Entrevista com Rafael Kenski

Rafael Kenski é um dos grandes nomes do newsgame no Brasil, um dos pioneiros no assunto. Foi entrevistado por email pelo Carlos Nascimento Marciano, para uma monografia sobre o tema (disponível aqui em pdf). Vale ler a entrevista, que publicamos na íntegra aqui:

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011 15:17

1) Qual o programa utilizado para a produção dos newsgames?

Oi Carlos, Antes de mais nada, preciso explicar que só trabalhei de fato com o CSI – o “Paredão” foi feito quando eu já havia saído da Super e deixado o Fred no meu lugar. Então, nas respostas abaixo, falarei só do CSI, ok? Abs Rafael

O jogo do CSI é, em grande parte, crossmedia. Parte dele acontece na revista (que é em si uma ferramenta dentro desse jogo, mas que produzimos com Word e InDesign), parte dele na internet, com Flash e a ferramenta de fóruns da Abril. Houve também uma produção com modelos e fotógrafos, de onde saíram as 116 imagens todas. Mas, pensando em newsgames em geral, qualquer programa pode ser usado para produzi-los.

2) Quem participa da equipe de produção? (por favor se possível especifique nomes e funções, ou pelo menos as funções)

O CSI foi um jogo razoavelmente complexo, apesar da aparência e da jogabilidade simples. Se você der uma olhada lá na página (http://super.abril.com.br/jogos/crime/index.shtml), todos os nomes e funções estão ali. Acho que só não apareci eu, que fui uma espécie de diretor ou produtor da brincadeira toda.

3) Se existem jornalistas trabalhando na produção dos newsgames, por favor especifique as atribuições deles.

A função de um jornalista em um newsgame é quase idêntica a que ele terá em qualquer outra matéria: reunir informações e contar uma história. A diferença é que, de acordo com o meio, as informações necessárias mudam: apurar para um infográfico é bem diferente de apurar para um texto. O mesmo vale para newsgames: ele precisará ajudar o game designer a criar procedimentos convincentes e divertidos, além de criar uma mecânica que responda aos movimentos dos jogadores de forma realista (não estou falando de realismo gráfico, mas sim no que diz respeito à informação jornalística).

4) Em que casos é definido que vai ser produzido um newsgame? E quem define isso?

Varia bastante. O CSI foi escolhido porque era a matéria de capa, e a gente queria testar essa idéia de “jogos jornalísticos” (na época, ninguém tinha ainda ouvido falar de “newsgames”). Os jogos feitos imediatamente depois tinham uma justificativa parecida: era uma forma de chamar atenção para a capa. Com o tempo, foi caminhando para tentar ver que matéria “rende” um bom jogo, assim como se pensa em matérias que rendem infográficos, tabelas, etc. De um modo geral, depende da interação que o assunto permite e de alguém conseguir pensar em uma mecânica para ele. Quem decide isso são os editores e diretores (da revista, da internet ou ambos).

5) Explique um pouco mais sobre o processo de produção dos newsgames (quais as etapas, como é dividido o trabalho etc)

Começa como qualquer matéria ou infográfico: começa na definição da pauta e a apuração. A diferença é que os newsgames envolvem também o design do jogo: imaginar as diferentes mecânicas e elementos. No caso do CSI, as duas coisas foram pensadas juntas. Um repórter já havia apurado parte da matéria e, em uma primeira reunião, combinamos tudo: o que era o assunto, o que sairia na revista, o que sobraria para o jogo, qual era a dinâmica de jogo e a ilustração da matéria. Foi importante porque diminuiu o custo de produção ao dividi-lo entre revista e internet. A partir daí, criamos um roteiro do jogo, fizemos a produção das fotos, um designer e um programador montaram a ferramenta em flesh e colocamos no ar pouco depois da revista chegar às bancas.

6) Quanto tempo leva o processo de produção?

Depende do jogo. No caso do CSI foi algo como um mês, mas não é muito difícil que um jogo leve três vezes esse tempo.

7) Destaque as principais características dos newsgames que os tornam interessantes para um veículo de comunicação.

Os jogos transmitem conteúdo (como as revistas ou jornais) mas por meio de procedimentos (diferentemente de qualquer outra mídia). Eles são essencialmente educativos, ensinam as pessoas a fazerem alguma coisa. Então, já pela própria natureza dos jogos, eles trazem recursos que não estão normalmente disponíveis aos jornalistas, como envolver o leitor em um assunto, permitir a interação e a imersão e criar um modelo da realidade que se está descrevendo. Além disso, jogos estão hoje em todo lugar para todo tipo de pessoa. É uma forma de ampliar o apelo do jornalismo, levá-lo a novos públicos, usar novas linguagens e engajar o leitor de novas maneiras. É quase uma obrigação experimentar com essa mídia em um momento em que o modelo tradicional do jornalismo perde gradativamente a sua importância.

8. Pesquisas apontam que a imersão e a interatividade são dois elementos de grande importância no jogo. Esses pontos são levados em consideração nos newsgames da Super? De que forma?

Acredito que a interatividade é um pré-requisito dos jogos – um newsgame em que ninguém interage não existe. Dependendo do ponto de vista, até mesmo um texto pode ser bastante interativo. Já a imersão é mais um resultado de um jogo bem feito, da adequação da dificuldade da tarefa às habilidades do jogador. Para mim, os dois critérios essenciais para um newsgame são diversão e confiabilidade (ele não pode trazer elementos fantasiosos ou errados, da mesma forma como um infográfico ou um texto da revista não pode simplesmente mentir).

Eu assumi a área de internet da Abril em 2009. Antes disso, estava desenvolvendo ARGs e jogos publicitários para o Núcleo Jovem da Abril (do qual faziam parte Super, Capricho, Mundo Estranho, Guia do Estudante e Aventuras na História). Então, ao voltar para o lado editorial, a idéia de usar as mesmas ferramentas em jogos jornalísticos foi quase óbvia. Juntei alguns dos mesmos colaboradores que havia usado em ARGs anteriores e combinei com a redação da revista para que eles pensassem a matéria como um híbrido de revista e jogo. A partir daí, saí do processo e deixei para eles realizarem o que viria a ser o extremamente bem sucedido jogo do CSI.

Com mapa e perdido

É muito comum no jornalismo um pedido de infografia sobre um assunto qualquer e o resultado final ser muito bonito, mas pouco informativo ou prático. Este mapa do estadao.com.br, No rastro português, é um bom exemplo disso. A apresentação é linda. Ao entrar no especial, os movimentos com o mouse também impressionam, assim como todo o desenho dos boxes e do mapa. O conteúdo também é bom. É uma grande reportagem sobre a herança portuguesa nos países que tiveram sua colonização. Agora, para acessar todo este material, para navegar pelo conteúdo, você vai precisar se desdobrar um pouco.

A forma escolhida para apresentar estas nove colônias foi um mapa. Melhor escolha impossível. Aqui você consegue ver o tamanho da expansão que Portugal conseguiu. Ao clicar em cada um destes pontos abre-se um box com um pequeno texto sobre o local. Ao fim do texto, um Saiba Mais pode ser clicado para te levar para o texto completo em outra aba.

Nesta outra aba, você encontra a matéria relacionada com o ponto. Ou seja, o pequeno texto do box e mais uns poucos parágrafos. Para voltar ao especial, só trocando de aba, já que não há link algum em nenhuma das nove matérias. Em resumo, o especial é uma lista de nove links para matérias que fazem parte de uma grande reportagem.

É fácil notar que todo o material aqui veio do impresso e foi adaptado (tem até um leia mais na Página 12 na matéria de Angola). Ainda tem a matéria de apresentação da reportagem, que só pode ser acessado na tela inicial do infográfico no Saiba Mais. Se você não clicar ali, você não vai achar tão fácil este texto. Nesta matéria principal há links para os outros textos, mas somente dois, inexplicavelmente.

Devem ter gasto um bom tempo fazendo o mapa animado e os desenhos. O resultado estético ficou lindo, mas pouco prático. Nem sempre o conteúdo do papel é transposto da melhor forma para a internet e No rastro português é um exemplo disso. Para finalizar, deixo os links aqui de cada um dos nove pontos. Não é tão bonito como no mapa, mas é tão eficaz quanto.

Matéria principal

Timor Leste
Macau
Goa
Moçambique
Angola
São Tomé e Príncipe
Guiné-Bissau
Cabo Verde
Brasil

E tem mais esse, sobre os eventuais riscos antes de viajar.

 

Um manifesto pós-jornalístico

Artigo escrito por Bernardo Gutiérrez (@bernardosampa), CEO e Founder de Futura Media, onde este post foi publicado originalmente. 

(Imagem de Julian Assange por Ben Heine) 

N.E: Publicamos em 2010 o texto A Linguagem Libertada, também um diálogo com o manifesto de Gutiérrez. Também todo o estudo Novos Jornalistas do Brasil fala sobre isso e sobre, inclusive, este termo, o pós-jornalismo. Este é um blog essencialmente sobre pós-jornalismo, como seus editores já se identificam aliás. O texto de Gutiérrez vem em boa hora. Boa leitura.


Para alguns, os jornais de papel estão marcados para morrer. Ross Dawson criou um cronograma com a data exata da morte dos jornais em cada país. Em 2017 terminará o último jornal nos Estados Unidos. Em 2031, não haverá nenhum jornal impresso no Japão. Por volta de 2040 a África ficará sem jornais. Para muitos, a comparação é inevitável: se os jornais desaparecem, o jornalismo também. Os pessimistas usam todas as informações ou relatórios para confirmar a crônica de uma morte anunciada. A indústria da mídia é a que mais rapidamente diminui nos EUA. A mídia afunda na Espanha: os ingresos da publicidade caem 20%. Sem papel não tem jornalismo, pensam os que fazem notícias como sempre fizeram.

Os presságios mortais contra a mídia - ou contra o jornalismo – vêm de longe. O prestigioso pensador Jean Baudrillard, em seu clássico Requiem for the media, de 1972, atacou o sistema de meios de comunicação “unilateral e vertical”. Entendemos que a comunicação - Baudrillard escreveu - como mais do que uma “simples transmissão-recepção da mensagem”. Informar não é comunicar. Mas a maior parte dos meios de comunicação continuou na idade da Internet com a transmissão-recepção clássica da mensagem. O meio é a mensagem, como diria Marshall McLuhan. O papel / tela é tudo. Substitui a mensagem.

Em 2005, Bruce Sterling, um dos escritores mais influentes do cyberpunk, observando a inércia do antigo regime da comunicação, escreveu o Dead media manifiesto (manifesto da mídia morta), “um guia para os paleontólogos da mídia”. Bruce (@bruces no Twitter),  vislumbrou então o suicídio da mídia: “Precisamos de um livro sobre as falhas da mídia, sobre o colapso dos meios de comunicação, um livro que detalhe os terríveis erros cometidos para não repeti-los”. Seu manifesto, em essência, não era muito diferente ao requiem midiático de Baudrillard: “A verdadeira mídia é a transmissão imediata, dada e recebida, falada e respondida, móvel no mesmo espaço e tempo, recíproca e antagônica.”

Confesso que este post não existiria sem o maravilhoso texto Por um manifesto posfotográfico de Joan Fontcuberta, em que o fotógrafo catalão demole os fundamentos da fotografia antiga com uma facilidade surpreendente. Fontcuberta imagina como funciona a “radical criação posfotográfica” em um mundo no qual ”o artista se confunde com o curador, o coletor, o professor, o historiador de arte, o teórico”. “Já não se trata de produzir obras”, ele diz, “mas de prescrever sentidos”. A circulação e a gestão da imagem predomina, diz, ”sobre o conteúdo da imagem”.

Depois de várias re-leituras do texto de Fontcuberta, após mais de quinze anos na profissão, eu troquei a palavra ”jornalista” no meu perfil no Twitter por “pós-jornalista”. E isso que eu tenho muito claro que o jornalismo não vai morrer.Estamos lidando com uma verdadeira mudança semântica do termo. A definição clássica de jornalismo não é mais útil. Pode sobreviver, enriquecida por uma nova definição de “pós-jornalismo”. A redefinição descreve outra realidade, outra prática,outros hábitos. E como é que funciona a criação radical do pós-jornalismo? Tentei imaginar como seria um hardware pós-jornalístico em um decálogo aberto, remixável e claramente melhorável coletivamente. Já está no wiki de movimento Fora do Eixo. Qualquer pessoa pode participar melhorando o manifesto.

1) A informação torna-se um processo compartilhado. Os produtores de informação incluem os leitores no desenvolvimento do conteúdo. Compartilhar em blogs, plataformas de vídeo ou sites os detalhes de como eles têm desenvolvido o trabalho informativo é tão importante quanto o resultado final. O conteúdo irá tornar-se um making of em tempo real.

2) A definição do conteúdo evolui, cresce, se expande. Discutir a notícia, espalhá-la com valor acrescentado (mais conteúdo), remixá-la, é criar conteúdo. A adesão (clickar no “Eu curti” em uma rede social) é uma nova mutação do conteúdo. A edição será considerada uma forma de autoria.

3) O pós-jornalista confunde-se com o curador. Selecionar o conteúdo relevante na infosfera da superabundância será uma das suas principais tarefas. Filtrar conteúdo será uma das funções do pós-jornalista.

4) Temos que entender o pós-jornalismo como uma estrutura de código aberto em constante desenvolvimento. Ninguém é dono do jornalismo.Qualquer um pode usá-lo. Qualquer um pode melhorá-lo. Qualquer um pode hackeá-lo.

5) A notícia - que não vai desaparecer- não é mais a unidade básica do pós-jornalismo. O fluxo, um fluxo constante de fatos, dados e declarações, torna-se a espinha dorsal do pós-jornalista. O fragmento torna-se a unidade básica da informação. A informação torna-se um rio compartilhado que incorpora fragmentos distribuídos produzidos por jornalistas e leitores. O rio vai coexistir com uma estructura de informação descentralizada (arquivo em beta) inspirado na Wikipedia. Alguns, caminho sugerido pela Fundação P2P, vão preferir adicionar informações ao wikicorpo da sua marca que ao rio compartilhado.

6) A informação não é mais um produto: é uma comunidade. Às vezes, as comunidades vão viver ao redor do conteúdo gerado pelos pós-jornalistas. Em outras ocasiões, elas próprias desenvolverão seus próprios conteúdos. A mídia, com conteúdo próprio ou alheio, tem que tentar ser uma plataforma de interações.

7) O imediato será considerado como um simples plug in ou aplicativo de algo maior. Sem um sistema operacional, sem um gestor de conteúdo, o plug in ou aplicativo de software é inútil. O imediato, ainda que importante, já não é o epicentro do pós-jornalismo. A inteligência coletiva de uma população armada de telefones inteligentes será o melhor amigo (não inimigo) do pós-jornalismo para compreender e cubrir o imediato. Grande parte das fontes clássicas serão devoradas por essa inteligência coletiva em tempo real.

8) O pós-jornalismo dá sentido aos fatos já conhecidos. O leitor vai encontrar menos notícias nas marcas informativas. Vai entender depois de consultar as marcas informativas os fragmentos já conhecidos. Portanto, não basta informar. Se comunicar com os leitores não é suficiente. Explicar, analisar e contextualizar são características que irão se diluindo em todos os gêneros narrativos.

9) Sobre a definição de narração: as histórias estarão construídas com peças de diferentes tipos, com peças sobrepostas, com partes modificáveis​​. As histórias vão adotar novos e imprevisíveis formatos híbridos construídos com peças aparentemente desconexas.

10) Sobre o eco da mensagem: agora prevalece a importância da circulação e do compartilhado. A mensagem será coral, distribuída, enriquecida e retroalimentada durante todo o ciclo da comunicação. O eco - uma nova narração coletiva – se confunde com a mensagem.

Making of Arte Fora do Museu

Atualização: O projeto Arte Fora do Museu também está no site do SP-Arte 2012, numa parceria com os organizadores. Veja clicando aqui.

Depois de vários meses, finalmente está na rua o Arte Fora do Museu. Aproveitamos para compartilhar aqui um pouco sobre como foi feito esse projeto jornalístico multimídia.

Cada um de nós (eu e o também jornalista Felipe Lavignatti) já havia tido uma ideia semelhante sobre um site que fizesse um georreferenciamento de obras de arte em espaços públicos de São Paulo. Eu havia visto um artigo numa revista sobre os grafites do bairro da Liberdade, e desde então me incomodava que o artigo não tivesse sequer um mapa desenhado com um trajeto proposto. Um site poderia fazer isso muito bem.

Felipe já tinha também pensando a respeito, tendo inclusive mapeado algumas obras. Em 2007, quando visitou uma exposição na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), viu algumas réplicas de obras de Aleijadinho. “Eu não sabia que tinha cópias do Aleijadinho em São Paulo e pensei que devia haver muitas obras que não estão catalogadas. No Masp [Museu de Arte de São Paulo] tem um catálogo das obras, mas como saber o que está na rua?”.

Eis que surge um edital da Funarte, o Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet, que oferecia a chance de finalmente começarmos o projeto. Trabalhando juntos já em projetos na Casa da Cultura Digital, escrevemos o que seria este site, que mapearia obras de arte em espaços públicos, chamamos de Arte Fora do Museu. Projeto no correio, algumas semanas depois veio a alegria: acabamos vencendo em primeiro lugar.

Tínhamos seis meses para realizar tudo o que havíamos prometido no projeto: cem obras de arte, num sistema de georreferenciamento que funcionasse também a partir de celulares. Sempre nos pareceu correta a estratégia chamada “mobile first” – você desenvolve pensando para celulares, e depois faz funcionar também na web.

Felipe assumiu a produção do projeto, encontrando os consultores Fabio Cypriano e Diogo de Oliveira, que auxiliaram a selecionar as 100 obras de acordo com alguns critérios que definimos em conjunto:

  • A relevância reconhecida por especialistas;
  • Obras consideradas modernas ou contemporâneas;
  • As proximidades do centro expandido da metrópole;
  • Acesso gratuito e fácil ao pedestre (sem ingressos ou agendamentos).

Felipe também montou um banco de dados, onde começava a listar os pormenores que depois alimentariam o site e o aplicativo para celular. Conseguimos uma parceria com a empresa Galapagos Mobile, que se prontificou a desenvolver o aplicativo para o Iphone. O Android, quando havíamos pensando no projeto, ainda não era o que já se tornou: um sistema operacional forte concorrente da Apple.

Enquanto Felipe mapeava as obras, buscando no Google Street View o local exato de cada uma delas, fizemos alguns desenhos do site, que começava a ser criado pelo também parceiro e programador Paulo Geyer. Ele escolheu o Ruby on Rails para criar a site, o que já gerou uma API aberta, como essa aqui. Queremos melhorar isso para que qualquer um possa usar nossa base de dados para outros projetos.

Fora do Brasil existiam algumas experiências semelhantes, mas quase todas baseadas em catalogação colaborativa. Nada contra projetos colaborativos, mas existe todo um sistema complexo de checagem da produção coletiva, e não optamos por este caminho. Pensamos num trabalho jornalístico mais tradicional: apuração com especialistas, produção de conteúdo, edição, apresentação multimídia. Bem, talvez não tão tradicional assim.

A parte mais divertida – mas não menos trabalhosa – foi sair a campo para capturar as imagens de cada obra de arte. Optamos por dias de sol, e fizemos a maior parte dos trajetos de bicicleta, uma vez que muitos dos nossos objetos estavam concentrados no centro da cidade. Fotografar São Paulo com um olhar para o que há de bonito é uma das coisas que há muito eu queria realizar.

A ideia de fotografar as obras foi uma forma de garantir que grafites, ou mesmo edifícios, possam ser guardados de maneira perene na memória da cidade. Alguns projetos gringos que mapeiam arte nas ruas fazem isso a partir do Google Street View, apenas. Nada garante que quando o carro do Google passou, ou passar de novo, aquele grafite ainda estará lá.

Felipe me convenceu que poderíamos também ter vídeos com especialistas falando sobre cada uma das obras, individualmente. Uma loucura, produzirmos 100 vídeos, editarmos 100 vídeos. Mas compramos um tripé vagabundo na Santa Ifigênia para minha pequena câmera Flip HD, um microfone de lapela com fio, que ligamos no meu gravador digital da Sony, e fomos pras entrevistas. Aproveito para agradecer aos entrevistados, Fabio Cypriano, Felipe Chaimovich, Isabel Ruas, Pato, Ricardo Ohtake, Rosana de Paula Prado e Valter Caldana, que nos receberam sempre muito bem.

Pedimos aos nossos amigos da produtora Filmes para Bailar que fizessem a animação do logo, para inserirmos nos vídeos. O próprio Felipe desenhou o logo do projeto, aliás – orçamento baixo é assim.

Com fotos e vídeos nas mãos, começamos a edição de tudo – o que foi um erro nosso: deveríamos ter editado assim que voltávamos de cada saída, e aí não seria tão custoso editar tudo de uma só vez. Uma semana trancados, praticamente.

Compartilhamos as fotos via Dropbox com Paulo Geyer e a equipe da Galápagos. Usamos o Google Docs para compartilhar o banco de dados. Premiere para edição dos vídeos, mas simplesmente porque ainda não temos um Mac – todos dizem que o Final Cut é muito melhor.

Um detalhe: como eram relativamente longas as gravações, descobrimos que a Flip, após 10 ou 15 minutos, gera uma desincronia entre áudio e vídeo. A Flip é uma câmera incrível, pequena, custa US$ 100, mas, bem, descobrimos que não é muito profissional. Não tivéssemos gravado também na lapela, nenhum vídeo teria servido, ou pelo menos teria dado um trabalho infinito para editar.

Subimos todos os vídeos no YouTube, e todas as fotos no Flickr. Tudo foi liberado em Creative Commons, uma licença que permite a reutilização de tudo o que produzimos, desde que se cite a fonte. Primeiro, achamos que se foi feito com dinheiro público, toda a produção resultante deve ser pública. Mas também nos interessa que nosso trabalho circule, e que mais pessoas tenham acesso ao que fizemos. Assim, quem sabe, mais gente passa a nos conhecer e a nos procurar para trabalhos jornalísticos multimídia. Quem sabe. Viver de royalties é tão século 20.

O projeto está na rua, e agora queremos continuar. Este projeto foi feito praticamente por dois jornalistas, quase sem recursos – não ganhamos absolutamente nada. Mas esperamos que a ideia floresça e que alguém resolva patrocinar uma continuação, aprimoramentos, uma versão para Android. Contanto que o conteúdo seja sempre oferecido de graça, claro.

Pra finalizar, um depoimento do Felipe Lavignatti, acrescentando um pouco mais sobre a história e o processo de criação do projeto:

Eu sempre achei que de todos os cursos que ja fiz, o de desenho e pintura era o que de menos valia teve para minha profissão. Influenciado por gibis e capas de discos de rock, por alguns anos achei que esse seria meu destino: viver das minhas pinturas. Para sorte de todos, estes quadros nunca foram vistos por mais do que cinco pessoas. Quando me decidi pelo jornalismo na adolescência, a paixão pelas artes foi deixada de lado. Mas não totalmente esquecida. E agora, 20 anos após este curso de desenho feito em Jundiaí, as artes plásticas voltam a bater à minha porta. Fiquem tranquilos, não voltei a pintar nem decidi vender minhas obras primas que hoje mofam em algum canto na casa da minha mãe. A arte virou objeto para mim. No caso, objeto jornalístico. Com o Arte Fora do Museu, feito em parceria com o também jornalista e geek Andre Deak, posso satisfazer o desejo de trabalhar com arte daquele menino de 12 anos que pintava quadros duvidosos em Jundiaí. Mas mais do que isso, satisfaço meu lado jornalista ao criar um site que reúne as obras de arte em espaços públicos da cidade de São Paulo.

A ideia de mapear arte na cidade me ocorreu pela primeira vez ao visitar a FAAP durante uma exposição do fotógrafo Bob Gruen em 2007. Fiquei espantado em saber que existia no saguão de entrada da faculdade esculturas do Aleijadinho (mais tarde descobri que sao réplicas). Lembrei-me de que havia alguns cemitérios em São Paulo que também continham obras de artistas renomados, assim como grafites famosos, e resolvi fazer disso uma pauta, mapeando obras de arte ao ar livre, fora dos museus, para criar um catálogo que não existia em nenhum lugar. É fácil saber quais obras estão no Masp, no MAM, mas saber de quem é uma escultura no centro da praça da Sé é uma tarefa um pouco mais difícil. Cheguei a mandar um e-mail para um professor meu, Fabio Cypriano, que além de dar ótimas aulas é crítico de arte da Folha de S. Paulo. Ele chegou a me indicar alguns pontos na época, mas, por algum motivo, esta ideia não saiu do papel, e a visita guiada pela cidade de São Paulo ficou adormecida. Isso até o ano passado, quando o projeto foi posto no papel para ser inscrito em uma bolsa da Funarte. Foi minha primeira empreitada neste tipo de concurso, e não seria possível sem a ajuda do também jornalista e co-autor do projeto, Andre Deak. Andre tinha algumas ideias de projetos para este premio, e uma delas parecia com a pauta que eu guardava no meu bolso há três anos. Sua ideia era fazer um mapa de grafite em São Paulo. O meu era um mapa um pouco mais megalomaníaco, abrangendo tambem esculturas, pinturas e arquiteturas (sempre quis ver um site que listasse todas as obras de Oscar Niemeyer em São Paulo, e agora isso existe). Escrevendo a quatro mãos (nunca entendi este conceito, sendo que cada pessoa escreve com uma mão só…), eu e Andre fomos delineando o que teria neste site, como seria a navegação, etc. Era uma ideia muito boa e bem resolvida, por isso confiávamos que seria premiada. E foi o que aconteceu. Com a divulgação do resultado pela Funarte, o Arte Fora do Museu comecava a nascer.

O primeiro passo foi recuperar a lista de 2007. Não só a lista, mas também o contato com Fabio Cypriano. Se for para mapear as obras de arte de Sao Paulo, melhor chamar alguem que entenda muito do assunto, e Fabio era essa pessoa. Ele trouxe a ajuda do amigo Diogo Oliveira, que trabalha com turismo voltado para arte na cidade – nada mais adequado. Em diversas reuniões, nós quatro listamos pouco mais de 100 obras na cidade, discutimos quem seriam os especialistas para comentar cada peça. A partir daí, foi partir para rua e conhecer cada uma destas obras. E foi um aprendizado incrível ver cada uma destas obras ao vivo e ouvir a explicação de nossos entrevistados: o grafiteiro Pato, os arquitetos Ricardo Ohtake e Valter Caldana, a educadora Rosana de Paula Prado, a mosaicista Isabel Ruas e Cypriano, claro, que também gravou alguns depoimentos.

No fim, foi uma aula de arte feita de metrô, a pé, de carro e bicicleta em uns 7 dias de passeios de sol por lugares da cidade que eu mal conhecia. Reavaliando aquele curso feito em 1991, foi importante ter tido contato com as artes plásticas ali. No fundo, esta paixão nunca foi esquecida, sempre fui admirador. Graças ao jornalismo, agora posso trabalhar com arte sem ter que expor meus dotes na pintura (para sorte de todos).

O Paulo Geyer, programador, também mandou um parágrafo contando a experiência dele na produção do Arte Fora do Museu:

Em dezembro de 2010 o Lavignatti entrou em contato comigo, queria fazer um site com cadastro de obras de arte nas ruas de São Paulo. Não sabia exatamente o que seria, mas ao longo da conversa começou a parecer cada vez mais interessante, algo realmente diferente do que eu costumava fazer. Dei início ao projeto em Ruby on Rails. Ao longo do semestre fomos conversando e o projeto foi tomando cada vez mais forma, eu trabalhando em Florianópolis e ele em São Paulo. Não é comum achar gente que consiga trabalhar à distância, mas funcionou perfeitamente bem para nós. Enquanto produziam o material e disponibilizavam por uma planilha do Google Docs (a lista das obras), e os arquivos multimídia com as fotos e áudio via Dropbox, o site ia ganhando forma. Estava gostando muito da navegação do site com as fotos, informações e street view de cada obra, mas quando chegaram os arquivos de áudio eu tive a impressão de que deu um avanço muito grande na navegação: ouvir a explicação de cada obra enquanto se observam as fotos ou o street view melhorou muito a experiência de usuário (eu mesmo parei para rever e ouvir o áudio de diversas obras). Mas somente nos últimos meses deu pra ver todo o potencial do site, e o resultado final me agradou muito mesmo. Da próxima vez que o Lavignatti me chamar para participar de algum projeto não vou pensar duas vezes! 😉

 

PARA ACESSAR:

Arte Fora do Museu – o site

As fotos do projeto no Flickr

Os vídeos no YouTube

Para acompanhar no Twitter e no Facebook

De graça: o Manual do Jornalismo de Dados


Por Marcelo Soares (captado do blog dele, o Afinal de Contas)

Saiu nesta semana a versão em inglês, gratuita e na Web, do Data Journalism Handbook. Trata-se de um livro feito com a colaboração de vários jornalistas do mundo inteiro com alguma experiência no tratamento jornalístico de dados.

O livro reúne dicas e exemplos para quem quer conhecer melhor como func
iona essa coisa de entrevistar números como se entrevista pessoas e depois fazê-los falar usando gráficos interativos ou não.

Alguns artigos têm uma importância grande até para quem não pretende produzir nada com massas de dados, apenas compreender melhor o que lê. É o caso do artigo “Become data literate in 3 simple steps“, de Nicolas Kayser-Bril.

É um pequeno guia para ler números que viram notícia. Resumo aqui:

1. Como os dados foram coletados?
“Quando a performance está ligada à produtividade, por exemplo, policiais têm um incentivo para registrar o máximo possível de incidentes que não exigem investigação. Um crime assim é o uso de maconha. Isso explica por que crimes relacionados às drogas na França quadruplicaram nos últimos 15 anos enquanto o consumo permaneceu constante. Quando duvidar da credibilidade de um número, sempre cheque duas vezes, como você faria se fosse uma aspa de um político.”

2. O que se pode descobrir aí?
“Na média, 1 em cada 15 europeus é completamente analfabeto. Essa manchete parece assustadora. Também é completamente verdadeira. Entre os 500 milhões de europeus, 36 milhões provavelmente não sabem ler. Aliás, 36 milhões também têm menos de 7 anos de idade. Quando for escrever sobre uma média, sempre pergunte a si mesmo: ‘média de quê?’ A população de referência é homogênea? Os padrões desiguais de distribuição explicam por que a maior parte das pessoas dirige melhor do que a média, por exemplo. Muita gente tem zero ou apenas um acidente durante a vida inteira. Alguns motoristas inconsequentes têm muitos acidentes, jogando o número médio de acidentes para muito mais alto do que a maior parte das pessoas experimenta. O mesmo é verdade na distribuição de renda: muita gente ganha menos do que a média.”

3. O quanto essa informação é confiável?
“Matérias sobre os benefícios de beber chá são lugar comum. (…) Embora os efeitos do chá sejam seriamente estudados por alguns, muitas pesquisas deixam de levar em conta fatores do estilo de vida, como a dieta, a profissão ou a prática de esportes. Na maior parte dos países, o chá é uma bebida comum entre classes mais altas e mais conscientes em relação à saúde. Se os pesquisadores não levarem em conta os fatores de estilo de vida nos estudos do chá, eles não estarão dizendo nada além de ‘os ricos são mais saudáveis – e eles provavelmente bebem chá’. A matemática por trás das correlações e margens de erro nos estudos do chá está certamente correta, ao menos na maior parte do tempo. Mas, se os pesquisadores não procurarem outras co-correlações (tipo como beber chá se correlaciona à prática de esportes), seus resultados têm pouco valor.”

Este último ponto é particularmente importante.

Ontem, fui almoçar com colegas de uma editoria especializada aqui da Folha. Um deles me contou de uma entrevista que fez com um pesquisador, segundo o qual determinado fenômeno tinha tido uma redução de 1.500%. O colega sabia que nada pode cair mais do que 100% – uma queda de 1.500% significa perder tudo o que tem e ficar devendo 14 vezes tudo o que tinha antes da queda -, e portanto deixou essa informação inútil e enganosa fora da reportagem. Jornalista ligado protege até a fonte de passar ridículo.

A queda real: 97%, o que é bastante significativo. Desde que o pesquisador soubesse usar uma trena corretamente para medir as distâncias. Espera-se que sim.

Quiz City: a cidade superinteressante do Facebook

Por Lais Kerry

A história é um sonho de consumo para os cidadãos brasileiros cansados da má administração pública: diante das acusações da ativista Marina Pau Brasil (@MarinaPauBrasil), o prefeito Jânio Smart (@JanioSmart) renuncia ao cargo e deixa Quiz City livre para o povo governar. No aplicativo da revista Superinteressante no Facebook (link), criado pela equipe da Internet Núcleo Jovem, da Editora Abril, e lançado dia 26 de setembro, os seguidores devem criar uma cidade sustentável e economicamente viável levando em conta o orçamento disponível e alguns princípios básicos de economia, ecologia e urbanismo.

Para comprar e vender imóveis residenciais e comerciais, por exemplo, o participante já percebe que o preço à vista é diferente do parcelado, e na hora de planejar ele tem que equilibrar a quantidade de construções e áreas verdes – entre praças, bosques, parques, jardins, árvores floríferas e frutíferas, e até lagos.

Para Fred Di Giacomo, jornalista e editor do Núcleo (que engloba a Superinteressante, o Mundo Estranho e o Guia do Estudante), um newsgame não pode ser apenas divertido, precisa também ter navegação e jogabilidade simples, além de boas informações – é aí que entra o conteúdo da SUPER. “Para ganhar moedas e mudar de etapa, o jogador pode responder três testes de níveis fácil, médio e difícil sobre assuntos que já foram abordados em matérias da própria revista. Essa integração das pautas com os jogos é feita de acordo com o nosso público: jovens adultos de 18 a 35 anos, divididos de forma igual entre homens e mulheres, e não são heavy users [usuários assíduos e experientes em games], são leitores-internautas comuns. Por isso, a usabilidade torna-se essencial para que eles terminem a interação em 15 ou 30 minutos”, avalia.

A equipe ainda não fez grandes esforços para divulgar a novidade, porque esse é o primeiro game da Editora Abril nessa rede social e levou quase um ano para ficar pronto (entre ideia, roteiro, layout e concepção), então o momento e de teste – há alguns dias, o Facebook mudou sua política de aplicativos e passou a exigir uma conexão segura (HTTPS, em vez de HTTP), e o Quiz City acabou ficando instável no primeiro fim de semana de outubro. Por esses motivos, nada foi publicado na edição impressa do mês, mas algumas ações estão acontecendo no meio online.

Tem banner no site, uma história criada no Superblog para contar a situação da cidade com notícias bem parecidas com a nossa realidade – greve dos lixeiros, infestação de ratos e baratas e chuva forte seguida de alagamento (link) –, perfil no Twitter dos dois principais personagens (mencionados no início dessa matéria), a renúncia do prefeito (link) e até um evento no Facebook para o lançamento oficial, com mais de 500 seguidores confirmados (link). Mais de 2.500 usuários ativos até agora. Mas a ideia é fazer uma divulgação ainda mais completa. “Além dessa etapa inicial, que já envolveu algumas das nossas plataformas, vamos colocar o Quiz City como destaque principal na home da Superinteressante, convidando o leitor a ser o melhor prefeito da cidade, e reforçar a campanha nas redes sociais em que temos perfil [Facebook e Twitter]”, comenta Fred.

Os bastidores do Quiz City – o jogo da vida inteligente

Boa audiência eles já conquistaram: o Twitter da revista Superinteressante tem o terceiro maior número de seguidores entre as publicações da Editora Abril, com quase 540 mil “fiéis”. No Facebook, apesar das mais de 98 mil pessoas que já curtiram a página, ainda faltava algo: como oferecer o melhor conteúdo nessa rede social? Fred explica: “A SUPER não é apenas uma revista ou um site, queremos estar em todas as plataformas, já garantimos um grande sucesso no Twitter, temos um aplicativo para iPhone e a versão para iPad. Partir para o Facebook foi mais uma iniciativa para estar onde os leitores estão”.

Alguém até pode perguntar pelo Orkut, afinal só em setembro deste ano essa rede perdeu sua hegemonia nacional, segundo alguns cálculos, e deixou de ter o maior número de usuários brasileiros (veja notícia da Exame), mas a resposta está pronta. “O leitor da SUPER vem das classes A e B, e tem muita gente ligada em tecnologia, então a maioria é do Facebook. Ainda não recebemos reclamações por ter preferido uma em vez da outra, mas é um questão de investimento: estamos testando na rede que tem o maior crescimento no momento”, afirma.

Sair do site, um ambiente familiar na rotina dos profissionais da publicação, não foi exatamente fácil. “Nunca havíamos feito nada assim e certamente é um dos nossos maiores projetos. Depois que surgiu a ideia, na própria redação, levamos quase um ano e envolvemos muita gente: sete pessoas da equipe, um fornecedor de desenvolvimento, programação e layout, uma empresa que estruturou o roteiro, e os times de TI, administrativo e financeiro da Editora Abril. O mais complicado foi entender como funciona a mecânica de um social game e como trabalhar com banco de dados e servidores capazes de comportar o jogo”, analisa o editor.

Mas os negócios também contam, especialmente com o ineditismo dessa empreitada. “Queríamos experimentar. Esse foi o primeiro jogo da Editora Abril para o Facebook, então é interessante como business, conteúdo e audiência. Agora, estamos avaliando o desdobramento do game em etapas, com a possibilidade de ampliar e profissionalizá-lo para heavy users, além de iniciar a venda de créditos [moedinhas via pagamento online]”, revela.

Essa rentabilidade também será novidade entre os newsgames da casa. De acordo com Fred, é possível anunciar e percebe-se que as marcas querem estar associadas à inovação e tecnologia, características inerentes à SUPER, especialmente porque o tempo de interatividade e navegação dos usuários nos jogos é longo, mas até o momento nenhum foi patrocinado – hoje eles são criados e mantidos pela publicidade convencional do site (banners).

 

E quando um assunto vale newsgame?

Para manter o interesse do leitor, algumas pautas são melhores explicadas em forma de jogo, não como uma notícia comum. Então vale a máxima: informar e divertir. Para informar é preciso  ter um fato relevante na manga, e para divertir é necessário investir em usabilidade e facilidade de navegação.

A equipe da SUPER jé viu seu número de comentários nas redes sociais aumentar exponencialmente quando um game muito bom é lançado, mas não se pode generalizar –  algumas capas da revista batem recorde por si só, como a edição que trazia o médium espírita Chico Xavier. ”Se a ideia é legal, temos inúmeros posts e recebemos vários e-mails com elogios ou indicando pequenos problemas. Alguns projetos vão além: os testes multimídia Paredão da Personalidade, que remete ao programa Big Brother Brasil, da TV Globo, e o Teste de Personalidade tiveram os maiores acessos da nossa história – apesar de que eles estão no ar há mais tempo, mas é um bom indicativo”, afirma Fred.

Entre os lançamentos mais recentes, vale destaque para o game Filosofighters, que chegou a pautar uma matéria na edição impressa e, nos dois primeiros meses, foi o conteúdo mais visualizado do site, com 150 mil acessos. Além da repercussão nas redes, muitos blogs publicaram a notícia e o assunto rendeu até fora do Brasil, com a versão em inglês: o editor deu entrevista para o site Can you play the news, foi elogiado no blog de um jornalista do francês Le Monde Diplomatique, e agradou norte-americanos e argentinos (veja o post no blog da SUPER que fala desse sucesso no exterior). Poucos jogos acabam sendo transformados em outro idioma, porque o investimento é alto: somente os que têm muita relevância e são facilmente adaptáveis.

 

As pratas da casa

Esse time responsável por tantas inovações tem colhido suas glórias. O núcleo foi medalha de prata no Malofiej com o infográfico “Sondas do universo”, ganhou Prêmio Abril de 2011 em duas categorias (melhor vídeo para “O tempo que se perde perdendo tempo” e melhor uso de redes sociais para o newsgame “BBB – Paredão da Personalidade”, e foi selecionado para o File 2011 com o conjunto de newsgames produzidos no último ano.

A equipe da Internet Núcleo Jovem é bem variada e conta com 11 pessoas, entre jornalistas, designers e webmasters das áreas de computação e tecnologia. Para otimizar os recursos, todos ficam na mesma redação e fazem alguns projetos em conjunto, e os designers e os webmasters são compartilhados entre as publicações da área. “A equipe poderia ser um pouco maior e seria muito legal poder contar com alguns responsáveis só por especiais”, diz Fred. Como todos os veículos de comunicação, eles também dependem do orçamento, é natural do mercado e, mesmo assim, mostraram que é possível criar produtos e ferramentas inovadoras com o que já têm em mãos – em época de produção de algum game, eles contratam frilas, além de terem ilustrações e programação terceirizados com fornecedores externos.

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Ônibus 2.0

Recentemente, no Brasil, a comunidade Transparência Hacker conseguiu recolher, via financiamento colaborativo, cerca de R$ 60 mil para a compra de um “ônibus hacker”. A ideia é viajar pelo Brasil com hackers e jornalistas que irão ao mesmo tempo realizar oficinas pelas cidades e tentar colocar na informações  sobres gastos públicos desses municípios.

Fora do Brasil já existe um ônibus completamente equipado com computadores, redes sem fio e jornalistas, chamado ônibus 2.0. É um veículo da igreja católica, uma redação ambulante que garante a cobertura de eventos por toda a Europa. Abaixo, temos um relato sobre como ele funciona.

Por Fernando Geronazzo

Na noite de 20 de agosto, durante uma vigília que reuniu cerca de dois milhões de jovens com o papa Bento XVI, no aeroporto militar de “Cuatro Vientos”, em Madri, Espanha, uma forte tempestade quase cancelou o evento mais importante da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

 

Enquanto a multidão de jovens e o papa se encharcavam com a forte chuva e rajadas de vento que tomavam a área equivalente a 50 campos de futebol, um grupo de jovens comemorava, de dentro de um ônibus estacionado na lateral do aeroporto, a participação ‘virtual’ de milhares de pessoas que acompanhavam o evento pelas redes sociais.

Trata-se do Ônibus 2.0, de onde as redes sociais oficiais da JMJ eram monitoradas durante todo o evento, conectando milhões de jovens do mundo inteiro ao evento em Madri.

Planejado pela Alegria-Activity, a unidade móvel foi desenvolvida em um veículo de 13,80 metros. Com a lateral ampliável e removível, o espaço interior chega a quase 45 metros quadrados. Uma parede de vidro grante à sala uma iluminação natural e permite que os voluntários observem de dentro os acontecimentos externos, ao mesmo tempo que atrai os olhares de quem passa por perto. Além disso, para acompanhar a transmissão de outras mídias, há uma tela grande e um sintonizador de rádio ligado aos altofalantes do veículo.

O Bus 2.0 pode acomodar até 30 pessoas trabalhando, com 21 equipamentos instalados e capacidade de conexão para outros equipamentos portáteis com ligação à internet através de linhas ADSL e outras 3 UMTS preparadas para resolver eventuais falhas de rede. Isso garantiu a transmissão minuto a minuto de cada atividade da jornada.

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O Bus 2.0 da JMJ começou seu trabalho nas cidades Albacete e Ávila, informando sobre as atividades da juventude na preparação da jornada. Em Madri, o veículo marcou presença sobretudo nos chamados atos centrais da JMJ, como a acolhida do papa na Praça de Cibeles e a Via Crucis pelas ruas da capital espanhola.

Dentro do veículo, 60 voluntários se revezam para atualizar os perfis em 21 idiomas nas principais redes sociais: Facebook, Twitter, Myspace, Flickr, YouTube.

Bus 2.0Entre estes voluntários estava o jovem Lucas Monteiro, de São Luís do Maranhão, que desde fevereiro estava trabalhando na equipe das redes sociais da JMJ. Ele contou que o uso das redes sociais foi pensado desde o início da organização do evento “como um importante meio para que a proposta da jornada chegasse àquelas pessoas que não poderiam vir à Espanha”.

Ainda de acordo com Lucas, os jovens que acompanhavam as redes sociais da jornada se sentiam mais participantes do evento. Os peregrinos também interagiam muito com as redes sociais. “Muitos tiram dúvidas sobre a cidade de Madri, sobre as atividades culturais”.

Durante os dias da JMJ foram mais de 350 mil pessoas que seguiram os perfis das redes sociais em diferentes idiomas. Para não mencionar todos aqueles que visitaram a webTV, com conteúdo específico para a jornada, a página aberta no Flickr e o canal no YouTube, com mais de um milhão de assinantes .

Como Lucas, outros voluntários gerenciavam os diferentes perfis da JMJ nas redes sociais. O jovem croata Ana Curkovic, professor de espanhol, traduzia para seu idioma nativo todas as notícias do site oficial do evento, enquanto Liana Randazzo, dos EUA, também professora, fazia o mesmo com aqueles em Inglês.

“Os voluntários passaram dois anos trabalhando juntos”, diz Carlos Gutierrez, um dos responsáveis pela gestão do Twitter espanhol. Ele acrescenta: “Se é cansativo? Quando você faz algo que você gosta e acredita, não. E se um dia você tem menos energia, o seu parceiro lhe dá a mão”. Multiculturalismo, valores, aprendendo a cada dia da troca … “Você vê que, quando há milhares e milhares de pessoas compartilhando fotos, vídeos, conteúdo… No final não há muitas diferenças entre nós, mas um interesse comum: nós podemos ajudar a construir um mundo melhor “.

Mais fotos

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Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.

Entrevista com Paulo Fehlauer, Garapa.org


Paulo Fehlauer é jornalista. Mas também

é fotógrafo, arrisca como programador de HTML e CSS e é um dos três fundadores da Garapa, produtora multimídia que já é reconhecida dentro e fora do Brasil pelos trabalhos de qualidade. Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes são os outros jornalistas da Garapa que, como alguns casos talvez cada vez mais frequentes neste século novo, resolveram demitir seus chefes para tentar criar seu próprio emprego, buscando realizar coisas incríveis. E lançaram agora um projeto para financiamento via crowdfunding, pela plataforma Catarse.me.

Esta entrevista é parte de um projeto de mestrado, que é uma espécie de categorização de novas funções que jornalistas que estão na ponta do processo produtivo realizam. Tarefas que fazem de maneira conjunta, às vezes até sobrepostas, sem medo de tatear o novo. Ele respondeu esse mini-questionário durante o vôo que o levava para Belém, e publico aqui as respostas todas:

Você se considera um jornalista multimídia?

Pergunta difícil. Multimídia cada vez mais, jornalista talvez cada vez menos, a não ser que a definição do termo seja ampliada. Nosso trabalho tem uma base documental muito forte, mas que hoje se aproxima mais do mundo das artes visuais do que do jornalismo propriamente dito. Assim, o vínculo com a “assim chamada realidade” vai ficando cada vez mais sutil. Então ou questionamos as fronteiras do jornalismo ou nos distanciamos dele.

Como chamaria a função que desempenha hoje?
Talvez um produtor multimídia, ou um criador multimídia.

Quais atividades você realiza?
Nosso foco está em projetos com base audiovisual. Então vou da concepção à realização do projeto, trabalhando em praticamente todas as etapas: concepção, redação, fotografia, edição, video, web, distribuição. Se, em determinado projeto, não realizo alguma etapa com as próprias mãos, trabalho na orientação dessa execução.

Como é sua rotina? Quais funções específicas?
A rotina é a não-rotina. Dentro da Garapa, dividimos algumas tarefas administrativas entre os sócios e funcionários. Na minha mão ficam a contabilidade e a comunicação externa, por exemplo. Fora isso, as funções vão depender dos projetos, mas geralmente acabamos participando de todas as funções pertinentes a um trabalho.

O que cabe a você – e o que cabe ao repórter, como padrão – nas reportagens multimídia que você realizou?

Geralmente, cabem a mim as etapas da produção audiovisual – concepção visual, captação e edição de foto, áudio e video. Quando há a figura de um repórter propriamente dito, ele costuma se encarregar da concepção narrativa, pesquisa, entrevista e redação. Mas, mais uma vez, todas essas tarefas podem se confundir na execução de uma reportagem desse tipo.

Que treinamento ou quais cursos seria preciso ter para realizar o que você faz?
Eu praticamente não fiz cursos, além da graduação em jornalismo; fui aprendendo com a prática e as necessidades que surgiam. Mas o treinamento pode encurtar esse processo, tanto do lado técnico quanto na parte mais conceitual. Entre as disciplinas técnicas, eu sugeriria um treinamento básico em webdesign, arquitetura da informação e edição de vídeo. No entanto, cada vez mais tendo a questionar a figura do “homem-banda”, por perceber que o resultado de um projeto dessa linha costuma ser muito superior quando é realizado por uma equipe de profissionais qualificados em suas respectivas áreas. O treinamento técnico, assim, deve ter como objetivo familiarizar o profissional com as ferramentas e com as especificidades de cada linguagem. É o que buscamos, por exemplo, nas oficinas “Experiência Multimídia”, que realizamos pelo Brasil em 2010.

Em relação ao “treinamento” conceitual, acredito que o maior desafio colocado aos interessados nessa atividade seja a estruturação de uma narrativa ao mesmo tempo não-linear, interativa, coesa e que não seja redundante. Na web é muito fácil colocar tudo, todas as linguagens, juntos na mesma página, mas isso por si só não cria necessariamente uma narrativa interessante. Ou seja, o desafio é o mesmo desde a Bíblia, só muda a plataforma.

Como você chamaria esse (s) curso (s) ou esse treinamento?

Narrativa hipermídia, talvez. Ou Hipernarrativa. Ou mesmo “Como Dante escreveria A Divina Comédia nos dias de hoje?”, hehe.

Quais atividades você desenvolve hoje, que no início da década de 90 não existiam no jornalismo? Como você as denomina?

Várias atividades, de certa forma, já existiam: captação e edição de vídeo, áudio, foto, por exemplo, mas nunca aconteciam na mesma mesa e destinadas ao mesmo aparelho. Outras são realmente novas, como essa estruturação prévia da narrativa considerando diferentes linguagens e possibilidades. Em todo projeto multimídia do qual participei, uma das principais etapas foi definir qual papel seria cumprido por cada um dos formatos, e como integrá-los de forma a criar uma narrativa coesa e interessante.Outra característica importante desse momento de estruturação é o planejamento das possíveis formas de participação do público, seja por meio de uma simples caixa de comentários ou até da construção colaborativa da narrativa. A tudo isso eu chamaria, talvez, uma “Arquitetura da narrativa”, que deve ser pensada antes e durante a execução do projeto.

Você acha que essas são agora atividades básicas do jornalismo?

Não necessariamente, porque são mais específicas do meio online, mas eu diria que o conhecimento dessas possibilidades e especificidades deve fazer parte do repertório de todo jornalista.

Quais são os pré-requisitos para um bom jornalista hoje em dia?

Em geral, tendo a pensar que as premissas do bom jornalismo se mantêm, independentemente das mudanças de formato. No entanto, justamente por ter me afastado do jornalismo propriamente dito, começo a questionar também tais premissas. Por exemplo, se trabalhamos desde a primeira aula da graduação conscientes da inexistência da objetividade, por que não assumir então a possibilidade (e o valor) da subjetividade? A pergunta talvez soe ingênua, mas considerando que boa parte das informações que recebemos hoje já vem filtrada mais por grupos de interesse (Facebook, Twitter etc.) do que por editores sentados em suas redações, me parece que o caminho da subjetividade é quase uma realidade. Bom, divaguei, rs.

E para trabalhar no jornalismo online? Algum pré-requisito diferente?

O mais importante é entender, ou buscar entender, as dinâmicas da rede – não-linearidade, multilateralidade, capilaridade, multimídia etc. Para isso, é necessário mais disposição do que conhecimentos técnicos, já que o próprio conhecimento técnico está amplamente disponível na web.

Austin, Texas: veja a programação do simpósio internacional de jornalismo online

Nos dias 1º e 2 de abril de 2011 (uma sexta e um sábado) acontece em Austin, no Texas (EUA), o 12º Simpósio Internacional de Jornalismo Online, organizado desde 1999 pelo professor br

asileiro Rosental Alves, diretor do Knight Center for Journalism in the Americas at UT Austin. O evento terá transmissão online, como já ocorreu nos outros anos – e alguns assuntos quentes serão discutidos no encontro.

A programação completa segue abaixo, mas destaco abaixo, com horário já adaptado para o Brasil, algumas falas que devem ser bem interessantes de acompanhar:

A fala da presidente e CEO da National Public Radio, excelência em jornalismo nos EUA, Vivian Schiller, (NPR), durante a sessão de abertura: sexta-feira (01 de abril), às 11h45 até às 12h30 (horário de Brasília). Logo em seguida vem outro bom debate, “Paywalls: Charging for news content. Does it work?” (das 12h30 até 13h45, hora Brasília).

No sábado, das 12h30 até 13h45 (horário de Brasília), destaco um assunto que alguns leitores deste site acharão interessante: Nonprofit journalism online: Is the model sustainable?

Abaixo, a programação completa, no horário original (para converter ao horário de Brasília, basta somar 3 horas).

FRIDAY, APRIL 1

7:30-8:30 a.m. Registration and Breakfast

8:30-8:45 a.m. Opening Session

  • Rosental Calmon Alves, Knight Chair in Journalism and UNESCO Chair in Communication, School of Journalism, UT Austin – Symposium Chair
  • Glenn Frankel, director, UT School of Journalism
  • Amy Schmitz Weiss, assistant professor, San Diego State University – Symposium Research Chair

8:45-9:30 a.m. Keynote Address: Make New Friends but Keep the Old: How NPR is Growing Audiences and Engagement in Digital News.

Vivian Schiller, president and CEO, NPR

9:30-10:45 a.m. Paywalls: Charging for News Content. Does it Work?
Chair: Tim Lott, vice president/audience strategy, The Austin American Statesman

  • Jim Gerber, director of content partnerships, Google
  • Mark Medici, director of audience development, The Dallas Morning News
  • Jorge Meléndez, new media director, Grupo Reforma, Mexico
  • Eivind Thomsen, Schibsted Media Group, Norway

10:45-11:00 a.m. Coffee Break

11:00-12:15 p.m. Designing for iPad and Other Mobile Devices:
Chair: Renita Coleman, UT School of Journalism

  • Paul Brannan, emerging platforms editor, BBC News
  • Filipe Fortes, Chief Technology Officer, Treesaver
  • John Kilpatrick, executive creative director, The Daily

12:15-1:30 p.m. Lunch at Tejas

1:30-2:00 p.m. Keynote Address: Beyond Breaking News

  • Meredith Artley, vice president and managing editor, CNN.com

2:00-3:30 p.m. Research Panel: Examining News Innovations

Chair: Amy Schmitz Weiss, San Diego State University (Symposium research chair)

  • Tanja Aitamurto, University of Tampere, Finland, and Seth Lewis, University of Minnesota
  • Jake Batsell, Southern Methodist University
  • Mark Berkey-Gerard, Rowan University
  • Timothy Currie, University of King’s College
  • Carla Patrao and Antonio Dias Figueiredo, University of Coimbra, Portugal
  • Nikki Usher, University of Southern California, Annenberg School for Communication

3:30-3:45 p.m. Coffee Break

3:45-5:15 p.m. Research Panel: All About the Tweet and More
Chair: Cindy Royal, Texas State University

  • Dale Blasingame, Texas State University, San Marcos
  • Carrie Brown, University of Memphis, and others
  • Marcus Messner, Virginia Commonwealth University, and others
  • Elvira García de Torres (Universidad CEU Cardenal Herrera, Spain) and others

SATURDAY, APRIL 2

9:00-9:30 a.m. Keynote Address: Redefining Asia, Redefining Media

  • Madanmohan Rao, editor of The Asia Pacific Internet Handbook, India

9:30-10:45 a.m. Nonprofit Journalism Online: Is the Model Sustainable?

Chair: Paula Poindexter, University of Texas at Austin

  • Lisa Frazier, President & CEO, The Bay Citizen
  • Gustavo Gorriti, founder director, IDL-Reporteros, Peru
  • John Thornton, chairman of the board, Texas Tribune

10:45-11:00 a.m. Coffee Break

11:00-12:30 p.m. Research Panel: Beyond News Routines, Beyond News Consumption
Chair: Tom Johnson, University of Texas at Austin

  • Hsiang Iris Chyi and Monica Chadha, University of Texas at Austin
  • Ahmed El Gody, Orebro University, Sweden
  • Angela Lee, Annenberg School for Communication, University of Pennsylvania
  • Ingrid Bachmann and Summer Harlow, University of Texas at Austin
  • Jonathan Groves, Drury University, and Carrie Brown, University of Memphis
  • Brian Baresch, University of Texas at Austin, and others

12:30-1:30 p.m. Lunch at Tejas

1:30-2:00 p.m. Keynote address: Building a Platform for Neighborhood News and Information
Warren Webster, president of Patch Media

2:00-3:30 p.m. Engaging the Communities With the News
Chair: Jim Brady, consultant (former editor of TBD.com and WashingtonPost.com)

  • Espen Egil Hansen, editor in chief, VG Multimedia, Norway
  • Mitch Gelman, vice president, Clarity Digital Media – Examiner.com,
  • Jennifer Preston, staff writer (former social media editor), The New York Times
  • Amanda Zamora, social media and engagement editor, The Washington Post

3:30-3:45 p.m. Coffee Break

3:45-5:30 p.m. Research Panel: Beyond the Conversation, Beyond Engagement
Chair: Chris Kabwato, School of Journalism and Media Studies, Rhodes University, South Africa.

  • C.W. Anderson, College of Staten Island (CUNY)
  • Alfred Hermida, UBC Grad. School of Journalism (Canada), and others
  • William Moner, University of Texas at Austin
  • Seth Lewis, University of Minnesota
  • Juliana Colussi Ribeiro, Complutense University of Madrid
  • Larissa Williams, University of Texas at Austin, and others
  • 10 templates de WordPress grátis para sites jornalísticos

    Nos últimos anos acabamos procurando e instalando algumas dezenas de templates de WordPress em sites jornalísticos. Para quem não sabe, o template é aquela “car

    a” do site, já com design, que roda sobre o sistema de publicação WP, que é um software livre e grátis. Existem centenas de templates gratuitos, mas sempre é complicado encontrar algum bacana para um site de notícias.

    Fiz uma breve lista com sugestões de alguns jornalistas (eu, Felipe Lavignatti, Paulo Fehlauer e Aloisio Milani) de templates que já usamos ou que gostaríamos de usar. Se acabar usando algum, por favor deixe um comentário com um link pra gente ver como ficou. Se tiver outras sugestões, por favor também compartilhe conosco.

    CHANNEL

    http://www.theme-junkie.com/themes/channel/

    Tem uma customização um pouquinho complexa, mas não chega a precisar ser um programador para ser capaz de usar. Basta ler direito as indicações e saber um pouco de HTML. Aliás, uma recomendação boa para todos estes templates.

    PARAGRAMS

    http://www.themegarden.com/wpshower/paragrams/

    Boa disposição de páginas internas e opções de widgets com integração de redes sociais.

    SIMPLEFOLIO

    http://demo.slimmity.com/simplefolio/

    Esse foi usado pela equipe da Garapa.org para realizar esta página da produtora Frida.

    MORNING AFTER


    http://www.woothemes.com/2010/06/themorningafter/

    O Paulo Fehlauer até hoje (março/2011) mantém uma variação dele. Aliás, a Graph Paper Press tem vários temas legais. Também usei uma variação dele, o GRIDLINE LITE (www.andredeak.com.br) quando comecei. Parece que tiraram do ar a versão lite… Vou ver se ainda tenho aqui e coloco pra baixar.

    AUTOFOCUS

    http://allancole.com/wordpress/themes/autofocus/

    Esse é para fotógrafos ou revistas mais audaciosas. É antigo, mas gosto. Instalei pro site da minha mãe aliás. A versão Pro custa US$ 15.

    RETALHOS

    http://culturadigital.br/retalhos/

    Esse foi desenvolvido por nós. É um template de vídeos (posts de vídeos), que pode servir bem a várias ideias. Foi usado inicialmente na apresentação de projetos que vieram ao Fórum da Cultura Digital Brasileira em 2010. Mas instalamos uma outra versão na Casa da Cultura Digital.

    CAR VISION MAGAZINE

    http://themes.rock-kitty.net/car-vision-magazine/

    Conheci agora este, e gostei bastante. Bem atual. Dá uma olhada no demo.

    ISO THERM NEWS MAGAZINE

    http://bizzartic.com/2009/03/29/isotherm-news-magazine-wordpress-theme/

    Gostei bastante do recorte das fotos, mas parece – pelos comentários dos usuários – ser um pouco complexo de usar…

    SPECTACULAR

    http://www.smashingmagazine.com/2011/01/10/free-html-4-01-html5-wordpress-theme-spectacular/

    Este é um dos últimos lançamentos que vi, bastante atual, bonito, mas eu mudaria algumas cores. Aí tem que saber mexer no CSS… Mas se quiser usar da maneira como está, é um belo tema.

    REDEMPTION

    http://www.web2feel.com/redemption/

    Este aqui os alunos da ECA-USP usaram para o projeto final do curso numa aula do professor Eugênio Bucci de jornalismo online em que tive algumas participações. Fizeram a partir dele um site de notícias sobre as eleições 2010. Veja o template adaptado pelos alunos aqui (vale dizer que eles aprenderam tudo sozinhos, sem programador para ajudar a mudar nada).

    JORNALISMO DIGITAL


    Este é o template deste site aqui – e fica como 11ª opção. Simples, limpo, prático, bem útil. Nem precisa dizer que gosto bastante. Foi desenvolvido por nossa equipe também. Até o final desta semana colocamos ele disponível aqui para download e instalação.

    MAIS: Uma bela fonte de temas e outras coisas para WordPress é este site aqui, o Smashing Magazine.

    MAIS AINDA: Uma lista de 31 news templates para WordPress (pagos) que o colega Mario Lima Cavalcanti lembrou: http://www.wittysparks.com/2009/01/10/31-excellent-wordpress-news-themes/