Manuais: vídeo online e redes sociais

Começamos a produzir em 2011 dois manuais: um sobre vídeo online, e outro sobre redes sociais. Culpa minha, pensando sempre em publicar manuais que fossem referência sobre o assunto, e sendo o ótimo inimigo do bom, e contrariando sobretudo a regra hacker “release early”, os manuais até hoje não foram terminados, nem publicados. Bem, agora estão publicados aqui.

Os guias são fruto do trabalho que desenvolvemos durante anos na Casa da Cultura Digital, e foi produzido em conjunto por muita gente de lá. São uma tentativa de sistematizar o conhecimento que reunimos, em duas frentes:

Manual de distribuição de vídeo online

Como tirar um arquivo de vídeo de um DVD e jogar na web, da melhor maneira possível? Nós tivemos que aprender na marra, e não foi fácil, sem um lugar que pudesse ensinar isso – apenas fóruns de discussões, listas de videomakers, conversas no corredor. Qual o melhor software para converter arquivos? E para juntar partes de vídeos? E como editar um vídeo que veio do celular, e depois jogar na web? Jogar onde?

Este livreto é uma tentativa de juntar esse conhecimento. Traz uma breve explicação sobre formatos de arquivos de vídeo na web, um passo-a-passo em dois sistemas de conversão (VLC e Format Factory), e um guia comparativo sobre plataformas de distribuição de vídeo online. Precisa de atualização (se alguém quiser entrar nessa pode ser uma boa), mas serve pra muita coisa. Tudo isso me ajudou muito.

Manual de Ativação de Redes Sociais

Este trabalho é uma sistematização das redes sociais existentes em 2011/2012, e um guia sobre como trabalhar com elas, e por quê. Twitter, Facebook, FormSpring, Delicious, Flickr, Internet Archive, Tumblr, MySpace, YouTube, Vimeo. E alguns cases de usos de redes.

Tenho mostrado em aulas, e distribuído esses livrinhos por aí (em pdf), mas passou da hora deles estarem na web. Aqui vão.


 

Agradecimentos aos que participaram de alguma maneira aí no projeto, e desculpas se esqueço de alguém: VJ Pixel, Juliana Protássio, Tiago Pimentel e equipe Interagentes, Cardume Estúdio (que ainda eram os irmãos Luiza e Miguel Peixe então), Aloisio Milani (que revisou um trabalho do site Guia do Vídeo Online), o Felipe Lavignatti, que deve ter ajudado com alguma coisa que não lembro, e entre outros tanto aí. Praticamente todos que trabalharam nesses livrinhos não estão mais lá na Casa da Cultura, aliás, mas firmeza, tamos na área.

Jogo BBB РMaking of do Pareḍo da Personalidade

Por Adriana Teodoro dos Santos

Fred Di Giacomo é editor do Internet Núcleo Jovem, da Editora Abril, responsável pelos sites das revistas Superinteressante, Aventuras na História, Mundo Estranho e do Guia do Estudante, da Editora Abril. Experiência com criação e edição de newsgames, infográficos, jogos, edição de texto, gerenciamento de equipe (2 designers, 2 webmasters, 2 estagiários, 2 repórteres, 1 editor-assistente), desenvolvimento de projetos publicitários com o marketing, redesenho de site, operação de publicadores e análise e produção de relatórios de audiência, e é um dos principais responsáveis pela introdução dos newsgames no Brasil. Nesta entrevista, ele fala como surgiu o “BBB – Paredão da Personalidade”, newsgame que venceu o Prêmio Abril 2011.

No mês de abril de 2011, a revista super interessante foi duplamente campeã nas categorias digitais do Prêmio Abril de Jornalismo, uma das mais tradicionais premiações do jornalismo brasileiro. O feito, junto com o prêmio que a revista ganhou na categoria “melhor infográfico”, fez a super ser a segunda publicação mais premiada no ano, atrás somente para a revista Veja.

Um dos ganhadores foi o teste-quiz “BBB-Paredão da Personalidade”, que levou na categoria “uso de redes sociais”. O jogo marcou o site da SUPER na época por diversos motivos, mas um dos importantes foi o questionamento sobre o tema: “a gente falando de Big Brother? Mas pode isso? Pode”, diz Fred. E explica como a história surgiu:

No verão passado, o programa do Pedro Bial, como em quase todos os verões da última década, era assunto recorrente em mesa de bar, Twitter, fila da farmácia e sala de espera de consultório. Na redação da SUPER não foi diferente. Alguns editores dedicavam boa parte de seu tempo no café da máquina discutindo a respeito do comportamento da então webcelebridade Tessália no programa, a redenção de Dourado, o bom-mocismo aguado (para uns) ou lindinhos (para outras) de Cadu. Sim, estávamos falando de um programa que muitos torcem o nariz para confessar que, se não assistem, pelo menos acompanham. Cá entre nós: é muito difícil estar em janeiro no Brasil e passar incólume pelo BBB. Conosco não é diferente.

Foi aí que pensamos em usar o jeito da SUPER enxergar o mundo para tratar o Big Brother. Com o aval do diretor de redação Sergio Gwercman, sugeri ao o resto da equipe do site a explorar o tema. Usamos um grande sucesso nosso de 2009, o Teste de Personalidade, como base para a mecânica. Ele havia sido feito a partir da Teoria dos Cinco Grandes Fatores, de Robert McCrae e Paul T. Costa, estudo que busca entender padrões de comportamento.

A partir de então, debruçamo-nos – com a essencial ajuda de fontes fanáticas por BBB (essas que assinam o pacote PPV todo ano) – sobre as biografias de todos os participantes de todas as edições do programa (incluindo a que estava rolando). Mais que a biografia, o que nos importava, de fato, era o “personagem” que cada pessoa encarnara no programa. Não nos interessava saber se, por exemplo, o “doutor Gê”, do BBB5, era um sujeito mal fora da casa. Mas, no programa, ele ficou com a fama de vilão. Era isso que valia, pois o objetivo do jogo era mostrar, com base nas suas respostas, com quem você se pareceria se participasse do Big Brother.

Assim, agrupamos os participantes mais notórios da história do programa em categorias opostas: equilibrado-explosivo, polêmico-agradável, relaxado-reservado, bagunceiro-consciente, liberal-conservador. Cada categoria tinha graus de intensidade. Por exemplo: do mais liberal (Priscila, do BBB9, que dava em cima dos homens e falava de sexo sem nenhuma vergonha) ao mais conservador (Íris, BBB7, que segurou a onda de Diego “Alemão” quase o programa inteiro).

“Todo mundo já se imaginou lá dentro. E ainda pensa ‘nossa, eu ia rodar na primeira semana, ia brigar com todo mundo”. A gente bateu muito nessa tecla enquanto apurava e desenvolvia o newsgame (vai dizer que você não pensou isso também?). Então, decidimos que precisávamos dizer quantas semanas as pessoas durariam de fato no programa. Uma brincadeira que exigiu horas de reunião e algumas discussões para se chegar à fórmula que diria os 15 participantes do programa com quem você se pareceria se estivesse lá dentro – e quantas semanas iriam durar até ser eliminado pelo Bial.

Tá, mas 15? Quem se parece com tanta gente? Bem, primeiro que é um jogo, por mais que tenhamos nos baseado em teorias sérias e tivéssemos contado com a ajuda de uma psicóloga especialista em BBB para criá-lo, nunca tivemos a pretensão de fazer um teste psicológico – até porque isso não se faz pela internet, é preciso acompanhamento profissional.

E segundo porque a gente não é 100% parecido com alguém (afinal o nome disso é “idêntico”). Já reparou que quando está com a namorada você parece seu pai, quando tenta separar uma briga você age como um amigo de infância, quando vê uma injustiça você gesticula como seu avô e usa argumentos fortes como aquele antigo professor super legal? Então, dependendo do tipo de situação, temos um padrão de comportamento. Essa era a idéia.

A ativação das redes sociais

A melhor sacada, no entanto, veio bem no fim. Era tarde da noite, estávamos com prazo apertado, e então um trote deu a idéia que criou o viral. Um amigo nosso de outra redação da Abril ligou para todos os nossos ramais, usando uma voz robótica para nos chamar para conversar no RH. Ops. Passados o susto, a raiva e os risos quando descobrimos o autor da piada, a designer Fabiane Zambon sugeriu explorarmos o site da voz eletrônica para localizarmos uma configuração semelhante à voz usada pelo “Big Fone”, a voz que decidia o futuro de quem atendesse um telefonema específico no programa, e usá-la para apresentar o jogo a formadores de opinião na internet.

“Atenção. Preste muita atenção. Você foi indicado para o Paredão da Personalidade da Superinteressante. Acesse…” Assim, com a voz do “Big Fone”, nas últimas semanas do BBB10, ligamos para dezenas de jornalistas, publicitários, blogueiros, twiteiros (teve até colírio da CAPRICHO no bolo), que abraçaram nossa idéia e viralizaram o jogo. O resultado foi um recorde de audiência no site da SUPER, o primeiro grande passo que nos levou a um milhão de visitantes únicos em 2010 – e ao Prêmio Abril de Jornalismo.

O editor Felipe Van Deursen, autor deste texto e um dos criadores do game “BBB – Paredão da Personalidade”

Créditos da equipe que fez o BBB Paredão Personalidade

 

Concepção, reportagem e edição: Felipe van Deursen, Kleyson Barbosa

Concepção e Design: Fabiane Zambon

Reportagem: Ana Carolina Prado

Programação: Bruno Xavier e Tadeu Correa

Colaboração: Fernanda Negrini e Gabriel Gianordoli

 

Jogo:
http://super.abril.com.br/multimidia/info_541776.shtml

 

Este texto é um trabalho para a disciplina design informacional, da pós-graduação 2011 na PUC-SP.