G1 e o especial sobre o Facebook

O G1 lançou uma reportagem especial interativa sobre o Facebook, agora que suas ações estão abertas na bolsa e a empresa está ainda mais valiosa, e seus acionistas mais ricos. A reportagem entra como um dos grandes exemplos recentes de trabalhos criativos, com opções interativas bastantes atrativas.

Não é o primeiro trabalho que explora o HTML5 no Brasil como narrativa jornalística. O próprio G1 já tinha lançado um especial sobre o Corinthians, no final de 2011, outro no dias das mães (não estou mais achando o link, quem me passa?), e o UOL andou explorando a linguagem num especial sobre o terremoto do Japão. Todos testam o que vimos chamando de sites-reportagem, uma linha bem pouco explorada, em geral, no jornalismo brasileiro, mas muito bem executada em outros países.

A ideia do G1 foi utilizar o formato da linha do tempo do próprio Facebook como moldura para seu conteúdo. Ficou interessante, bem executado, especialmente as brincadeiras com a linguagem do próprio FB, como os “curtiu”, e memes que circulam por lá. Seria legal também ter feito, além do site-reportagem, uma timeline como fez o New York Times, usando o próprio timeline do Facebook para contar uma história. O NYT contou ali sua própria história, mas o G1 poderia ter brincado com a meta-linguagem da coisa e contar a história do Facebook no Facebook – o que permitiria aumentar os acessos à página oficial do G1 naquela rede. O NYT tem 2 milhões de “curtiu” na sua página.

Um detalhe sobre a estrutura do HTML5: seria perfeito se, ao rolar a página pra baixo, os anos fossem mudando automaticamente. Como está, os anos ficam marcados independente da navegação pela rolagem.

Muito boas as interações com notícias do G1 e a rádio com músicas do Roberto Carlos.

Abaixo, Amanda Demetrio, repórter deste especial do G1, conta como foi o processo de criação:

A ideia de criar um infográfico tipo “Linha do Tempo” sobre a história do Facebook veio logo no começo de fevereiro, quando o Facebook apresentou os documentos para realizar o IPO. Sabíamos que teríamos que preparar um material longo sobre o assunto   e que teríamos que contar a história da rede social de algum jeito. Importante frisar que a ideia não foi minha, e sim do outro repórter que trabalha aqui, o Gustavo Petró (@gustavopetro).

 

Como o Petró é mais focado em games e eu já tinha lido um livro sobre o Facebook e feito um especial sobre o assunto, decidimos que eu ia ficar mais focada nisso, mas todos ajudaram muito, inclusive a Daniela Braun, nossa editora (@dani_braun), e a Laura Brentano (@laurabrentano), também repórter da editoria.

 

Pegamos muito material envolvendo as origens da empresa no “Bilionários Acidentais”, do Ben Mezrich, e no “Efeito Facebook”, do David Kirkpatrick. Além disso, usamos informações das fontes que vemos todos os dias para fazer uma ronda por aqui: blogs de tecnologia e os grandes jornais. Montei um texto grande e enviamos pro pessoal da arte.

 

Na arte, o Gustavo Miller (@gustavomiller) coordenou todo o processo e deu ideias ótimas para deixar tudo mais interativo. Também teve a equipe de arte: Dalton Soares, Daniel Roda, Elvis Martuchelli, Leo Aragão e Rafael Soares. A pesquisa de vídeos foi da Flavia Rodrigues.

 

Depois que enviamos o texto pra lá, rolou essa ideia de fazer uma coisa mais interativa, com itens que poderiam ser clicados pelas pessoas –no infográfico dá, por exemplo, pra você ouvir a música “Eu quero apenas”, do Roberto Carlos, na Rádio Globo. A ideia também era incorporar no infográfico algumas das principais “brincadeiras” que são feitas dentro do Facebook. Temos um “Keep Calm”, uma frase falsa da Clarice Lispector e um “Como as pessoas me veem”, por exemplo.

 

Em termos de linguagem, pensamos em usar muito do que acontece dentro do Facebook para contar algumas partes da história. Usamos muito o “cutucar” e o “curtir”. No post do filme sobre o Facebook, colocamos, por exemplo, que “A Academia curtiu”.

 

Houve uma longa pesquisa de vídeos para ilustrar certos momentos da história do Facebook também.

Arcade Fire e as narrativas interativas

Por Felipe Lavignatti

Quando o Arcade Fire lançou seu clipe para a música que dava título ao seu segundo álbum, Neon Bible, um novo formato de divulgação musical surgia, o videoclipe

interativo. É impossível transpor esta experiência para qualquer MTV do mundo. A TV digital não chegou ainda a esta sofisticação, mas é possível imaginarmos num futuro mais clipes neste formato não só vistos em browsers, mas também em tevês, celulares, etc.


O primeiro clipe interativo da banda

O primeiro vídeo de divulgação do segundo álbum não era bem um vídeo. Neon Bible tem uma navegação simples, interativa e sem muitas mudanças. Por mais que a experiência mude dependendo de seus cliques, o vídeo não dá muitas opções. Na última experiêmncia da banda, essa limitação não existe mais.

We Used to Wait, do mais recente álbum, The Suburbs, foi a música usada para a uma experiência em HTML5. No site http://www.thewildernessdowntown.com, feito em conjunto com a equipe do Google Chrome, o Arcade Fire te leva em uma viagem com pássaros e um corredor solitário no endereço que você escolher. Assim que carregar a página (somente no navegador Google Chrome funciona, importante notar), o site te pede para colocar o endereço de onde você nasceu. A ideia é levar a história para este lugar, mas não precisa ser necessariamente ali, claro. Um endereço com Google Street View torna a experiência ainda mais legal, mas não é necessário.


Interatividade no HTML5

Carregado o site já com o endereço, é só observar e assistir um vídeo de um homem correndo por uma rua genérica, mas que pretende ser a sua. Para passar essa impressão, uma das janelas abertas carrega o Google Maps com o endereço que você indicou. Uma outra janela abre Google Street View do mesmo ponto. Conforme o protagonista vira, a visão vai alterando nestas outras duas janelas.

No meio da música, abre-se uma nova janela para vocês escrever o que quiser ou desenhar ali. A fonte e os traços ganham contornos de árvores e seus galhos recebem logo após isso a visita dos pássaros que te acompanham durante todo o vídeo. Dali eles passam para o endereço onde o protagonista voltou a correr. No Maps, no vídeo do corredor e no Street View, os pássaros vão caindo no chão e se transformando em árvores.

Esta experiência interativa chama a atenção mesmo com endereços que não tem o menor valor sentimental (só achei lugares com Street View fora do país, nenhum com relação a algum fato marcante da minha vida). Para quem der sorte de achar um lugar já coberto pelo Street View, com certeza o impacto deve ser outro.

Nos anos 80 a MTV foi acusada de matar as estrelas do rádio (a música que representou este período é Video killed the radio star dos Buggles, de 1979). Claro que o rádio não morreu após a TV, nem a TV vai desaparecer com a internet. Mas clipes como estes do Arcade Fire apontam um caminho para a evolução – só nos resta saber quando chegará.


Um recado no clipe da música D.A.N.C.E. dos franceses do Justice