Com mapa e perdido

É muito comum no jornalismo um pedido de infografia sobre um assunto qualquer e o resultado final ser muito bonito, mas pouco informativo ou prático. Este mapa do estadao.com.br, No rastro português, é um bom exemplo disso. A apresentação é linda. Ao entrar no especial, os movimentos com o mouse também impressionam, assim como todo o desenho dos boxes e do mapa. O conteúdo também é bom. É uma grande reportagem sobre a herança portuguesa nos países que tiveram sua colonização. Agora, para acessar todo este material, para navegar pelo conteúdo, você vai precisar se desdobrar um pouco.

A forma escolhida para apresentar estas nove colônias foi um mapa. Melhor escolha impossível. Aqui você consegue ver o tamanho da expansão que Portugal conseguiu. Ao clicar em cada um destes pontos abre-se um box com um pequeno texto sobre o local. Ao fim do texto, um Saiba Mais pode ser clicado para te levar para o texto completo em outra aba.

Nesta outra aba, você encontra a matéria relacionada com o ponto. Ou seja, o pequeno texto do box e mais uns poucos parágrafos. Para voltar ao especial, só trocando de aba, já que não há link algum em nenhuma das nove matérias. Em resumo, o especial é uma lista de nove links para matérias que fazem parte de uma grande reportagem.

É fácil notar que todo o material aqui veio do impresso e foi adaptado (tem até um leia mais na Página 12 na matéria de Angola). Ainda tem a matéria de apresentação da reportagem, que só pode ser acessado na tela inicial do infográfico no Saiba Mais. Se você não clicar ali, você não vai achar tão fácil este texto. Nesta matéria principal há links para os outros textos, mas somente dois, inexplicavelmente.

Devem ter gasto um bom tempo fazendo o mapa animado e os desenhos. O resultado estético ficou lindo, mas pouco prático. Nem sempre o conteúdo do papel é transposto da melhor forma para a internet e No rastro português é um exemplo disso. Para finalizar, deixo os links aqui de cada um dos nove pontos. Não é tão bonito como no mapa, mas é tão eficaz quanto.

Matéria principal

Timor Leste
Macau
Goa
Moçambique
Angola
São Tomé e Príncipe
Guiné-Bissau
Cabo Verde
Brasil

E tem mais esse, sobre os eventuais riscos antes de viajar.

 

Visualização de dados em mapas no jornalismo do New York Times

Por Felipe Lavignatti

Os dados dos censos produzidos pelo IBGE podem ser incrivelmente detalhados e difíceis de visualizar – e é aí que entra o trabalho dos bons jornalistas do século 21. Com recursos de interatividade e de visualização de dados e

m mapas, é possível comparar cidades em diversos aspectos sociais e econômicos. No Brasil, esses dados sempre são mostrados na imprensa com gráficos em barra ou linha, de maneiras simples e sem muita criatividade. Quando transpostos para um mapa, então, os dados nunca mostram todos os graus das diferenças que as pesquisam apontam.

Nos EUA, os dados disponíveis pelo censo norte-americano foram usados pelo The New York Times para criar um mapa de etnias dos cidadãos americanos: negros, brancos, asiáticos ou latinos, conforme cada um se identifica. A solução comum neste tipo de mapas seria mostrar uma cor predominante para cada cidade, conforme for a maioria de seus habitantes. o NYT fez diferente, e representou as etnias por micro-regiões, chegando a identificar quase cada quadra.

Peguemos Manhattan, acima, por exemplo. Colocar uma cor só ali seria uma informação errada. É interessante notar que na parte sul da ilha temos uma predominância de brancos, enquanto na parte norte – a mais pobre – temos muito mais negros e hispânicos. No sul, em Chinatown, temos muito mais pontos representando os asiáticos.

Os sites jornalísticos brasileiros poderiam criar algo do tipo com dados do Censo brasileiro. Seria interessante notar essas diferenças em um nível maior do que somente de cidades para cidades, mas perceber como os bairros de distinguem.

Facebook

Na mesma semana, outro mapa que também chamou a atenção foi o do Facebook, mostrando a navegação entre os usuários. Na verdade nem é bem um mapa, mas sim uns pontos para cada lugar onde há alguém com uma conta no Facebook.

Para perceber isso, basta verificiar a Rússia, cujo norte não está sequer desenhado no mapa, pois não há usuários ali. O Brasil mostra como o Facebook é muito mais popular nos grandes centros. O Centro-Oeste quase não tem linhas. Aqui no Brasil o Orkut ainda reina absoluto, o que pode explicar esses vazios.