o próprio Peralta).

Se em seus dois trabalhos anteriores Peralta retratou o lado ensolarado da Costa do Pacífico, agora ele foca sua lente no centro-sul de Los Angeles, palco de revoltas históricas e de duas gangues que se enfrentam há quase meio século. Crips e Bloods, azuis e vermelhos, cada gangue dividindo áreas da cidade. Atravessar essas fronteiras invisíveis pode ser fatal. O documentário mostra como a situação é tensa, ao ponto de uma especialista dizer que muitas pessoas que moram nessa área nunca viram o mar – para quem não sabe, Los Angeles é uma cidade litorânea.

Peralta não se limita somente a contar o conflito atual, ele vai às origens das primeiras gangues. E além. Conta como os negros migraram do sul dos EUA para grandes centros durante o período de guerra. Nova York, Chicago e Los Angeles abriram oportunidades e as fecharam logo na sequência. Sem ter onde trabalhar, o crime entre os negros cresceu. Tráfico, discriminação, violência. Uma realidade que não mudou muito desde os surgimentos das primeiras gangues.

Em 2009, o time de basquete mais popular da cidade, o Lakers, venceu o campeonato da NBA e a população foi à rua comemorar queimando carros, quebrando lojas. Adestruição da comemoração lembra dois momentos mostrados no filme, a revolta do bairro de Watts na década de 60 e o episódio Rodney King nos anos 90. Em ambos, a violência policial e o racismo como pano de fundo.

Crips and Bloods conta com ótimos recursos gráficos para mapear a cidade, suas gangues e nichos coloridos. O site do filme não reproduz essa divisão, infelizmente, mas na web não é difícil achar mapa com um panorama da violência da cidade. Até mesmo o site da policia da cidade mantém um mapa com atualizações dos crimes e locais da cidade dos anjos. Peralta não dá uma resposta para o problema, mas mostra quem está lutando por isso: os ex-membros de gangue e os parentes de vítimas.

Um dos momentos mais marcantes do filme tinha tudo pra ser uma breguice, mas é mostrado de forma simples, sem narração. O rosto das mães de jovens mortos. Um segundo para cada, algumas chorando, e o nome e idade de cada vítima. A faixa etária é baixa, como é de se esperar neste ambiente de crimes. Difícil não fazer analogia com o crime organizado no Brasil.

Mas quem curte os gênios do South Park vai ter também outra referência em mente: um episódio em que  Timmy e Jimmy são dois Crips com muito orgulho.

Para baixar Crips and Blood Made in America: Aqui pelo Pirate Bay.

Outros documentários para download, aqui.

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DOCUMENTÁRIOS PARA BAIXAR (TORRENT)

Foi-se (ou está indo) a época em que o barato dos estudantes de jornalismo era fazer um livro reportagem usando técnicas do new journalism. Agora, parece, a onda é o documentário. Quem sabe na década seguinte veremos as reportagens multimídia pegando no breu.

De qualquer forma, as faculdades parecem continuar formando apenas redatores, preparando, no máximo, um jornalista cujo sonho é ser empregado num jornalão pra reclamar do editor vendido/carrasco/direitoso/todas as anteriores. Creiam, existe vida fora da grande imprensa.

Mas este post nem é pra falar isso.

Deu um boom de bons documentários ultimamente. Mas os clássicos também são muito bons. Andei perguntando por aí o que vale a pena ver. E baixar, aliás. O jornalista Felipe Lavignatti me mandou uma lista dele, a qual acrescentei algumas coisas, mais 3 filmes de uma lista do Pedro Valente.

COMO FAÇO DOWNLOAD DOS DOCUMENTÁRIOS?
O primeiro passo é saber o nome original do documentário. Procure no Internet Movie Database. Depois, faça uma busca em sites de torrent, como estes aqui. A maioria deverá estar sem legenda – aí você busca separado, legendas pt-br (português do Brasil). Players como o Classic ou o VLC podem juntar, depois, as legendas com os vídeos.

Sites de TORRENT

https://onebigtorrent.org
http://www.torrentspy.com
http://www.bitenova.org
http://www.mininova.org
http://www.torrentportal.com
http://www.torrent-addiction.com
http://www.torrentreactor.to

Abaixo, uma lista com algumas coisas sugeridas pelo Lavignatti:

Crips And Bloods Made In America
(dirigido por um ex-skatista, Stacey Peralta). O cara praticamente inventou o skate na california nos anos 60. Estreou em filme contando a história da turma de skate dele. Mas esse conta outra história, a das gangues de Los Angeles. Usa muito bem recurso gráfico pra mapas mostrando qual gangue domina que pedaço. É mais ou menos explicando o efeito Rodney King. Como se no Brasil fizessem um falando como os morros cariocas foram tomados pelo CV e pelo Terceiro Comando. Aqui pelo Pirate Bay.

Crumb
Sobre o Robert Crumb e está na lista dos 1001 filmes daquele livro de mesmo nome. O diretor é Terry Zwigoff , que, depois, passou pra ficção. O cara é bom.

Gonzo The Life and Work of Dr Hunter S Thompson
Muito foda pra jornalista esse. Mostra como o cara era bom em reportagem. Mesmo se tratando de um filme sobre um suicida, tem final feliz. Feito pra HBO. Pirate Bay.

häxan
Documentário sobre bruxaria. É sueco, mudo e feito em 1922. Sem saber direito o que é ficção ou doc, o diretor mescla as duas coisas. Torrentz.

Im Toten Winkel Hitler’s
“Eu fui a secretária de hitler”. Mal filmado pra porra. Mais de uma hora de uma mulher falando em frente a uma câmera, sem fotos, sem mudança de plano nem nada. Mas segura pela história. Parece uma fita bruta de uma entrevista qualquer – o diferencial é que a mulher não é uma qualquer, ela ficou no bunker até as últimas horas de Hitler (serviu de base pro filme As Últimas Horas, inclusive).

Jonathan Ross in Search of Steve Ditko
Um cara atrás do desenhista co-criador do Homem aranha. O cara é recluso e o trabalho do repórter é falar com ele. No fim ele acha, mas não filma.

Paradise Lost
História de uns moleques acusados de assassinato, só que sem provas. Tudo porque eram metaleirinhos. Os diretores passaram a fazer sucesso depois desse doc/denúncia e dirigiram o documentário do Metallica (SOme Kind OF Monster), que é bem bom também.

Roman Polanski Wanted And Desired
Parecido com docudrama. Conta a vida de bonvivant do Polanski até ser acusado de estupro de menor. Mostra cenas de filmes dele para ilustrar a personalidade do diretor.

Joe Strummer: The Future IsUnwritten
Sobre o líder do The Clash. Sobre o filme, tem mais aqui, na Wikipedia.

Standard Operating Procedure
Esse mostra o que foi crime e o que não foi em Abu Ghraib. [N.E.: É de um dos mais famosos documentarias americanos, Errol Morris. O livro também é muito foda, e tem tradução para o português]

Stranded – The Andes Plane Crash
Docudrama sobre a queda do avião nos Andes, que originou o filme Vivos. Muito foda. Eu demorei alguns minutos pra perceber que era reencenado.

The Bridge
Sobre os suicidas da Ponte Golden Gate. Esse é polêmico e faz pensar um pouco sobre o papel do jornalista. Leia isso.

Da lista de Pedro Valente:

The Corporation
Uma aula de como a figura da “corporação” surgiu, passou a ser vista pela lei como uma pessoa com direitos e deveres e acabou causando mais mal do que bem pra sociedade. O filme mostra como o diagnóstico de um psicopata se encaixa direitinho com os traços de “personalidade” das grandes empresas. Site oficial aqui e torrent aqui.

Good Copy Bad Copy
Documentário sobre direitos autorais, música e filmes nos dias de hoje. Muito bom porque foge daquela visão fechada nos EUA e vai na Suécia falar com os caras do Pirate Bay, na Nigéria pra mostrar a maior indústria cinematográfica do mundo – com produções de dar inveja ao Zé do Caixão – e vai a Belém do Pará pra investigar o movimento Tecno-brega, a pujante indústria do remix local e da “aparelhagem”. Além de falar com cabeções do assunto como o Lessig. Site oficial e download do torrent aqui.

Sicko
Esse é o filme novo do Michael Moore, que desce o pau na indústria dos planos de saúde dos EUA. Não é distribuído de propósito pela rede, mas teve um conveniente “vazamento” assim que rolou o boato de que seria proibido por ter uma parte filmada em Cuba ou outra desculpinha qualquer.  Ele  mostra ao redor do mundo como governos do Canadá, Reino Unido, França e Cuba cuidam da saúde,  expondo a vergonheira que é o sistema dos americanos. Torrent aqui.

Zeitgeist
Pra quem gosta de teorias da conspiração esse é um prato cheio. Achei legal a explicação de que Jesus e todos os seus “clones” anteriores são na verdade alegorias para constelações e o Sol, equinócios e solstícios e tudo mais. Se for verdade o que eles dizem faz bastante sentido. Aí depois enfiam tudo que é conspiração no mesmo balaio e fica um troço meio chato. Vem o 11 de setembro, segunda guerra, o FED e tudo que você puder imaginar. Vale pela primeira meia hora. No Google Video via site oficial.

Meus acréscimos

Steal this film I e II
Gostei muito, na linha do Good Copy, Bad Copy. E é um projeto interessante, sobretudo, de contravenção ao copyright. Baixe aqui.

PBS Frontline
É um programa fodidaço da rede pública de TV norte-americana, que ganhou todos os prêmios possíveis. Exemplo de bom jornalismo. Dá uma olhada aqui.

Ashes and Snow
A melhor fotografia que já vi num documentário na vida. Esse é o site oficial, mas dá pra baixar o filme por aí.

Thin Blue Line
Esse é do Errol Morris também, mas de 88. Docudrama, assisti em Cuba, num curso de roteiro / documentário. Umas infos aqui.

Gimme Shelter: The Rolling Stones. Uncut. Uncensored. Unsurpassed
Maysles Brothers (1970). Sobre a morte de um cara durante o show em que os Hells Angels fizeram a segurança.

Salesman (1968)
Também deles, mas é o filme mais legal que já vi de cinema verité. Também conhecido como Fly On The Wall – ou seja, grava tudo, como se a câmera não estivesse lá. Depois edita como ficção. Animal.

Don’t Look Back
Filme de D.A. Pennebaker, sobre Bob Dylan. Também é muito, muito bom.

Buena Vista Social Club
Todo mundo já viu, ok. Win Wenders (1999). Mas precisava estar aí.

O Equilibrista (Man on Wire)
Ainda não vi, mas um monte de gente já me disse que é muito bom. Oscar 2009. Olha, vi nas férias agora, gostei, mas como muita gente falou, fiquei com uma expectativa alta demais. Gostei mais de outros aí da lista de cima. UPDATE: Passado um dia, acho que é realmente um pusta filme. Fiquei aqui pesquisando sobre, achei entrevistas ótimas aqui e aqui. Não é um filme só sobre a caminhada entre as torres, mas sobre determinação, poesia e loucura inconsequente. Uma ode a tudo isso, aliás.

Alexandre Praça me passou algumas anotações também, num caderninho que achei aqui em casa:

Nick Broofield
Qualquer coisa do cara. Aqui tem o site dele. Fez um doc sobre a morte dos rappers Tupac Shakur e Biggie Smalls.

Chronique d’un été
A experiência do Edgar Morrin no campo dos documentários. Tem um texto sobre isso aqui, e vários outros na rede.

Night Mail
Documentário de 1936 sobre Londres. Na wiki.

Dignidad de los Nadies
Do Solanas, argentino.

E você? Indica alguma coisa?

SOCIEDADE DO AUTOMÓVEL

Faz tempo eu estava querendo ver esse filme. Muito bom (o japonês no salão do automóvel até dei risada – ali pelos 18 minutos)

Em 28 anos, a população de São Paulo cresceu 23%.
O transporte público cresceu 25%.
O número de automóveis cresceu 280%.

Existia em 78 um veículo para cada seis habitantes. Há um para cada dois agora.

Quando eu estava em São Paulo, passava uma média de 3 ou 4 horas no carro, por dia. Li muitos livros no carro, cortei unha no engarrafamento, até barba já fiz.

Agora são uns 30 minutos por dia. Não dá mais tempo de fazer nada no carro, pô.

(achei o vídeo a partir daqui )

E um saiba mais: Apocalipse motorizado