Webdocumentários e novas formas de narrar histórias no ciberespaço

Ainda não existe uma unanimidade sobre como chamar histórias jornalísticas interativas. Webdocumentário, Documentário multimídia, interativo, 360 graus, são alguns dos nomes que essas histórias levam. Aqui mostramos algumas das experiências que tem sido realizadas no Brasil e no mundo.

Na França, país que tem até prêmios específicos para isso, o nome mais usado é mesmo webdocumentário. Um dos mais interessantes é o especial The Big Issue, que permite ao espectador escolher por onde quer que a história siga.É uma investigação sobre como e porque as pessoas estão engordando tanto, e em determinado momento você escolhe o caminho a seguir, como naqueles antigos jogos-livro “vá-para-página-tal”. Neste caso, você escolhe se quer entrevistar o médico, por exemplo, ou procurar outros pacientes dentro do hospital. E assim por diante.

Mas há outros bons webdocs, como o Journey to the End of Coal, da mesma empresa que produziu o anterior, a HonkyTonk films.

No Brasil, a empresa Cross Content ganhou menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog 2010 com o webdocumentário Filhos do Tremor. (veja todos os vencedores 2010 aqui). Marcelo Bauer conta que usou apenas vídeos livres, de organismos internacionais, e editou o conteúdo de maneira interativa.

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Bauer comenta na apresentação que “não eram vídeos de noticiário, mas de ações da ONU. E teve mais repercussão na Europa esse trabalho do que aqui, até pelo pouco uso que se faz do webdocumentário aqui. A mensagem que eu queria deixar é a seguinte: como a internet afeta a comunicação em si? Nossa ideia é tirar a comunicação do vídeo normal, e tentar um projeto de comunicação feito especialmente para essa nova mídia”.

No vídeo, Bauer comenta também o que talvez tenha sido o primeiro webdocumentário brasilero, o Nação Palmares. Foi lançado em 2007, e em 2008 venceu também a categoria internet no prêmio Vladimir Herzog. Além dele, também há o Bon Bagay Haiti, também de 2007. Ambos experimentavam linguagens da internet na produção de vídeos.

E o verbo se fez vida: vencedor do Herzog 2010 categoria multimídia

Saiu a premiação 2010 da categoria multimídia do Vladimir Herzog, o mais importante prêmio do jornalismo de direitos humanos do Brasil. Mais uma vez, quem ganha o prêmio é o J

C Online, um dos primeiros jornais brasileiros – e um dos poucos – a dar real importância à infografia online, a narrativas multimídia. É de lá que saiu o trabalho da única brasileira a vencer o prêmio FNPI, a Julliana Melo.

Dessa vez, quem venceu foi a equipe formada por Inês Calado (produção e reportagem, incluindo áudios e vídeos), Sidclei Sobral (design, flash, HTML e CSS), Gustavo Belarmino (edição) e os fotógrafos Clemilson Campos, Hélia Scheppa, Marcos Michael, Robert Fabisak e Paulo Almeida. Sidclei, que já venceu outras edições do Herzog e hoje está na Veja Online, mandou um textinho contando brevemente como foi seu trabalho:

A partir de uma entrevista com a primeira índia a concluir um doutorado no Brasil, em 2007, a jornalista Inês Calado teve a ideia de criar um livro sobre a experiência da descoberta da leitura. Na época não dominávamos a tecnologia Flash suficientemente para simularmos páginas de um livro. Dois anos depois, com a pauta mais elaborada e com recursos tecnológicos apurados, demos inicio ao trabalho. Viajamos pelo interior do estado para registrar em vídeo e fotos nossos personagens. Para mim, como designer, é muito importante participar diretamente da produção da reportagem, pois proporciona uma imersão no tema, o que faz com que eu possa traduzir visualmente o assunto de maneira mais fiel. O resultado final foi um livro digital, que traz relatos de pessoas que transformaram suas vidas por meio da leitura e dos livros. Os textos são intercalados com depoimentos em vídeo e áudio, de especialistas e entrevistados.

Veja os outros trabalho que foram selecionados pelos jurados em 2010:

Vencedor: E o verbo se fez vida (JC Online)

Men̤̣o Honrosa: Filhos do Tremor РCrian̤as e seus direitos em um Haiti devastado (Cross Content)

Menção Honrosa: Infância Perdida (JC Online)