Infografia interativa de código aberto

Fizemos aqui na Casa da Cultura Digital (CCD, daqui pra frente) uma infografia interativa que merece algumas linhas. Primeiro, trata-se de um trabalho do nascente grupo que chamamos de Núcleo de Infografia e Visualização de Dados da CCD.

Havíamos realizado alguns trabalhos já antes, para a revista Teoria e Debate e outros jobs. Dessa vez, unimos a agência de jornalismo Pública (Natália Viana, Ana Aranha, Fabiano Angélico), a equipe de design e desenvolvimento da Cardume, e com ajuda dos jornalistas da Scarlett (eu e Felipe Lavignatti) chegamos num modelo inovador, em que os dados todos da infografia são públicos, o código da infografia é aberto, e tudo foi usado de maneira criativa, com mapas livres, e tecnologia desenvolvida na CCD.

Com a palavra, Miguel Peixe, desenvolvedor da Cardume:

A navegação pelos dados do infográfico usa como base de dados uma planilha do Google Docs, interpretada em CSV e transformada dinamicamente em JSON para processamento em JavaScript. Ou seja, mesmo que não seja o caso de o infográfico ser atualizado, ao modificar a planilha do Google Docs, o infográfico interpreta automaticamente. Isso pode ser replicado para outros infográficos, basta estabelecer uma estrutura de cabeçalho para a planilha e alterar o código para interpretá-la corretamente.
Para cada categoria de irregularidade (cidade, programa do governo e tipo de irregularidade) fora criada uma outra planilha. Utilizando o recurso de Pivot Table do Google Docs isso foi feito automaticamente, sem precisar caçar quais são e escrever uma a uma. Dessa forma pudemos trabalhar com diferentes taxonomias dentro das irregularidades sem tomar muito recurso do sistema.
Falando especificamente da criação da planilha de cidades pude acrescentar valores que permitiram a geolocalização dentro dos mapas. A mesma planilha servindo como taxonomia de irregularidade e informação geolocalizada. Eu tinha apenas o nome da cidade e o estado, valores insuficientes para uma geolocalização, que precisa de latitude e longitude. Para resolver isso encontrei uma solução desenvolvida pelo pessoal da MapBox, um script que intepreta uma coluna, busca através de uma API pelos valores de lat-long da cidade e cria duas novas colunas preenchidas com esses valores. De forma simples e rápida tive minhas cidades mapeadas e prontas para serem usadas.
O mesmo script utilizado para geolocalizar as cidades também me permite exportar os dados em formato GeoJSON, interpretado pela tecnologia de visualização de mapas Modest Maps (com a extensão Wax e Markers.js) e pelo TileMill, software utilizado para fazer o design dos mapas.
Como eu gosto de fuçar nas coisas e gastar pouco com isso, me aventurei em fazer o nosso próprio servidor de mapas ao invés de utilizar o serviço que o MapBox oferece. Talvez isso seja história para outro relato.
Em breve, a Casa da Cultura Digital deve lançar uma oficina de mapas e usos de tecnologias livres. Se alguém tiver interesse, por favor deixe um comentário e email de contato.

G1 e o especial sobre o Facebook

O G1 lançou uma reportagem especial interativa sobre o Facebook, agora que suas ações estão abertas na bolsa e a empresa está ainda mais valiosa, e seus acionistas mais ricos. A reportagem entra como um dos grandes exemplos recentes de trabalhos criativos, com opções interativas bastantes atrativas.

Não é o primeiro trabalho que explora o HTML5 no Brasil como narrativa jornalística. O próprio G1 já tinha lançado um especial sobre o Corinthians, no final de 2011, outro no dias das mães (não estou mais achando o link, quem me passa?), e o UOL andou explorando a linguagem num especial sobre o terremoto do Japão. Todos testam o que vimos chamando de sites-reportagem, uma linha bem pouco explorada, em geral, no jornalismo brasileiro, mas muito bem executada em outros países.

A ideia do G1 foi utilizar o formato da linha do tempo do próprio Facebook como moldura para seu conteúdo. Ficou interessante, bem executado, especialmente as brincadeiras com a linguagem do próprio FB, como os “curtiu”, e memes que circulam por lá. Seria legal também ter feito, além do site-reportagem, uma timeline como fez o New York Times, usando o próprio timeline do Facebook para contar uma história. O NYT contou ali sua própria história, mas o G1 poderia ter brincado com a meta-linguagem da coisa e contar a história do Facebook no Facebook – o que permitiria aumentar os acessos à página oficial do G1 naquela rede. O NYT tem 2 milhões de “curtiu” na sua página.

Um detalhe sobre a estrutura do HTML5: seria perfeito se, ao rolar a página pra baixo, os anos fossem mudando automaticamente. Como está, os anos ficam marcados independente da navegação pela rolagem.

Muito boas as interações com notícias do G1 e a rádio com músicas do Roberto Carlos.

Abaixo, Amanda Demetrio, repórter deste especial do G1, conta como foi o processo de criação:

A ideia de criar um infográfico tipo “Linha do Tempo” sobre a história do Facebook veio logo no começo de fevereiro, quando o Facebook apresentou os documentos para realizar o IPO. Sabíamos que teríamos que preparar um material longo sobre o assunto   e que teríamos que contar a história da rede social de algum jeito. Importante frisar que a ideia não foi minha, e sim do outro repórter que trabalha aqui, o Gustavo Petró (@gustavopetro).

 

Como o Petró é mais focado em games e eu já tinha lido um livro sobre o Facebook e feito um especial sobre o assunto, decidimos que eu ia ficar mais focada nisso, mas todos ajudaram muito, inclusive a Daniela Braun, nossa editora (@dani_braun), e a Laura Brentano (@laurabrentano), também repórter da editoria.

 

Pegamos muito material envolvendo as origens da empresa no “Bilionários Acidentais”, do Ben Mezrich, e no “Efeito Facebook”, do David Kirkpatrick. Além disso, usamos informações das fontes que vemos todos os dias para fazer uma ronda por aqui: blogs de tecnologia e os grandes jornais. Montei um texto grande e enviamos pro pessoal da arte.

 

Na arte, o Gustavo Miller (@gustavomiller) coordenou todo o processo e deu ideias ótimas para deixar tudo mais interativo. Também teve a equipe de arte: Dalton Soares, Daniel Roda, Elvis Martuchelli, Leo Aragão e Rafael Soares. A pesquisa de vídeos foi da Flavia Rodrigues.

 

Depois que enviamos o texto pra lá, rolou essa ideia de fazer uma coisa mais interativa, com itens que poderiam ser clicados pelas pessoas –no infográfico dá, por exemplo, pra você ouvir a música “Eu quero apenas”, do Roberto Carlos, na Rádio Globo. A ideia também era incorporar no infográfico algumas das principais “brincadeiras” que são feitas dentro do Facebook. Temos um “Keep Calm”, uma frase falsa da Clarice Lispector e um “Como as pessoas me veem”, por exemplo.

 

Em termos de linguagem, pensamos em usar muito do que acontece dentro do Facebook para contar algumas partes da história. Usamos muito o “cutucar” e o “curtir”. No post do filme sobre o Facebook, colocamos, por exemplo, que “A Academia curtiu”.

 

Houve uma longa pesquisa de vídeos para ilustrar certos momentos da história do Facebook também.

Para explicar o inexplicável: infografias sobre Realengo

Passados sete dias do massacre na escola do Realengo, no Rio de Janeiro, deu tempo para os principais sites de notícia do país produzirem um extenso material de cobertura. Quase todos criaram páginas especiais (só não achei no Estadão e no iG) com no

tícias, vídeos, fotos e análises sobre o crime. Diversos aspectos da cobertura já foram analisados em sites muito mais importantes ou em botecos afora. Por aqui, fiquemos com as avaliações sobre as infografias e os especiais multimídia que foram feitos – formato exclusivo da web.

iG

Sem infografias nem canal específico para a cobertura.

Estadão


Também não possui um canal específico para cobertura, mas fez duas infografias sobre o caso. Uma com todos os indícios de ser material reaproveitado do jornal, com mapa de localização da escola e um passo-a-passo da ação do atirador. A outra é uma lista de casos semelhantes de atiradores em escolas de todo o mundo. Essa é uma navegação que me incomoda um pouco, por não usar clique para mudar de item, mas sim com o movimento do cursor. Talvez fosse o caso também de pegar um outro recorte de atiradores, pois dá a impressão que é a primeira vez que alguém entra atirando covardemente em uma multidão aqui no Brasil. Há o caso do estudante que entrou em uma sessão do filme Clube da Luta atirando em um shopping de São Paulo, caso muito lembrado durante a cobertura do Realengo.

Folha


Possui um canal especial para a cobertura. Sempre acho curiosos os nomes que dão para grandes coberturas. O da Folha é Massacre em Realengo, mas o link remete a outro nome, Tragédia em Escola no Rio, provavelmente o primeiro utilizado durante o caso. A infografia multimídia deles na verdade é uma animação em 3D com a ação do criminoso. No último frame aparecem os dados de mortos e feridos, o que poderia estar separado em uma outra aba da infografia.

G1

O canal especial do caso recebeu o nome de Tragédia em Realengo. Duas artes foram feitas, uma estática e outra um vídeo em 3D. Ambas com o mesmo conteúdo, que eles em algum caso colocam na mesma página, como aqui. Dá pra cortar qualquer uma das duas sem medo de perder nada. O Globo aproveitou material do impresso para mostrar o que o assassino usou. A cobertura do jornal leva o nome de Massacre em Realengo, mas não há um canal específico para ela, a não ser destaque na página inicial.

R7

Sua cobertura ganhou o nome de Massacre em Realengo, mesmo nome usado pela Folha. O portal de notícias da Record não tem tradição de infografias interativas, mas fez três para o caso (o maior número entre os sites analisados). A primeira reúne informações do massacre, vítimas, carta do atirador, testemunhas, presos e a localização da escola. Das artes analisadas, essa é a mais completa, A segunda delas é o que todo mundo fez, com o roteiro seguido pelo atirador, mas de uma forma mais compacta, com apenas quatro momentos da ação. O que chama a atenção (de forma negativa) são os desenhos usados para ilustrar. Nessas horas percebe-se o motivo dos concorrentes usarem o 3D. A última é na verdade uma galeria disfarçada de infografia que mostra pichações na casa de um parente do atirador e a posterior pintura do muro.

 

 

Terra


O Terra batizou sua cobertura de Tragédia em Realengo, mesmo nome usado pelo G1. Foi feita somente uma arte, mostrando a localização da escola e o passo-a-passo do criminoso. Assim como na da Folha, o último frame poderia estar separado em uma aba mortos e feridos, ajudaria na navegação, não sendo necessário ver todos os passos para chegar nestes dados.

Entrevista com Paulo Fehlauer, Garapa.org


Paulo Fehlauer é jornalista. Mas também

é fotógrafo, arrisca como programador de HTML e CSS e é um dos três fundadores da Garapa, produtora multimídia que já é reconhecida dentro e fora do Brasil pelos trabalhos de qualidade. Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes são os outros jornalistas da Garapa que, como alguns casos talvez cada vez mais frequentes neste século novo, resolveram demitir seus chefes para tentar criar seu próprio emprego, buscando realizar coisas incríveis. E lançaram agora um projeto para financiamento via crowdfunding, pela plataforma Catarse.me.

Esta entrevista é parte de um projeto de mestrado, que é uma espécie de categorização de novas funções que jornalistas que estão na ponta do processo produtivo realizam. Tarefas que fazem de maneira conjunta, às vezes até sobrepostas, sem medo de tatear o novo. Ele respondeu esse mini-questionário durante o vôo que o levava para Belém, e publico aqui as respostas todas:

Você se considera um jornalista multimídia?

Pergunta difícil. Multimídia cada vez mais, jornalista talvez cada vez menos, a não ser que a definição do termo seja ampliada. Nosso trabalho tem uma base documental muito forte, mas que hoje se aproxima mais do mundo das artes visuais do que do jornalismo propriamente dito. Assim, o vínculo com a “assim chamada realidade” vai ficando cada vez mais sutil. Então ou questionamos as fronteiras do jornalismo ou nos distanciamos dele.

Como chamaria a função que desempenha hoje?
Talvez um produtor multimídia, ou um criador multimídia.

Quais atividades você realiza?
Nosso foco está em projetos com base audiovisual. Então vou da concepção à realização do projeto, trabalhando em praticamente todas as etapas: concepção, redação, fotografia, edição, video, web, distribuição. Se, em determinado projeto, não realizo alguma etapa com as próprias mãos, trabalho na orientação dessa execução.

Como é sua rotina? Quais funções específicas?
A rotina é a não-rotina. Dentro da Garapa, dividimos algumas tarefas administrativas entre os sócios e funcionários. Na minha mão ficam a contabilidade e a comunicação externa, por exemplo. Fora isso, as funções vão depender dos projetos, mas geralmente acabamos participando de todas as funções pertinentes a um trabalho.

O que cabe a você – e o que cabe ao repórter, como padrão – nas reportagens multimídia que você realizou?

Geralmente, cabem a mim as etapas da produção audiovisual – concepção visual, captação e edição de foto, áudio e video. Quando há a figura de um repórter propriamente dito, ele costuma se encarregar da concepção narrativa, pesquisa, entrevista e redação. Mas, mais uma vez, todas essas tarefas podem se confundir na execução de uma reportagem desse tipo.

Que treinamento ou quais cursos seria preciso ter para realizar o que você faz?
Eu praticamente não fiz cursos, além da graduação em jornalismo; fui aprendendo com a prática e as necessidades que surgiam. Mas o treinamento pode encurtar esse processo, tanto do lado técnico quanto na parte mais conceitual. Entre as disciplinas técnicas, eu sugeriria um treinamento básico em webdesign, arquitetura da informação e edição de vídeo. No entanto, cada vez mais tendo a questionar a figura do “homem-banda”, por perceber que o resultado de um projeto dessa linha costuma ser muito superior quando é realizado por uma equipe de profissionais qualificados em suas respectivas áreas. O treinamento técnico, assim, deve ter como objetivo familiarizar o profissional com as ferramentas e com as especificidades de cada linguagem. É o que buscamos, por exemplo, nas oficinas “Experiência Multimídia”, que realizamos pelo Brasil em 2010.

Em relação ao “treinamento” conceitual, acredito que o maior desafio colocado aos interessados nessa atividade seja a estruturação de uma narrativa ao mesmo tempo não-linear, interativa, coesa e que não seja redundante. Na web é muito fácil colocar tudo, todas as linguagens, juntos na mesma página, mas isso por si só não cria necessariamente uma narrativa interessante. Ou seja, o desafio é o mesmo desde a Bíblia, só muda a plataforma.

Como você chamaria esse (s) curso (s) ou esse treinamento?

Narrativa hipermídia, talvez. Ou Hipernarrativa. Ou mesmo “Como Dante escreveria A Divina Comédia nos dias de hoje?”, hehe.

Quais atividades você desenvolve hoje, que no início da década de 90 não existiam no jornalismo? Como você as denomina?

Várias atividades, de certa forma, já existiam: captação e edição de vídeo, áudio, foto, por exemplo, mas nunca aconteciam na mesma mesa e destinadas ao mesmo aparelho. Outras são realmente novas, como essa estruturação prévia da narrativa considerando diferentes linguagens e possibilidades. Em todo projeto multimídia do qual participei, uma das principais etapas foi definir qual papel seria cumprido por cada um dos formatos, e como integrá-los de forma a criar uma narrativa coesa e interessante.Outra característica importante desse momento de estruturação é o planejamento das possíveis formas de participação do público, seja por meio de uma simples caixa de comentários ou até da construção colaborativa da narrativa. A tudo isso eu chamaria, talvez, uma “Arquitetura da narrativa”, que deve ser pensada antes e durante a execução do projeto.

Você acha que essas são agora atividades básicas do jornalismo?

Não necessariamente, porque são mais específicas do meio online, mas eu diria que o conhecimento dessas possibilidades e especificidades deve fazer parte do repertório de todo jornalista.

Quais são os pré-requisitos para um bom jornalista hoje em dia?

Em geral, tendo a pensar que as premissas do bom jornalismo se mantêm, independentemente das mudanças de formato. No entanto, justamente por ter me afastado do jornalismo propriamente dito, começo a questionar também tais premissas. Por exemplo, se trabalhamos desde a primeira aula da graduação conscientes da inexistência da objetividade, por que não assumir então a possibilidade (e o valor) da subjetividade? A pergunta talvez soe ingênua, mas considerando que boa parte das informações que recebemos hoje já vem filtrada mais por grupos de interesse (Facebook, Twitter etc.) do que por editores sentados em suas redações, me parece que o caminho da subjetividade é quase uma realidade. Bom, divaguei, rs.

E para trabalhar no jornalismo online? Algum pré-requisito diferente?

O mais importante é entender, ou buscar entender, as dinâmicas da rede – não-linearidade, multilateralidade, capilaridade, multimídia etc. Para isso, é necessário mais disposição do que conhecimentos técnicos, já que o próprio conhecimento técnico está amplamente disponível na web.

As infografias brasileiras sobre a tragédia no Japão

Primeiro o terremoto, depois o tsunami. Como se não bastasse, o risco de contaminação nuclear também vira preocupação para os japoneses. No jornalismo, a explicação para eventos dessa grandeza são quase sempre feitas por meio de infografias. Afinal,

é melhor mostrar em um mapa a área de contaminação radioativa de um lugar do que falar, apenas e genericamente, “um raio de 30 km”. Praticamente todos os sites de notícia brasileiros usaram algum tipo infografia para mostrar o tamanho do problema enfrentado pelo Japão. Vejamos quem fez o que:

Folha.com


O site traz uma imagem feita por computador da usina nuclear de Fukushima Daiichi. Nela aparecem uns círculos vermelhos em cima de cada reator. Quando o você passa o mouse em cima, ele te dá a informação sobre cada um. Não sou muito fã do conteúdo principal estar em MouseOver (o mouse sobre o item). Imagina se fosse no jornal impresso: cada texto correspondente é pequeno o suficiente para estar visível, num box, sem necessidade de clique ou passar mouse.

A outra arte que a Folha.com fez (logo abaixo na matéria) sobre o acidente é mais didática, seguindo a linha do passo-a-passo. A navegação peca já no início, com o 1 e 2 na primeira aba. Tem uma seta logo ali, que te faz crer que levará (como deveria) para o segundo item. Porém, isso não acontece. Para navegar, só clicando nos itens. Mesmo assim, é uma infografia que oferece uma explicação simples e direta para o perigo das usinas.

iG

O iG foi quem mais produziu infografias sobre o tema. Até o momento, foram oito.

A mais simples é uma imagem mostrando como funciona o sistema de alerta de tsunami. É basicamente uma arte de impresso, sem nenhum diferencial para o online.

A infografia sobre como funciona uma usina nuclear também foi bem modesta, apenas uma ilustração explicativa. O mesmo para uma sobre como se forma um tsunami. Mas nesta última, pelo menos, usa-se a possibilidade de animação e interação com clique.

O trabalho sobre os danos na usina nuclear se assemelha muito ao material sendo publicado lá fora, usando mapas para mostrar a área atingida. A imagem de satélite funciona bem melhor que uma arte, pois dá para ver o estado em que ficaram os reatores após o tsunami.

A do círculo de fogo é interessante por mostrar pontos com os locais dos 12 terremotos mais intensos já registrados no mundo. Notem que destes, somente 2 não estão no que é chamado círculo de fogo. Eu só colocaria o ano e número de mortos visível no box da esquerda. E uma questão: por que este do Japão aparece com o número 4, mas o texto diz ser o sétimo mais forte da história?

Este mostra um mapa do Google e as cidades atingidas por terremotos e tsunamis. Ao clicar em uma das cidades da lista ou nos pontos, abre uma caixa com opções de fotos, informações e links. Simples, porém não dá para saber quais cidades sofreram mais se não clicar em algumas delas e descobrir sozinho, o que torna a navegação pouco informativa.

A dos prédios resistentes a terremotos é simples, mas eficiente. Uma animação mostra como um prédio se comporta em uma situação de tremor e um texto do lado explica. Básico e direto.

Uma que explica como ocorrem os terremotos é antiga, mas foi atualizada com os maiores abalos. Didática.

Estadão

Apesar de não ter feito o mais bonito ou extravagante infográfico, o Estadão fez o mais completo sobre o acidente nuclear do Japão.

É o único a reunir informações sobre contaminação, sobre as localizações das usinas japonesas e o funcionamento da usina de Fukushima e seu atual problema. Aliás, detalhe para o níveis de acidentes, que coloca em escala com outros do passado.

G1

O G1 tinha um histórico bom de infografias em seu começo, mas hoje parece ter perdido o fôlego (inclusive, a página de infografias não é atualizada desde dezembro). A única arte que achei no site é estática, de um mapa mostrando os pontos dos locais atingidos e as placas tectônicas. Por que o G1 não tem outros infográficos?

R7 e Uol

Ambos estão usando muitos vídeos de infografias feitas pela AFP, como esta do R7 . De material próprio, somente o Uol, que fez um trabalho de mapeamento das cidades, parecido com o do iG, mas com uma navegação mais agradável, deixando um espaço na lateral direito somente para as fotos e texto dos locais atingidos.

Outros materias próprios não foram tão eficientes, como este mapa de países que receberam alerta de tsunami. Poderia muito bem ser somente um mapa pintado dentro de uma matéria, não uma infografia animada com mouseover.

Este outro é mais interessante, mostrando como funciona um reator, mapeando as usinas e os reatores que estão com problema em Fukushima. Na parte de usinas nucleares dá vontade de clicar em uma que está marcada como Estado de Emergência (Fukushima 2) -porém, não é clicável…

MAIS: O site 10,000 words – where journalism and technology meet fez um post com os melhores infográficos para entender a crise no Japão. Vale a pena.

Webdocumentários e novas formas de narrar histórias no ciberespaço

Ainda não existe uma unanimidade sobre como chamar histórias jornalísticas interativas. Webdocumentário, Documentário multimídia, interativo, 360 graus, são alguns dos nomes que essas histórias levam. Aqui mostramos algumas das experiências que tem sido realizadas no Brasil e no mundo.

Na França, país que tem até prêmios específicos para isso, o nome mais usado é mesmo webdocumentário. Um dos mais interessantes é o especial The Big Issue, que permite ao espectador escolher por onde quer que a história siga.É uma investigação sobre como e porque as pessoas estão engordando tanto, e em determinado momento você escolhe o caminho a seguir, como naqueles antigos jogos-livro “vá-para-página-tal”. Neste caso, você escolhe se quer entrevistar o médico, por exemplo, ou procurar outros pacientes dentro do hospital. E assim por diante.

Mas há outros bons webdocs, como o Journey to the End of Coal, da mesma empresa que produziu o anterior, a HonkyTonk films.

No Brasil, a empresa Cross Content ganhou menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog 2010 com o webdocumentário Filhos do Tremor. (veja todos os vencedores 2010 aqui). Marcelo Bauer conta que usou apenas vídeos livres, de organismos internacionais, e editou o conteúdo de maneira interativa.

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Bauer comenta na apresentação que “não eram vídeos de noticiário, mas de ações da ONU. E teve mais repercussão na Europa esse trabalho do que aqui, até pelo pouco uso que se faz do webdocumentário aqui. A mensagem que eu queria deixar é a seguinte: como a internet afeta a comunicação em si? Nossa ideia é tirar a comunicação do vídeo normal, e tentar um projeto de comunicação feito especialmente para essa nova mídia”.

No vídeo, Bauer comenta também o que talvez tenha sido o primeiro webdocumentário brasilero, o Nação Palmares. Foi lançado em 2007, e em 2008 venceu também a categoria internet no prêmio Vladimir Herzog. Além dele, também há o Bon Bagay Haiti, também de 2007. Ambos experimentavam linguagens da internet na produção de vídeos.

Arcade Fire e as narrativas interativas

Por Felipe Lavignatti

Quando o Arcade Fire lançou seu clipe para a música que dava título ao seu segundo álbum, Neon Bible, um novo formato de divulgação musical surgia, o videoclipe

interativo. É impossível transpor esta experiência para qualquer MTV do mundo. A TV digital não chegou ainda a esta sofisticação, mas é possível imaginarmos num futuro mais clipes neste formato não só vistos em browsers, mas também em tevês, celulares, etc.


O primeiro clipe interativo da banda

O primeiro vídeo de divulgação do segundo álbum não era bem um vídeo. Neon Bible tem uma navegação simples, interativa e sem muitas mudanças. Por mais que a experiência mude dependendo de seus cliques, o vídeo não dá muitas opções. Na última experiêmncia da banda, essa limitação não existe mais.

We Used to Wait, do mais recente álbum, The Suburbs, foi a música usada para a uma experiência em HTML5. No site http://www.thewildernessdowntown.com, feito em conjunto com a equipe do Google Chrome, o Arcade Fire te leva em uma viagem com pássaros e um corredor solitário no endereço que você escolher. Assim que carregar a página (somente no navegador Google Chrome funciona, importante notar), o site te pede para colocar o endereço de onde você nasceu. A ideia é levar a história para este lugar, mas não precisa ser necessariamente ali, claro. Um endereço com Google Street View torna a experiência ainda mais legal, mas não é necessário.


Interatividade no HTML5

Carregado o site já com o endereço, é só observar e assistir um vídeo de um homem correndo por uma rua genérica, mas que pretende ser a sua. Para passar essa impressão, uma das janelas abertas carrega o Google Maps com o endereço que você indicou. Uma outra janela abre Google Street View do mesmo ponto. Conforme o protagonista vira, a visão vai alterando nestas outras duas janelas.

No meio da música, abre-se uma nova janela para vocês escrever o que quiser ou desenhar ali. A fonte e os traços ganham contornos de árvores e seus galhos recebem logo após isso a visita dos pássaros que te acompanham durante todo o vídeo. Dali eles passam para o endereço onde o protagonista voltou a correr. No Maps, no vídeo do corredor e no Street View, os pássaros vão caindo no chão e se transformando em árvores.

Esta experiência interativa chama a atenção mesmo com endereços que não tem o menor valor sentimental (só achei lugares com Street View fora do país, nenhum com relação a algum fato marcante da minha vida). Para quem der sorte de achar um lugar já coberto pelo Street View, com certeza o impacto deve ser outro.

Nos anos 80 a MTV foi acusada de matar as estrelas do rádio (a música que representou este período é Video killed the radio star dos Buggles, de 1979). Claro que o rádio não morreu após a TV, nem a TV vai desaparecer com a internet. Mas clipes como estes do Arcade Fire apontam um caminho para a evolução – só nos resta saber quando chegará.


Um recado no clipe da música D.A.N.C.E. dos franceses do Justice